sábado, 7 de abril de 2012

Recordações de um "derby" com duas décadas: Sporting - 2 / Benfica - 0 (1992/93).


A propósito do "derby" da próxima 2ª feira, em Alvalade, entre os dois velhos e eternos rivais lisboetas, o Armazém Leonino recorda hoje um Sporting-Benfica realizado há quase 20 anos, mais concretamente, a 17 de Outubro de 1992, a contar para a 8ª jornada do Campeonato Nacional da época de 1992/93.
O jogo, arbitrado pelo internacional Carlos Valente (Setúbal), ficaria marcado, pela negativa, em termos disciplinares, devido a 3 expulsões ocorridas no decorrer da 2ª parte da partida, duas para os jogadores leoninos Filipe (aos 54 minutos) e Iordanov (aos 77 minutos), ambas por duplo amarelo, e uma para Vítor Paneira (aos 54 minutos), por vermelho directo.
Outro facto relevante e até curioso registado neste encontro, devido à sua originalidade, foi o golo leonino marcado logo aos 20 segundos de jogo, da autoria do saudoso e inesquecível médio/avançado búlgaro Balakov. Ainda os jogadores do Benfica não tinham tocado na bola, e já Balakov, com um remate indefensável de fora da área, forte e colocado, colocava o Sporting em vantagem, num golo que ainda hoje constitui o recorde do golo mais rápido em derbies Sporting-Benfica ou Benfica-Sporting.
Na 2ª parte, aos 52 minutos, Iordanov dilatava a vantagem para a equipa leonina, fixando o resultado em 2-0, o qual se iria manter até final da partida. Na sequência deste golo, e como atrás referimos, os médios Filipe e Vítor Paneira desentenderam-se, chegando mesmo a pegarem-se, sendo ambos expulsos pelo árbitro sertubalense.
A edição de 5ª feira do jornal A Bola publicou então uma caricatura, da autoria de Ricardo Galvão, alusiva ao "derby" do fim de semana anterior - a qual apresentamos a seguir - em que podemos ver o treinador inglês leonino, Bobby Robson a derrotar, num combate de boxe, o treinador croata do Benfica, Tomislav Ivic.
Recordamos, a seguir, a constituição da equipa leonina (alinhando num sistema táctico em 4x4x2) que derrotou, há quase duas décadas, o seu rival encarnado, com dois golos sem resposta da inesquecível dupla búlgara ("Bala-Iorda") que tantas saudades deixou entre a família sportinguista:
Ivkovic; Marinho, Valckx, Barny e Leal; Figo, Peixe, Filipe e Balakov; Cadete (cap.) e Iordanov. Na 2ª parte, aos 68 e 79 minutos, Amaral e Capucho renderiam, respectivamente, Cadete e Figo.
Equipa-tipo leonina (época de 1992/93) que ficou classificada
em 3º lugar no campeonato.
Em cima (da esquerda para a direita): Leal, Barny, Valckx,
Peixe, Iordanov e Ivkovic.
Em baixo (mesma ordem): Marinho, Cadete, Balakov, Figo e Filipe.

Que bom seria que o Sporting repetisse este resultado na próxima 2ª feira! Seria, de facto, um excelente sinal de vitalidade para o que resta de uma temporada que todos os sportinguistas ainda esperam que seja de sucesso, com a conquista da Taça de Portugal e, quem sabe, da Liga Europa! Apesar do cansaço  natural que os jogadores leoninos apresentam nesta fase desgastante e decisiva da época, a motivação para este derby deve estar suficientemente elevada para que os nossos atletas superem a fadiga física e demonstrem, uma vez mais, a sua garra, o seu espírito de sacrifício e a ambição de alcançar mais uma vitória da "Era Sá Pinto" diante do Benfica. Tudo é possível! Somos o Sporting!

sexta-feira, 6 de abril de 2012

5ª presença leonina numa meia final de uma Competição Europeia!

Ontem, na Ucrânia, ao empatar a um golo com o Metalist, o Sporting voltou a fazer história, qualificando-se para as meias finais da Liga Europa. É a 5ª presença leonina nesta fase da prova, 7 anos depois da sua última presença, na época de 2004/05, em que chegaria à final da Taça UEFA.
A propósito de mais este grande feito leonino na Europa do futebol, o Armazém Leonino recorda hoje as anteriores 4 presenças do Sporting numa meia final europeia:

- Época de 1963/64 (Taça das Taças): 1ª mão - Olympique Lyon - 0 / Sporting - 0; 2ª mão - Sporting - 1 / Olympique Lyon - 1; desempate - Sporting - 1 / Olympique Lyon - 0. O Sporting viria a conquistar a Taça das Taças, vencendo, na finalíssima, o MTK Budapeste por 1 - 0, com o golo da vitória a ser apontado por Morais, aos 19 minutos, de canto directo.

Equipa-tipo da época de 1963/64.

- Época de 1973/74 (Taça das Taças): 1ª mão - Sporting - 1 / Magdeburgo - 1; 2ª mão - Magdeburgo - 2 / Sporting - 1. O Magdeburgo apurou-se para a final, vindo a conquistar a Taça das Taças ao vencer o Milan.

Equipa-tipo da época de 1973/74.

- Época de 1990/91 (Taça UEFA): 1ª mão - Sporting - 0 / Inter - 0; 2ª mão - Inter - 2 / Sporting - 0. O Inter apurou-se para a final, vindo a conquistar a Taça UEFA ao vencer a Roma.

Equipa-tipo da época de 1990/91.

- Época de 2004/05 (Taça UEFA): 1ª mão - Sporting - 2 / AZ 67 Alkmaar - 1; 2ª mão - AZ 67 Alkmaar - 3 / Sporting - 2 (após prolongamento, com 2-1 no final dos 90 minutos). O Sporting perdeu a final frente ao CSKA Moscovo, por 3-1.

Uma equipa leonina menos utilizada da época de 2004/05.
Em cima (da esquerda para a direita): Pedro Barbosa (cap.), Ricardo, Custódio,
Hugo, Anderson Polga (único jogador do plantel actual) e Miguel Garcia.
Em baixo (mesma ordem): Hugo Viana, Paíto, Douala, Liedson e Tinga.

O Sporting vai agora defrontar, nas meias finais da Liga Europa, a equipa espanhola do Atlético de Bilbao, cujos jogos estão marcados para 19 de Abril (1ª mão, em Alvalade) e 26 de Abril (2ª mão, em Bilbao). Vai ser uma eliminatória extremamente difícil, pois a equipa basca está a fazer uma campanha extraordinária na Liga Europa, tendo eliminado duas equipas fortíssimas, o Manchester United e o Schalke 04. Contudo, quem, como o Sporting, chegou a esta fase da competição, tendo eliminado, entre outras equipas, o poderoso Manchester City, só pode estar confiante e esperançado em chegar à final.

Vai ser certamente uma eliminatória muito equilibrada e disputada até ao último minuto, com um grau de dificuldade bastante elevado e com uma exigência competitiva enorme, mas o Sporting já deu mostras de ser uma equipa que sabe sofrer. A equipa leonina vai dar tudo o que tem dentro do campo, encarnando o espírito de luta e a garra que o técnico leonino Sá Pinto tão bem consegue transmitir aos seus jogadores. A ambição e o sonho de chegar à final vão fazer esquecer o cansaço e a fadiga!

Se não houver lesões e todos os jogadores estiverem fisicamente aptos e mentalmente disponíveis para a luta, com níveis elevados de concentração e de ambição, com o estádio completamente cheio e o apoio constante do seu público, acredito que o Sporting pode voltar, uma vez mais, a fazer história e a qualificar-se para a sua 3ª final europeia. Tudo é possível! Somos o Sporting!
A terminar, e em jeito de motivação e aperitivo para o grande embate do dia 19 de Abril, recordamos aqui o anterior confronto, de tão boa memória para os "leões", ocorrido entre o Sporting e o Atlético de Bilbao, na já longínqua temporada de 1985/86. Jogavam-se então os oitavos de final da Taça UEFA. Na 1ª mão disputada em Bilbao, o Atlético havia vencido o Sporting por 2-1. Na 2ª mão, em Alvalade, o Sporting efectuou uma estupenda exibição, vencendo a equipa basca por 3-0, com os golos a serem apontados por Manuel Fernandes (19 minutos), Meade (55 minutos) e Sousa (74 minutos), este último, um autêntico golão de fora da área que fez levantar o estádio!
Aqui fica o "onze" inicial formado pelos bravos "leões" que, nessa noite fria e chuvosa de 11 de Dezembro de 1985, alinharam no jogo da 2ª mão, em Alvalade:
Damas; Gabriel; Venâncio, Morato e Fernando Mendes; Carlos Xavier, Jaime Pacheco, Sousa e Mário Jorge; Manuel Fernandes (cap.) e Meade. Na 2ª parte, entraram Oceano (aos 66 minutos) e Saucedo (aos 76 minutos), respectivamente, para os lugares de Carlos Xavier e Manuel Fernandes.

Uma das equipas-tipo do Sporting da época de 1985/86.
Em cima (da esquerda para a direita): Venâncio, Jordão, Gabriel, Morato,
Mário Jorge, Meade e Damas.
Em baixo (mesma ordem): Oceano, Fernando Mendes, Jaime Pacheco e Sousa.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Carlos Gomes nasceu há 80 anos!

Passam hoje exactamente 80 anos do nascimento de Carlos Gomes, um dos melhores guarda-redes de sempre da História do Sporting e do futebol português, o qual , no início da década de 50, sucedeu na baliza leonina a outro grande guarda-redes, João Azevedo.
Carlos António do Carmo Costa Gomes nasceu a 18 de Janeiro de 1932, no Barreiro (curiosamente a mesma cidade onde nasceu Azevedo), tendo falecido a 17 de Outubro de 2005, com 73 anos.
Carlos Gomes estreou-se com a camisola leonina a 8 de Outubro de 1950, com apenas 18 anos, sendo ainda hoje o mais jovem guarda-redes de sempre a estrear-se na baliza dos "leões". A estreia de Carlos Gomes ocorreu diante do Sporting de Braga, em jogo disputado no Estádio Municipal de Braga, a contar para a 4ª jornada do Campeonato Nacional, tendo a equipa leonina vencido a equipa bracarense por 3-2.
Carlos Gomes representou o Sporting ao longo de 8 épocas, mais concretamente, entre as temporadas de 1950/51 e 1957/58. Durante essas 8 épocas, Carlos Gomes realizou um total de 221 jogos, tendo conquistado, de "leão ao peito", 5 Campeonatos Nacionais, alcançando o tetra, com 4 campeonatos consecutivos, entre 1950/51 e 1953/54.

Carlos Gomes venceu também uma Taça de Portugal, na época de 1953/54, alcançando a "dobradinha" nessa época. Foi ainda finalista vencido desta competição em mais duas ocasiões, ambas diante do Benfica, com derrotas por 5-4 (1951/52) e 2-1 (1954/55).
Tendo sido o maior guarda-redes português da década de 50, Carlos Gomes foi naturalmente chamado a representar a Selecção Nacional por diversas vezes, tendo durante o tempo que jogou no Sporting sido 18 vezes internacional A por Portugal.

No final da época de 1957/58, ano em que conquistou o seu 5º campeonato, e numa altura em que se encontrava na plenitude da forma e no auge de todas as suas capacidades, inesperadamente, Carlos Gomes abandona o Sporting aos 26 anos, deixando um enorme vazio na baliza leonina. Inicia, então, uma curta experiência futebolística fora de Portugal, mais concretamente, em Espanha, transferindo-se para o Granada.
Pode ler mais sobre Carlos Gomes aqui.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Há 100 anos nasceu Artur Dyson!

Passam hoje exactamente 100 anos do nascimento de Artur Dyson, o segundo grande guarda-redes da História do futebol leonino que sucedeu na baliza, em termos cronológicos, a Cipriano dos Santos.
Artur Dyson dos Santos nasceu a 9 de Janeiro de 1912, em Lisboa, tendo-se estreado na baliza leonina a 10 de Janeiro de 1932, precisamente um dia depois de completar 20 anos. A estreia de Dyson foi diante do Luso, em jogo disputado no Campo Grande, a contar para o Campeonato de Lisboa, tendo a equipa leonina vencido por 10-2.
Equipa leonina da época de 1932/33.
Em cima (da esquerda para a direita): Faustino, Rui de Araújo, Varela, Serrano,
Jurado e Dyson.
Em baixo (mesma ordem): Mourão, Mendes, Gralho, Correia Abelhinha e Valadas.

Artur Dyson representou o Sporting ao longo de 5 épocas, mais concretamente, entre as temporadas de 1931/32 e 1935/36. Durante essas 5 épocas, Dyson realizou um total de 61 jogos, tendo conquistado, de "leão ao peito", 3 Campeonatos de Lisboa consecutivos (1933/34, 1934/35 e 1935/36) e 2 Campeonatos de Portugal (1933/34 e 1935/36).
Artur Dyson teve ainda a honra e o privilégio de ser chamado a representar a Selecção Nacional em 4 ocasiões.
No final da época de 1935/36, Dyson abandonou o Sporting, sucedendo-lhe na baliza leonina João Azevedo, um dos maiores guarda-redes portugueses de todos os tempos e um dos melhores de sempre da História do Sporting.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Recordações da maior goleada leonina (dos últimos 50 anos) diante dos portistas: Sporting - 5 / F.C. Porto - 1 (1975/76).


A propósito de mais um grande clássico do futebol português, Sporting - F.C. Porto, que se realiza amanhã, dia 7 de Janeiro de 2012, o Armazém Leonino foi ao baú das memórias dos duelos entre "leões" e "dragões" desenterrar, da poeira do tempo, um jogo que ficou célebre pela goleada alcançada pela equipa leonina, na condição de visitada, diante da equipa portista, por 5-1, na já longínqua época de 1975/76.
No entanto, do ponto de vista desportivo, esta foi, para o Sporting, uma época para esquecer, uma vez que o clube de Alvalade não foi além da 5ª posição no Campeonato Nacional, ficando fora das competições europeias na época seguinte. Com efeito, o Sporting, na altura treinado por Juca, ficou a um ponto do 4º classificado, precisamente o F.C. Porto, e a 12 pontos do campeão nacional, o Benfica. Na Taça de Portugal, os "leões" ainda chegaram às meias finais da prova, sendo, contudo, eliminados pelo Vitória Sport Clube, com uma derrota em Guimarães, por 2-1 (após prolongamento).
De facto, dessa temporada fracassada de 1975/76, destacam-se apenas, como factos dignos de registo, essa vitória robusta da equipa leonina, em Alvalade, diante do F.C. Porto, por 5-1, a vitória (3-2) sobre o F.C. Porto, no Estádio das Antas, e o empate (0-0) diante do Benfica, no Estádio da Luz.
A 22 de Fevereiro de 1976, o Sporting recebia então o F.C. Porto, no Estádio José Alvalade, em jogo a contar para a 22ª jornada do Campeonato Nacional.
O Sporting alinhou, num sistema táctico em 4x3x3, da seguinte forma: Matos; Tomé, Laranjeira, José Mendes e Inácio; Nélson, Fraguito e Baltasar; Marinho (cap.), Manuel Fernandes e Chico.
Curiosamente, foi o F.C. Porto a adiantar-se no marcador, logo aos 5 minutos, através do famoso avançado peruano Cubillas. Contudo, decorrido apenas um minuto do golo portista, o Sporting restabeleceu a igualdade, através de Chico. O mesmo avançado bisou aos 28 minutos, chegando-se ao intervalo com o resultado de 2-1 favorável aos "leões".

Ficava assim tudo em aberto para a 2ª parte, na qual se esperaria uma reacção portista que, no entanto, não viria a concretizar-se, pois logo aos 4 minutos do 2º tempo, Fraguito coloca o marcador em 3-1.

Até ao final da partida, o Sporting voltaria a marcar por mais duas vezes, através de Manuel Fernandes, aos 61 minutos, e Baltasar aos 83 minutos.

Os 16 "leões" convocados por Juca para o clássico diante do F.C. Porto.
Em cima (da esquerda para a direita): Matos (g.r.), Amândio, Da Costa,
Vítor Gomes, Tomé, Laranjeira, Fraguito, Barão, José Mendes e Pinhal (g.r.).
Em baixo (mesma ordem): Libânio, Baltasar, Marinho (cap.), Chico,
Manuel Fernandes e Nélson.

Esta goleada é, ainda hoje, a maior alcançada pelo Sporting diante do F.C. Porto, nos últimos 50 anos (entre 1961/62 e 2010/11). De 1975/76 até hoje, a contar para o Campeonato Nacional, o resultado mais dilatado que o Sporting obteve frente aos portistas foi 3-0.
Para amanhã, não se espera que a equipa leonina alcance um resultado tão desnivelado como aquele de há 35 anos atrás, mas espera-se e deseja-se que vença o jogo, se possível com uma boa exibição, pois tal significaria que o Sporting continuaria na luta pelo título, reduzindo a desvantagem pontual em relação ao F.C. Porto para apenas 3 pontos.
A foto digitalizada apresentada acima (proveniente do arquivo privado de Tomé) foi uma amável oferta do nosso amigo Fernando Tomé, precisamente o filho do antigo jogador leonino, que representou o Sporting ao longo de 6 temporadas (entre 1970/71 e 1975/76), e cuja biografia, aliás, foi já publicada pelo Armazém Leonino aqui.
Um especial agradecimento e um grande abraço nosso para o filho e pai Tomé, que curiosamente, neste jogo diante do F.C. Porto, jogou a defesa direito, embora jogasse habitualmente como médio, posição onde mais se destacou, quer ao serviço do Sporting, quer anteriormente, ao serviço do Vitória Futebol Clube (Setúbal), clube onde começou a dar nas vistas.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Manaca

Carlos Alberto Manaca Dias, conhecido no meio futebolístico por Manaca, nasceu a 22 de Setembro de 1946, na cidade da Beira, em Moçambique. Manaca foi um dos melhores defesas que passou pelo Sporting nos anos 70, tendo feito parte de inesquecíveis e saudosas equipas leoninas daquela década, integrando grandes jogadores como Damas, Bastos, Alhinho, José Carlos, Carlos Pereira, Laranjeira, Fraguito, Vagner, Nélson, Marinho, Yazalde, Dinis, Chico, Tomé, Baltasar, Dé, etc.

Curiosamente, foi na posição de avançado que Manaca começou por se destacar, ao serviço do clube da sua terra, o Sporting da Beira (Moçambique). O Sporting acabaria por contratar Manaca, então com 19 anos, no início de Janeiro de 1966, mas este só faria a sua estreia oficial com a camisola leonina no fim desse ano, mais concretamente, a 18 de Dezembro, em jogo realizado no Barreiro, a contar para a 11ª jornada do Campeonato Nacional da época de 1966/67, diante da CUF (vitória leonina por 3-1). Nesta temporada, Manaca seria utilizado apenas em 4 jogos.


Nas duas temporadas seguintes (1967/68 e 1968/69), Manaca é emprestado à Sanjoanense, então a militar no principal escalão do futebol português. Com a descida de divisão do clube de São João da Madeira no final da época de 1968/69, Manaca regressa ao Sporting na temporada seguinte, onde tem oportunidade de realizar 12 partidas, sagrando-se inclusivamente campeão nacional nessa época.

Equipa leonina (época 1972/73)
Manaca é o 2º jogador (em cima) a contar da direita (entre Fraguito e Damas)

Manaca era aquilo a que se pode chamar um verdadeiro jogador de equipa, polivalente e versátil, podendo actuar, com igual eficácia, em qualquer posição da defesa, como lateral (direito ou esquerdo) ou central e, ainda, no meio campo. Manaca possuia também uma boa compleição físico-atlética, uma técnica individual bastante apreciável e, sobretudo, uma excelente cultura táctica e espírito de luta que lhe permitia adaptar-se a várias posições dentro do campo, sendo, por isso, um jogador de extrema utilidade para a equipa, para além de ser igualmente bastante correcto e disciplinado.

 Equipa leonina (época 1972/73)
Manaca é o 1º jogador (em baixo) a contar da esquerda (ao lado de Chico)

Nas primeiras três épocas consecutivas de "leão ao peito", mais especificamente, entre 1969/70 e 1971/72, Manaca actuou preferencialmente no meio campo, na posição de médio mais defensivo, tendo, por vezes, alternado essa posição com a de defesa esquerdo. Nas três temporadas seguintes (1972/73, 1973/74 e 1974/75), Manaca assume-se definitivamente como titular indiscutível da equipa leonina, passando nessas épocas a jogar maioritariamente como defesa direito. Essas três temporadas são, aliás, as melhores de Manaca com a camisola leonina, sendo então dos jogadores mais utilizados do plantel leonino. Em particular, a época de 1973/74 é memorável não apenas para Manaca, que efectua um total de 38 jogos, mas para toda a equipa, pois conquistou a "dobradinha" e falhou por um triz a presença na final da Taça das Taças.

Equipa leonina (época 1973/74)
Manaca é o 2º jogador (em cima) a contar da esquerda (entre Laranjeira e Alhinho)

No final da temporada de 1974/75, após seis épocas consecutivas em Alvalade, Manaca abandona o Sporting, ingressando no Vitória Futebol Clube (Setúbal) onde joga durante uma época. Na época seguinte (1976/77), Manaca volta a "mudar de ares" indo desta vez jogar no Sporting de Braga onde permanece também uma temporada.

Equipa leonina (época 1973/74)
Manaca é o 1º jogador (em cima) a contar da esquerda (ao lado de Carlos Pereira)

No início da época de 1977/78, prestes a completar 32 anos, Manaca regressa uma vez mais ao Sporting, onde se fixa novamente como titular, desta vez, porém, como defesa central. Conquista a Taça de Portugal no final da época, despedindo-se então definitivamente do Sporting, ao serviço do qual jogou durante 8 épocas (1966/67; entre 1969/70 e 1974/75; 1977/78), tendo realizado um total de 200 jogos e marcado 6 golos. Em representação dos "leões", Manaca conquistou 6 troféus: foi duas vezes campeão nacional (1969/70 e 1973/74) e venceu por 4 vezes a Taça de Portugal (1970/71, 1972/73, 1973/74 e 1977/78), tendo ainda sido finalista vencido desta competição em mais duas ocasiões (1969/70 e 1971/72).

Equipa leonina (época 1973/74)
Manaca é o 1º jogador (em cima) a contar da esquerda (ao lado de Alhinho)
De Manaca pode, pois, afirmar-se com toda a justiça que foi um grande defesa que deixou uma marca de qualidade no Sporting, tendo deixado saudades na família sportinguista, quer pelo seu valor futebolístico, quer pelas qualidades humanas reveladas.

Equipa leonina (época 1977/78)
Manaca é o 3º jogador (em cima) a contar da direita (entre Vítor Gomes e Keita)

Após abandonar Alvalade, Manaca ainda jogou duas temporadas (1978/79 e 1979/80) no Vitória Sport Clube (Guimarães), três épocas (entre 1980/81 e 1982/83) no Estoril Praia e ainda uma temporada (1983/84) no Peniche (2ª divisão - zona centro), na condição de jogador-treinador. No final dessa temporada,  já prestes a completar 38 anos, Manaca despede-se do futebol português, após uma longa e bonita carreira de quase 18 anos, durante os quais representou 7 clubes, tendo granjeado simpatia e admiração na sua passagem por todos eles, pois foi sempre um profissional exemplar que honrou e suou os emblemas que representou.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Boas Festas Sporting!


O Armazém Leonino deseja a todos os sportinguistas um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo, cheio de saúde, paz e amor.
Relativamente ao nosso querido Sporting, fazemos votos para que o ano de 2012 nos traga alegrias, vitórias e conquistas desportivas em várias modalidades, nomeadamente, no futebol, andebol, futsal e atletismo.

No que diz respeito ao futebol, o Sporting é o único clube que ainda se encontra a lutar pela conquista das 4 competições da época: Campeonato Nacional (em 3º lugar, a 6 pontos dos líderes F.C. Porto e Benfica, mas cuja diferença pontual é perfeitamente recuperável); Taça de Portugal (apurados para as meias-finais da prova e com enormes probabilidades de vencê-la, uma vez que o Sporting é mais forte que o Nacional, a Académica e a Oliveirense); Taça da Liga (candidatos a vencer esta prova, após presença em duas finais perdidas nas grandes penalidades, a última das quais, graças a uma arbitragem escandalosa de Lucílio Baptista, o qual roubou autenticamente a Taça aos "leões"); Liga Europa (apurados para os dezasseis-avos-de-final da competição, com grandes possibilidades de passar aos oitavos-de-final, pois o Sporting é superior ao Légia de Varsóvia).

No que se refere ao Andebol, o Sporting luta ainda pela conquista de todas as competições da época (Campeonato Nacional, Taça de Portugal e Taça Challenge: apurado para os oitavos-de-final) tendo legítimas aspirações a ganhar qualquer uma delas.
Em relação ao Futsal, o Sporting encontra-se igualmente em condições de ganhar tudo o que há para ganhar, quer a nível nacional (conquistando a "dobradinha" como na época passada), quer a nível internacional, onde se encontra apurado para disputar, uma vez mais, a "Final Four" da Uefa Futsal Cup, sendo um dos candidatos à vitória na prova, em cuja final esteve presente na temporada passada, tendo sido derrotado pelo Monte Silvano (Itália), por 8-4.

Relativamente ao Atletismo (ar livre e pista coberta), o Sporting é o crónico favorito a vencer os respectivos campeonatos nacionais, quer em masculinos, quer em femininos.
Com efeito, pelo menos nestas 4 modalidades, o ano de 2012 pode ser um ano farto de conquistas para o Sporting. Com o apoio inexcedível e inigualável de todos os sócios e adeptos sportinguistas, com o esforço, empenho, dedicação e espírito de sacrifício de atletas, treinadores e dirigentes, acreditamos que será possível a conquista de muitos títulos no próximo ano.
Boas Festas para toda a família sportinguista e para o Sporting, o nosso grande amor!


quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Recordações de uma final da Taça de Portugal (1994/95): Sporting - 2 / Marítimo - 0.


A propósito do jogo de logo à noite (21 horas), no Estádio Alvalade XXI, entre o Sporting e o Marítimo, a contar para os quartos-de-final da Taça de Portugal, o Armazém Leonino recorda hoje a única final desta competição em que estes dois clubes se defrontaram, já lá vão mais de 16 anos!
No dia 10 de Junho (feriado nacional: Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas) de 1995, Sporting e Marítimo jogavam no Estádio Nacional, em Lisboa, uma final inédita da Taça de Portugal, pois era a primeira vez que estas duas equipas se encontravam na final do Jamor e era também a primeira vez que o Marítimo estava presente numa final da Taça de Portugal.
Esta final representava para o Sporting uma excelente oportunidade de quebrar um jejum de títulos (Campeonato Nacional e Taça de Portugal) que já durava há 13 anos, mais concretamente desde a conquista da "dobradinha" na já distante época de 1981/82!
Relativamente a esta final que o Sporting venceu por 2-0, o que se pode afirmar é que o resultado não traduz aquilo que se passou em campo, nem a produção das duas equipas, pois o resultado foi, na verdade, lisonjeiro para o Marítimo, já que o Sporting dispôs ao longo da partida de oportunidades mais do que suficientes para golear a equipa madeirense.

Festejos exuberantes dos jogadores leoninos na hora de erguer o tão
ambicionado troféu que já escapava há 13 anos!

Aliás, a propósito dos golos falhados pela equipa leonina, merece destaque o duelo particular travado pelo inesquecível avançado búlgaro leonino Iordanov e o guarda-redes brasileiro maritimista Everton que terá realizado seguramente uma das melhores exibições da sua carreira. Com efeito, Iordanov e Everton protagonizaram um duelo à parte nesta final, com inúmeros remates com "selo de golo" do avançado búlgaro à baliza do guardião brasileiro, que se opôs com defesas notáveis. Só não conseguiu evitar os dois golos marcados precisamente por Iordanov, o "herói" do jogo, aos 10 e 86 minutos.

Iordanov, o "herói" da final, festejando a conquista
do seu 1º troféu de "leão ao peito".

Recordamos a constituição da equipa leonina que conquistou a Taça de Portugal da época de 1994/95, a qual era, de facto, constituída por jogadores de grande qualidade:
Costinha; Nélson, Naybet, Marco Aurélio e Vujacic; Figo, Carlos Xavier, Oceano (cap.) e Balakov; Iordanov e Amunike.
Na 2ª parte, o treinador leonino, Carlos Queiroz, procedeu a 3 substituições: aos 75 minutos, Filipe entrou para o lugar de Carlos Xavier; aos 79 minutos, Sá Pinto rendeu Balakov; aos 87 minutos, Lemajic substituiu na baliza Costinha.
Equipa leonina vencedora da Taça de Portugal - 1994/95.

Fazemos votos para que logo à noite, a equipa leonina se saia tão bem quanto esta saudosa equipa de 1995, vença o Marítimo com uma boa exibição, repetindo ou não este resultado, pois tal será sinal de que Sporting alcançou as meias-finais da prova, ficando então a um "pequeno passo" da tão ambicionada presença na final do Jamor, passados 4 anos da sua última final, na época de 2007/08. O rico historial e palmarés leonino assim o obriga e os seus fiéis sócios e adeptos assim o exigem!

sábado, 3 de dezembro de 2011

As 4 finais da Taça de Portugal entre Sporting e Belenenses.


A propósito do "derby" lisboeta Sporting-Belenenses da próxima 2ª feira (dia 5 de Dezembro), a contar para os oitavos-de-final da Taça de Portugal, o Armazém Leonino recorda hoje as 4 finais daquela competição, que tiveram como protagonistas estes dois clubes históricos do futebol português.
Na presente temporada, o Belenenses encontra-se a disputar a Liga de Honra e, à semelhança de outros clubes históricos do futebol português, tem vindo, ao longo dos últimos anos, a passar por grandes dificuldades financeiras que têm contribuído para enfranquecer paulatinamente as suas equipas de futebol, que noutras épocas impunham respeito a qualquer adversário, pois eram constituídas por jogadores de grande qualidade futebolística.
De facto, longe vão os tempos em que o clube de Belém era considerado incontestavelmente um dos quatro "grandes" do futebol português e batia-se, de igual para igual, com Sporting, F.C. Porto e Benfica pela conquista dos títulos nacionais em disputa (Campeonato de Portugal, Campeonato da I Liga, Campeonato Nacional e Taça de Portugal).
Hoje em dia, o Belenenses luta para regressar ao 1º escalão do futebol português, que é o lugar onde deve estar um clube com o historial e palmarés desportivo que o clube da "cruz de cristo" orgulhosamente possui.
O Sporting é naturalmente favorito à vitória, quer por jogar no seu estádio, quer por ser uma equipa mais forte e possuir melhores jogadores que o seu adversário. Mas todo o cuidado é pouco, pois a Taça de Portugal é fértil em surpresas, tendo-nos habituado, ao longo dos anos, a surpreendentes eliminações de clubes teoricamente mais fortes e favoritos.
É esta imprevisibilidade que faz o sortilégio e a beleza da Taça de Portugal, em que os clubes mais fracos, contariando a lógica do futebol, batem o pé aos mais fortes, transformando-se em "tomba-gigantes", tal como David fez com Golias.
Portanto, o Sporting tem de respeitar o seu adversário, estar atento e desconfiar de facilidades, pois "cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém". O Sporting é nitidamente favorito e é mais forte que o Belenenses, mas tem de o provar dentro de campo e durante os 90 minutos, correndo, lutando e jogando mais que o seu adversário.
Em jeito de "aperitivo" para o "derby" lisboeta da próxima 2ª feira, apresentamos, a seguir, as quatro finais da Taça de Portugal onde o Sporting e o Belenenses se encontraram na condição de finalistas, tendo os "leões" vencido três e perdido uma:

- Época 1940/41: Campo das Salésias (Lisboa), 22 de Junho de 1941; Sporting - 4 / Belenenses - 1 (Cruz marcou dois golos e Soeiro e Peyroteo, um cada um);
Equipa-tipo leonina (época 1940-41)
Jogadores equipados - Em cima (da esquerda para a direita): Azevedo,
Manuel Marques, Anibal Paciência, Gregório, Álvaro Cardoso e Octávio Barrosa.
Em baixo (mesma ordem): Armando Ferreira, Mourão, Peyroteo,
Manuel Soeiro e João Cruz.  

- Época 1947/48: Estádio Nacional (Lisboa), 4 de Julho de 1948; Sporting - 3 / Belenenses - 1 (Peyroteo marcou dois golos e Albano um);
Equipa-tipo leonina (época 1947-48)
De pé (da esquerda para a direita): Veríssimo, Travassos, Juvenal,
Canário, Jesus Correia e Manuel Marques.
Sentados (mesma ordem): Álvaro Cardoso, Peyroteo, Albano e Azevedo.
Falta um jogador que talvez esteja encoberto e que presumimos seja Vasques.

- Época 1959/60: Estádio Nacional (Lisboa), 3 de Julho de 1960; Sporting - 1 / Belenenses - 2 (Diego marcou o golo leonino);
Equipa-tipo leonina (época 1959-60)
Em cima (da esquerda para a direita): Lúcio, Fernando Mendes,
David Júlio, Mário Lino, Hilário e Carvalho.
Em baixo (mesma ordem): Octávio de Sá, Hugo, Fernando, Vadinho,
Diego e Morais. Falta nesta equipa a "estrela" peruana, Seminário.

- Época 2006/07: Estádio Nacional (Lisboa), 27 de Maio de 2007; Sporting - 1 / Belenenses - 0 (Liedson marcou o golo leonino).
Equipa-tipo leonina (época 2006-07)
 Em cima (da esquerda para a direita): Ricardo, Polga, Alecsandro, Miguel Veloso e Caneira.
Em baixo (mesma ordem): João Moutinho, Abel, Nani, Rodrigo Tello, Liedson e Romagnoli.

Caso vença o Belenenses, como se espera e deseja, o Sporting irá defrontar, em Alvalade, o Marítimo, nos quartos-de-final da prova, e caso ultrapasse a equipa madeirense (é teoricamente o adversário mais forte que ainda se encontra em prova), a equipa leonina tem o caminho aberto ("via verde"!) para estar presente, uma vez mais, na final da Taça de Portugal, regressando assim ao Jamor quatro anos depois da sua última presença (época de 2007/08). Até lá, ficamos todos a torcer para que este sonho se torne realidade, isto é, que o Sporting esteja presente pela 26ª vez na grande "festa do futebol" e ganhe o seu 16º troféu nesta prova.