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domingo, 23 de agosto de 2015

Jorge Jesus torna-se no 10º treinador da história do futebol português a treinar o Sporting e o Benfica.

Com a contratação de Jorge Jesus por parte do Sporting, aquele técnico passa a ser o 10º treinador da História do Futebol Português a treinar os dois históricos e eternos "rivais da 2ª circular", e o 2º a passar diretamente (de uma época para a outra) do Benfica para o Sporting. Antes de Jorge Jesus, havia sido o treinador inglês Artur John a cometer semelhante "proeza", na já longínqua temporada de 1931-32.
No entanto, desde que começou a disputar-se o Campeonato Nacional da 1ª divisão (época de 1934-35), Jorge Jesus passa a ser o 1º treinador a transferir-se diretamente de um clube para o outro. A seguir apresentamos a lista, por ordem cronológica, dos 10 treinadores que até hoje tiveram o privilégio de treinar o Sporting e o Benfica, sendo que 3 deles (Manuel José, Fernando Santos e Jesualdo Ferreira) não conseguiram conquistar quaisquer títulos em nenhum dos 2 clubes, e Otto Glória (e também agora recentemente Jorge Jesus) foram os únicos a conquistar títulos por ambos.

ARTUR JOHN (Inglaterra): Benfica (2 épocas: 1929-30 e 1930-31 - dois Campeonatos de Portugal); Sporting (2 épocas: 1930-32 e 1932-33 - nenhum título).


OTTO GLÓRIA (Brasil): Benfica (8 épocas, duas delas incompletas: entre 1954-55 e 1958-59; entre 1967-68 e 1969-70 - 4 Campeonatos Nacionais e 5 Taças de Portugal); Sporting (2 épocas, uma delas incompleta: 1961-62 e 1965-66 - 2 Campeonatos Nacionais).


FERNANDO CAIADO: Benfica (apenas um jogo, a final da Taça de Portugal da época de 1961-62 1 Taça de Portugal); Sporting (1 época: 1967-68 - nenhum título).


FERNANDO RIERA (Chile): Benfica (3 épocas, uma delas incompleta: 1962-63, 1966-67 e 1967-68 - 3 Campeonatos Nacionais); Sporting (1 época: 1974-75 - nenhum título).


JIMMY HAGAN (Inglaterra): Benfica (4 épocas, uma delas incompleta: entre 1970-71 e 1973-74 - 3 Campeonatos Nacionais e 1 Taça de Portugal); Sporting (1 época: 1976-77 - nenhum título).


MILORAD PAVIC (Jugoslávia): Benfica (1 época: 1974-75 - 1 Campeonato Nacional); Sporting (1 época: 1978-79 - nenhum título).


MANUEL JOSÉ: Sporting (3 épocas, duas delas incompletas: 1985-86 e 1986-87, 1989-90 - nenhum título); Benfica (2 épocas incompletas: 1996-97 e 1997-98 - nenhum título).


FERNANDO SANTOS: Sporting (1 época: 2003-04 - nenhum título); Benfica (1 época: 2006-07 - nenhum título).


JESUALDO FERREIRA: Benfica (2 épocas incompletas: 2001-02 e 2002-03 - nenhum título); Sporting (1 época incompleta: 2012-13 - nenhum título).


JORGE JESUS: Benfica (6 épocas: entre 2010-11 e 2014-15 - 3 Campeonatos Nacionais, 1 Taça de Portugal, 1 Supertaça Cândido de Oliveira e 5 Taças da Liga); Sporting (? épocas: 2015-16 - 1 Supertaça Cândido de Oliveira).


No currículo destes 10 treinadores, há a destacar os 10 troféus conquistados por Jorge Jesus ao serviço do Benfica, o qual passa a ser o técnico com mais títulos conquistados da história do Benfica, ultrapassando nesta contabilidade o técnico brasileiro Otto Glória, que conquistou 9 títulos de "águia ao peito". Caso se sagre campeão nacional na presente época que agora começou, Jorge Jesus iguala ainda o anterior recorde que estava na posse do mítico treinador húngaro Béla Guttmann: ser campeão nacional em épocas consecutivas ao serviço de "dois grandes". Béla Guttmann havia sido campeão nacional na época de 1958-59, em representação do F.C. Porto, e campeão nacional nas duas épocas seguintes (1959-60 e 1960-61) em representação do Benfica. Após ter sido bicampeão nacional pelo Benfica (2013-14 e 2014-15), caso seja campeão nacional pelo Sporting na presente época, Jorge Jesus iguala o feito de Béla Guttmann.



sábado, 28 de fevereiro de 2015

Recordações de um clássico F.C. Porto - Sporting com quase 30 anos!


Realiza-se, amanhã à noite, no Estádio do Dragão, mais um grande clássico do futebol português, o F.C. Porto - Sporting, a contar para a 23ª jornada do Campeonato Nacional. Trata-se do 81º jogo entre estes dois grandes rivais, tendo o F.C. Porto na condição de equipa visitada. Nos anteriores 80 confrontos disputados no reduto portista, a contar para o campeonato nacional, há a registar 43 vitórias do F.C. Porto, 24 empates e apenas 13 vitórias do Sporting.
Esta estatística mostra bem as enormes dificuldades que o Sporting sempre tem sentido, ao longo dos anos, quando tem de se deslocar ao terreno do F.C. Porto. A última vitória do Sporting em casa dos portistas ocorreu há já 8 anos, tendo sido alcançada na época de 2006/07, fruto de um golo solitário apontado pelo defesa chileno Rodrigo Tello. Aliás, a última vez que o Sporting logrou pontuar no Estádio do Dragão foi na época de 2008/09, tendo-se então registado um empate (0-0). De então para cá, não mais a equipa leonina conseguiu evitar a derrota.

O antigo e saudoso Estádio das Antas, palco magnífico de inúmeros e
inesquecíveis clássicos F.C. Porto - Sporting.

A propósito do 81º confronto que amanhã vai opor "dragões" a "leões", o Armazém Leonino recorda hoje um outro clássico disputado há quase 30 anos, na já longínqua temporada de 1985/86, o qual terminou com a vitória portista por 2-1. Este jogo, a contar para a 9ª jornada do campeonato nacional, realizou-se no Estádio das Antas, num sábado à noite, mais concretamente, a 2 de Novembro de 1985.
Na sua edição de sábado, o jornal "A Bola" publicava a habitual e indispensável caricatura da autoria do mestre Francisco Zambujal, alusiva ao clássico dessa noite que iria opor estes dois eternos rivais. Trata-se, na verdade, de uma belíssima caricatura!

O "dragão", Artur Jorge, e o "leão", Manuel José, lutam pela liderança do campeonato.

O Sporting, então treinado por Manuel José, alinhou num sistema tático de 4x4x2, da seguinte forma: Damas; Gabriel, Morato, Venâncio e Fernando Mendes; Oceano, Jaime Pacheco, Sousa e Mário Jorge; Meade e Jordão. Aos 61 minutos de jogo, Gabriel foi substituído por Saucedo e aos 67 minutos foi a vez de Meade ser rendido por Litos.

Equipa leonina que alinhou no clássico das Antas, na época de 1985-86.
Em cima (da esquerda para a direita): Venâncio, Jordão, Gabriel, Morato,
Mário Jorge, Meade e Damas.
Em baixo (mesma ordem): Oceano, Fernando Mendes, Jaime Pacheco e Sousa.

Tal como o resultado final sugere, tratou-se de facto de um jogo bastante equilibrado e renhido, com incerteza no resultado até ao final do encontro. Com efeito, foi uma partida muito bem jogada, cheia de lances e jogadas bem delineadas de parte a parte, com oportunidades de golo para ambos os lados e com muita emoção do 1º ao último minuto.
À partida para este jogo, F.C. Porto e Sporting lutavam pela liderança no campeonato e quer uma quer outra equipa atravessavam um bom momento de forma, para além de serem constituídas por jogadores de enorme qualidade técnica e tática. O F.C. Porto entrou melhor no jogo e adiantou-se no marcador aos 16 minutos, por intermédio de André. Durante a 1ª parte, o F.C. Porto manteve um ligeiro ascendente sobre o Sporting, assumindo um maior domínio territorial face ao adversário. Neste período, o F.C. Porto arriscou mais no que diz respeito ao desenvolvimento de ações atacantes, embora o Sporting nunca deixasse de responder em rápidos contra-ataques que obrigavam a defesa portista a estar sempre em alerta máximo.
Logo no reatamento da partida, aos 48 minutos, o F.C. Porto volta a marcar, por intermédio de Lima Pereira, deixando o Sporting numa situação bastante delicada em termos de uma possível recuperação. Contudo, o Sporting reagiu muito bem a essa adversidade e viria 6 minutos depois a reduzir a desvantagem, por intermédio de Venâncio. A partir daí, o Sporting desinibiu-se completamente e soltou-se em campo, partindo para cima do F.C. Porto em busca da igualdade. Até final da partida, assistiu-se a um jogo de parada e resposta, com lances de perigo em ambas as balizas e com oportunidade de golo de parte a parte. Na 2ª parte, o Sporting foi a equipa mais perigosa e aquela que arriscou mais na tentativa de conseguir pontuar, o que não viria a acontecer por manifesta infelicidade.
No cômputo geral dos 90 minutos, tendo em conta a exibição das duas equipas e as oportunidades de golo criadas por ambas, o resultado mais justo seria o empate, pois na 2ª parte o Sporting teve uma reação muito boa, perdendo o respeito ao F.C. Porto que jogava em casa e criando as melhores oportunidades de golo. Mas acima de tudo, tratou-se de um excelente espetáculo de futebol, jogado pelas duas melhores equipas do campeonato.
Com esta vitória, o F.C. Porto assumia a liderança da prova numa altura em que ainda havia muitas jornadas para disputar, pois ainda faltavam 6 jornadas para o fim da 1ª volta. Após um final de campeonato extremamente emocionante e disputado, quase palmo a palmo até à última jornada, o F.C. Porto acabaria por ultrapassar o Benfica, conquistando o campeonato com apenas 2 pontos de vantagem sobre o seu rival lisboeta, ficando o Sporting na 3ª posição, a 3 pontos do campeão nacional.
Ao contrário daquilo que se verificou há quase 30 anos no antigo e saudoso Estádio das Antas, amanhã à noite, no Estádio do Dragão, esperamos e desejamos que, desta vez, o Sporting consiga pontuar. Se não for possível alcançar a vitória, pelo menos, que consiga o empate, embora só a vitória interesse ao Sporting, tendo em vista não perder mais pontos para o líder Benfica. Acima de tudo, fazemos votos para que seja um excelente espetáculo de propaganda da modalidade, com futebol bem jogado por parte das duas equipas e com "fairplay" entre os jogadores dentro das quatro linhas e, igualmente, com civismo e espírito desportivo, entre os adeptos, fora delas.
A equipa leonina atravessa um bom momento de forma, estando a praticar um futebol bastante atrativo e entusiasmante, oferecendo, à sua vasta e fiel massa adepta, espetáculos agradáveis, apenas pecando pela falta de eficácia na concretização das inúmeras oportunidades de golo criadas.
Trata-se de um jogo com elevado grau de dificuldade diante do F.C. Porto que joga em casa e que não pode perder mais pontos se quiser aproximar-se do Benfica na tabela classificativa. Contudo, esta época, parece-nos que o F.C. Porto não está tão forte e confiante como em anos anteriores, apresentando algumas debilidades defensivas e uma menor capacidade ofensiva, comparativamente com temporadas passadas. No entanto, ao contrário da equipa portista, a equipa leonina apresenta-se mais desgastada, quer do ponto de vista físico, quer do ponto de vista anímico, em virtude do jogo exigente que teve de disputar na passada 5ª feira frente à equipa alemã do Wolsburgo e que ditou a eliminação do Sporting da Liga Europa.


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Recordações de um "derby" Sporting - Benfica (época de 1987/88).


Realiza-se este fim de semana (domingo, 8 de Fevereiro, pelas 20 horas), no Estádio José Alvalade, o segundo grande "derby" da época de 2014/15, opondo, uma vez mais, os dois históricos e eternos rivais de Lisboa. Trata-se do 81º encontro entre Sporting-Benfica a contar para o Campeonato Nacional da 1ª Divisão. Nos anteriores 80 confrontos, com o Sporting na condição de clube visitado, há a registar 32 vitórias para a equipa leonina, 30 vitórias para a equipa encarnada e 18 empates.
A propósito deste Sporting - Benfica de domingo à noite, a contar para a 20ª jornada do Campeonato Nacional, o Armazém Leonino recorda hoje um outro "derby" referente à já longínqua temporada de 1987/88. O jogo de que vamos falar hoje, referente à 5ª jornada do campeonato nacional da época atrás referida, realizou-se a 26 de Setembro de 1987, num sábado à noite, e foi o "derby" Sporting-Benfica que se seguiu ao dos célebres 7-1 com que o Sporting "brindara" o Benfica na temporada anterior. Desta vez, porém, o resultado e a exibição do Sporting ficaram muito aquém das expectativas, pois para a história do jogo ficou um empate (1-1) e uma exibição pobre do Sporting, sobretudo, na 2ª parte do encontro.


O antigo, inesquecível e saudoso Estádio José Alvalade (1956 - 2003).

À frente do comando técnico leonino estava o treinador inglês Keith Burkinshaw que transitava da época anterior, enquanto que o Benfica havia, algo surpreendentemente, contratado um novo treinador, o pouco menos que desconhecido dinamarquês, Ebbe Skovdhal. De resto, nem um nem outro chegariam ao fim da época, sendo substituídos, respetivamente, por António Morais e por Toni. No caso do treinador inglês do Sporting, este viria  a ser substituído por António Morais, ainda durante a 1ª volta do campeonato, mais concretamente, à 14ª jornada, a 23 de Dezembro de 1987.
Aquela temporada ficaria também assinalada pela saída, durante o período de defeso, do histórico capitão Manuel Fernandes, o qual, incompatibilizado com o treinador inglês, ingressa no Vitória Futebol Clube, abandonando, ao fim de 12 épocas consecutivas, o seu clube do coração. Com vista a colmatar a saída do grande capitão leonino, o Sporting contrata dois avançados: o brasileiro Paulinho Cascavel, proveniente do Vitória Sport Clube e o inglês Tony Sealy.

A equipa leonina que defrontou o Benfica no "derby" de Alvalade, em Setembro de 1987.
Em cima (da esquerda para a direita): Venâncio (cap.), Duílio, Oceano, João Luís, Vítor Santos e Rui Correia.
Em baixo (mesma ordem): Paulinho Cascavel, Cadete, Tony Sealy, Mário e Silvinho.

Relativamente ao jogo propriamente dito, este acabou por não ter grande história, nem houve grandes incidências dignas de especial registo. Com efeito, este jogo acabou mesmo por ser um dos derbies mais pobres, menos emotivos e menos bem jogados dos últimos anos. Tanto a equipa do Sporting como a do Benfica revelaram pouco ritmo e dinâmica, com os jogadores ainda pouco entrosados entre si, tendo as equipas arriscado pouco, parecendo ambas satisfeitas com o empate e havendo a registar poucas oportunidades de golo de parte a parte ao longo da partida.
O Sporting adiantou-se no marcador à passagem da meia-hora de jogo, por intermédio de Sealy. O Benfica respondeu na 2ª parte, restabelecendo a igualdade aos 66 minutos, através de Tueba. Na 1ª parte verificou-se um ligeiro ascendente do Sporting, mas na 2ª parte o Benfica reagiu em busca da igualdade, conseguindo equilibrar a partida e até superiorizar-se ao seu rival em alguns períodos do jogo. No final, tendo em conta aquilo que se passou dentro das quatro linhas, e atendendo, quer à exibição produzida pelas duas equipas, quer às oportunidade de golo por ambas criadas, o resultado tem de se considerar justo, tendo o empate refletido a verdade do jogo e a pobreza exibicional das duas equipas.
A equipa leonina alinhou num sistema tático em 4x4x2, aparentemente de cariz ofensivo, apresentando dois pontas de lança e dois extremos bem abertos nas alas. No entanto, na prática, a equipa não viria a revelar a toada ofensiva que se esperaria, tendo em conta a constituição da equipa: Rui Correia; João Luís, Duílio, Venâncio (cap.) e Vítor Santos; Cadete, Oceano, Mário e Silvinho; Tony Sealy e Paulinho Cascavel. Na 2ª parte ocorreram as duas substituições: aos 69 minutos, Mário Jorge rendeu Mário e aos 77 minutos Litos rendeu Cadete.
Na edição de sábado (dia do jogo) do jornal "A Bola", aparecia publicada na capa a já habitual e indispensável caricatura de Francisco Zambujal, fazendo a antevisão do "derby" dessa noite. Para tal, o talentoso e genial artista recorreu aos dois treinadores dos rivais de Lisboa para retratar um possível cenário para o jogo, prevendo que o Sporting viesse a jogar ao ataque, assumindo as despesas do jogo, arriscando mais em busca da vitória, uma vez que jogava em sua casa e o Benfica vinha fragilizado do ponto de vista anímico com um mau começo de campeonato, resultante de duas derrotas, diante do Marítimo e do Vitória Futebol Clube.

Keith Burkinshaw lança os leões contra Ebbe Skovdahl.

O tão ansiado e emocionante "derby" Sporting-Benfica de domingo à noite chega, desta vez, à 20ª jornada e todos os adeptos e sócios leoninos esperam e desejam que o Sporting confirme neste jogo tudo aquilo que de bom tem feito até agora, continuando na senda das vitórias e das boas exibições, mas que, sobretudo, vença a partida, pois tal significaria reduzir a desvantagem para apenas 4 pontos em relação ao seu rival da 2ª circular.
Para além da redução dessa desvantagem entre os dois clubes, essa vitória a acontecer daria ainda mais motivação e esperança à jovem equipa leonina, permitindo-lhe continuar na luta pelo título, deixando tudo em aberto daí para a frente, quando ainda ficariam 14 jornadas por disputar até final do campeonato. 
Todos sabemos como os resultados dos "derbies" são imprevisíveis, não havendo, muitas vezes, qualquer lógica em termos daquilo que seria de esperar, tendo em conta a prestação recente das duas equipas. É, pois, sempre difícil prever aquilo que vai acontecer em termos do resultado final de uma partida deste género, embora se possa especular acerca do momento de forma atual das duas equipas e, nesse aspeto particular, pensamos que o Sporting está mais forte e que tem maior probabilidade de vencer o jogo. Se tal acontecer e a vitória for acompanhada de uma boa exibição e por um excelente espetáculo de futebol, com correção e "fair play" dentro e fora das quatro linhas, será "ouro sobre azul"!

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Recordações de um clássico Sporting - F.C. Porto (época 1981/82).


Realiza-se amanhã, dia 26 de Setembro, o segundo confronto da época envolvendo os "três grandes" do futebol português, mais concretamente, o clássico Sporting - F.C. Porto, no Estádio José Alvalade (Alvalade XXI). Decorridas que estão 5 jornadas do Campeonato Nacional, Sporting e F.C. Porto encontram-se à 6ª jornada separados por escassos 2 pontos a favor dos portistas, e em caso de vitória leonina, como desejamos e esperamos que venha a acontecer, o Sporting passará para a frente do F.C. Porto. Obviamente que este Sporting-F.C. Porto não é um jogo decisivo na luta pelo título, pois ainda há muitas jornadas e muitos pontos em disputa, mas é inegável que uma vitória do Sporting irá moralizar e motivar esta jovem equipa para realizar um bom resto de campeonato.
Até hoje, Sporting e F.C. Porto defrontaram-se por 80 vezes em jogos a contar para o Campeonato Nacional, com o Sporting na condição de clube visitado. Desses 80 confrontos realizados em casa dos "leões", há a registar uma clara supremacia leonina de 43 vitórias (mais de 50 por cento), 18 empates e 19 derrotas. A título de curiosidade, registe-se que o F.C. Porto não vence em Alvalade há já 5 temporadas, pois a última derrota leonina caseira aconteceu na época 2008/09, tendo então o F.C. Porto derrotado o Sporting por 2-1.
Na véspera de mais um grande clássico do futebol português e dando sequência a artigos anteriores publicados, de antevisão destes jogos entre os históricos "três grandes" do futebol português, uma vez mais, o Armazém Leonino recorda hoje um Sporting - F.C. Porto referente há já longínqua temporada de 1981/82, o qual deixou gratas e saudosas recordações não apenas em mim, mas entre todos os sócios e adeptos leoninos, pois o Sporting viria a sagrar-se campeão nacional no final dessa época.


Este Sporting - F.C. Porto, a contar para a 15ª jornada, última da 1ª volta do campeonato, disputou-se no dia 17 de Janeiro de 1982, perante uma enorme moldura humana que quase esgotou o Estádio José Alvalade. Com arbitragem de Raul Nazaré (Setúbal), assistiu-se a um excelente espetáculo de futebol, com muita emoção e luta, do primeiro ao último minuto, e sempre com incerteza no resultado até final da partida. O golo do Sporting foi marcado por Mário Jorge, aos 34 minutos da 1ª parte. Esta época de 1981/82 constituiu, aliás, para Mário Jorge, a temporada do seu arranque definitivo e respetiva afirmação na equipa leonina principal, tendo efetuado um total de 30 partidas, 20 das quais a contar para o campeonato nacional.

Mário Jorge, o marcador do golo solitário
que deu o precioso triunfo aos "leões".

Ao longo do encontro, houve um domínio repartido entre as duas equipas no comando do jogo, tendo o Sporting se superiorizado ao F.C. Porto, sobretudo, durante a 1ª parte, assistindo-se após o intervalo a uma reação esperada e natural do F.C. Porto, que arriscou mais no ataque em busca, pelo menos, do golo da igualdade. As jogadas de perigo e as oportunidades de golo sucederam-se em ambas as balizas, mas os avançados foram perdulários, tendo mostrado uma pontaria desafinada e revelado uma grande ineficácia e desinspiração na hora do remate.
Apesar de jogar em casa, o Sporting rodeou-se de algumas cautelas, entrando em campo com uma equipa lutadora e determinada, disposta a correr e a lutar muito do primeiro ao último minuto, jogando de forma realista e pragmática, preferindo um futebol mais prático e objetivo, em detrimento de um futebol bonito e de grande qualidade técnica.
Durante a 1ª parte, o Sporting foi a equipa que teve o maior domínio e iniciativa do jogo, tendo sido também a equipa que mais procurou o golo, pois uma vez conseguindo adiantar-se no marcador, seria depois mais fácil, através de uma defesa compacta e de um meio campo lutador, controlar melhor o adversário, esperando pela sua reação e atacando apenas pela certa e em rápidos contra-ataques. Felizmente, o golo leonino apareceu ainda durante a 1ª parte, permitindo ao Sporting abordar a 2ª parte ainda com mais confiança e motivação, não necessitando de arriscar tanto e preferindo adotar uma atitude mais expectante e de maior contenção, jogando com muita concentração, espírito de entreajuda e de sacrifício, privilegiando sobretudo o contra-ataque.
Apesar de um ligeiro domínio e ascendente portista durante a 2ª parte, este acabou por se revelar infrutífero e inócuo, pois os jogadores do F.C. Porto foram pouco objetivos e decididos na hora do remate, insistindo num futebol de grandes adornos técnicos e de muitos passes, mas sem a profundidade desejada e revelando pouca eficácia e inspiração na zona de finalização. Ao invés, os jogadores do Sporting bateram-se como autênticos "leões", com uma defesa intransponível ajudada por um meio campo muito batalhador e dispondo igualmente de avançados com um grande espírito de entreajuda.

Uma das equipas-tipo do Sporting da época de 1981-82.
Em cima (da esquerda para a direita): Eurico, Jordão, Meszaros, Virgílio, Inácio e Oliveira.
Em baixo (mesma ordem): Lito, Carlos Xavier, Barão, Manuel Fernandes (cap.) e Nogueira.

Para a história deste jogo, aqui fica a constituição da equipa leonina que, com esta vitória sobre um dos mais fortes concorrentes na corrida ao título, mostrou que era também uma forte candidata a conquistar o campeonato, como felizmente se veio a comprovar mais tarde. O treinador inglês Malcolm Allison dispôs a equipa num sistema tático em 4x3x3, aparentemente ofensivo, mas na verdade, como Oliveira recuava muitas vezes para ajudar na luta do meio-campo, aquele sistema acabou por se transformar frequentemente num 4x4x2.
A equipa leonina alinhou da seguinte forma: Meszaros; Barão, Carlos Xavier, Eurico e Virgílio; Ademar, Marinho e Nogueira; Manuel Fernandes (cap.), Oliveira e Mário Jorge. Não foram efetuadas quaisquer substituições na equipa leonina.



Caricatura da autoria de Francisco Zambujal de antevisão do clássico:
O duelo entre os 2 treinadores, Malcolm Allison (Sporting) e Hermann Stessl (F.C. Porto).

A terminar, só para acrescentar que uma das grandes "baixas" para este jogo foi a do excelente avançado leonino, Jordão, que se encontrava lesionado, tendo jogado em seu lugar o jovem extremo esquerdo Mário Jorge que efetuou, aliás, uma excelente exibição, para além de ter sido o autor do golo da vitória leonina. Na edição de sábado do jornal A Bola, o Mestre Francisco Zambujal, o maior caricaturista desportivo de sempre, fazia a já habitual antevisão destes clássicos, retratando o duelo Allison-Stessl numa belíssima caricatura, as quais fazem também parte da história do futebol português e, em particular, do campeonato nacional.

sábado, 13 de setembro de 2014

Algumas curiosidades a respeito do "clássico/derby" Sporting - Belenenses.


Realiza-se esta noite, dia 13 de Setembro de 2014, no Estádio José Alvalade, mais um grande "clássico/derby" do futebol português, Sporting-Belenenses, a contar para a 4ª jornada do Campeonato Nacional, cujo confronto lisboeta encerra já uma longa e rica história com muitos episódios e curiosidades à volta destes jogos.
Com efeito, os "derbies" entre o Sporting e o Belenenses são dos jogos mais antigos, populares e carismáticos da cidade de Lisboa, ou não se tratassem de dois dos maiores clubes do futebol português, os quais já se defrontaram em 73 ocasiões em jogos a contar para o campeonato, tendo o Sporting como clube visitado, seja nos antigos recintos do Campo Grande e do Lumiar, seja no Estádio Nacional ou, a partir de 1956, no antigo e saudoso Estádio José Alvalade, ou ainda no atual estádio, desde 2003.


                                       Estádio José Alvalade (1956 - 2003).

Desses 73 confrontos a contar para o "Nacional" da 1ª Divisão, tendo o clube de Alvalade como anfitrião, há a registar 57 vitórias para o Sporting, 11 empates e apenas 5 vitórias para o Belenenses. Esta estatística mostra, desde logo, uma clara superioridade caseira do Sporting diante do Belenenses e, consequentemente, uma longa tradição de grandes dificuldades sentidas pelo clube do Restelo sempre que teve de se deslocar ao terreno dos "leões". Curiosamente, as 5 vitórias alcançadas pela equipa da "Cruz de Cristo" diante do Sporting nunca foram obtidas no Estádio José Alvalade (nem no antigo, nem no atual).
Na verdade, aqueles 5 triunfos foram todos obtidos antes de 1956, concretamente em 3 estádios diferentes: no Campo Grande (época 1934/35, vitória por 3-1; época 1936/37, vitória por 3-2); no Campo do Lumiar (época de 1941/42, vitória por 4-1; época de 1949/50, vitória por 1-0); no Estádio Nacional (época de 1954/55, vitória por 2-1).
Assim, há já 60 anos que o Sporting não perde em sua casa com o Belenenses para o campeonato.

Uma das equipas-tipo do Sporting da época de 1943/44.
Em cima: Joseph Szabo (treinador), Canário, Octávio Barrosa, Eliseu Cavalheiro,
Manuel Marques (massagista), Azevedo, Manecas e Álvaro Cardoso.
Em baixo: Mourão, João Cruz, Peyroteo, António Marques e Albano.

A maior goleada infringida pelo Sporting ao Belenenses ocorreu há pouco mais de 70 anos, na época de 1943/44, tendo a equipa leonina derrotado a equipa belenense por 6-1. Esta vitória robusta registou-se no Estádio do Lumiar, a 30 de Janeiro de 1944, a contar para a 10ª jornada do "Nacional", tendo os golos leoninos sido apontados por Daniel ("hat-trick"), Mourão, António Marques e Peyroteo.


Uma das equipas-tipo do Sporting da época de 1947/48.
Veríssimo, Travassos, Juvenal, Canário, Jesus Correia,
Manuel Marques ("Manecas"), Albano, Azevedo, Álvaro Cardoso e Peyroteo.

Os jogos em que se verificaram maior número de golos marcados (8 golos) aconteceram em duas ocasiões, a primeira vez, na temporada de 1947/48, com um empate a 4 golos, e a segunda vez, na temporada de 1950/51, com uma vitória do Sporting por 6-2. O empate (4-4) aconteceu à 21ª jornada, em jogo realizado a 18 de Abril de 1948, no Estádio do Lumiar, tendo os golos leoninos sido apontados por Veríssimo, Martins, Vasques e Jesus Correia. A goleada (6-2) ocorreu à 9ª jornada, em jogo realizado, igualmente, no Estádio do Lumiar, a 12 de Novembro de 1950, tendo os golos leoninos sido marcados por Vasques ("hat-trick"), Mário Wilson (bisou) e Martins.


Uma das equipas-tipo do Sporting da época de 1950/51.
Em cima: Azevedo, Veríssimo, Passos, Juvenal, Canário e Caldeira.
Em baixo: Jesus Correia, Vasques, Mário Wilson, Travassos e Martins.

Regressando a 2014, e concretamente ao "derby" desta noite, esperamos e desejamos que a tradição se mantenha e que ainda não seja desta vez que o Belenenses quebra o enguiço de 6 décadas sem vencer no terreno do Sporting.
Nas décadas de 40 e 50, existia um grande "equilíbrio de forças" entre Sporting e Belenenses, com jogos muito disputados e de resultado sempre imprevisível, dada a qualidade dos jogadores que integravam as duas equipas lisboetas. Esse equilíbrio foi-se esbatendo e reduzindo, pouco a pouco, ao longo das décadas de 60, 70, 80 e 90 do século XX, a favor do Sporting.
Nos últimos anos e, em particular, hoje em dia, existe realmente uma grande diferença em termos da qualidade e poderio dos respetivos plantéis, com clara vantagem para o Sporting. Mas tal superioridade tem de ser demonstrada na prática, dentro das quatro linhas e ao longo dos 90 minutos que dura a partida. Sabemos que já não há jogos fáceis e quando menos se espera as equipas teoricamente mais fracas "batem o pé" aos chamados "grandes", tal como, aliás, tem acontecido com alguma frequência nos últimos anos.
Portanto, todo o cuidado é pouco para prevenir quaisquer surpresas desagradáveis e eventuais dissabores. É como diz o ditado popular: "Cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém"! O Sporting está avisado para as dificuldades que poderá encontrar por parte do seu opositor e está preparado, quer do ponto de vista físico e mental, quer do ponto de vista técnico e tático, para levar de vencida o seu adversário. A equipa leonina é superior à equipa belenense, mas tem de o provar em campo, para poder alcançar a tão desejada vitória e conquistar mais 3 pontos, tendo em vista continuar nos primeiros lugares da tabela classificativa.

sábado, 30 de agosto de 2014

Recordações de um "derby" Benfica-Sporting com 36 anos (época 1978/79).


Realiza-se neste domingo, dia 31 de Agosto, no Estádio da Luz, o 1º "derby" da época, o Benfica-Sporting, a contar para a 3ª jornada do Campeonato Nacional. O confronto entre os velhos e eternos rivais lisboetas tem sido, ao longo da história dos campeonatos, um dos jogos mais ansiosamente aguardados pelos adeptos dos dois clubes de Lisboa, dada a rivalidade histórica que já vem de longa data, desde a primeira década do século XX.


De então para cá, decorridos mais de 100 anos, a paixão e a emoção vividas em torno deste "derby" permanecem intactas, gerando, ano após ano, um ambiente único e especial em seu redor. Criam-se enormes expectativas, renovam-se esperanças e ambições e traçam-se os mais variados prognósticos à volta deste eterno clássico do futebol português, de resultado sempre imprevisível, mesmo que, em determinado momento da época, uma equipa possa teoricamente estar mais forte do que a outra, o que não parece ser o caso presente.

Fantástica caricatura da autoria do "Mestre" Francisco Zambujal alusiva ao
"Benfica-Sporting", publicada na edição de sábado (18 de Novembro de 1978) do jornal A Bola.
John Mortimore (técnico inglês do Benfica), Milorad Pavic
(técnico jugoslavo do Sporting) e José Maria Pedroto (treinador do F.C. Porto).

O Armazém Leonino recorda hoje um "derby" realizado há 36 anos atrás, que se disputou a 19 de Novembro de 1978, no antigo Estádio da Luz. Na altura, esse Benfica-Sporting contava para a 10ª jornada do Campeonato Nacional da época de 1978/79 e, tal como agora, o Benfica apresentava-se como favorito à vitória, que mais não fosse pelo simples facto de jogar em casa perante o seu público.
Infelizmente, para o Sporting, este jogo acabou por se tornar num autêntico "pesadelo", ficando tristemente célebre na memória e história dos "derbies" devido à goleada sofrida pela equipa leonina diante do seu rival por 5-0, resultado este construído ainda durante a 1ª parte da partida.
Com efeito, à meia hora de jogo já o Benfica vencia por 4-0 e a 5 minutos do final da 1ª parte, Alves fixaria o resultado final através da marcação de uma grande penalidade. Foram na verdade 45 minutos de "pesadelo", diria mesmo de "terror", para o Sporting, cuja equipa entrou muito mal no jogo, demasiado ansiosa e nervosa, com a defesa mal posicionada, os médios à deriva e sem sentido de entreajuda e um ataque praticamente inexistente. Nessa 1ª metade do encontro, o Sporting apresentou um futebol atabalhoado e aos repelões, sem entrosamento ou ligação entre os setores, com estes muito distanciados, descurando perigosamente a sua retaguarda.
Com o avolumar do marcador, a equipa leonina ia ficando cada vez mais fragilizada do ponto de vista anímico e com menor capacidade de reação, completamente atordoada e desorientada face às contrariedades que ia sofrendo.

Lance do 2º golo do Benfica apontado de cabeça por Néné.

Face ao resultado dilatado registado no final da 1ª parte, pode-se dizer que a 2ª parte acabou por não ter grande história, pois, por um lado, o Benfica consciente que a vitória estava mais que assegurada, abrandou o ritmo de jogo, limitando-se a gerir o resultado a seu bel prazer, por outro lado, o Sporting não querendo deixar avolumar o resultado para números ainda mais escandalosos, retificou algumas posições em campo e acautelou mais o seu setor defensivo, conseguindo, pelo menos, atenuar e limpar um pouco a péssima imagem deixada nos primeiros 45 minutos.
Resumindo e concluindo, pode-se dizer que o Benfica teve uma tarde tranquila, muito mais do que aquilo que poderia imaginar, tendo dominado por completo a partida, criando as melhores oportunidades de golo, 5 delas concretizadas e outras tantas desperdiçadas. O Sporting teve uma "tarde negra", uma tarde para esquecer, em que tudo lhe saiu mal, fruto de um total desacerto coletivo e de uma completa desinspiração das suas individualidades.


Grande penalidade convertida por Alves que fixava o resultado em 5-0.

Para a história deste "derby", recordamos a equipa leonina que, sob o comando do técnico jugoslavo Milorad Pavic, alinhou diante do Benfica num sistema tático, aparentemente ofensivo, em 4X3X3: Botelho; Artur, Bastos, Zezinho e Inácio; Cerdeira, Marinho e Aílton; Manuel Fernandes, Manoel e Keita. Aos 23 minutos, Meneses rendeu o lesionado Zezinho e aos 45 minutos foi a vez de Zandonaide substituir Aílton.
Os golos do Benfica foram apontados por Reinaldo que bisou (aos 15 e 28 minutos), Alves que também bisou (aos 30 e 40 minutos) e Néné (aos 18 minutos).

 
Uma das equipas-tipo leonina da época de 1978/79.
Em cima (da esquerda para a direita): Keita, Freire,
Laranjeira, Meneses, Barão e Botelho.
Em baixo (mesma ordem): Manoel, Inácio, Ademar, Aílton e Artur.

No que diz respeito a goleadas verificadas desde esta temporada de 1978/79 até hoje, há apenas a registar mais duas, uma a favor do Benfica (novamente 5-0, embora a contar para a Taça de Portugal, na época de 1985/86) e a outra a favor do Sporting (7-1, a contar para o Campeonato Nacional da época de 1986/87).
Dado o facto de ainda estarmos no início do campeonato, o "derby" deste fim de semana não é decisivo para nenhuma das equipas, apesar do Benfica ter 2 pontos de vantagem sobre o Sporting. Mesmo em caso de vitória dos "encarnados", e ficando o Sporting a 5 pontos de distância do seu rival, tal diferença ainda pode ser perfeitamente recuperável, com 31 jornadas por disputar. Contudo, o Sporting tem de lutar pela conquista de pontos no Estádio da Luz, sendo o empate um resultado bastante positivo, sabendo-se as dificuldades que o Sporting sempre sente quando joga no terreno do Benfica, onde já não ganha há 6 anos (desde a época de 2008/09, inclusivé) e onde só venceu em 14 ocasiões.
Para este "derby", o Sporting apresenta-se na máxima força e com todo o plantel à disposição de Marco Silva, sem jogadores lesionados ou castigados, dispondo de jogadores em qualidade e quantidade suficientes para se bater de igual para igual com o Benfica. O Sporting não deve mostrar receio de jogar para ganhar no terreno do seu adversário, pois a vitória, para além de significar a ultrapassagem ao seu rival, constituiria um excelente tónico e um fator extra de motivação para encarar o resto da temporada com otimismo e confiança.
Esperamos e desejamos que o "derby" de amanhã seja um grande espetáculo de futebol, de promoção da modalidade, que haja "fair-play" e desportivismo dentro e fora das quatro linhas e que a equipa de arbitragem esteja à altura deste grande "clássico" do futebol português, sem casos de jogo.
Pela nossa parte, estamos confiantes e otimistas! Acreditamos que o Sporting poderá vencer ou, pelo menos, conquistar um empate no Estádio da Luz. Boa sorte "leões"! Força Sporting!

sábado, 15 de março de 2014

Recordações de um clássico Sporting - F.C. Porto (época 1979/80).



Realiza-se amanhã, dia 16 de Março (Domingo), o penúltimo jogo desta época envolvendo dois dos "três grandes" do futebol português, mais concretamente, o clássico Sporting - F.C. Porto, no Estádio José Alvalade (Alvalade XXI). A oito jornadas do final do Campeonato Nacional, Sporting e F.C. Porto lutam "taco a taco" pelo 2º lugar, o qual dá entrada direta na fase de grupos da milionária Liga dos Campeões.
Atualmente, o Sporting dispõe de mais dois pontos que o F.C. Porto e em caso de vitória leonina, como desejamos e esperamos que venha a acontecer, aumentará a vantagem para cinco pontos, que já é uma diferença pontual razoável que permitirá encarar o resto da temporada com alguma tranquilidade, segurança e otimismo. Em caso de empate, ficará tudo como está, com vantagem para o Sporting. Mesmo em caso de derrota, o F.C. Porto passaria para a frente com mais um ponto que o Sporting, desvantagem esta que poderia ser perfeitamente anulada ainda com 7 jornadas para disputar. Assim, resumindo e concluindo, este Sporting-F.C. Porto não é um jogo decisivo na luta pelo 2º lugar, pois ainda há 21 pontos em disputa, mas é inegável que uma vitória do Sporting irá moralizar e motivar esta jovem equipa para realizar um bom final de campeonato.
Relativamente ao 1º lugar, temos de ser realistas e, como tal, pensamos que a diferença pontual de sete pontos que o Sporting tem em relação ao Benfica é já demasiada para se pensar que ainda é possível recuperar de tamanho atraso. Só mesmo uma quebra inesperada e fora do normal por parte do Benfica (por exemplo, com duas derrotas seguidas) é que poderia, eventualmente, fazer renascer a esperança leonina. No entanto, todos sabemos como o futebol é fértil em surpresas e, portanto, enquanto for matematicamente possível, temos de acreditar até ao fim, pois a esperança é a última a morrer!
Até hoje, Sporting e F.C. Porto defrontaram-se por 79 vezes em jogos a contar para o Campeonato Nacional, com o Sporting na condição de clube visitado. Desses 79 confrontos realizados em casa dos "leões", há a registar uma clara supremacia leonina de 42 vitórias (mais de 50 por cento), 18 empates e 19 derrotas. A título de curiosidade, registe-se que a última vitória leonina caseira aconteceu há já 4 anos, mais concretamente, na época de 2009/10, tendo então o Sporting derrotado o F.C. Porto por um concludente 3-0. Por outro lado, a última vitória portista no terreno dos "leões" havia acontecido na temporada anterior (2008/09), por 2-1, sendo que nas últimas 3 épocas se registaram 3 empates.
Na véspera de mais um grande clássico do futebol português e dando sequência a artigos anteriores, por mim publicados, de antevisão destes jogos entre os históricos "três grandes" do futebol português, uma vez mais, o Armazém Leonino recorda hoje um Sporting - F.C. Porto referente há já longínqua temporada de 1979/80, o qual deixou gratas e saudosas recordações não apenas em mim, mas entre todos os sócios e adeptos leoninos, pois o Sporting viria a sagrar-se campeão nacional no final dessa época.


Este Sporting - F.C. Porto de que vamos falar hoje tratou-se, aliás, do primeiro jogo entre estes dois clubes a que tive o prazer e o privilégio de assistir ao vivo, no velhinho peão do antigo e saudoso Estádio José Alvalade. O jogo, a contar para a 12ª jornada do Campeonato Nacional, disputou-se no dia 9 de Dezembro de 1979, precisamente no dia seguinte ao do meu aniversário em que completei 12 anos. E posso dizer que foi a melhor prenda que poderia ter recebido, pois para além de poder assistir ao vivo a um jogo desta importância e dimensão, no final fiquei ainda mais feliz com o resultado da partida: vitória do Sporting, por 1-0, com o golo solitário a ser apontado por Jordão, um dos meus maiores ídolos da infância e juventude.
Perante uma enorme moldura humana que quase esgotou o Estádio José Alvalade e sob alguma chuva que caiu durante parte do encontro (mas que não prejudicou o estado do relvado por aí além), assistiu-se a um excelente espetáculo de futebol, com muita emoção e luta, do primeiro ao último minuto, e sempre com incerteza no resultado até final da partida. O golo do Sporting foi marcado já perto do intervalo, aos 42 minutos, através de um remate de cabeça de Jordão que acorreu na grande área, rápido, oportuno e decidido, a um cruzamento do lado direito, muito bem medido, por parte do defesa Artur.

Jordão, o melhor marcador do campeonato
nacional 1979-80 e o melhor avançado da prova.

Ao longo do encontro, houve um domínio repartido entre as duas equipas no comando do jogo, tendo o Sporting se superiorizado ao F.C. Porto, sobretudo, durante a 1ª parte, assistindo-se após o intervalo a uma reação esperada e natural do F.C. Porto, que arriscou mais no ataque em busca, pelo menos, do golo da igualdade. As jogadas de perigo e as oportunidades de golo sucederam-se em ambas as balizas, mas os avançados foram perdulários, tendo mostrado uma pontaria desafinada e revelado uma grande ineficácia e desinspiração na hora do remate.
O F.C. Porto partia para a temporada de 1979/80 como um dos principais candidatos ao título, senão mesmo o mais forte candidato, pois era o campeão nacional das duas épocas anteriores e possuía, na verdade, uma equipa muito forte e bem entrosada, com jogadores de enorme qualidade técnica, muito bem orientados pelo Mestre José Maria Pedroto que foi, de facto, o grande obreiro do renascimento do F.C. Porto após 19 anos de "travessia no deserto". Portanto, apesar de jogar em casa, o Sporting rodeou-se de algumas cautelas, entrando em campo com uma equipa lutadora e determinada, disposta a correr e a lutar muito do primeiro ao último minuto, jogando de forma realista e pragmática, preferindo um futebol mais prático e objetivo, em detrimento de um futebol bonito e de grande qualidade técnica.
Durante a 1ª parte, o Sporting foi a equipa que teve o maior domínio e iniciativa do jogo, tendo sido também a equipa que mais procurou o golo, pois uma vez conseguindo adiantar-se no marcador, seria depois mais fácil, através de uma defesa compacta e de um meio campo lutador, controlar melhor o adversário, esperando pela sua reação e atacando apenas pela certa e em rápidos contra-ataques. Felizmente, o golo leonino apareceu na melhor altura, muito perto do intervalo, permitindo ao Sporting abordar a 2ª parte de outra forma, não arriscando tanto, preferindo adotar uma atitude mais expectante e de maior contenção, jogando com muita concentração, espírito de entreajuda e de sacrifício, privilegiando sobretudo o contra-ataque.
Apesar do maior domínio e ascendente portista durante a 2ª parte, este acabou por se revelar infrutífero e inócuo, pois os jogadores do F.C. Porto foram pouco objetivos e decididos na hora do remate, insistindo num futebol de grandes adornos técnicos e de muitos passes, mas sem a profundidade desejada e revelando pouca eficácia e inspiração na zona de finalização. Ao invés, os jogadores do Sporting bateram-se como autênticos "leões", com uma defesa intransponível ajudada por um meio campo muito batalhador e dispondo igualmente de avançados com um grande espírito de entreajuda.

Uma das equipas-tipo do Sporting da época de 1979-80.
Em cima (da esquerda para a direita): Eurico, Bastos, Jordão, Meneses, Fraguito e Fidalgo.
Em baixo (mesma ordem): Inácio, Ademar, Manoel, Manuel Fernandes (cap.) e Artur.

Para a história deste jogo, aqui fica a constituição da equipa leonina que, com esta vitória sobre o campeão nacional em título, mostrou que era também uma forte candidata ao título, como felizmente se veio a comprovar mais tarde. O treinador Fernando Mendes dispôs a equipa num sistema tático em 4x3x3, aparentemente ofensivo, mas na verdade, como Manuel Fernandes recuava muitas vezes para ajudar na luta do meio-campo, aquele sistema acabou por se transformar frequentemente num 4x4x2.
A equipa leonina alinhou da seguinte forma: Fidalgo; Artur, Bastos, Eurico e Barão; Fraguito, Meneses e Ademar; Manuel Fernandes (cap.), Manoel e Jordão. Ao intervalo, Barão cedeu o seu lugar a Inácio e aos 66 minutos foi a vez de Marinho entrar para o lugar de Fraguito, com o intuito de refrescar o meio campo leonino.


O duelo Jordão (melhor marcador) - Fonseca (guarda-redes menos batido).

A terminar, só para acrescentar que um dos aliciantes deste jogo era também o tão aguardado confronto entre o avançado do Sporting, Jordão, o melhor marcador do campeonato (que viria, aliás, a conquistar a "Bola de Prata", com 31 golos) e o guarda-redes do F.C. Porto, Fonseca, o guardião menos batido do campeonato. No final, pode-se dizer que Jordão levou a melhor sobre Fonseca, pois conseguiu, por uma vez, desfeitear o excelente guarda-redes portista, o qual foi um dos grandes responsáveis pelo facto da defesa portista ter sido a menos batida do campeonato. O Mestre Francisco Zambujal, o maior caricaturista desportivo de sempre, fez a habitual antevisão deste clássico para o jornal A Bola, retratando precisamente este duelo Jordão-Fonseca numa belíssima caricatura, as quais fazem também parte da história do futebol português e, em particular, do campeonato nacional.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Recordações de um "derby" Benfica - Sporting com 36 anos! (época 1977/78)

 
Realiza-se neste domingo, dia 9 de Fevereiro, no Estádio da Luz, mais um "derby" do futebol português, o Benfica-Sporting, a contar para a 18ª jornada do Campeonato Nacional. O confronto entre os velhos e eternos rivais lisboetas tem sido, ao longo da história dos campeonatos, um dos jogos mais ansiosamente aguardados pelos adeptos dos dois clubes de Lisboa, dada a rivalidade histórica que já vem de longa data, mais concretamente, desde 1907, ano em que, pela primeira vez, Sporting e Benfica se defrontaram, com vantagem leonina (vitória por 2-1).
De então para cá, mais de 100 anos passados, a paixão e a emoção vividas em torno deste "derby" permanecem intocáveis, gerando, ano após ano, um ambiente único e especial em seu redor. Criam-se enormes expectativas, renovam-se esperanças e ambições e traçam-se os mais variados prognósticos à volta deste eterno clássico do futebol português, de resultado sempre imprevisível, mesmo que, em determinado momento da época, uma equipa possa teoricamente estar mais forte do que a outra.
 
 
O Armazém Leonino recorda hoje um outro "derby", já com 36 anos de idade (como o tempo passa!), que se disputou também em Fevereiro, mais concretamente, a 12 de Fevereiro de 1978, no Estádio da Luz. Na altura, esse Benfica-Sporting contava para a 16ª jornada (1ª jornada da 2ª volta) do Campeonato Nacional da época de 1977/78 e, tal como agora, o Benfica apresentava-se como o grande favorito à vitória.
Para o Sporting, este jogo não deixou nenhumas saudades, acabando por ficar tristemente célebre na memória dos "derbies" devido a dois acontecimentos que marcaram negativamente este encontro para as cores leoninas. O primeiro foi a lesão grave sofrida por Jordão que, ainda na 1ª parte, sofreu uma fratura da tíbia motivada por uma entrada dura do defesa benfiquista Alberto. O segundo foi o golo solitário da partida marcado, aos 54 minutos, pelo avançado benfiquista Vítor Baptista que ditou a derrota leonina por 1-0.
Diga-se, em abono da verdade, que se tratou de um golo monumental, daqueles de fazer "levantar o estádio". Num lance de pura inspiração do "Maior", este amorteceu a bola no peito e sem deixar batê-la no chão desferiu um fantástico pontapé com o pé direito, ainda de fora da grande área, deixando o guarda-redes leonino Botelho "pregado ao chão" sem qualquer capacidade de reação.
Lance disputado entre Vítor Baptista e Inácio, sob os olhares
atentos de Shéu e Fraguito.
 
A cena que se seguiu ao golo faz também parte da história deste "derby", dada a situação insólita e até caricata que se viveu após a marcação deste estupendo golo. De imediato, Vítor Baptista apercebe-se que perdeu o seu precioso brinco-talismã e nem sequer festeja o golo que marcou junto dos colegas de equipa. Põe-se logo à procura do brinco juntamente com alguns colegas seus. O árbitro Rosa Santos vê-se obrigado a adiar, por breves minutos, o reatar da partida, pois Vítor Baptista encontra-se completamente absorvido e desesperado na tentativa de encontrar o seu brinco. Contudo, apesar dos seus esforços, o brinco nunca chegou a aparecer e o jogo foi reatado, para grande tristeza e desconsolo de Vítor Baptista que até parece que já não se lembrava do golo marcado, o qual viria a ser decisivo para a vitória tangencial do Benfica.

Vítor Baptista procura em vão o seu brinco
sob o olhar divertido de Toni.
 
À parte este episódio algo caricato e "sui-generis", o jogo acabou por não ter grande história, tendo o Benfica dominado a partida e criado as melhores oportunidades de golo, no entanto desperdiçadas, o que lhe podia ter causado dissabores, não fosse o Sporting ter desperdiçado, já perto do fim do encontro, uma clara oportunidade de golo. Contudo, a vitória do Benfica não sofre discussão, pois atendendo àquilo que se passou dentro das quatro linhas e ao futebol praticado pelas duas equipas, a equipa benfiquista mostrou ser superior ao seu adversário, tendo alcançado uma vitória justa embora escassa.
O Sporting pode também queixar-se da falta de sorte, ao ver-se privado desde cedo do concurso de um dos seus melhores jogadores, o excelente ponta de lança Jordão, que se encontrava num bom momento de forma. Do ponto de vista anímico, a equipa leonina sentiu profundamente esse infortúnio e nunca se chegou a recompor de tal infelicidade.
 
Equipa leonina que alinhou diante do Benfica.
Em cima (da esquerda para a direita): Laranjeira, Inácio,
Vítor Gomes, Manaca, Keita e Botelho.
Em baixo (mesma ordem): Manuel Fernandes, Jordão, Barão,
Artur e Fraguito.
 
Para a história deste "derby", recordamos a equipa leonina que, sob o comando de Rodrigues Dias, alinhou diante do Benfica num sistema tático, aparentemente ofensivo, de 4X3X3: Botelho; Artur, Manaca, Laranjeira e Inácio; Vítor Gomes, Fraguito e Barão; Manuel Fernandes, Jordão e Keita. Aos 26 minutos, Manoel rendeu o lesionado Jordão e aos 63 minutos é a vez de Cerdeira substituir Barão.
O "derby" deste fim de semana não é decisivo, pois ainda ficarão a faltar 12 jornadas para o final do campeonato. O Benfica tem 2 pontos de vantagem sobre o Sporting e mesmo em casa de vitória dos "encarnados", e ficando o Sporting a 5 pontos de distância do seu rival, tal diferença ainda pode ser recuperável. Contudo, o Sporting tem de lutar pela conquista de pontos no Estádio da Luz, sendo o empate um resultado bastante positivo, sabendo nós as dificuldades que o Sporting sempre sente quando joga no terreno do Benfica, onde já não ganha há 8 anos e onde só venceu em 14 ocasiões.
Pese embora as ausências de William Carvalho (castigado) e Jefferson (lesionado), dois jogadores bastante influentes e que atravessam um excelente momento de forma, o Sporting tem jogadores em qualidade e quantidade suficientes para se bater de igual para igual com o Benfica. O Sporting não deve mostrar receio de jogar para ganhar no terreno do seu adversário, pois a vitória, para além de significar a liderança no campeonato, constituiria um excelente tónico e um fator extra de motivação para encarar o resto da temporada com otimismo e confiança.
Esperamos e desejamos que o "derby" de amanhã seja um grande espetáculo de futebol, de promoção da modalidade, que haja fair-play" e desportivismo dentro e fora das quatro linhas e que a equipa de arbitragem esteja à altura deste jogo grande do futebol português, e, sobretudo, não volte a prejudicar o Sporting como tem acontecido nas últimas épocas.
Acreditamos que o Sporting poderá conquistar, pelo menos, um empate, o que já não será um mau resultado, continuando, assim, a equipa leonina a lutar pelo título. Boa sorte "leões"!
 

sábado, 14 de dezembro de 2013

Recordações de um "clássico/derby" Sporting - Belenenses (época 1954/55).


 
Realiza-se esta noite (20h30m), dia 14 de Dezembro de 2013, no Estádio José Alvalade, mais um grande "clássico/derby" do futebol português, Sporting-Belenenses, a contar para a 13ª jornada do Campeonato Nacional, cujo confronto lisboeta encerra já uma longa e rica história com muitos episódios e peripécias para contar.
Com efeito, os "derbies" entre o Sporting e o Belenenses são dos jogos mais antigos, populares e carismáticos da cidade de Lisboa, ou não se tratassem de dois dos maiores clubes do futebol português que já se defrontaram por 72 vezes em jogos a contar para o campeonato, tendo o Sporting como clube visitado, seja nos antigos recintos do Campo Grande e do Lumiar, seja no Estádio Nacional ou, a partir de 1956, no antigo e saudoso Estádio José Alvalade, ou ainda no atual estádio, desde 2003.
Desses 72 confrontos a contar para o "Nacional" da 1ª Divisão, tendo o clube de Alvalade como anfitrião, há a registar 56 vitórias para o Sporting, 11 empates e apenas 5 vitórias para o Belenenses. Esta estatística mostra, desde logo, uma clara superioridade caseira do Sporting diante do Belenenses e, consequentemente, uma longa tradição de grandes dificuldades sentidas pelo clube do Restelo sempre que teve de se deslocar ao terreno dos "leões". Curiosamente, as 5 vitórias alcançadas pelo emblema da "Cruz de Cristo" diante do Sporting nunca foram obtidas no Estádio José Alvalade, quer no antigo, quer no atual.
Na verdade, aqueles 5 triunfos foram todos obtidos antes de 1956, mais concretamente em 3 estádios diferentes: no Campo Grande (época 1934/35, vitória por 3-1; época 1936/37, vitória por 3-2); no Campo do Lumiar (época de 1941/42, vitória por 4-1; época de 1949/50, vitória por 1-0); no Estádio Nacional (época de 1954/55, vitória por 2-1).
 
Bonito palco do Jamor onde teve lugar o Sporting-Belenenses
da época de 1954/55.

 
É precisamente esta última vitória alcançada pelo Belenenses, no Estádio Nacional (terreno "emprestado" ao Sporting), há já quase 6 décadas, que o Armazém Leonino recorda hoje, sendo que, desde então, nunca mais os "azuis" do Restelo lograram vencer no reduto leonino. Curiosamente, e tal como hoje, também aquele jogo da época de 1954/55 se realizou à 13ª jornada do campeonato nacional e em plena época natalícia, mais concretamente, a 26 de Dezembro.
 
Bonita e espetacular imagem onde se observa um lance disputado entre
dois dos protagonistas do "clássico" do Jamor de 1954: Matateu e Juca,
os marcadores dos golos da partida (Sporting - 1 / Belenenses - 2).
 
O "herói" deste jogo foi o grande jogador belenense de seu nome completo, Sebastião Lucas da Fonseca, que ficou popularmente conhecido, na História do futebol português, por Matateu, o extraordinário avançado moçambicano, um dos melhores de sempre do futebol português e um dos maiores símbolos do Belenenses. Naquela tarde fria de Dezembro, Matateu foi o autor dos 2 golos com que o Belenenses derrotou o então tetracampeão nacional Sporting, que já só contava no seu plantel com 3 dos famosos e inesquecíveis "cinco violinos": Vasques, Travassos e Albano, se bem que neste jogo só tenham jogado 2 deles (Vasques e Travassos).
O também excelente médio leonino Juca foi o autor do golo solitário dos "leões". Todos os golos da partida foram marcados na 2ª parte, tendo o Belenenses se adiantado no marcador por intermédio de Matateu ,aos 54 minutos. Pouco tempo depois, Juca ainda restabeleceu a igualdade, mas aos 82 minutos, o avançado moçambicano voltou a marcar, fixando o resultado final em 2-1 a favor do emblema da "Cruz de Cristo". No final dessa época, culminando uma excelente temporada ao serviço do Belenenses, Matateu sagrou-se o melhor marcador do campeonato, com 32 golos apontados, conquistando a sua segunda "Bola de Prata".
A título de curiosidade, refira-se ainda que este "clássico" foi arbitrado pelo tristemente famoso árbitro de Évora, Inocêncio Calabote, que viria a estar ligado a um caso de corrupção envolvendo o Benfica, vindo, pouco tempo depois, a ser irradiado da arbitragem. No entanto, neste "derby" Sporting-Belenenses de 1954 não consta que tenham havido quaisquer "casos" ligados à arbitragem de Inocêncio Calabote, à parte a expulsão do extremo esquerdo leonino Mendonça!
 
Uma das equipas-tipo do Sporting da época de 1954/55.
Em cima: Janos Hrotko, Rita, Carlos Gomes, Passos, Galaz, Caldeira e Juca.
Em baixo: Hugo, Vasques, João Martins, Travassos e Mendonça.
 
Para a história deste "clássico" Sporting-Belenenses de Dezembro de 1954, recordamos a equipa leonina que alinhou no Estádio Nacional, há quase 60 anos: Carlos Gomes; Caldeira, Passos e Pacheco; Janos Hrotko e Juca; Hugo, Vasques, João Martins, Travassos e Mendonça.
Regressando a 2013, e concretamente ao "derby" desta noite, esperamos e desejamos que a tradição se mantenha e que ainda não seja desta vez que o Belenenses quebra o enguiço de quase 6 décadas sem vencer no terreno do Sporting.
Em meados da década de 50, existia um grande "equilíbrio de forças" entre Sporting e Belenenses, com jogos muito disputados e de resultado imprevisível, dada a qualidade dos jogadores que integravam as duas equipas lisboetas. Nos últimos anos e, em particular, hoje em dia, existe uma grande diferença em termos da qualidade e poderio dos respetivos plantéis, com clara vantagem para o Sporting. Mas tal superioridade tem de ser demonstrada na prática, dentro das quatro linhas e ao longo dos 90 minutos que dura a partida. Sabemos que já não há jogos fáceis e quando menos se espera as equipas teoricamente mais fracas podem "bater o pé" aos chamados "grandes", tal como, aliás, já aconteceu neste campeonato e tem acontecido sempre ao longo dos anos.
Portanto, todo o cuidado é pouco para prevenir quaisquer surpresas desagradáveis e eventuais dissabores. É como diz o ditado popular: "Cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém"! O Sporting está avisado para as dificuldades que poderá encontrar por parte do seu opositor e está preparado, quer do ponto de vista físico e mental, quer do ponto de vista técnico e tático, para levar de vencida o seu adversário. A equipa leonina é superior à equipa belenense, mas tem de o provar em campo, para poder alcançar a tão desejada vitória e conquistar mais 3 pontos, tendo em vista continuar na frente do campeonato e até aumentar a vantagem para os seus mais diretos perseguidores, espreitando uma eventual escorregadela de F.C. Porto e Benfica.