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sábado, 14 de dezembro de 2013

Recordações de um "clássico/derby" Sporting - Belenenses (época 1954/55).


 
Realiza-se esta noite (20h30m), dia 14 de Dezembro de 2013, no Estádio José Alvalade, mais um grande "clássico/derby" do futebol português, Sporting-Belenenses, a contar para a 13ª jornada do Campeonato Nacional, cujo confronto lisboeta encerra já uma longa e rica história com muitos episódios e peripécias para contar.
Com efeito, os "derbies" entre o Sporting e o Belenenses são dos jogos mais antigos, populares e carismáticos da cidade de Lisboa, ou não se tratassem de dois dos maiores clubes do futebol português que já se defrontaram por 72 vezes em jogos a contar para o campeonato, tendo o Sporting como clube visitado, seja nos antigos recintos do Campo Grande e do Lumiar, seja no Estádio Nacional ou, a partir de 1956, no antigo e saudoso Estádio José Alvalade, ou ainda no atual estádio, desde 2003.
Desses 72 confrontos a contar para o "Nacional" da 1ª Divisão, tendo o clube de Alvalade como anfitrião, há a registar 56 vitórias para o Sporting, 11 empates e apenas 5 vitórias para o Belenenses. Esta estatística mostra, desde logo, uma clara superioridade caseira do Sporting diante do Belenenses e, consequentemente, uma longa tradição de grandes dificuldades sentidas pelo clube do Restelo sempre que teve de se deslocar ao terreno dos "leões". Curiosamente, as 5 vitórias alcançadas pelo emblema da "Cruz de Cristo" diante do Sporting nunca foram obtidas no Estádio José Alvalade, quer no antigo, quer no atual.
Na verdade, aqueles 5 triunfos foram todos obtidos antes de 1956, mais concretamente em 3 estádios diferentes: no Campo Grande (época 1934/35, vitória por 3-1; época 1936/37, vitória por 3-2); no Campo do Lumiar (época de 1941/42, vitória por 4-1; época de 1949/50, vitória por 1-0); no Estádio Nacional (época de 1954/55, vitória por 2-1).
 
Bonito palco do Jamor onde teve lugar o Sporting-Belenenses
da época de 1954/55.

 
É precisamente esta última vitória alcançada pelo Belenenses, no Estádio Nacional (terreno "emprestado" ao Sporting), há já quase 6 décadas, que o Armazém Leonino recorda hoje, sendo que, desde então, nunca mais os "azuis" do Restelo lograram vencer no reduto leonino. Curiosamente, e tal como hoje, também aquele jogo da época de 1954/55 se realizou à 13ª jornada do campeonato nacional e em plena época natalícia, mais concretamente, a 26 de Dezembro.
 
Bonita e espetacular imagem onde se observa um lance disputado entre
dois dos protagonistas do "clássico" do Jamor de 1954: Matateu e Juca,
os marcadores dos golos da partida (Sporting - 1 / Belenenses - 2).
 
O "herói" deste jogo foi o grande jogador belenense de seu nome completo, Sebastião Lucas da Fonseca, que ficou popularmente conhecido, na História do futebol português, por Matateu, o extraordinário avançado moçambicano, um dos melhores de sempre do futebol português e um dos maiores símbolos do Belenenses. Naquela tarde fria de Dezembro, Matateu foi o autor dos 2 golos com que o Belenenses derrotou o então tetracampeão nacional Sporting, que já só contava no seu plantel com 3 dos famosos e inesquecíveis "cinco violinos": Vasques, Travassos e Albano, se bem que neste jogo só tenham jogado 2 deles (Vasques e Travassos).
O também excelente médio leonino Juca foi o autor do golo solitário dos "leões". Todos os golos da partida foram marcados na 2ª parte, tendo o Belenenses se adiantado no marcador por intermédio de Matateu ,aos 54 minutos. Pouco tempo depois, Juca ainda restabeleceu a igualdade, mas aos 82 minutos, o avançado moçambicano voltou a marcar, fixando o resultado final em 2-1 a favor do emblema da "Cruz de Cristo". No final dessa época, culminando uma excelente temporada ao serviço do Belenenses, Matateu sagrou-se o melhor marcador do campeonato, com 32 golos apontados, conquistando a sua segunda "Bola de Prata".
A título de curiosidade, refira-se ainda que este "clássico" foi arbitrado pelo tristemente famoso árbitro de Évora, Inocêncio Calabote, que viria a estar ligado a um caso de corrupção envolvendo o Benfica, vindo, pouco tempo depois, a ser irradiado da arbitragem. No entanto, neste "derby" Sporting-Belenenses de 1954 não consta que tenham havido quaisquer "casos" ligados à arbitragem de Inocêncio Calabote, à parte a expulsão do extremo esquerdo leonino Mendonça!
 
Uma das equipas-tipo do Sporting da época de 1954/55.
Em cima: Janos Hrotko, Rita, Carlos Gomes, Passos, Galaz, Caldeira e Juca.
Em baixo: Hugo, Vasques, João Martins, Travassos e Mendonça.
 
Para a história deste "clássico" Sporting-Belenenses de Dezembro de 1954, recordamos a equipa leonina que alinhou no Estádio Nacional, há quase 60 anos: Carlos Gomes; Caldeira, Passos e Pacheco; Janos Hrotko e Juca; Hugo, Vasques, João Martins, Travassos e Mendonça.
Regressando a 2013, e concretamente ao "derby" desta noite, esperamos e desejamos que a tradição se mantenha e que ainda não seja desta vez que o Belenenses quebra o enguiço de quase 6 décadas sem vencer no terreno do Sporting.
Em meados da década de 50, existia um grande "equilíbrio de forças" entre Sporting e Belenenses, com jogos muito disputados e de resultado imprevisível, dada a qualidade dos jogadores que integravam as duas equipas lisboetas. Nos últimos anos e, em particular, hoje em dia, existe uma grande diferença em termos da qualidade e poderio dos respetivos plantéis, com clara vantagem para o Sporting. Mas tal superioridade tem de ser demonstrada na prática, dentro das quatro linhas e ao longo dos 90 minutos que dura a partida. Sabemos que já não há jogos fáceis e quando menos se espera as equipas teoricamente mais fracas podem "bater o pé" aos chamados "grandes", tal como, aliás, já aconteceu neste campeonato e tem acontecido sempre ao longo dos anos.
Portanto, todo o cuidado é pouco para prevenir quaisquer surpresas desagradáveis e eventuais dissabores. É como diz o ditado popular: "Cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém"! O Sporting está avisado para as dificuldades que poderá encontrar por parte do seu opositor e está preparado, quer do ponto de vista físico e mental, quer do ponto de vista técnico e tático, para levar de vencida o seu adversário. A equipa leonina é superior à equipa belenense, mas tem de o provar em campo, para poder alcançar a tão desejada vitória e conquistar mais 3 pontos, tendo em vista continuar na frente do campeonato e até aumentar a vantagem para os seus mais diretos perseguidores, espreitando uma eventual escorregadela de F.C. Porto e Benfica.
 
 

sexta-feira, 5 de março de 2010

Belenenses - 2 / Sporting - 2 (1954/55): O "derby" mais triste da história do clube da "Cruz de Cristo" e de João Martins

Os jogos "Belenenses-Sporting" ou "Sporting-Belenenses" constituem, pela sua grandeza, importância e antiguidade históricas, um dos maiores "derbies" do futebol português e, em particular, da cidade de Lisboa, tendo muitos dos confrontos, entre o clube do Restelo e o clube de Alvalade, ficado na História do Campeonato Nacional da 1ª Divisão.
A propósito da partida "Belenenses-Sporting" do próximo domingo (7 de Março), o Armazém Leonino recorda hoje, precisamente, um desses "derbies" históricos e memoráveis, que entrou para a História do futebol português, por diversas razões, as quais passamos a descrever.

Vista panorâmica do bonito Estádio do Restelo (inaugurado em Setembro de 1956)
com a bela paisagem de fundo (Rio Tejo) a enquadrar o magnífico recinto belenense.

A 24 de Abril de 1955, no antigo Campo das Salésias (recinto do Belenenses que antecedeu o Estádio do Restelo, inaugurado em Setembro de 1956), o Belenenses recebia o Sporting em jogo a contar para a última jornada (26ª) do Campeonato Nacional da época de 1954/55. Quis o destino que ficasse reservada para essa última jornada do campeonato a decisão relativa ao campeão nacional dessa época. O Belenenses e o Benfica lutavam, "palmo a palmo", pelo título nacional, e à entrada para a última jornada, o Belenenses tinha 1 ponto de vantagem sobre o Benfica.
A cerca de 5 minutos do final do encontro, o Belenenses vencia o Sporting por 2-1 e, como tal, estava prestes a sagrar-se campeão nacional. Quando os milhares de adeptos do clube da "Cruz de Cristo" já festejavam nas bancadas a conquista do título, o avançado leonino João Martins marca o golo do empate, aos 86 minutos de jogo, destruindo o sonho do título das gentes de Belém que não queriam acreditar no que estava a acontecer. A alegria dava lugar ao desespero! O sonho transformava-se em pesadelo!
Com efeito, com a vitória do Benfica sobre o Atlético por 3-0, no Estádio da Luz e com o empate (2-2) verificado nas Salésias, Benfica e Belenenses chegavam ao final do campeonato com os mesmos pontos (39), mas como o Benfica possuía vantagem no confronto directo com o clube do Restelo, o clube das "águias" sagrava-se campeão nacional.
Rezam as crónicas da época, que João Martins, logo a seguir a ter apontado o golo do empate, abeirou-se do guarda-redes belenense, José Pereira, e pediu-lhe desculpa emocionado, começando a chorar e não conseguindo conter a emoção e a tristeza que lhe ia na alma por ter causado tamanha infelicidade e tão grande desgosto na família belenense que via, de forma inglória e dolorosa, fugir-lhe o título a 4 minutos do final da partida.
No final do dramático encontro para os jogadores do clube do Restelo, João Martins, inconsolável, associava-se à dor e à infelicidade vivida pelos jogadores do belenenses. Com esta atitude, João Martins mostrava, por um lado, a lealdade e sentido de profissionalismo relativamente ao emblema que envergava e, por outro lado, o seu elevado espírito desportivo verdadeiramente invulgar e digno dos maiores elogios e louvores.

João Martins, o "6º violino" e uma das lendas do futebol leonino.

O gesto e a atitude nobres reveladas por João Martins neste episódio, demonstram bem as suas qualidades humanas fora do comum e simbolizam o comportamento exemplar de que sempre deu mostras, dentro e fora do campo, ao longo da sua carreira. Para premiar o seu exemplar "fair-play" desportivo e pelo facto de, ao longo da sua carreira, nunca ter sofrido um único castigo, João Martins viria a ser agraciado com a medalha de exemplar comportamento pela Federação Portuguesa de Futebol.
Este é o 4º artigo (depois dos anteriores de 22/1/2009, 10/8/2009 e 19/1/2010) em que o Armazém Leonino faz referência a João Martins, na verdade, um dos futebolistas e atletas da História do Sporting, por quem temos maior admiração, estima, respeito e carinho.
Para a história, aqui deixamos a constituição da equipa leonina que alinhou neste célebre jogo das Salésias: Carlos Gomes; Caldeira e Galaz; Barros, Passos e Juca; Hugo, Travaços, Mokuna, João Martins e Albano.
Albano e João Martins foram os autores dos golos do Sporting. Com o empate (2-2), o Sporting terminava o campeonato no 3º lugar, com 37 pontos, menos 2 que os seus rivais lisboetas.