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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

José Carlos faz hoje 70 anos!

Faz hoje precisamente 70 anos que nasceu, em Vila Franca de Xira, a 22 de Setembro de 1941, José Carlos, o grande defesa e capitão leonino das décadas de 60 e 70.
Como grande figura do Sporting e do futebol português que foi, o Armazém Leonino não podia deixar passar em branco esta importante e festiva data, felicitando e endereçando os parabéns a José Carlos. Como forma de celebrar o 70º aniversário do grande defesa e capitão leonino, o Armazém Leonino recorda, a seguir, o seu brilhante currículo e palmarés desportivo, acompanhando essa descrição com bonitas imagens que retratam um pouco da sua carreira.

Na verdade, José Carlos foi um dos maiores defesas da História do futebol leonino e um dos melhores de sempre do futebol português, tendo construído uma carreira brilhante ao serviço do Sporting, clube que representou durante 12 épocas, mais concretamente, entre 1962/63 e 1973/74.

Equipa leonina da época de 1971/72 (revista "Ídolos do Desporto", 7ª série, nº1, Dezembro de 1971).
José Carlos é o 2º jogador em cima a contar da esquerda.

José Carlos ingressou no Sporting com 21 anos, no início da temporada de 1962/63, vindo da CUF, tendo feito a sua estreia com a camisola leonina a 20 de Outubro de 1962, no Estádio José Alvalade, frente ao Atlético, em jogo a contar para a 1ª jornada do campeonato, que os "leões" venceram por 5-3.

Equipa leonina da época de 1966/67.
José Carlos é o 3º jogador em cima a contar da esquerda.

Durante as 12 temporadas de "leão ao peito", José Carlos conquistou diversos títulos e troféus, incluindo o prestigiado prémio Stromp (1971), sendo um dos futebolistas que mais vezes envergaram a camisola leonina, num total de 348 partidas oficiais.

Equipa leonina que conquistou, em Maio de 1964, a Taça das Taças na finalíssima
de Antuérpia, com vitória (1-0) diante do MTK de Budapeste (Hungria).
José Carlos é o 1º jogador em cima a contar da direita.

José Carlos era, de facto, um defesa de grande categoria, revelando uma enorme polivalência e versatilidade nas tarefas defensivas, podendo jogar com igual eficácia quer a defesa central, quer a defesa direito ou esquerdo. José Carlos era um defesa completo, na medida em que era tão bom na marcação individual aos avançados, como nas "dobras" aos seus defesas, destacando-se pelo seu excelente posicionamento táctico e elevada concentração, aliadas a uma enorme combatividade e garra que punha em campo.

Equipa leonina da época de 1972/73.
José Carlos é o 3º jogador em cima a contar da esquerda.

Foram, aliás, estas qualidades e ainda a capacidade de liderança revelada desde cedo por José Carlos que lhe conferiram um importante estatuto dentro da equipa leonina, não admirando que rapidamente chegasse a capitão do Sporting, após o abandono prematuro por lesão de outro grande defesa e capitão leonino, Fernando Mendes.

O capitão leonino José Carlos ergue a Taça de Portugal
conquistada, na época de 1970/71, com vitória frente ao Benfica, por 4-1.

Ao serviço do Sporting, José Carlos conquistou uma Taça das Taças (época de 1963/64), 3 Campeonatos Nacionais (épocas de 1965/66, 1969/70 e 1973/74) e 4 Taças de Portugal (épocas de 1962/63, 1970/71, 1972/73 e 1973/74). Foi, ainda, finalista vencido desta competição por duas vezes, ambas frente ao Benfica, nas temporadas de 1969/70 e 1971/72.
Em representação da Selecção Nacional, José Carlos foi 36 vezes internacional A. Estreou-se com a camisola das "quinas", a 19 de Março de 1961, em Lisboa, frente ao Luxemburgo, com uma vitória de Portugal por 6-0. Ao fim de uma década ao serviço de Portugal, José Carlos despediu-se da selecção a 12 de Maio de 1971, no Porto, diante da Dinamarca, igualmente com uma vitória robusta, desta vez por 5-0.
Equipa de Portugal que, a 12 de Maio de 1971, venceu, no Estádio das Antas, a Dinamarca, por 5-0.
José Carlos foi o capitão da Selecção Nacional (1º jogador em cima a contar da esquerda).
Último jogo de José Carlos com a camisola das "quinas".

O trajecto de José Carlos pela Selecção Nacional ficou marcado de forma positiva e inesquecível pela extraordinária "saga dos magriços", na qual Portugal conquistou um brilhante 3º lugar no Campeonato do Mundo em Inglaterra, em 1966. Nessa memorável campanha lusitana, o defesa leonino  participou nos 2 últimos jogos de Portugal, por sinal os mais importantes e decisivos da prova: o das meias finais, diante da Inglaterra (derrota por 1-2) e o de atribuição dos 3º e 4º lugares, frente à URSS (vitória por 2-1).
Caricatura, da autoria de Francisco Zambujal, de homenagem
aos 11 bravos "leões" que conquistaram, de forma brilhante,
a Taça das Taças, na época de 1963/64.
José Carlos é o 2º jogador caricaturado em cima a contar da direita.

No final da época de 1973/74, então prestes a completar 33 anos, José Carlos abandonou o Sporting, pondo fim a uma relação fortíssima de 12 anos, marcada por uma grande paixão para com o emblema do "leão", ele que foi na verdade um dos grandes símbolos da mística leonina e um fiel seguidor do lema do Sporting: "Esforço, dedicação, devoção e glória". Muitos parabéns e muitos anos de vida, José Carlos!

domingo, 28 de agosto de 2011

Carlos Gomes - Um extraordinário guarda-redes com uma carreira atribulada!

Carlos Gomes com 20 anos já titular da baliza leonina, sucedendo a Azevedo.
(Separata da revista "Mundo de Aventuras", 1952)

A propósito da recente contratação de Carlos Martins e de Jorge Ribeiro por parte do clube espanhol Granada, recém promovido à 1ª Liga de Espanha, o Armazém Leonino recorda hoje uma outra transferência de um jogador português para este clube espanhol, precisamente o grande e inesquecível guarda-redes leonino Carlos Gomes (18/1/1932-17/10/2005), cuja vida atribulada e acidentada, dentro e fora dos relvados, teria dado certamente um bom filme!
No final da época de 1957/58, após se ter sagrado, pela 5ª vez, campeão nacional pelos "leões", Carlos Gomes, então com 26 anos, abandona o clube leonino descontente e em desacordo relativamente ao baixo ordenado que recebia no Sporting. Após um longo e intenso "braço-de-ferro" com os dirigentes leoninos e não tendo sido possível ultrapassar as profundas divergências financeiras, Carlos Gomes acaba por se transferir para o futebol espanhol, mais concretamente para o Granada (treinado por um antigo técnico leonino, o argentino Alejandro Scopelli), onde veio a auferir uma remuneração oito (!) vezes superior à que tinha no Sporting.

Chegava assim ao fim a carreira de Carlos Gomes em Alvalade, após 8 temporadas (entre 1950/51 e 1957/58) em que conquistara 5 campeonatos nacionais (4 deles consecutivos) e uma Taça de Portugal (1953/54), sendo ainda finalista vencido desta prova por mais duas vezes (1951/52 e 1954/55). Durante o período de tempo em que permaneceu ao serviço do Sporting, Carlos Gomes não só conquistou títulos e honrarias, mas igualmente acumulou multas e suspensões fruto do seu temperamento rebelde, conflituoso e irreverente.

Carlos Gomes era um guarda-redes dotado de extraordinárias qualidades físicas e técnicas e com uma vocação fabulosa para o lugar, sendo aquilo a que se pode chamar um predestinado das balizas. Para além de possuir uma grande elasticidade e reflexos entre os postes, revelava igualmente uma enorme coragem e eficácia nas saídas da baliza, quer aos cruzamentos, quer aos pés dos adversários. Na verdade, Carlos Gomes foi um dos maiores guarda-redes que passaram pelo futebol português até hoje, sendo a par de Azevedo e Damas, um dos melhores guarda-redes leoninos de sempre.

É de lamentar a frequência e a quantidade de situações e de problemas, dentro e fora dos relvados, com que Carlos Gomes se teve de debater, os quais ensombraram e prejudicaram grandemente a sua carreira desportiva, pois estamos em crer que o guarda-redes leonino poderia ter realizado uma carreira fabulosa no futebol português. Condições físicas e técnicas para tal não lhe faltavam, faltando-lhe sim, maior ponderação, equilíbrio emocional e estabilidade psicológica para lidar com a pressão, sobretudo fora dos relvados.
Durante a sua permanência no Sporting e em Portugal, Carlos Gomes viu-se, por diversas vezes, a contas com a PIDE, devido às suas posições sociais e políticas contrárias ao regime fascista vigente em Portugal, mostrando um apurado sentido crítico e manifestando grandes dificuldades em conviver com esse regime de opressão e de censura (falta de liberdade de expressão e de opinião) que então se vivia no país.
Depois de uma época ao serviço do Granada, Carlos Gomes transferiu-se para o Oviedo, regressando a Portugal e ao Sporting, em 1961. Como as divergências contratuais com os dirigentes leoninos teimavam em manter-se, Carlos Gomes ingressou no Atlético, mas por pouco tempo, pois logo a seguir voltou a meter-se em sarilhos (foi condenado a 11 anos de prisão), tendo de fugir do país e exilando-se no estrangeiro durante mais de 20 anos, primeiro em Espanha e depois no Norte de África (Marrocos, Argélia e Tunísia). Regressaria a Portugal apenas em 1983, vindo a falecer em 2005, com 73 anos.
A carreira e a vida de Carlos Gomes mereceriam, de facto, uma reflexão e uma análise mais profundas, dada a complexidade do seu carácter e personalidade, por um lado, e da própria conjuntura e vicissitudes da época em que viveu, por outro. Não quero terminar este artigo sem deixar, no entanto, uma breve consideração pessoal a respeito do que poderia ter sido a carreira de Carlos Gomes e até onde este poderia ter chegado, caso este extraordinário guarda-redes tivesse permanecido no Sporting.
Em 1958, quando abandonou o clube leonino, Carlos Gomes tinha apenas 26 anos, tendo realizado 221 jogos em 8 temporadas (média de quase 28 jogos por época) com a camisola leonina. Por outro lado, Carlos Gomes era o guarda-redes titular indiscutível da Selecção Nacional, totalizando 18 internacionalizações (entre Novembro de 1953 e Maio de 1958). Estamos, pois, em crer que noutras circunstâncias, caso não tivesse estado envolvido em problemas de vária ordem, quer com o seu clube, quer com o regime político do seu país, Carlos Gomes poderia perfeitamente, dadas as suas extraordinárias capacidades, ter continuado como titular do Sporting e da Selecção Nacional por mais 7 ou 8 anos e, quem sabe, até poderia ter participado no Campeonato Mundial de Futebol em Inglaterra, pois em 1966 teria 34 anos, mais novo até do que José Pereira, titular da baliza dos "magriços". Quem sabe até se com Carlos Gomes na baliza, Portugal não poderia ter sido campeão do mundo!
É claro que tudo isto não passam de meras suposições que logicamente nunca puderam nem poderão vir a ser comprovadas, mas não resisto a fazê-las, pois tenho a firme convicção de que Carlos Gomes passou, como é comum dizer-se, ao lado de uma grande carreira no futebol português e, em particular, no Sporting, pois se em 8 anos de carreira em Portugal muito conquistou, muito mais poderia ter conquistado em outros tantos anos.
Na verdade, a História da carreira desportiva de Carlos Gomes nunca deixou de me intrigar e de estar presente nas minhas reflexões e pensamentos sobre o futebol português e, em particular, sobre o Sporting, pois sinto, como sportinguista, uma profunda mágoa, para não dizer revolta, deste fantástico guarda-redes, dos melhores de sempre do futebol português, não ter chegado mais longe na sua carreira, como as suas enormes qualidades faziam prever. Foi uma pena! Ficou a perder o atleta, o Sporting e o futebol português!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Salvador

A História do futebol português é fértil em exemplos de futebolistas que tendo atingido grande destaque e notoriedade ao serviço de clubes de menor dimensão (comparativamente com os chamados "três grandes"), quando porém ingressaram no Sporting, F.C. Porto ou Benfica tiveram um desempenho modesto e um rendimento abaixo das expectativas, não conseguindo afirmar-se como titulares nos respectivos clubes.
Assim de repente e ao correr da memória recordo-me perfeitamente de 5 jogadores da década de 70, curiosamente todos do Boavista, que quando se transferiram para os "três grandes" não conseguiram mostrar todo o seu potencial nem manter o rendimento futebolístico anteriormente evidenciado. Tal foram os casos, por exemplo, dos avançados Jorge Gomes e Folha no Benfica, de Albertino e Júlio no F.C. Porto e de Salvador no Sporting. É precisamente sobre este último jogador que incide o presente artigo, uma vez que foi este avançado brasileiro que jogou no Sporting na época de 1980/81.
Salvador Luis de Almeida nasceu no Rio de Janeiro a 7 de Agosto de 1949, tendo chegado a Portugal com 23 anos, no início da época de 1972/73, para jogar no Boavista. Salvador permaneceu 8 épocas ao serviço dos axadrezados, até ao final da temporada de 1979/80, tendo durante este período conquistado 3 Taças de Portugal (1974/75, 1975/76, 1978/79) e uma Supertaça (1978/79).
Viviam-se então os tempos áureos do Boavista, conhecido justamente por "Boavistão", fruto da grande equipa então treinada e orientada no banco pelo mestre José Maria Pedroto e comandada no campo pelo "maestro" João Alves. Foi este "Boavistão" que conquistou as duas primeiras Taças de Portugal do clube axadrezado e alcançou o 2º lugar no Campeonato Nacional da época de 1975/76, com menos 2 pontos que o campeão nacional, o Benfica.
Salvador assumiu-se desde logo como um dos elementos de maior destaque dessas grandes equipas axadrexadas, fazendo sobressair as suas qualidades técnicas e físicas na frente de ataque dos boavisteiros, actuando preferencialmente pelo lado esquerdo. Salvador era um avançado bem constituído fisicamente, baixo mas entroncado, rápido e com boa técnica, dotado de um bom pé esquerdo e de um forte remate.

Caricatura de Salvador da autoria do mestre Francisco Zambujal
(caderneta "Arte e Futebol", época 1979/80).

Salvador foi o herói da primeira final da Taça de Portugal ganha, em 1974/75, pelo Boavista, ao apontar os 2 golos com que os axadrexados venceram (2-1) o Vitória Sport Clube (Guimarães). Ao serviço do Boavista viria a conquistar mais duas Taças de Portugal, frente ao Benfica (vitória 2-1), em 1975/76, e frente ao Sporting (vitória 1-0, na finalíssima), em 1978/79.
Ao fim de 8 épocas no Bessa e fruto das boas temporadas e exibições ali realizadas, Salvador foi alvo do interesse do Sporting que acabou por contratá-lo no início da época de 1980/81. Ao serviço do clube leonino, Salvador acabou por realizar uma época modesta, muito aquém das expectativas criadas em torno de si, não conseguindo afirmar-se como titular indiscutível dos "leões".

Com a camisola leonina, Salvador realizou apenas 17 jogos, 14 dos quais a contar para o Campeonato Nacional, não tendo marcado qualquer golo. O avançado brasileiro estreou-se de "leão ao peito" a 31 de Agosto de 1980, em jogo realizado no Estádio do Fontelo, em Viseu, a contar para a 2ª jornada do Campeonato Nacional, frente ao Académico de Viseu, tendo a partida terminado empatada (1-1).
Salvador acabou por ser "vítima" da forte concorrência então existente no sector atacante dos "leões", bem servido de jogadores como Manuel Fernandes, Manoel, Jordão, Lito e Freire e, de certa forma, o seu rendimento também se ressentiu da fraca prestação da própria equipa leonina ao longo da época, a qual terminou o campeonato num modesto 3º lugar.

Equipa leonina da época de 1980/81.
Em cima (da esquerda para a direita): Eurico, Jordão, Bastos, Inácio e Vaz.
Em baixo (mesma ordem): Ademar, Manoel, Marinho, Barão, Manuel Fernandes e Salvador.

No final da época de 1980/81, Salvador, então com 32 anos, abandonou o Sporting ingressando no Sporting de Espinho, ao serviço do qual ainda jogou durante 3 temporadas, até à época de 1983/84, finda a qual deu por terminada uma bonita carreira de 12 anos em Portugal, regressando então ao seu país natal, o Brasil.

domingo, 29 de maio de 2011

Evocação e homenagem póstuma a Manuel Brito (1948 - 2011)

Faleceu ontem, dia 28 de Maio, aos 62 anos, Manuel Brito, um dos maiores andebolistas portugueses de sempre e um dos grandes símbolos do andebol leonino de todos os tempos. Manuel Brito representou o Sporting como jogador durante 22 anos, entre 1964 (ano em que ingressou no escalão de juvenis) e 1986 (última época com a camisola leonina).
Ao serviço do Sporting, Manuel Brito conquistou tudo o que havia para conquistar, construindo um palmarés fabuloso ao longo de mais de duas décadas de "leão ao peito".
Manuel Joaquim Brito, nasceu a 4 de Dezembro de 1948 em São Vicente (Cabo Verde). No início da época de 1964/65, com apenas 15 anos, ingressa na categoria de juvenis do clube de Alvalade, iniciando uma relação de amor e paixão com o emblema leonino.
Manuel Brito fez parte da célebre "equipa maravilha" do Sporting que, sob o comando técnico de Matos Moura, alcançou, entre 1968/69 e 1972/73, um feito ímpar no andebol português, conquistando 5 campeonatos nacionais consecutivos e sagrando-se assim pentacampeã nacional, proeza até hoje inigualável.

Indicamos a seguir, por ordem cronológica, os principais títulos que constam do brilhante currículo desportivo de Manuel Brito:
- época 1965/66: campeão nacional junior de andebol de 7 e de andebol de 11;
- época 1966/67: campeão nacional junior de andebol de 11;
- época 1968/69: campeão nacional sénior (andebol de 7*);
- época 1969/70: campeão nacional (*);
- época 1970/71: campeão nacional (*);
- época 1971/72: campeão nacional (*); vencedor da Taça de Portugal;
- época 1972/73: campeão nacional (*); vencedor da Taça de Portugal;
- época 1974/75: vencedor da Taça de Portugal;
- época 1977/78: campeão nacional (*);
- época 1978/79: campeão nacional (*);
- época 1979/80: campeão nacional (*);
- época 1980/81: campeão nacional (*); vencedor da Taça de Portugal;
- época 1982/83: vencedor da Taça de Portugal;
- época 1983/84: campeão nacional (*);
- época 1985/86: campeão nacional (*).

Manuel Brito sagrou-se, portanto, 11 vezes campeão nacional sénior (andebol de 7) e venceu 5 Taças de Portugal. Conquistou ainda 9 campeonatos regionais de seniores. Representou igualmente a Selecção Nacional durante 8 anos, tendo sido 57 vezes internacional (48 golos marcados).
Manuel Brito era de facto um predestinado para a prática do andebol e um jogador completo. Possuía uma técnica acima da média, era veloz e ágil, tinha um grande poder de elevação/impulsão e um enorme espírito de luta. Para além de todas estas qualidades, Manuel Brito era um jogador extremamente versátil e polivalente, pois podia ocupar, praticamente com igual eficácia, todas as posições no terreno, desde extremo e lateral esquerdo até ao lado direito, jogando igualmente como pivot e central, só lhe faltando ocupar o posto de guarda-redes!

Foi, contudo, na posição de central que Manuel Brito mais se notabilizou e deu nas vistas, sendo um dos jogadores de maior destaque da famosa equipa leonina que ficou na história como os "sete magníficos", constituída por ele próprio, Bessone Basto (guarda-redes), os irmãos Pinheiro (Alfredo e Ramiro), Adriano Mesquita, Manuel Marques e Carlos Correia.
No final da época de 1985/86, então já com 37 anos, Manuel Brito deu por concluída, como jogador, uma forte ligação ao seu clube do coração. Viria, no entanto, a regressar ao Sporting, agora na condição de treinador, conquistando um Campeonato Nacional e uma Taça de Portugal em juniores e duas Taças de Portugal em seniores.
Ao longo da sua extraordinária carreira, Manuel Brito foi distinguido com vários prémios e honrarias, das quais se destacam as seguintes: Medalha de Mérito do Sporting; Prémio Stromp; Prémio "Rugidos de Leão"; Menção de Honra do Comité Olímpico de Portugal.
Com o falecimento de Manuel Brito, o desporto português e o andebol, em particular, ficaram mais pobres. O Sporting, o clube do coração de Manuel Brito, está de luto, vendo partir, com grande consternação e imensa saudade um dos seus maiores atletas de sempre, um autêntico "leão" que dignificou e prestigiou a camisola leonina.
O Armazém Leonino endereça as mais sentidas condolências ao Sporting e à família de Manuel Brito, prestando, com este artigo, a sua última homenagem ao Homem e ao Desportista exemplares que fica na História do Sporting como um dos seus atletas mais brilhantes. Descansa em paz, campeão!

domingo, 20 de março de 2011

Amaro e Galileu - 2 jogadores leoninos pouco conhecidos da década de 50.

Na primeira metade da década de 50, o Sporting possuía equipas fortíssimas que conquistaram nada mais nada menos que 4 campeonatos nacionais consecutivos, entre as épocas de 1950/51 e 1953/54. Dessas equipas que conquistaram o primeiro "tetra" da História do futebol português ainda estavam presentes 4 "violinos" (Albano, Travassos, Vasques e Jesus Correia), reduzidos a 3, no início da época de 1952/53, com a saída de Jesus Correia.
Entretanto, além de outros grandes jogadores que ainda transitaram da década de 40, começavam já a despontar outros jogadores de grande qualidade, casos de Carlos Gomes, Caldeira, Juca, João Martins, Mendonça, Hugo, Galaz, entre outros.
Desta nova vaga de jogadores que foram surgindo, incluem-se alguns cuja passagem por Alvalade passou mais ou menos despercebida e que acabaram por não singrar na primeira equipa leonina, sobretudo, devido à forte concorrência existente no plantel dos "leões". Tal foi o caso de Amaro e Galileu, os quais não se conseguiram afirmar no "onze" leonino, apesar de ainda terem efectuado alguns jogos como titulares.

Amaro no Estádio Nacional (Separata da revista "Mundo de Aventuras", 1952).

Amaro da Silva, nascido na Amadora, a 6 de Outubro de 1925, ingressou no Sporting, no início da época de 1949/50, oriundo do Palmense. Nas duas primeiras temporadas, Amaro jogou apenas na equipa de reservas do Sporting, tendo sido sempre titular como médio de ataque. Na sua terceira época em Alvalade, no início da temporada de 1951/52, Amaro, então com 26 anos, consegue finalmente ascender à 1ª categoria sénior leonina. Estreia-se a titular, já no decorrer da 2ª volta do campeonato, a 13 de Janeiro de 1952, em jogo a contar para a 15ª jornada, em Coimbra, frente à Académica, cuja partida termina empatada (3-3). Neste jogo Amaro actuou como defesa lateral. Até ao final da época, Amaro iria realizar um total de 19 jogos, tendo uma presença assídua no "onze" titular leonino, na posição de defesa, ao lado de Caldeira. No final da temporada, Amaro sagra-se campeão nacional, mas quando se esperava que viesse a afirmar-se definitivamente na equipa leonina, estranhamente abandona o Sporting no final dessa época.

Galileu no Estádio Nacional (separata da revista "Mundo de Aventuras", 1953).

Galileu Morgado Moura, nascido em Lisboa, a 11 de Março de 1929, ingressou com apenas 21 anos no Sporting, no início da época de 1950/51. Fez a sua estreia a titular a 17 de Dezembro de 1950, no Estádio Nacional, em jogo a contar para a 14ª jornada do campeonato(1ª jornada da 2ª volta), frente ao Benfica, cuja partida termina empatada (2-2). Neste jogo, Galileu actuou como avançado centro, formando um quinteto avançado com Jesus Correia, Travassos, Vasques e João Martins.
Galileu jogou durante 7 épocas em Alvalade, entre as temporadas de 1950/51 e 1956/57, tendo realizado um total de 46 jogos de "leão ao peito" e marcando 12 golos. Como se pode constatar, Galileu nunca se conseguiu afirmar como titular do ataque leonino, em parte devido à grande qualidade dos avançados leoninos de então.
As melhores épocas de Galileu ao serviço do Sporting foram as de 1952/53, na qual efectuou 14 partidas e de 1955/56, na qual realizou 11 jogos. Nessas 7 temporadas com a camisola leonina, Galileu sagrou-se por 4 vezes campeão nacional, vencendo ainda uma Taça de Portugal.
No final da época de 1956/57, então com 28 anos, Galileu abandona o Sporting, após uma última temporada para esquecer, na qual efectuou apenas uma partida.

domingo, 6 de março de 2011

Kikas


Francisco Miguel Lima de Pinho, nascido a 20 de Outubro de 1956, em São João da Madeira, conhecido no meio futebolístico por "Kikas", foi um defesa central de razoável qualidade que passou pelo Sporting no início da década de 80, tendo estado apenas duas épocas ao serviço dos "leões".
Kikas iniciou a sua carreira de futebolista no clube da sua terra, a Sanjoanense, à semelhança, aliás, de outros conhecidos futebolistas portugueses naturais de São João da Madeira, como Sousa e Litos. A seguir, representou o Valecambrense, ingressando com 22 anos no Penafiel, então a militar na 2ª Divisão, no início da época de 1979/80. No final dessa temporada, o Penafiel sobe à 1ª Divisão e Kikas afirma-se como titular da defesa penafidelense, reforçando esse estatuto nas duas épocas seguintes. Nessas 3 temporadas ao serviço do Penafiel, Kikas dá nas vistas, destacando-se como um dos jogadores mais influentes da equipa.
Fruto das boas exibições realizadas em Penafiel, o Sporting contrata Kikas no começo da época de 1982/83, procurando colmatar a saída de Eurico para o F.C. Porto. Esta contratação tem o aval de Oliveira que conhece bem Kikas, pois havia sido seu treinador-jogador em Penafiel na época de 1980/81.
Na primeira época em Alvalade, Kikas realiza um total de 18 jogos, não conseguindo, porém, impor-se como titular indiscutível da defesa leonina, alternando a titularidade com algumas ausências. Nessa primeira temporada, Kikas ajuda a equipa leonina a conquistar a Supertaça "Cândido de Oliveira", sendo titular no jogo da 2ª mão, em Alvalade, no qual o Sporting vence o Sporting de Braga por 6-1. Kikas estreia-se com a camisola leonina na 2ª jornada do campeonato, a 24 de Agosto de 1982, no Estádio das Antas diante do F.C. Porto, cujo jogo termina empatado (0-0).

Equipa leonina que defrontou e derrotou (1-0), em Alvalade, o Benfica na
época de 1982/83. Kikas é o 3º jogador em cima a contar da direita.

No início da época seguinte, após 2 jogos efectuados para o campeonato, e quando se preparava para lutar definitivamente pela titularidade da defesa leonina, Kikas sofre um grave acidente de viação, escapando com vida, mas ficando praticamente com a temporada perdida, pois o tempo de recuperação foi demorado. Foi um momento de azar que marcou a época de Kikas e a própria carreira no Sporting, pois na época de 1984/85, ingressa na Académica de Coimbra, procurando a sorte que lhe faltou em Alvalade, apesar de na primeira época ainda ter mostrado algum do seu valor, nomeadamente, por exemplo, no "derby" Sporting-Benfica (1-0), no qual foi titular, fazendo dupla com Venâncio, tendo realizado uma bela exibição.
Ao serviço da Académica, Kikas assumiu-se como titular da defesa estudantil, permanecendo 3 temporadas em Coimbra. No final da época de 1986/87, então prestes a completar 31 anos, Kikas abandona o futebol, após 7 temporadas no escalão maior do futebol português.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Joaquim Pacheco - Uma descoberta leonina em Macau.

Foto de Joaquim Pacheco tirada no Estádio Nacional
(separata da revista "Mundo de Aventuras").

Joaquim Pedro Pacheco, nascido em Macau, a 30 de Março de 1926, foi um dos bons jogadores do Sporting da década de 50, tendo feito parte de grandes equipas leoninas daquelas épocas, ao serviço das quais se sagrou, por 4 vezes, campeão nacional.
Joaquim Pacheco chegou a Lisboa em finais de Abril de 1950, proveniente de Macau de onde era natural, tendo ingressado, com 24 anos, no Sporting, no início da época de 1950/51. Até então, Pacheco jogara na equipa da Polícia de Macau e era já considerado um dos melhores futebolistas daquele antigo território português, vindo rotulado com boas credenciais, sendo um jogador polivalente que actuava com igual eficácia em qualquer posição, desde defesa a avançado ou extremo, passando por interior ou médio.
Joaquim Pacheco estreou-se com a camisola leonina a 17 de Setembro de 1950, no Estádio Nacional, frente ao Benfica, em jogo a contar para a 1ª jornada do campeonato nacional, tendo o Sporting vencido o seu eterno rival, por 3-1. Neste jogo de estreia, Pacheco actuou como avançado, posição em jogou mais vezes nessa primeira temporada.
Contudo, nas épocas seguintes, Pacheco acabaria por se fixar na posição de defesa esquerdo, lugar onde se viria a destacar e a afirmar como titular da defesa leonina, a partir da época de 1952/53, jogando ao lado de Caldeira, Passos e, mais tarde, Galaz.
Durante as 8 épocas em que jogou de "leão ao peito", mais concretamente, entre 1950/51 e 1958/59, com uma interrupção verificada na época de 1953/54, em relação à qual desconhecemos o motivo da ausência de Pacheco (empréstimo?, lesão?), o defesa esquerdo leonino realizou um total de 156 jogos e marcou 8 golos. Naquelas 8 temporadas, Pacheco foi 4 vezes campeão nacional, nas épocas de 1950/51, 1951/52, 1952/53 e 1957/58, tendo sido, ainda, duas vezes finalista vencido da Taça de Portugal, ambas diante do Benfica (em 1951/52, derrota por 5-4; em 1954/55, derrota por 2-1).
Joaquim Pacheco mereceu ainda a honra de ser chamado uma vez a representar a Selecção Nacional, tendo essa única internacionalização ocorrido a 21 de Dezembro de 1957, em Milão, em jogo de apuramento para o Campeonato do Mundo, no qual Portugal foi derrotado pela Itália, por 3-0.
No final da temporada de 1958/59, já com 33 anos, Joaquim Pacheco abandona o Sporting, terminando, assim, uma ligação de 8 anos ao clube de Alvalade, ao longo da qual soube construir uma bonita carreira e afirmar-se como um excelente defesa esquerdo.

sábado, 6 de novembro de 2010

Travassos e Vasques: 2 "Violinos" com carreiras "gémeas"!

Vasques ("O Malhoa") e Travassos ("O Zé da Europa").

Na História do futebol leonino há a registar um caso curioso de duas carreiras futebolísticas muito semelhantes e feitas de grandes coincidências, para além da construção de uma forte amizade e cumplicidade, dentro e fora dos relvados. Estamos a falar dos grandes futebolistas leoninos das décadas de 40 e 50, Travassos e Vasques, que integraram o famoso quinteto que ficou imortalizado na história do Sporting e do futebol português pelos "Cinco Violinos".
José Travassos (interior esquerdo).
Com efeito, estas duas antigas glórias leoninas têm percursos de vida, quer do ponto de vista pessoal, quer do ponto de vista profissional, bastante semelhantes, como a seguir poderemos constatar.
Nasceram ambos em 1926, sendo que Travassos (22/2) nasceu 5 meses e uma semana antes em relação a Vasques (29/7). No terreno de jogo, ambos jogavam na posição de interiores, com Vasques a actuar do lado direito e Travassos a actuar do lado esquerdo.
Manuel Vasques (interior direito).

Ingressaram ao mesmo tempo no Sporting, no início da época de 1946/47, ambos oriundos da antiga CUF (Companhia União Fabril). A própria estreia dos dois jovens jogadores com a camisola leonina ocorreu no mesmo dia, precisamente a 8 de Setembro de 1946, num jogo particular, diante do Vitória Futebol Clube (Setúbal). A estreia de ambos em jogos oficiais ocorreu apenas com a diferença de uma semana, uma vez que Travassos se estreou a 15 de Setembro de 1946 (1ª jornada do Campeonato de Lisboa: Atlético - 4 / Sporting - 5) e Vasques se estreou a 22 de Setembro (2ª jornada do Campeonato de Lisboa: Sporting - 7 / CUF - 0).
Quer Travassos, quer Vasques jogaram 13 épocas de "leão ao peito", mais concretamente, entre as temporadas de 1946/47 e 1958/59, tendo igualmente conquistado o mesmo número de títulos, num total de 11: 8 Campeonatos Nacionais (1946/47, 1947/48, 1948/49, 1950/51, 1951/52, 1952/53, 1953/54 e 1957/58), duas Taças de Portugal (1947/48 e 1953/54) e 1 Campeonato de Lisboa (1946/47, por sinal, a última edição da prova).
Travassos exibe com orgulho um dos 8 troféus de
Campeão Nacional que conquistou.

Apenas no que diz respeito ao número total de jogos realizados e, sobretudo, ao número total de golos marcados por cada um,  se verifica alguma diferença, a qual, no entanto, tem um denominador comum: ambos efectuaram mais de 400 jogos (oficiais e particulares em todas as competições) de "leão ao peito. Travassos realizou 454 jogos (182 golos marcados) e Vasques efectuou 492 jogos (312 golos apontados).
Relativamente à estreia de ambos na Selecção Nacional, essa ocorreu com pouco mais de um ano de diferença. Assim, Travassos (35 internacionalizações, 6 golos) estreou-se a 5 de Janeiro de 1947 (Estádio Nacional: Portugal - 2 / Suíça - 2), enquanto que Vasques (26 internacionalizações, 7 golos) se estreou a 21 de Março de 1948 (Madrid: Espanha - 2 / Portugal - 0). Quanto à despedida de ambos da Selecção Nacional, esta verificou-se com uma diferença de pouco menos de um ano, sendo que Vasques jogou a última partida a 16 de Junho de 1957 (São Paulo: Brasil - 3 / Portugal - 0) e Travassos disputou o último encontro a 7 de Maio de 1958 (Londres: Inglaterra - 2 / Portugal - 1).
Vasques também conhecido
por o "Galgo de Raça".

A despedida de ambos como jogadores do Sporting ocorreu igualmente no final da época de 1958/59, com uma diferença de 15 dias, sendo que Vasques realizou o seu último jogo (a contar para a Taça de Portugal) com a camisola leonina a 10 de Maio de 1959, enquanto Travassos efectuou o seu último encontro (a contar também para a Taça de Portugal) de "leão ao peito" a 24 de Maio.
Curiosamente, fora dos relvados, estes 2 extraordinários futebolistas leoninos também estiveram unidos através do estabelecimento de uma sociedade, mais especificamente, de um negócio ligado a uma firma de refrigeração (arcas congeladoras e frigoríficos).
Infelizmente, ambos já não fazem parte do mundo dos vivos, tendo deixado o nosso convívio há já alguns anos, registando-se um intervalo de somente um ano e cinco meses entre os 2 falecimentos. Assim, Travassos viria a falecer a poucos dias de completar 76 anos, a 12 de Fevereiro de 2002, ao passo que Vasques se iria juntar ao seu amigo e companheiro de equipa, a poucos dias de completar 77 anos, a 10 de Julho de 2003.
Na verdade, todos os factos anteriormente descritos revelam bem a extraordinária coincidência de aspectos destas duas biografias, concretamente, no que diz respeito à carreira desportiva destes 2 jogadores de elevada craveira futebolística, dos melhores de sempre do Sporting e do futebol português.
Os sportinguistas não esquecerão nunca o "Zé da Europa" e o "Malhoa" ou "Galgo de Raça", e estarão eternamente gratos a estas duas lendas leoninas!

sábado, 9 de outubro de 2010

Caldeira - Um valoroso defesa leonino algarvio!

Manuel António Caldeira, nascido a 14 de Dezembro de 1926, em Vila Real de Santo António, foi um dos grandes defesas leoninos da década de 50 do século XX.
Caldeira integrou as célebres equipas leoninas que conquistaram 4 Campeonatos Nacionais consecutivos, entre as épocas de 1950/51 e 1953/54, tendo sido o defesa direito titular indiscutível do Sporting durante aqueles anos dourados do futebol leonino.
Antes de ingressar no Sporting, no início da época de 1950/51, Caldeira havia representado o clube da sua terra natal, o Lusitano de Vila Real de Santo António, ao serviço do qual jogou durante 7 temporadas (uma como júnior), entre 1943/44 e 1949/50.
Quando o Lusitano de Vila Real de Santo António ascendeu à 1ª Divisão Nacional na época de 1947/48, Caldeira, então com apenas 21 anos, começou a dar nas vistas, fazendo recair sobre si a atenção dos responsáveis leoninos que procuravam um defesa jovem de qualidade para reforçar o sector mais recuado dos "leões".
Assim, não espantou que, no início da temporada de 1950/51, o Sporting tenha contratado o jovem e valoroso defesa algarvio, então com 24 anos. Caldeira "pegou de estaca" na equipa leonina, representando o Sporting ao longo de 9 temporadas, mais concretamente, entre as épocas de 1950/51 e 1958/59, período de tempo durante o qual se sagrou campeão nacional por 5 vezes (tetracampeão e novamente campeão em 1957/58) e conquistou uma Taça de Portugal (1953/54).
Com efeito, o defesa direito do Sporting esteve associado a todas as conquistas leoninas dos anos 50, tendo feito parte, ao longo de quase uma década, de grandes defesas leoninas, formadas por jogadores de enorme qualidade, casos de Pacheco, Passos, Juca e Galaz.
Caldeira estreou-se com a camisola leonina a 17 de Setembro de 1950, em jogo realizado no Estádio Nacional (casa emprestada do Benfica) a contar para a 1ª jornada do campeonato, tendo o Sporting vencido o seu rival por 3-1.
Durante as 9 temporadas em que jogou de "leão ao peito", Caldeira realizou um total de 217 jogos (1 golo marcado), fazendo uma boa média de 24 jogos por época.
O defesa direito leonino teve também a honra de ser chamado a representar, por 3 vezes, a Selecção Nacional A, ao serviço da qual se estreou a 19 de Dezembro de 1954, em jogo particular realizado no Estádio Nacional, frente à Alemanha, tendo Portugal sido derrotado por 3-0. A seguir, a 4 de Maio de 1955, Caldeira defrontou a Escócia, em Glasgow, em jogo particular, novamente com derrota de Portugal por 3-0. O último jogo de Caldeira com a camisola das "quinas" ocorreu a 22 de Maio de 1955, diante da Inglaterra, de novo num jogo particular, desta vez realizado no Estádio das Antas, no Porto, tendo a selecção nacional levado de vencida a sua congénere inglesa, por 3-1.
No final da época de 1958/59, então prestes a completar 33 anos, Caldeira abandonou o Sporting, regressando ao Algarve, onde ainda jogou durante 3 épocas, duas ao serviço do Portimonense (2ª Divisão Nacional) e a última em representação do Silves (3ª Divisão Nacional). No final da temporada de 1961/62, então já com 36 anos, Caldeira pendurou definitivamente as chuteiras, pondo assim termo a uma longa e bonita carreira, ao longo da qual se notabilizou como um defesa de grande qualidade, sóbrio, eficaz e com um enorme espírito de luta. Como reconhecimento pelos bons serviços prestados em defesa do emblema leonino, o Sporting fez uma festa de homenagem a Caldeira no final da sua última temporada (1958/59) em Alvalade. 

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Madalena Gentil - Uma das maiores praticantes de ténis de mesa da História do Sporting e da modalidade em Portugal.

Madalena Gentil oferece a sua raquete e uma fotografia sua emoldurada ao
"Mundo Sporting", na presença de Mário Casquilho, Director do museu.

Ao longo dos seus quase 2 anos de existência, o Armazém Leonino tem procurado divulgar os feitos, conquistas, vitórias e títulos alcançados pelo Sporting nas mais variadas modalidades e escalões, assim como tem, igualmente, dado a conhecer as principais figuras e atletas que contribuíram, com o seu valor, empenho e dedicação, para fazer do Sporting a maior potência desportiva nacional e uma das maiores da Europa.
Somos da opinião de que a cultura desportiva de qualquer cidadão e adepto deve abarcar, tanto quanto possível, o conhecimento (embora em diferentes graus) do maior número de modalidades desportivas praticadas num determinado país, e não deve estar limitado, como se constata em Portugal, apenas ao futebol e a pouco mais de duas ou três modalidades.

Da esquerda para a direita: Ana Lia, Madalena Gentil, Ana Maria,
Ana Rebordão e António Ramos.

Esta visão global e abrangente do desporto é que promove o eclectismo e a riqueza de um clube, sendo disso exemplo a actividade desenvolvida no Sporting, em prol de várias modalidades, por parte do Dr. Salazar Carreira, do Prof. Reis Pinto e de Moniz Pereira (só para citar 3 casos emblemáticos), o "Senhor Atletismo", que conta já 89 anos, ainda cheios de vida e saúde!
Aliás, a grandeza e o prestígio que o Sporting foi adquirindo ao longo de mais de 100 anos de História deve-os aos inúmeros feitos alcançados por grandes atletas nas mais diversas modalidades (ditas amadoras!), por vezes injustamente esquecidas ou, pelo menos, em relação às quais é dada uma menor atenção, carinho e importância.

Madalena Gentil (à direita) e Anabela na sala de ténis de mesa
do antigo Estádio José Alvalade.

À semelhança do que já fez noutras ocasiões, relativamente a outros grandes atletas leoninos, o Armazém Leonino tem a honra e o prazer de voltar a escrever um artigo biográfico, desta vez, sobre uma valorosa atleta do Sporting dos finais da década de 60 e década de 70, grande praticante de ténis de mesa, na verdade, uma das melhores de sempre do Sporting e do ténis de mesa feminino nacional. Estamos a falar de Madalena Gentil, uma grande sportinguista, a quem agradecemos a amabilidade e generosidade que teve para connosco no envio de algumas preciosas fotos do seu arquivo pessoal, assim como dos registos mais importantes do seu brilhante currículo desportivo, o qual temos o privilégio e o orgulho de apresentar aos nossos amigos visitantes sportinguistas.

Madalena Gentil a ler atentamente a secção
referente ao ténis de mesa do "Mundo Sporting".

Madalena Filomena Monteiro Gentil nasceu em Lisboa, a 30 de Setembro de 1952, estando, portanto, prestes a completar 58 anos de idade. Iniciou a sua actividade de praticante de ténis de mesa no Sporting, em 1967, com 15 anos, tendo durante 38 (!) anos (entre 1969 e 2007) sido funcionária do clube de Alvalade, trabalhando na secretaria de sócios.

 
Madalena Gentil a trabalhar nos serviços de secretaria do Sporting.

O palmarés desportivo de Madalena Gentil é brilhante e atesta bem a categoria desta atleta como praticante de uma modalidade que sempre teve grandes tradições no Sporting, não sendo, por acaso, que o clube leonino sempre foi e continua a ser a maior potência nacional de ténis de mesa.
Madalena Gentil foi 6 vezes campeã nacional (singulares), 4 delas consecutivas, em 1968, 1973, 1974, 1975, 1976 e 1978. Foi também 5 vezes campeã nacional de pares femininos (1967, 1972, 1973, 1978 e 1979) e duas vezes campeã nacional de pares mistos (1974 e 1978). Pelo Sporting, foi 5 vezes campeã nacional (por equipas), em 1972, 1973, 1975, 1976 e 1977, falhando apenas o título de 1974, para ser hexacampeã nacional!

Madalena Gentil em acção num jogo a contar para o Campeonato Nacional,
realizado na Figueira da Foz, onde se sagraria, pela 1ª vez, campeã nacional (1968).

A sua carreira desportiva foi sendo abrilhantada por outras vitórias e títulos, nomeadamente, em Campeonatos de Lisboa, Taças de Portugal e diversos torneios particulares. Foi igualmente várias vezes internacional da modalidade por Portugal, tendo sido Campeã Ibérica de pares mistos, fazendo dupla com Óscar Lameira, outro grande praticante leonino da modalidade.

Madalena Gentil exibe o troféu ganho pelo Sporting num Torneio
em Peniche, no qual a atleta leonina ficou em 1º lugar (singulares).

Ao longo de quase década e meia de dedicação à modalidade como exímia praticante, Madalena Gentil foi alvo de diversas distinções e homenagens desportivas de elevado prestígio, das quais se destacam as seguintes:
- Medalha Olímpica "Nobre Guedes" (Comité Olímpico Português), em 1978;
- Prémio "Stromp", em 1978;
- Sócio de Mérito da Federação Portuguesa de Ténis de Mesa, em 1979;
- Diploma comemorativo de campeã nacional no 75º Aniversário do Sporting, em 1981;
- "Rugidos de Leão", em 1991.

Perante tudo aquilo que ficou escrito, penso que não há muito mais a dizer no que diz respeito à dedicação, empenho, profissionalismo e amor ao clube de que Madalena Gentil sempre deu provas, sendo, na verdade, uma das atletas que fica na História do Sporting e do ténis de mesa em Portugal, como grande exemplo de entrega e paixão a um clube e a uma modalidade.
Madalena Gentil (com o equipamento da Selecção Nacional) na sala
de tenis de mesa do velhinho e saudoso Estádio José Alvalade.

A Instituição Sporting tem o dever moral de recordar, divulgar e perpetuar a sua memória histórica, homenageando, não apenas a título póstumo, mas, sobretudo, em vida, os seus antigos atletas e praticantes que, nas várias modalidades, deram muito de si ao clube, engrandecendo-o e prestigiando-o, em Portugal e no Estrangeiro.
Na sua humilde, singela mas nobre missão, é isso que o Armazém Leonino promete continuar a fazer. O seu património humano é aquilo que de mais rico um clube pode ter!

domingo, 12 de setembro de 2010

António Ramalhete - O maior guarda-redes português de sempre de hóquei em patins.

António Ramalhete, nascido a 8 de Dezembro de 1946, foi o maior guarda-redes português de hóquei em patins de todos os tempos e, sem dúvida, um dos melhores do Mundo do seu tempo. Aliás, a par do guarda-redes espanhol Carlos Trullols, Ramalhete foi mesmo considerado o melhor guarda-redes do Mundo durante mais de uma década (aproximadamente entre 1971 e 1982).
António Ramalhete ingressou no Sporting, no início da época de 1974/75, proveniente do Benfica, clube no qual iniciou a carreira e se notabilizou, sendo um jogador já consagrado quando chegou a Alvalade.
Ao serviço do clube leonino, Ramalhete abrilhantou ainda mais o seu já de si notável currículo, ganhando tudo o que havia para ganhar, quer a nível nacional, quer a nível europeu. Ramalhete jogou de "leão ao peito" durante 7 temporadas (não seguidas) correspondentes a duas passagens pelo clube de Alvalade: a primeira entre 1974/75 e 1976/77 e a segunda entre 1981/82 e 1984/85.
Ao longo daquelas 7 épocas, Ramalhete construiu, na verdade, um "palmarés" fabuloso. Vejamos a lista de todos os títulos conquistados por este fantástico guarda-redes com a camisola do Sporting:

- 4 vezes Campeão Nacional (1974/75, 1975/76, 1976/77 e 1981/82);
- duas vezes vencedor da Taça de Portugal (1976/77 e 1983/84);
- uma vez vencedor da Supertaça (1982/83);
- uma Taça dos Campeões Europeus (1976/77);
- uma Taça CERS (1983/84);
- uma Taça das Taças (1984/85).

Época 1976/77: época inesquecível da "equipa-maravilha" leonina.
Em cima (da esquerda para a direita): Torcato Ferreira (treinador), Sobrinho,
Chana, Livramento e Jorge.
Em baixo (mesma ordem): Carlos Alberto, Carmelino, Ramalhete e Rendeiro.

António Ramalhete representou a selecção portuguesa durante 15 anos (entre 1970 e 1984) tendo, durante este longo período de tempo, sido titular indiscutível da baliza de Portugal. Ao longo dessa década e meia, Ramalhete totalizou 220 internacionalizações, tendo conquistado 2 Campeonatos do Mundo (1974 e 1982) e 4 Campeonatos da Europa (1971, 1973, 1975 e 1977).

De entre os muitos títulos conquistados ao longo da sua brilhante carreira, destacam-se aqueles alcançados numa só época, a de 1976/77, a qual foi, de facto, para Ramalhete, a mais extraordinária e inesquecível de todas, pois foi nesta temporada que o então guarda-redes leonino conquistou todos os títulos em disputa, quer a nível de clube (fazendo parte daquela que é considerada, até hoje, a melhor equipa portuguesa de todos os tempos), quer a nível da selecção nacional: foi Campeão Nacional, venceu a Taça de Portugal e a Taça dos Campeões Europeus pelo Sporting e venceu ainda o Campeonato da Europa por Portugal.

Para além do brilhante currículo desportivo que construiu ao longo de uma carreira fantástica, em relação a Ramalhete perdurará a imagem de um guarda-redes extraordinário, quer do ponto de vista técnico, quer do ponto de vista físico e mental. Com efeito, Ramalhete transmitia uma enorme segurança e confiança aos seus companheiros, sendo um exemplo de serenidade, frieza, coragem e eficácia na baliza, em defesa da qual viria a ser eleito para o 5 ideal português do Século XX.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Carlos Canário - "O Leão de Portalegre".

Carlos Augusto Ribeiro Canário, nascido a 10 de Fevereiro de 1918, em Portalegre, foi um dos maiores futebolistas leoninos da década de 40 e início da década de 50, tendo ficado na História do Sporting como uma das principais figuras da célebre equipa dos "Cinco Violinos" que dominou o futebol português durante quase uma década, mais concretamente, entre 1943/44 e 1953/54, período de tempo durante o qual o Sporting conquistou 8 Campeonatos Nacionais.
No início da época de 1938/39, Carlos Canário, então com 20 anos, ingressou no Sporting, oriundo do Estrela de Portalegre. No clube de Alvalade, Canário permaneceu durante 14 temporadas, até à época de 1951/52, no final da qual, com 34 anos, abandonou o Sporting e colocou um ponto final numa brilhante carreira de futebolista.

Equipa leonina (época 1950/51) exibindo orgulhosamente a imponente
Taça "O Século" e o troféu de Campeão Nacional.
Canário é o 1º jogador em baixo a contar da direita.

Ao longo das 14 épocas em que jogou de "leão ao peito", Canário conquistou um total de 18 troféus, sendo um dos jogadores com maior palmarés da História do futebol leonino. Senão vejamos: sagrou-se, por 7 vezes, Campeão Nacional (1940/41, 1943/44, 1946/47, 1947/48, 1948/49, 1950/51 e 1951/52), venceu, por 4 vezes, a Taça de Portugal (1940/41, 1944/45, 1945/46 e 1947/48), conquistou 6 Campeonatos de Lisboa e a Taça Império (1944).
Como futebolista, Canário destacou-se pela polivalência em campo e enorme versatilidade táctica, revelando, por um lado, uma grande habilidade e técnica individual e, por outro lado, um grande poder de marcação e boa visão de jogo, conferindo simultaneamente ao meio campo leonino uma grande consistência e criatividade. Nas 4 primeiras épocas (entre 1938/39 e 1941/42) com a camisola do Sporting, Canário jogou numa posição mais avançada do terreno (como interior direito ou até a avançado centro), mas nas 10 temporadas seguintes, fixou-se definitivamente no meio campo, alinhando, sobretudo, como médio direito (fazendo tripla com Veríssimo, Passos ou Juca) posição na qual se destacou e se afirmou como titular indiscutível nas famosas equipas leoninas da década de 40.
Ao serviço do Sporting, em jogos oficiais, Canário realizou um total de 272 jogos, tendo marcado 62 golos. Canário teve ainda a honra de ser chamado a representar a Selecção Nacional em 10 ocasiões. A sua estreia com a camisola das "quinas" ocorreu a 23 de Maio de 1948, no Estádio Nacional, no Jamor, em jogo particular diante da República da Irlanda, tendo Portugal vencido por 2-0. Cerca de 3 anos mais tarde, a 19 de Maio de 1951, Canário realizou o último jogo ao serviço da Selecção, em Liverpool, num particular diante da Inglaterra, tendo Portugal sido derrotado por 5-2.

Há tempos, o Armazém Leonino recebeu, por intermédio do amigo Frederico Mesquita e vinda da parte do filho mais novo de Canário, uma generosa e amável oferta de uma foto do grande jogador leonino, referente ao jogo particular realizado, a 8 de Abril de 1951, no Estádio Nacional, entre Portugal e Itália, no qual Portugal foi derrotado por 4-1. Por acaso, o Armazém Leonino encontrou no seu vasto arquivo um poster/separata (revista "Mundo de Aventuras") precisamente com a equipa das "quinas" que alinhou naquele jogo, na qual se pode identificar Carlos Canário (o 1º jogador em pé a contar da direita).

O Armazém Leonino envia os seus sinceros agradecimentos ao filho mais novo de Carlos Canário e ao grande amigo sportinguista Frederico Mesquita.
A gloriosa História Leonina é indissociável do brilhante palmarés desportivo dos atletas que contribuiram com os seus feitos e conquistas para a grandeza e prestígio do Sporting Clube de Portugal. O Sporting é um clube com memória e, como tal, tem o dever histórico e moral de homenagear e recordar permanentemente os seus atletas do passado que engrandeceram o historial do nosso clube.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Mário Jorge

Mário Jorge da Silva Pinho Fernandes, foi um ex-atleta Leonino dos anos 80, mais conhecido por "Mário Jorge". Natural de Ponta Delgada - Açores, Mário Jorge nasceu a 24 de Agosto de 1961. Jogava preferencialmente na posição de lateral esquerdo, porém, durante as várias épocas ao serviço do Sporting ocupou terrenos mais avançados, devido a sua polivalência, tanto o podíamos ver a defender como atacar, era um jogador com uma técnica acima da média que fazia o corredor esquerdo irrepreensívelmente. Mário Jorge chegou ao Sporting nos anos 70 como Iniciado, a partir daí fez todos os escalões até se estrear na equipa principal sénior na época 1979/80, tendo feito apenas um jogo nessa época, o suficiente para se tornar Campeão Nacional com apenas 18 anos.  Na época seguinte já fez parte do plantel principal, todavia não agarrou a titularidade, fazendo apenas 2 jogos. Na época de 1981/82 e já sob o comando técnico de Malcolm Allison, conseguiu fixar-se na ala esquerda Leonina, realizando a quase totalidade dos jogos, na sua maioria a lateral esquerdo, efectuando 29 jogos com 5 golos marcados. Tendo contribuído na época em questão em muito para a 1ª tripleta do Sporting. Durante as 10 temporadas como profissional do Sporting, Mário Jorge conquistou; 2 Campeonatos Nacionais, 1 Taça de Portugal e 2 Supertaças. Outro dos momentos altos deste extraordinário esquerdino foi a sua participação no Mundial de Selecções no México em 1986, tendo ao todo realizado 9 Internacionalizações por Portugal. Abandonou o Sporting em 1991. Em 1995 abandonou o futebol depois de breves passagens pelo Estrela da Amadora e Estoril.

Imagem cedida por Michel Horta Mendonça