quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Recordações de uma antiga eliminatória com o FC Zurique (Março de 1974).


A propósito do jogo de amanhã, entre o FC Zurique e o Sporting, a contar para a 1ª jornada da fase de grupos da Liga Europa, cuja partida assinala a estreia do Sporting nas competições europeias desta época, o Armazém Leonino recorda hoje o anterior confronto, ocorrido na época de 1973/74, entre estes dois clubes.
A época de 1973/74 foi, aliás, uma das melhores de sempre da História do futebol leonino, uma vez que, a nível interno, os "leões" conquistaram a "dobradinha" (campeonato e Taça de Portugal) e o seu inesquecível avançado argentino Yazalde sagrou-se o melhor marcador do campeonato, com a fantástica marca de 46 (!) golos (em 29 jogos), ainda hoje recorde do campeonato nacional, conquistando nessa temporada a "Bola de Prata" e a "Bota de Ouro".
Para ser uma época extraordinária só faltou mesmo a chegada da equipa leonina à final da Taça das Taças, cujo feito esteve muito perto de acontecer. Os "leões" seriam, contudo, eliminados nas meias finais, diga-se de forma injusta, pela equipa alemã do Magdeburgo (ex-RDA) - 1ª mão, 1-1 (em Lisboa); 2ª mão, 1-2 (na Alemanha) - que curiosamente viria a conquistar o troféu.

Estádio José Alvalade, 6 de Março de 1974.
Sporting - 3 / FC Zurich - 0 (1ª mão, quartos de final da Taça das Taças).
Troca de galhardetes e de cumprimentos entre os capitães das duas equipas:
à esquerda, o mítico guardião e capitão leonino, o eterno Vítor Damas.

Ora foi precisamente na eliminatória anterior, nos quartos de final da competição, que o Sporting defrontou o FC Zurique. A equipa leonina recebeu a equipa suíça, na 1ª mão, em Alvalade, a 6 de Março, vencendo por um esclarecedor 3-0, tendo os golos sido todos obtidos na 2ª parte, por intermédio de Nélson (55 minutos), Marinho (57 minutos) e Yazalde (80 minutos, grande penalidade).
Perante este resultado relativamente tranquilizador, o Sporting encarou com optimismo, mas com sentido de responsabilidade, o encontro da 2ª mão, em Zurique, a 20 de Março. E, na verdade, a equipa leonina voltou a confirmar a sua superioridade, jogando, simultâneamente, com confiança e ambição, apesar de ter sofrido um golo madrugador, logo aos 6 minutos.
No entanto, a equipa leonina não se atemorizou, demonstrando grande personalidade e maturidade. Rapidamente se recompôs e o seu valor veio ao de cima, não voltando a permitir qualquer veleidade por parte da equipa suíça, a qual não conseguiu voltar a marcar qualquer golo. Ao invés, foram os "leões" que alcançaram o empate pouco tempo depois, aos 18 minutos, por intermédio de Baltasar, fixando o resultado em 1-1, o qual não viria a sofrer alteração até ao final da partida.

Zurique, 20 de Março de 1974.
FC Zurich - 1 / Sporting - 1 (2ª mão, quartos de final da Taça das Taças).
Os agradecimentos e festejos dos bravos "leões" que tinham acabado
de ultrapassar a equipa suíça rumo às meias finais da Taça das Taças.
Da esquerda para a direita: Dinis, José Carlos, Marinho, Yazalde, Alhinho,
Carlos Pereira, Fraguito (semi-encoberto), Chico, Bastos e Damas.

O Sporting carimbava, assim, o passaporte para as meias finais da Taça das Taças, onde viria a ser eliminado, fruto de uma grande infelicidade em matéria de jogadores-chave castigados (Nélson na 1ª mão) e lesionados (Yazalde na 1ª e 2ª mãos e Dinis na 2ª mão), incluindo uma grande penalidade falhada por Dinis (na 1ª mão) e uma oportunidade flagrante de golo falhada por Tomé (na 2ª mão)!
Esta eliminatória foi, de facto, ingloriamente perdida, pois o Sporting mostrou ser superior à equipa alemã no conjunto dos 2 jogos. Uma vez mais a sorte foi madrasta para o Sporting! Na véspera do dia 25 de Abril e da "Revolução dos Cravos", o Sporting esteve também prestes a fazer História, 10 anos depois da conquista da Taça das Taças, em 1964.
O Armazém Leonino faz votos para que amanhã, em Zurique, o Sporting volte a vencer e a superiorizar-se à equipa suíça, tal como o fez há pouco mais de 37 anos, e que o jogo de amanhã possa marcar o arranque de uma excelente campanha leonina na Liga Europa, quem sabe, até à final de Maio, em Bucareste. Força Sporting, mostra a tua garra!

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Fraguito faz hoje 60 anos!

Dois cromos de Fraguito de épocas diferentes, que saíram na contracapa
de duas populares revistas de cowboys ("Tex Tone" e "Relâmpago")
da década de 70: à esquerda, foto de Fraguito da época de 1973/74;
à direita, foto de Fraguito da época de 1977/78.

Há exactamente 60 anos, nascia em Vila Real (8/9/1951), Fraguito, um dos melhores médios portugueses que passou pelo Sporting durante a década de 70.

Uma das equipas-tipo do Sporting da época de 1973/74. Em cima (da esquerda para a direita):
Laranjeira, Manaca, Alhinho, Damas, Fraguito (22 anos) e Carlos Pereira.
Em baixo (mesma ordem): Tomé, Yazalde, Nélson, Marinho, Dinis.

Fraguito jogou durante 9 épocas de "leão ao peito" (entre as temporadas de 1972/73 e 1980/81), tendo realizado um total de 201 jogos e marcado 20 golos.

Uma das equipas-tipo do Sporting da época de 1978/79. Em cima (da esquerda para a direita):
Meneses, Laranjeira, Marinho, Keita, Fraguito (27 anos) e Botelho.
Em baixo (mesma ordem): Artur, Manoel, Manuel Fernandes, Jordão e Inácio.

Com a camisola leonina, Fraguito sagrou-se por duas vezes campeão nacional (épocas de 1973/74 e 1979/80) e venceu 3 Taças de Portugal (épocas de 1972/73, 1973/74 e 1977/78), sendo finalista vencido na temporada de 1978/79.

Cromo de Fraguito, caricaturado por Francisco Zambujal, referente
à colecção "Arte e Futebol" (editora Mabilgráfica, época de 1979/80).

Fraguito foi ainda 6 vezes internacional A pela Selecção Nacional. Pode ver e ler mais sobre Fraguito aqui.

Equipa de Portugal que defrontou a 14 de Novembro de 1973, no Estádio José Alvalade,
a Irlanda do Norte, cujo resultado foi um empate (1-1).
Este jogo assinalou precisamente a estreia de Fraguito com a camisola das "quinas".
Em cima (da esquerda para a direita): Damas, Pietra, Alhinho, Fraguito (22 anos), Adolfo e Humberto Coelho.
Em baixo (mesma ordem): Nené, Octávio, Jordão, Toni e Dinis. 

O Armazém Leonino felicita e dá os parabéns a Fraguito, desejando-lhe muitos anos de vida. Achámos que uma forma bonita de comemorar o aniversário de Fraguito e de lembrar esta importante data foi a de publicar uma série de fotos retratando momentos da carreira deste grande jogador.

Caricatura, da autoria de Francisco Zambujal, referente à equipa leonina
que se sagrou campeã nacional na época de 1979/80. Em cima (da esquerda para a direita):
Vaz (g.r.), Eurico, Barão, Meneses, José Eduardo, Bastos, Fidalgo (g.r.) e Inácio.
Em baixo (mesma ordem): Marinho, Manuel Fernandes, Manoel, Jordão, Fraguito (28 anos) e Ademar.

sábado, 3 de setembro de 2011

Domingos Castro - Um "leão" de raça de categoria internacional!


A propósito da 13ª edição dos "Mundiais" de Atletismo (pista ao ar livre) que estão a decorrer em Daegu (Coreia do Sul), o Armazém Leonino recorda hoje um dos maiores atletas da História do atletismo leonino - Domingos Castro - que, há precisamente 24 anos, conquistou, na 2ª edição daquela competição, realizada em Roma, a medalha de prata na prova de 5 000 metros.
Com efeito, em 1987, Domingos Castro, então prestes a completar 24 anos, alcançava um dos maiores feitos da sua longa e excelente carreira, ao conquistar um brilhante 2º lugar - com a marca de 13.27,59 minutos - na final dos 5 000 metros dos Campeonatos do Mundo de Pista em Atletismo realizados em Roma, sendo apenas batido pelo grande atleta marroquino Said Aouita, na altura, um dos melhores meio-fundistas mundiais que, inclusivamente, havia sido campeão olímpico desta distância nos Jogos de Los Angeles, em 1984.
A estreia de Domingos Castro em "Mundiais" de Atletismo não poderia ter sido mais auspiciosa, vaticinando-se um futuro promissor para o então jovem atleta leonino na alta roda do atletismo mundial. Domingos Castro era, na verdade, um atleta muito combativo e raçudo, revelando uma enorme fibra e espírito de sacrifício, qualidades estas que se aliavam a uma constante disponibilidade física e mental para o treino e a uma crescente motivação no sentido da sua evolução e melhoria técnico-táctica.
Logo no ano seguinte, nos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988, Domingos Castro esteve prestes a conquistar nova medalha na prova de 5 000 metros, naquela que terá sido uma das mais frustrantes e dramáticas corridas da sua carreira, falhando um lugar no pódio por escassos metros.
Na verdade, Domingos Castro viu fugir-lhe, de forma inglória e injusta, a medalha que esteve ao seu alcance até à entrada para a última volta, altura em que já nos últimos 200 metros, não resisitiu ao elevado esforço dispendido ao longo da prova, vendo-se ultrapassado, a poucos metros da meta, por dois atletas alemães. A corrida viria a ser ganha pelo queniano John Ngugi que praticamente liderou a prova do princípio ao fim, tendo Domingos Castro pagado caro o facto de ter sido o único atleta que tentou ir atrás do queniano que cedo se distanciou dos demais corredores. O atleta leonino acabou por terminar a corrida num frustrante 4º lugar, ainda assim com o excelente tempo de 13.16,09 minutos.
Nos anos seguintes, Domingos Castro continuou a dar nas vistas em grandes competições de atletismo, sendo justamente considerado pelos especialistas um dos principais fundistas europeus e mundiais da sua geração. Embora não tenha voltado a conquistar mais nenhuma medalha em Campeonatos da Europa, Campeonatos do Mundo ou Jogos Olímpicos, Domingos Castro esteve presente em várias finais daquelas competições, quer em 5 000, quer em 10 000 metros, tendo alcançado lugares bem honrosos, dos quais destacamos os seguintes (por ordem cronológica): 1986 (Estugarda) - Campeonato da Europa de Pista: 5º lugar (10 000 metros); 1991 (Tóquio) - Campeonato do Mundo de Pista: 5º lugar (5 000 metros); 1992 (Barcelona) - Jogos Olímpicos: 11º lugar (5 000 metros); 1994 (Helsínquia) - Campeonato da Europa: 9º lugar (5 000 metros); 1997 (Atenas) - Campeonato do Mundo de Pista: 6º lugar (10 000 metros).
Domingos Castro participou ainda na Maratona dos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996 e dos Jogos Olímpicos de Sidney, em 2000, tendo alcançado, respectivamente, a 25ª e 18ª posições. Das 16 maratonas que correu, venceu duas, a maratona de Paris, em 1995 e a maratona de Roterdão, em 1997, conseguindo aí a sua melhor marca pessoal, com o tempo de 2 horas, 7 minutos e 51 segundos. 
A partir do final da década de 80 e início da década de 90, começou a assistir-se a uma supremacia quase esmagadora por parte dos atletas africanos, sobretudo dos oriundos da África Negra (Quénia e Etiópia) que passaram a dominar praticamente todas as corridas de meio fundo e fundo das principais competições do atletismo mundial, quer em pista, estrada ou corta-mato. Domingos Castro e outros atletas europeus da sua geração sentiram na pele este fenómeno, e nas corridas em que participavam atletas africanos, aqueles tinham de limitar-se a lutar pelo título de melhor atleta europeu!
Este poderio africano que já dura há cerca de 25 anos e que promete manter-se nos próximos, diria mesmo, longos anos, fez com que os atletas europeus, nos últimos anos, deixassem de figurar no pódio e na luta pelas medalhas nas provas de meio-fundo e fundo em grandes competições de atletismo. A edição deste ano dos "Mundiais" de Atletismo de Daegu deu disso uma prova inequívoca e concludente, quer no sector masculino, quer no sector feminino.
Relativamente ao total de participações em grandes competições mundiais de atletismo, Domingos Castro esteve presente em 4 edições dos Jogos Olímpicos, 5 edições do Campeonato do Mundo de Pista e duas edições do Campeonato da Europa de Pista.
Como atleta versátil e polivalente que era, Domingos Castro sobressaiu igualmente no corta-mato, em cuja especialidade viria a alcançar lugares de destaque, apesar de, como atrás referimos, já se fazer sentir o poderio africano também no corta-mato. Ainda assim, Domingos Castro teve participações bastante honrosas no Campeonato do Mundo de Corta-Mato, em cuja competição é, ainda hoje, o recordista mundial de presenças, com nada mais nada menos que 18 (17 das quais consecutivas como sénior e uma como júnior). Destas 18 participações, há a referir 7 presenças entre os 15 primeiros classificados, destacando-se a obtenção de um 7º lugar (melhor atleta europeu) em 1990 e de um 10º lugar em 1999. Viria a conquistar a medalha de prata em Alnwick (Inglaterra), em 1994, no recém-criado Campeonato da Europa de Corta-Mato.

Caricatura genial dos irmãos-gêmeos Castro, da autoria
do mestre Francisco Zambujal: à esquerda Dionísio Castro,
à direita Domingos Castro.

A nível de clubes, em representação do Sporting, Domingos Castro conquistou inúmeros títulos nacionais e europeus, quer individuais, quer colectivos, em pista, estrada e corta-mato, mas disso não daremos conta nesta postagem, pois tal foge do âmbito deste artigo, o qual procurou essencialmente analisar a carreira internacional individual de Domingos Castro nas principais competições do atletismo mundial.
A abordagem relativa à carreira de Domingos Castro ao serviço do Sporting ficará para uma outra ocasião, já que oportunidades para tal não faltarão certamente.
De uma coisa não restam dúvidas. Para além de ter sido um dos maiores atletas leoninos de todos os tempos, digno sucessor de outros grandes atletas como Carlos Lopes e Fernando Mamede, Domingos Castro foi, igualmente, um dos melhores atletas nacionais de sempre e um fundista de craveira mundial, quer em pista, quer em corta-mato.

domingo, 28 de agosto de 2011

Carlos Gomes - Um extraordinário guarda-redes com uma carreira atribulada!

Carlos Gomes com 20 anos já titular da baliza leonina, sucedendo a Azevedo.
(Separata da revista "Mundo de Aventuras", 1952)

A propósito da recente contratação de Carlos Martins e de Jorge Ribeiro por parte do clube espanhol Granada, recém promovido à 1ª Liga de Espanha, o Armazém Leonino recorda hoje uma outra transferência de um jogador português para este clube espanhol, precisamente o grande e inesquecível guarda-redes leonino Carlos Gomes (18/1/1932-17/10/2005), cuja vida atribulada e acidentada, dentro e fora dos relvados, teria dado certamente um bom filme!
No final da época de 1957/58, após se ter sagrado, pela 5ª vez, campeão nacional pelos "leões", Carlos Gomes, então com 26 anos, abandona o clube leonino descontente e em desacordo relativamente ao baixo ordenado que recebia no Sporting. Após um longo e intenso "braço-de-ferro" com os dirigentes leoninos e não tendo sido possível ultrapassar as profundas divergências financeiras, Carlos Gomes acaba por se transferir para o futebol espanhol, mais concretamente para o Granada (treinado por um antigo técnico leonino, o argentino Alejandro Scopelli), onde veio a auferir uma remuneração oito (!) vezes superior à que tinha no Sporting.

Chegava assim ao fim a carreira de Carlos Gomes em Alvalade, após 8 temporadas (entre 1950/51 e 1957/58) em que conquistara 5 campeonatos nacionais (4 deles consecutivos) e uma Taça de Portugal (1953/54), sendo ainda finalista vencido desta prova por mais duas vezes (1951/52 e 1954/55). Durante o período de tempo em que permaneceu ao serviço do Sporting, Carlos Gomes não só conquistou títulos e honrarias, mas igualmente acumulou multas e suspensões fruto do seu temperamento rebelde, conflituoso e irreverente.

Carlos Gomes era um guarda-redes dotado de extraordinárias qualidades físicas e técnicas e com uma vocação fabulosa para o lugar, sendo aquilo a que se pode chamar um predestinado das balizas. Para além de possuir uma grande elasticidade e reflexos entre os postes, revelava igualmente uma enorme coragem e eficácia nas saídas da baliza, quer aos cruzamentos, quer aos pés dos adversários. Na verdade, Carlos Gomes foi um dos maiores guarda-redes que passaram pelo futebol português até hoje, sendo a par de Azevedo e Damas, um dos melhores guarda-redes leoninos de sempre.

É de lamentar a frequência e a quantidade de situações e de problemas, dentro e fora dos relvados, com que Carlos Gomes se teve de debater, os quais ensombraram e prejudicaram grandemente a sua carreira desportiva, pois estamos em crer que o guarda-redes leonino poderia ter realizado uma carreira fabulosa no futebol português. Condições físicas e técnicas para tal não lhe faltavam, faltando-lhe sim, maior ponderação, equilíbrio emocional e estabilidade psicológica para lidar com a pressão, sobretudo fora dos relvados.
Durante a sua permanência no Sporting e em Portugal, Carlos Gomes viu-se, por diversas vezes, a contas com a PIDE, devido às suas posições sociais e políticas contrárias ao regime fascista vigente em Portugal, mostrando um apurado sentido crítico e manifestando grandes dificuldades em conviver com esse regime de opressão e de censura (falta de liberdade de expressão e de opinião) que então se vivia no país.
Depois de uma época ao serviço do Granada, Carlos Gomes transferiu-se para o Oviedo, regressando a Portugal e ao Sporting, em 1961. Como as divergências contratuais com os dirigentes leoninos teimavam em manter-se, Carlos Gomes ingressou no Atlético, mas por pouco tempo, pois logo a seguir voltou a meter-se em sarilhos (foi condenado a 11 anos de prisão), tendo de fugir do país e exilando-se no estrangeiro durante mais de 20 anos, primeiro em Espanha e depois no Norte de África (Marrocos, Argélia e Tunísia). Regressaria a Portugal apenas em 1983, vindo a falecer em 2005, com 73 anos.
A carreira e a vida de Carlos Gomes mereceriam, de facto, uma reflexão e uma análise mais profundas, dada a complexidade do seu carácter e personalidade, por um lado, e da própria conjuntura e vicissitudes da época em que viveu, por outro. Não quero terminar este artigo sem deixar, no entanto, uma breve consideração pessoal a respeito do que poderia ter sido a carreira de Carlos Gomes e até onde este poderia ter chegado, caso este extraordinário guarda-redes tivesse permanecido no Sporting.
Em 1958, quando abandonou o clube leonino, Carlos Gomes tinha apenas 26 anos, tendo realizado 221 jogos em 8 temporadas (média de quase 28 jogos por época) com a camisola leonina. Por outro lado, Carlos Gomes era o guarda-redes titular indiscutível da Selecção Nacional, totalizando 18 internacionalizações (entre Novembro de 1953 e Maio de 1958). Estamos, pois, em crer que noutras circunstâncias, caso não tivesse estado envolvido em problemas de vária ordem, quer com o seu clube, quer com o regime político do seu país, Carlos Gomes poderia perfeitamente, dadas as suas extraordinárias capacidades, ter continuado como titular do Sporting e da Selecção Nacional por mais 7 ou 8 anos e, quem sabe, até poderia ter participado no Campeonato Mundial de Futebol em Inglaterra, pois em 1966 teria 34 anos, mais novo até do que José Pereira, titular da baliza dos "magriços". Quem sabe até se com Carlos Gomes na baliza, Portugal não poderia ter sido campeão do mundo!
É claro que tudo isto não passam de meras suposições que logicamente nunca puderam nem poderão vir a ser comprovadas, mas não resisto a fazê-las, pois tenho a firme convicção de que Carlos Gomes passou, como é comum dizer-se, ao lado de uma grande carreira no futebol português e, em particular, no Sporting, pois se em 8 anos de carreira em Portugal muito conquistou, muito mais poderia ter conquistado em outros tantos anos.
Na verdade, a História da carreira desportiva de Carlos Gomes nunca deixou de me intrigar e de estar presente nas minhas reflexões e pensamentos sobre o futebol português e, em particular, sobre o Sporting, pois sinto, como sportinguista, uma profunda mágoa, para não dizer revolta, deste fantástico guarda-redes, dos melhores de sempre do futebol português, não ter chegado mais longe na sua carreira, como as suas enormes qualidades faziam prever. Foi uma pena! Ficou a perder o atleta, o Sporting e o futebol português!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Salvador

A História do futebol português é fértil em exemplos de futebolistas que tendo atingido grande destaque e notoriedade ao serviço de clubes de menor dimensão (comparativamente com os chamados "três grandes"), quando porém ingressaram no Sporting, F.C. Porto ou Benfica tiveram um desempenho modesto e um rendimento abaixo das expectativas, não conseguindo afirmar-se como titulares nos respectivos clubes.
Assim de repente e ao correr da memória recordo-me perfeitamente de 5 jogadores da década de 70, curiosamente todos do Boavista, que quando se transferiram para os "três grandes" não conseguiram mostrar todo o seu potencial nem manter o rendimento futebolístico anteriormente evidenciado. Tal foram os casos, por exemplo, dos avançados Jorge Gomes e Folha no Benfica, de Albertino e Júlio no F.C. Porto e de Salvador no Sporting. É precisamente sobre este último jogador que incide o presente artigo, uma vez que foi este avançado brasileiro que jogou no Sporting na época de 1980/81.
Salvador Luis de Almeida nasceu no Rio de Janeiro a 7 de Agosto de 1949, tendo chegado a Portugal com 23 anos, no início da época de 1972/73, para jogar no Boavista. Salvador permaneceu 8 épocas ao serviço dos axadrezados, até ao final da temporada de 1979/80, tendo durante este período conquistado 3 Taças de Portugal (1974/75, 1975/76, 1978/79) e uma Supertaça (1978/79).
Viviam-se então os tempos áureos do Boavista, conhecido justamente por "Boavistão", fruto da grande equipa então treinada e orientada no banco pelo mestre José Maria Pedroto e comandada no campo pelo "maestro" João Alves. Foi este "Boavistão" que conquistou as duas primeiras Taças de Portugal do clube axadrezado e alcançou o 2º lugar no Campeonato Nacional da época de 1975/76, com menos 2 pontos que o campeão nacional, o Benfica.
Salvador assumiu-se desde logo como um dos elementos de maior destaque dessas grandes equipas axadrexadas, fazendo sobressair as suas qualidades técnicas e físicas na frente de ataque dos boavisteiros, actuando preferencialmente pelo lado esquerdo. Salvador era um avançado bem constituído fisicamente, baixo mas entroncado, rápido e com boa técnica, dotado de um bom pé esquerdo e de um forte remate.

Caricatura de Salvador da autoria do mestre Francisco Zambujal
(caderneta "Arte e Futebol", época 1979/80).

Salvador foi o herói da primeira final da Taça de Portugal ganha, em 1974/75, pelo Boavista, ao apontar os 2 golos com que os axadrexados venceram (2-1) o Vitória Sport Clube (Guimarães). Ao serviço do Boavista viria a conquistar mais duas Taças de Portugal, frente ao Benfica (vitória 2-1), em 1975/76, e frente ao Sporting (vitória 1-0, na finalíssima), em 1978/79.
Ao fim de 8 épocas no Bessa e fruto das boas temporadas e exibições ali realizadas, Salvador foi alvo do interesse do Sporting que acabou por contratá-lo no início da época de 1980/81. Ao serviço do clube leonino, Salvador acabou por realizar uma época modesta, muito aquém das expectativas criadas em torno de si, não conseguindo afirmar-se como titular indiscutível dos "leões".

Com a camisola leonina, Salvador realizou apenas 17 jogos, 14 dos quais a contar para o Campeonato Nacional, não tendo marcado qualquer golo. O avançado brasileiro estreou-se de "leão ao peito" a 31 de Agosto de 1980, em jogo realizado no Estádio do Fontelo, em Viseu, a contar para a 2ª jornada do Campeonato Nacional, frente ao Académico de Viseu, tendo a partida terminado empatada (1-1).
Salvador acabou por ser "vítima" da forte concorrência então existente no sector atacante dos "leões", bem servido de jogadores como Manuel Fernandes, Manoel, Jordão, Lito e Freire e, de certa forma, o seu rendimento também se ressentiu da fraca prestação da própria equipa leonina ao longo da época, a qual terminou o campeonato num modesto 3º lugar.

Equipa leonina da época de 1980/81.
Em cima (da esquerda para a direita): Eurico, Jordão, Bastos, Inácio e Vaz.
Em baixo (mesma ordem): Ademar, Manoel, Marinho, Barão, Manuel Fernandes e Salvador.

No final da época de 1980/81, Salvador, então com 32 anos, abandonou o Sporting ingressando no Sporting de Espinho, ao serviço do qual ainda jogou durante 3 temporadas, até à época de 1983/84, finda a qual deu por terminada uma bonita carreira de 12 anos em Portugal, regressando então ao seu país natal, o Brasil.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Sporting na 57ª edição do Torneio Ramón de Carranza 2011.

O belo e imponente troféu Ramón de Carranza.

Precisamente 25 anos depois da sua primeira participação, o Sporting voltou a merecer a honra de ser uma das equipas convidadas a participar no Torneio Ramón de Carranza, famoso torneio espanhol de pré-época que se realiza todos os anos em Cádiz, uma bonita cidade portuária do sul de Espanha (província da Andaluzia).
Este ano realiza-se a 57ª edição deste prestigiado torneio quadrangular de verão que deve o seu nome precisamente a um ex-presidente do Cádiz CF.


Este torneio juntamente com o Teresa Herrera (na Corunha) são considerados os mais importantes torneios espanhóis de pré-época e, inclusivamente, são considerados dos mais famosos da Europa. O Torneio Teresa Hererra já o Sporting conquistou em 1961 (ler aqui). Que bonito seria conquistar 50 anos depois o Torneio Ramón de Carranza! E que bem ficaria este lindo e grandioso troféu no Museu do Sporting!
O Torneio Ramón de Carranza é disputado por 4 equipas, o anfitrião Cádiz CF e 3 equipas convidadas, que este ano são justamente o Sporting, o Málaga (Espanha) e a Udinese (Itália). O torneio vai ter lugar nos dias 5, 6 e 7 de Agosto, tendo o sorteio ditado os seguintes jogos das meias-finais: Sporting / Málaga e Cádiz CF / Udinese, no dia 5 de Agosto. Os vencidos destes 2 jogos disputarão os 3º e 4º lugares no dia seguinte, sendo que a final se realiza no último dia do torneio (7 de Agosto) entre os vencedores das meias-finais.
A primeira edição deste emblemático torneio realizou-se em 1955, tendo tido como vencedor o Sevilha FC. Até hoje participaram neste torneio 5 equipas portuguesas: o Benfica - que esteve já presente em 5 edições - venceu o troféu por duas vezes (1963 e 1971); o Atlético Clube de Portugal, o Belenenses, o Sporting de Braga e o Sporting estiveram presentes apenas numa única ocasião. O Atlético de Madrid é o clube com mais vitórias neste torneio, com 8 troféus, seguido do clube da casa, o Cádiz CF, com 7 troféus conquistados.
O Sporting repete, assim, este ano a participação de 1986, ano em que teve uma estreia infeliz ficando classificado no 4º e último lugar, atrás do Cádiz FC (vencedor), Real Bétis (Espanha) e Botafogo FR (Brasil).
No jogo das meias-finais, disputado a 23 de Agosto, o Sporting foi derrotado pelo Real Betis, por 2-0 e no jogo de atribuição dos 3º e 4º lugares, realizado no dia seguinte, voltou a ser derrotado, desta vez por 1-0, diante do Botafogo FR.
A título de curiosidade, recordamos a constituição da equipa leonina que se estreou neste torneio há 25 anos: Damas; Gabriel, Venâncio, Morato e Fernando Mendes; Zinho, Oceano, Negrete e Mário; Manuel Fernandes e Meade.
Apresentamos, a seguir, a foto de uma das equipas-tipo do Sporting dessa época de 1986/87, a qual só difere da constituição da equipa acima indicada em 2 jogadores: Virgílio em vez de Gabriel e Litos em vez de Mário.

Em cima (da esquerda para a direita): Venâncio, Oceano, Virgílio, Meade, Morato e Damas.
Em baixo (mesma ordem): Zinho, Manuel Fernandes (cap.), Negrete, Fernando Mendes e Litos.

O Armazém Leonino faz votos para que, na sua segunda participação neste prestigiado torneio espanhol, o Sporting consiga deixar uma melhor imagem do seu real valor e dê mostras de todo o seu potencial futebolístico, pois jogadores de categoria não faltam no plantel leonino. Há que ter um pouco de paciência e dar tempo ao tempo, pois o Sporting sofreu uma grande remodelação e renovação no seu plantel, tendo entrado praticamente uma equipa nova, na qual se incluem jovens promessas que podem vir a dar muito que falar.
Com efeito, metade do plantel é novo e, como tal, uma equipa não se constrói de um dia para o outro, mas existem muitas opções de qualidade às ordens do treinador Domingos, o qual dispõe de, pelo menos, dois jogadores para cada posição. O técnico leonino saberá, certamente, tirar o maior partido das potencialidades de cada jogador, escolhendo a posição do terreno onde cada um poderá render melhor.
Na verdade, caso se concretize a contratação de Jeffrén e se confirme a inclusão de Abel (após recuperar da operação) no plantel, Domingos passará a contar com 30 (!) jogadores* ou 28 (caso se opte pelo empréstimo dos defesas João Gonçalves e Tiago Llori). Existem, portanto, jogadores em quantidade e qualidade mais do que suficientes para assegurarem uma época de sucesso para o emblema do "leão" ou, pelo menos, que oferecem garantias do Sporting poder lutar até ao fim pela conquista de todas as competições em que vai estar envolvido: Campeonato Nacional, Taça de Portugal, Taça da Liga e Liga Europa.
Acima de tudo, é preciso acreditar na competência já demonstrada por Domingos Paciência e na qualidade deste plantel que é bastante equilibrado nos seus vários sectores, permitindo acalentar esperanças numa excelente época. Para isso todos somos poucos para apoiar e incentivar o nosso Sporting, à semelhança daquilo que fizeram os quase 50 000 espectadores que estiveram presentes em Alvalade, no passado dia 30 de Julho. Força Sporting, estamos contigo! Boa sorte para o Torneio Ramón Carranza!

* GUARDA-REDES (3): Rui Patrício, Marcelo Boeck e Tiago; DEFESAS (11): Abel (?), João Pereira, Carriço, Polga, Rodriguez, Onyewu, Arias, João Gonçalves (?), Tiago Llori (?), Evaldo e Turan; MÉDIOS (10): Schaars, Izmailov, Diego Capel, Matias Fernández, Fabián Rinaudo, Luis Aguiar, Pereirinha, André Santos, André Martins, Carrillo; AVANÇADOS (6): Bojinov, Wolfswinkel, Yannick Djaló, Hélder Postiga, Diego Rubio e Jeffrén (?).

quarta-feira, 27 de julho de 2011

A conquista da 7ª Taça de Portugal (Época 1970-71): Sporting - 4 / Benfica -1.

Faz hoje, dia 27 de Julho, exactamente 40 anos e um mês que o Sporting conquistou a sua 7ª Taça de Portugal, ao vencer o Benfica, no Estádio Nacional, por um categórico 4-1. Naquela tarde do dia 27 de Junho de 1971, a equipa leonina estava, de facto, inspirada, arrancando para uma grande exibição e alcançando uma vitória indiscutível sobre o seu eterno rival.
Em Maio desse ano, o Benfica sagrara-se campeão nacional com 3 pontos de vantagem sobre o Sporting, treinado pelo saudoso e inesquecível mestre Fernando Vaz. Ao longo das 26 jornadas da competição, o Sporting manteve uma luta renhida com o Benfica quase até ao final da prova, mostrando que, numa final e num só jogo, poderia perfeitamente vencer o seu rival, como viria aliás a acontecer na final do Jamor.
Apresentamos, a seguir, a foto dessa grande equipa leonina que conquistou brilhantemente a Taça de Portugal da época de 1970-71. A título de curiosidade, informamos que esta foto foi reproduzida numa separata oferecida pela famosa revista de banda desenhada "Jornal do Cuto", de 21 de Julho de 1971.
Em cima (da esquerda para a direita): Laranjeira, Pedro Gomes, Gonçalves,
Presidente da República Américo Tomás, Manaca, Marinho e José Carlos (cap.).
Em baixo (mesma ordem): Damas, Chico, Nélson, Peres e Dinis.

Para ver e ler mais sobre esta final clique aqui.

sábado, 23 de julho de 2011

Temporada de 1949-50: Uma época em branco entre o tri e o tetra leoninos.

A temporada de 1949/50 fica assinalada na História do futebol leonino como a época em que o Sporting se viu privado do valioso e inestimável contributo do fantástico avançado Peyroteo, o maior goleador da História do futebol português que representou o clube leonino ao longo de 12 anos (1937-1949), terminando a carreira de futebolista aos 31 anos.
Para colmatar a ausência de Peyroteo, o Sporting contratou Mário Wilson que, embora não tenha feito esquecer aquele mítico avançado - pois tal seria quase impossível! - conseguiu ainda assim, no total das duas temporadas de "leão ao peito", marcar 37 golos (23 golos na 1ª época - melhor marcador leonino; 14 golos na 2ª época).
A época de 1949/50 fica igualmente assinalada na História do futebol leonino como uma temporada de "jejum" em matéria de títulos nacionais, a qual se interpôs entre a  conquista do "tri" e do "tetra" leoninos, impedindo, assim, a conquista, por parte do Sporting, de 8 títulos nacionais consecutivos!
Com efeito, apesar do abandono precoce de Peyroteo e dessa temporada mais discreta, continuava-se a viver a época áurea e inigualável dos "Cinco Violinos", cujas equipas leoninas marcaram uma era de hegemonia na História do Futebol em Portugal.
O Armazém Leonino apresenta, a seguir, uma belíssima foto (tirada no Estádio Nacional) de uma equipa leonina da época de 1949/50, na qual podemos identificar apenas "Quatro Violinos" e Mário Wilson, entre outros grandes jogadores, nomeadamente, aqueles que ocupavam posições mais recuadas no terreno, mas não menos importantes.
Na segunda foto, podemos observar precisamente os jogadores que faziam parte da retaguarda leonina: os defesas e médios defensivos.

Em cima (da esquerda para a direita): Azevedo (g.r.), Manuel Marques (enfermeiro-massagista),
Octávio Barrosa, Passos, Vasques, Veríssimo e Canário.
Em baixo (mesma ordem): Jesus Correia, Travassos, Mário Wilson, Juvenal e Albano.

Da esquerda para a direita: Canário, Veríssimo, Juvenal, Passos, Azevedo e Octávio Barrosa.

Não sabemos quem é o rapaz que se encontra de pé (na 1ª foto) entre Travassos e Mário Wilson. Algum dos amigos e visitantes sportinguistas do Armazém Leonino sabe o nome deste rapaz? Ficamos então a aguardar a vossa colaboração e ajuda, a qual agradecemos imenso.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

105º Aniversário do Sporting Clube de Portugal!

O Sporting comemora hoje, dia 1 de Julho de 2011, mais um aniversário, chegando aos 105 anos de idade cheio de vitalidade e pujança, continuando hoje, tal como no passado, a trilhar um caminho de sucesso, feito de vitórias e de conquistas que fazem do clube leonino a maior potência desportiva nacional.
Apesar de nos últimos anos o Sporting andar afastado da discussão dos títulos de algumas das mais importantes modalidades nacionais, como o futebol, o andebol, o basquetebol e o hóquei em patins, que outrora lhe conferiram um enorme prestígio, tal não invalida que mantenhamos a esperança num futuro próximo risonho e próspero, se possível já na próxima época, nomeadamente através do futebol e do andebol, modalidades nas quais o Sporting se está a reforçar grandemente, prometendo lutar arduamente pela conquista do campeonato nacional.

Como clube ecléctico que sempre foi, o Sporting deve continuar a acarinhar as modalidades ditas amadoras e, de preferência, até reforçar ainda mais a aposta em modalidades onde tem mantido a hegemonia a nível nacional, como são os casos do atletismo e do futsal.
Tendo em vista aproximar cada vez mais os adeptos e sócios leoninos do seu clube, é fundamental e imprescindível que o Sporting resolva o mais depressa possível a questão do pavilhão, pois não se admite que um clube com tamanho historial e grandeza não tenha o seu próprio pavilhão, perto do seu estádio, como outrora acontecia com os saudosos recintos desportivos dos "leões" - Estádio José Alvalade "paredes meias" com o Pavilhão de Alvalade - onde se viveram momentos inesquecíveis e brilhantes da história do hóquei em patins, do andebol e do basquetebol leoninos.
Como forma de felicitar o Sporting pelos seus 105 anos de vida e, simultaneamente, com o intuito de ir preservando a memória e a rica história leonina que não pode nunca ser esquecida, o Armazém Leonino lembrou-se de apresentar dois documentos do seu arquivo que servem também para homenagear atletas importantes que honraram e dignificaram a camisola e o emblema do "leão".

Capa da revista "Selecções Desportivas" (exemplar nº22; Junho de 1980):
Balanço da época de 1979/80, na qual o Sporting se sagrou
brilhantemente campeão nacional.

Os campeões nacionais homenageados e retratados, de forma magistral, pelo
mestre da caricatura Francisco Zambujal (in "A Bola" de 5/6/1980).
Em cima (da esquerda para a direita): Vaz (g.r.), Eurico, Barão, Meneses,
José Eduardo, Bastos, Fidalgo (g.r.) e Inácio.
Em baixo (mesma ordem): Marinho, Manuel Fernandes, Manoel,
Jordão, Fraguito e Ademar.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Sporting lidera o "ranking" nacional do total de títulos conquistados em 7 modalidades.

Nos últimos anos, devido às muitas conquistas alcançadas em matéria de competições futebolísticas, o F.C. Porto tem vindo a aproximar-se, cada vez mais, do Benfica no que diz respeito ao total de troféus conquistados nesta modalidade, tendo ultrapassado há muito o Sporting neste particular.
À partida para a época de 2010/11, o Benfica totalizava 67 troféus contra 66 do F.C. Porto, contando já com a Supertaça "Cândido de Oliveira" ganha pelos portistas em Agosto de 2010. O Sporting contabiliza apenas 45 troféus, estando, em termos futebolísticos, muito distante dos seus rivais.
Durante a época que recentemente terminou, esta disputa entre "dragões" e "águias" atingiu o seu auge, tendo o F.C. Porto acabado por ultrapassar o Benfica pela diferença mínima, ao vencer o Campeonato Nacional, a Taça de Portugal e a Liga Europa. O F.C. Porto passou assim a contabilizar 69 troféus e o Benfica, vencendo apenas a Taça da Liga, ficou-se pelos 68.
Desde logo, a polémica reacendeu-se, pois os benfiquistas alegam que a Taça Latina, conquistada em 1950, também deve ser tida em conta nesta contagem.
O Armazém Leonino não vai entrar obviamente nesta discussão, pois tal assunto está fora do âmbito deste espaço leonino, mas a propósito desta disputa estatística/futebolística entre portistas e benfiquistas, lembrámo-nos de efectuar uma pesquisa a respeito do total de títulos (campeonatos nacionais masculinos) alcançados pelos "três grandes" em 7 modalidades, que são, provavelmente, as que têm mais praticantes e adeptos em Portugal: Futebol, Atletismo, Futsal, Hóquei em Patins, Basquetebol, Andebol e Voleibol.
Indicamos, a seguir, o número de títulos nacionais alcançados pelos "três grandes" em cada uma destas 7 modalidades.

CAMPEONATOS NACIONAIS CONQUISTADOS (modalidades por ordem alfabética): SPORTING (SCP) ; BENFICA (SLB) ; F.C. PORTO (FCP)


ANDEBOL: SCP - 17 ; SLB - 7 ; FCP - 16

ATLETISMO (pista ao ar livre): SCP - 48 ; SLB - 22 ; FCP - 2

BASQUETEBOL: SCP - 8 ; SLB - 22 ; FCP - 11

FUTEBOL (*): SCP - 18 ; SLB - 32 ; FCP - 25

FUTSAL: SCP - 10 ; SLB - 5 ; FCP - 0

HÓQUEI EM PATINS: SCP - 7 ; SLB - 20 ; FCP - 20

VOLEIBOL: SCP - 5 ; SLB - 3 ; FCP - 9

TOTAL: SCP - 113 ; SLB - 111 ; FCP - 83

(*) Nesta contagem incluímos o Campeonato da I Liga (3 edições ganhas pelo Benfica e uma ganha pelo F.C. Porto).

Da observação destes dados, constata-se que o Sporting é o clube que tem mais campeonatos nacionais conquistados no conjunto das 7 modalidades, totalizando 113 títulos, contra 111 do Benfica e 83 do F.C. Porto. Esta contabilidade prova, uma vez mais, e se dúvidas ainda houvesse, que o Sporting continua a ser a maior potência desportiva nacional.
Contudo, tal conclusão não invalida que reconheçamos que o Sporting tem andado muito por baixo no que diz respeito sobretudo ao futebol. É, pois, fundamental e urgente para o futebol português e para o prestígio do próprio futebol leonino, que o Sporting volte, já na próxima época, a ser forte e grande também no futebol, como o foi em tempos não muito recuados, mas há já demasiado tempo afastado dos títulos nacionais, para um clube com a tradição, historial e grandeza do Sporting.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Particular 1980: Sporting 1 - Cosmos 1; jogo das estrelas, com Beckenbauer, etc... e estreia de N´Wokocha pelo Sporting!

Recorte do jornal "Golo" de 8 a 14 de Outubro de 1980. O destacável desta edição prendia-se com a visita da melhor equipa da terra do Tio Sam (Cosmos) a Alvalade, neste particular, os Dólares não foram álem de um empate com os Escudos... Neste dia, estreou-se pelo Sporting o nigeriano N´Wokocha, jogador que viria a deixar Alvalade pouco tempo depois em conflito com o então presidente Leonino João Rocha.

sábado, 18 de junho de 2011

Sporting conquista, em futsal, o 1º triplete da sua História!

Chegou ao fim uma época de sonho na História do futsal leonino. Hoje, ao derrotar o Benfica, por 5-4 (após prolongamento), no 3º jogo do play-off, o Sporting sagrou-se bicampeão nacional, juntando este título às duas conquistas anteriores da presente temporada, a Supertaça e a Taça de Portugal. Foi, na verdade, uma época inesquecível na História do futsal leonino, pois é a primeira vez que o Sporting conquista o triplete.
É caso para dizer que só faltou a conquista da UEFA Futsal Cup para a época ser memorável, mas, mesmo assim, tendo o Sporting sido vice-campeão europeu, pode-se considerar esta temporada verdadeiramente inesquecível e fantástica a todos os níveis.

Para além de ter ganho tudo o que havia para ganhar a nível nacional, o Sporting sagrou-se campeão nacional vencendo, pela primeira vez, os 3 primeiros jogos de um play-off, não havendo necessidade de se recorrer a um 4º jogo. Também com esta conquista, o Sporting passa a contabilizar uma dezena de títulos de campeão nacional, o dobro dos títulos do Benfica, provando ser a maior potência nacional da modalidade e, inclusivamente, uma das maiores da Europa.

De facto, o regresso de Orlando Duarte ao Sporting não podia ter sido mais feliz, uma vez que o técnico leonino cometeu a proeza de conquistar todas as competições nacionais em que o Sporting se viu envolvido. Para tal, contou com um plantel de elevada qualidade e enorme experiência, constituído por jogadores de grande categoria técnica, táctica e física.

Deste lote extraordinário de jogadores, o Armazém Leonino não pode deixar de destacar, uma vez mais, um elemento que sobressaiu e se destacou dos demais, o grande capitão e símbolo da raça do "leão", o guarda-redes João Benedito, o qual se exibiu a um nível fantástico nos 3 jogos do play-off. João Benedito foi absolutamente decisivo em qualquer um dos jogos da final e merece, sem dúvida nenhuma, ser eleito o melhor jogador do play-off.
Com efeito, o nosso grande capitão e melhor guarda-redes português de sempre efectuou um punhado de extraordinárias defesas de um elevado grau de dificuldade, só ao alcance de um verdadeiro predestinado das balizas. João Benedito é como o "vinho do Porto", quanto mais velho melhor!

Além do carismático capitão e grande símbolo da mística leonina, também houve outros jogadores que sobressaíram, casos de Caio Japa, Leitão, Alex, Divanei e Marcelinho, um quinteto brasileiro de enorme qualidade, do melhor que existe em Portugal. Mas seria injusto esquecer os outros elementos deste valoroso plantel, casos de João Matos, Pedro Cary, Djo, Deo, Mário Freitas e Cristiano, que também deram um excelente e valioso contributo para a fantástica campanha leonina de 2010-2011.
O Armazém Leonino presta, assim, homenagem a estes heróis que são, de facto, um exemplo de esforço, dedicação, entrega e paixão ao emblema do "leão", suando, dignificando e honrando a camisola leonina. Parabéns bravos campeões e, já agora, aproveitamos para vos desejar umas óptimas férias que bem merecidas são, depois de uma época tão longa e desgastante, mas tão compensadora, gratificante e feliz para a família sportinguista!

Os 12 bravos "leões" protagonistas de uma época fantástica.
Em cima (da esquerda para a direita): Cristiano, Divanei,
Pedro Cary, Djo, Marcelinho e João Benedito (cap.).
Em baixo (mesma ordem): Mário Freitas, Alex, João Matos,
Leitão, Caio Japa e Deo.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Sporting 4 - Sp. Espinho 1: Recorte do Jornal "Golo" de 1980

Primeira página de: 29 de Outubro a 4 de Novembro 1980
Sporting 4 - Sp. Espinho 1

Jornal o "Golo", resumo do jogo referente à 8.ª jornada do Campeonato Nacional da 1ª divisão, relativo à época de 1980/81. Jogo realizado no Estádio José Alvalade no dia 25 de Outubro de 1980.