sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Carlos Silva - Um "gigante" do andebol leonino!

Carlos Manuel Duarte da Silva, nascido a 15 de Maio de 1951, em Lisboa, foi um dos melhores guarda-redes portugueses de andebol de sempre e um dos maiores atletas da História do Sporting. A sua longevidade é impressionante e o seu palmarés desportivo é brilhante, sendo, muito justamente, considerado uma das maiores figuras do andebol português de todos os tempos, detentor de um invejável currículo construído ao longo de uma carreira de um quarto de século!
Carlos Silva possuía uma envergadura física notável que impunha respeito a qualquer adversário, a qual, aliada a uma técnica e elasticidade fantásticas, faziam dele um obstáculo dificílimo de ultrapassar, uma barreira quase intransponível, capaz de efetuar defesas "impossíveis", verdadeiramente fabulosas.
Caricatura da autoria do "Mestre" Francisco Zambujal, retratando na perfeição
 a barreira intransponível simbolizada pelo guardião leonino Carlos Silva.

 
Carlos Silva iniciou a sua carreira de andebolista no Encarnação, ainda com idade de juvenil, tendo aí permanecido durante 3 temporadas. Na época de 1969/70, então com 18 anos, ingressa no seu "clube do coração", o Sporting, jogando nessa época no escalão júnior do clube de Alvalade. Na temporada seguinte, sobe ao escalão sénior, iniciando então uma carreira sempre em ascensão, até se tornar num dos grandes guarda-redes da História do andebol português e, em particular, do Sporting, vindo a suceder na baliza leonina a outro grande guarda-redes, Bessone Basto (7 vezes campeão nacional), que juntamente com este viria a participar na conquista de 3 campeonatos, culminando no pentacampeonato, em 1972/73.
 
Equipa leonina que conquistou o pentacampeonato em 1972/73.
Em cima (da esquerda para a direita): Bessone Basto (g.r.), Adriano Mesquita,
José Luís Ferreira, Manuel Marques, Carlos Castanheira e Carlos Silva.
Em baixo (mesma ordem): Alfredo Pinheiro, Ramiro Pinheiro,
Luis Sacadura, Carlos Correia, Manuel Brito e Frederico Adão.
 
Carlos Silva representou a equipa sénior leonina ao longo de 19 (!) temporadas, com um interregno de 2 anos, em que envergou a camisola dos 2 rivais lisboetas (Benfica e Belenenses, respetivamente, em 1975/76 e 1976/77). Assim, entre as épocas de 1970/71 e 1990/91 (com a referida interrupção de 2 anos), Carlos Silva conquistou ao serviço dos "leões", nada mais nada menos que 16 troféus: 9 campeonatos nacionais (1970/71, 1971/72, 1972/73, 1977/78, 1978/79, 1979/80, 1980/81, 1983/84 e 1985/86) e 7 Taças de Portugal (1971/72, 1972/73, 1974/75, 1980/81, 1982/83, 1987/88 e 1988/89).
Equipa leonina que conquistou o campeonato nacional em 1985/86
(época do último título de Carlos Silva como campeão nacional).
Em cima (da esquerda para a direita): Carlos Silva (cap.), João Xavier, Mário Santos,
Eduardo Sérgio, Carlos Franco, Manuel Silva Marques e Luis Hernâni.
Em baixo (mesma ordem): José Pires, Clemente Fróis, Carlos José,
Pedro Miguel e Afonso Cabo.
 
A última temporada de Carlos Silva de "leão ao peito" foi em 1990/91, tendo então o guardião leonino já 40 anos e quase 25 anos de praticante da modalidade! Ainda viria a efetuar mais uma época como atleta ao serviço do Grupo Desportivo TAP, em 1991/92, finda a qual se despediria definitivamente da modalidade que o consagrou como excecional praticante.
Também ao serviço da Seleção Nacional, Carlos Silva se destacaria, totalizando 96 internacionalizações A, atingindo o momento mais alto com a conquista do Campeonato do Mundo de Andebol (grupo C), em 1976, em Lisboa.
 

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

As piores classificações do Sporting no Campeonato Nacional de futebol.

Presentemente, o Sporting atravessa uma das piores crises desportivas e financeiras da sua longa e rica história de 106 anos. Em particular, o futebol do Sporting vive o pior início de época da sua história, estando atualmente classificado, ao fim de 12 jornadas, num modestíssimo 10º lugar, com apenas 12 pontos (2 vitórias, 6 empates e 4 derrotas) e já a 20 pontos do 1º classificado e a 7 pontos do 4ºlugar que dá acesso às provas da UEFA (Liga Europa).
Até hoje, na História dos Campeonatos Nacionais, nunca o Sporting ficou abaixo do 5º lugar, facto de que nem Benfica nem F.C. Porto se podem gabar, uma vez que ambos já ficaram classificados abaixo daquela posição: o Benfica em 6º lugar na época de 2000/01 e o F.C. Porto em 9º lugar na época de 1969/70, tendo ainda ficado 3 vezes em 5º, uma vez em 6º e uma vez em 7º.
Apesar da crise de resultados e, sobretudo, de exibições que a equipa leonina está a viver presentemente, acreditamos que a recuperação é perfeitamente possível e que a equipa ainda conseguirá, pelo menos, chegar ao 4º lugar, evitando assim a 5ª posição, a sua pior classificação de sempre, que já aconteceu por 4 vezes, num total de 78 presenças na "prova rainha" do futebol português: nas épocas de 1964/65, 1968/69, 1972/73 e 1975/76. Curiosamente, na época seguinte a 3 destas temporadas, o Sporting sagrou-se campeão nacional, mais concretamente em 1965/66, 1969/70 e 1973/74.
Apesar do começo desastroso da época, o Sporting ainda está a tempo de evitar ficar fora das competições europeias da próxima temporada, mas para isso terá de, rapidamente e urgentemente, começar a ganhar jogos e, sobretudo, os jogadores começarem a ganhar confiança nas suas capacidades, pois, apesar das fortes críticas que tem sofrido, esta equipa tem qualidade para fazer melhor do que tem feito até aqui. Nem todos são maus jogadores como muitos querem fazer crer. Apesar de tudo, a maior parte destes jogadores chegaram na época passada às meias finais da Liga Europa, e portanto não podem ter desaprendido de jogar futebol de uma época para a outra. No entanto, reconhecemos o falhanço de algumas das contratações para a presente época, as más opções tomadas relativamente aos empréstimos/dispensas de outros jogadores e ainda a falta de oportunidades dadas a jovens jogadores provenientes do escalão júnior e que jogam atualmente na equipa B, disputando com sucesso o campeonato da 2ª Liga.
Com efeito, pensamos que a pré-época não foi bem planeada, quer em termos de dispensas, quer em termos de contratações, já para não falar da deficiente preparação física que a equipa revela atualmente cuja causa poderá ter a ver precisamente com uma má preparação verificada na pré-temporada. Nesta altura da época não se admitem as constantes quebras físicas reveladas pela equipa leonina, para além do facto de não ter um fio de jogo definido, nem um esquema tático consolidado. As constantes lesões verificadas em jogadores importantes também têm atrapalhado o entrosamento dos jogadores, mas tal por si só não serve de desculpa para um tão mau desempenho revelado pela equipa até ao momento. Enfim, os problemas e as possíveis causas dos mesmos estão diagnosticados, faltam é as soluções e "o (s) remédio (s) para a cura da doença".
Recordemos, então, aquelas 4 épocas em que o Sporting ficou classificado abaixo do 4º lugar, embora só por uma vez não tenha conseguido qualificar-se para as competições europeias, o que aconteceu na última das temporadas em que ficou em 5º lugar, em 1975/76.
 
- Época de 1964/65 (14 equipas): 5º lugar, com 32 pontos, atrás de Benfica (campeão nacional), com 43 pontos, F.C. Porto (37 pontos), CUF (35 pontos) e Académica (34 pontos).
 
- Época de 1968/69 (14 equipas): 5º lugar, com 30 pontos, atrás de Benfica (campeão nacional), com 39 pontos, F.C. Porto (37 pontos), Vitória Sport Clube (Guimarães), com 36 pontos e Vitória futebol Clube (Setúbal), com 35 pontos.
 Em cima (da esquerda para a direita): Celestino, Pedro Gomes, José Carlos (cap.),
Alexandre Baptista, Armando Manhiça e Vítor Damas.
Em baixo (mesma ordem): Chico Faria, Lourenço, Marinho, José Morais e Pedras.
 
- Época de 1972/73 (16 equipas): 5º lugar, com 37 pontos, atrás de Benfica (campeão nacional), com 58 pontos, Belenenses (40 pontos), Vitória Futebol Clube (Setúbal), com 38 pontos e F.C. Porto (37 pontos).
Em cima (da esquerda para a direita): Laranjeira, Carlos Pereira,
José Carlos (cap.), Fraguito, Manaca e Vítor Damas.
Em baixo (mesma ordem): Nélson, Yazalde, Chico Faria, Tomé e Dinis.
 
- Época de 1975/76 (16 equipas): 5º lugar, com 38 pontos, atrás de Benfica (campeão nacional), com 50 pontos, Boavista (48 pontos), Belenenses (40 pontos) e F.C. Porto (39 pontos).
Em cima (da esquerda para a direita): Matos, Amândio, Da Costa, Vítor Gomes,
Tomé, Laranjeira, Fraguito, Barão, José Mendes e Pinhal.
Em baixo (mesma ordem): Libânio, Baltasar, Marinho, Chico Faria, Manuel Fernandes e Nélson.
 

domingo, 7 de outubro de 2012

Recordações de um clássico F.C. Porto - Sporting com um quarto de século (época 1987/88).

Em dia de mais um clássico do futebol português, o primeiro da presente época (à 6ª jornada), a disputar-se logo à noite (20h45m), recordamos hoje um outro confronto F.C. Porto - Sporting realizado há quase 25 (!) anos, no Estádio das Antas, no dia 31 de Outubro de 1987, encontro este a contar para a 10ª jornada do Campeonato Nacional da já longínqua temporada de 1987/88.
Curiosamente e à semelhança da presente temporada, também há 25 anos o Sporting teve um início de campeonato irregular e instável, chegando à 10ª jornada, com apenas 3 vitórias, 5 empates e uma derrota em casa (1-2), diante do Varzim, precisamente ocorrida na jornada anterior à deslocação ao Estádio das Antas para defrontar o campeão europeu, F.C. Porto, então já líder do campeonato à 9ª jornada.
O Sporting, então treinado pelo inglês Keith Burkinshaw, tinha uma tarefa bastante difícil pela frente, uma vez que a equipa leonina atravessava de facto um mau momento, alternando alguns jogos razoáveis com outros medíocres. Apesar de se tratar de um clássico de resultado sempre imprevisível, em que a lógica muitas vezes não conta e em que, por vezes, a equipa que se encontra em pior momento de forma é aquela que acaba por surpreender e vencer a partida, a maioria das previsões apontavam para a vitória do F.C. Porto, prognóstico este que se veio, na verdade, a confirmar.
Com efeito, o Sporting viria a ser derrotado, por 2-0, com os golos do F.C. Porto a serem apontados em cada uma das partes do encontro. O primeiro golo seria marcado aos 13 minutos, por Madjer, de cabeça, acorrendo a um cruzamento da direita para a área leonina, antecipando-se ao seu marcador direto. O segundo golo seria marcado aos 57 minutos, por Sousa, na marcação de uma grande penalidade. Ao longo de toda a partida, a equipa leonina nunca mostrou capacidade para poder discutir o jogo com o F.C. Porto, mostrando sempre receio da equipa portista e não arriscando o suficiente para tentar chegar ao golo. Apesar de se ter batido com empenho, dignidade e profissionalismo, o Sporting raramente conseguiu criar perigo para a baliza portista, continuando a revelar as limitações atacantes já detetadas em jogos anteriores, para além de uma defesa a revelar intranquilidade e insegurança e um meio campo com grandes dificuldades em fazer circular a bola, errando muitos passes e pressionando pouco o adversário.
 
Em cima (da esquerda para a direita): Carlos Xavier, Duílio, João Luís,
Morato, Oceano (cap.) e Rui Correia.
Em baixo (mesma ordem): Paulinho Cascavel, Fernando Mendes,
Marlon, Mário Jorge e Silvinho.
 
Recordamos a equipa leonina que alinhou, há quase um quarto de século (como o tempo passa, parece que foi ontem!) diante do F.C. Porto, no Estádio das Antas, num sistema tático em 4x5x1, com um trinco e dois alas bem abertos nas faixas: Rui Correia; João Luís, Duílio, Morato e Fernando Mendes; Oceano (cap.); Marlon, Carlos Xavier, Mário Jorge e Silvinho; Paulinho Cascavel. O treinador leonino fez duas substituições, uma quase a finalizar a 1ª parte, aos 44 minutos, fazendo entrar Cadete para o lugar de Marlon, e a outra na 2ª parte, aos 59 minutos, fazendo sair Fernando Mendes e entrando Peter Houtman, avançado holandês, para reforçar o ataque, recuando Mário Jorge para defesa esquerdo e passando os "leões" a jogar com dois pontas de lança.
Na véspera deste clássico, o jornal "A Bola", na sua edição de sábado, fazia a habitual previsão à jornada e, em particular, à partida que iria opor "dragões" a "leões". Na 1ª página do jornal aparecia a habitual e indispensável caricatura da autoria do mestre Francisco Zambujal, alusiva ao clássico, a qual vale por "mil palavras"! É, de facto, uma belíssima caricatura que retrata na perfeição aquilo que se poderia esperar do confronto entre o treinador jugoslavo do F.C. Porto, Tomislav Ivic e o treinador inglês do Sporting, Keith Burkinshaw. Infelizmente, para o Sporting e para o seu treinador, esta previsão viria a confirmar-se totalmente. Resta acresentar que a partir deste jogo, o futuro próximo de Burkinshaw não se avizinhava nada fácil, aumentando a contestação de dia para dia por parte dos sócios e adeptos leoninos que nunca perdoaram ao técnico inglês a saída do grande capitão Manuel Fernandes do Sporting.
Após ter "apanhado uma sova" do treinador varzinista, Henrique Calisto
(derrota do Sporting, em casa, frente ao Varzim), o infeliz treinador leonino
prepara-se para "levar mais pancada", agora de Tomislav Ivic! Prognóstico confirmado!
 
Na verdade, após a derrota diante do F.C. Porto e de nova derrota (2-1), um mês depois, diante do Vitória Futebol Clube (Setúbal), no Estádio do Bonfim, Burkinshaw apenas se manteria como treinador do Sporting até à 13ª jornada (13 de Dezembro), já que viria a ser rendido na jornada seguinte (23 de Dezembro), por António Morais, em cuja partida o saudoso técnico português já liderou a equipa leonina, diante do Marítimo, no Estádio dos Barreiros (Funchal), com uma bela estreia (vitória por 3-2).
Como adepto e sócio do Sporting, escusado será dizer que espero e desejo que a história e o resultado do jogo de hoje seja diferente do de há 25 anos. Todos os sportinguistas desejam "toda a sorte do mundo" e uma boa estreia de Oceano no comando técnico leonino. Que falta está a fazer para o Sporting um resultado positivo, logo à noite, frente ao F.C. Porto! Um empate já não seria um mau resultado, mas que bom seria se o Sporting conseguisse a vitória! Tal poderia ser o tónico que está a faltar à equipa leonina para a tão desejada recuperação e para um bom desempenho futuro no resto da época. Eu acredito no Sporting e, em particular, no plantel leonino, que possui jogadores em quantidade e qualidade suficientes para lutar, não apenas pelo título, mas igualmente pelas restantes competições da temporada. Bons jogadores não faltam, o que tem faltado até agora é quem consiga tirar o maior proveito deles e os ponha a jogar nos lugares devidos, isto é, onde possam render mais. Na minha opinião, o(s) sistema(s) tático(s) a adotar é que depende(m) dos jogadores que se tem à disposição e, consequentemente, deve(m) adaptar-se aos jogadores, e não o contrário!
 

domingo, 13 de maio de 2012

Sporting campeão nacional de juniores (2011-2012)


Ontem, sábado, dia 12 de Maio de 2012, na Academia de Alcochete, o Sporting sagrou-se campeão nacional de futebol no escalão júnior, ao derrotar o Vitória de Guimarães, por 3-1. Com esta conquista, o Sporting passa a contabilizar um total de 16 títulos nacionais neste escalão, sendo que, nos últimos 8 anos, o Sporting conquistou 6 campeonatos nacionais, reforçando assim a sua hegemonia neste escalão na última década.
É fundamental que o Sporting continue a apostar nas suas camadas jovens, pois são elas que dão a garantia de renovação contínua e entrada, ano após ano, de jovens jogadores de grande qualidade e talento no plantel sénior, que lhe asseguram um rejuvenescimento constante e um valor acrescido.
Nos últimos 30 anos, já perdemos a conta à quantidade de jogadores de enorme qualidade que o futebol jovem leonino forneceu às suas equipas seniores. Assim, ao sabor da memória, ocorrem-me, quase de repente, uma série de nomes: desde o início da década de 80, com Futre, Litos, Morato, Fernando Mendes, Carlos Xavier, Mário Jorge, Venâncio, continuando pela década de 90, com Filipe, Amaral, João Oliveira Pinto, Paulo Pilar, Poejo, Porfírio, Andrade, Figo, Peixe, Paulo Torres, Simão e, já no século XXI, com Hugo Viana, Ricardo Quaresma, Carlos Martins, Cristiano Ronaldo, Varela, João Moutinho, Rui Patrício, Pereirinha, André Pereira, Adrien, Renato Neto, Cedric.
Infelizmente para o Sporting, a história tem mostrado que nem sempre o clube conseguiu segurar alguns destes jogadores por mais tempo de forma a tirar ainda maior proveito desportivo e financeiro dos mesmos, mas esse é um risco que correm todos os clubes que têm uma escola de formação com a qualidade que o Sporting tem.
Sabemos que o Sporting tem vivido ao longo dos últimos anos com grandes dificuldades financeiras e tem sido praticamente impossível impedir que os seus jovens talentos saiam para grandes clubes europeus, que lhes oferecem contratos aliciantes e ordenados irrecusáveis. O Sporting necessita desses encaixes financeiros como de pão para a boca e pena é que não possua capacidade financeira para os manter no clube por mais alguns anos.
Em jeito de homenagem à equipa júnior campeã e a propósito de mais uma brilhante conquista das camadas jovens leoninas, o Armazém Leonino apresenta hoje uma foto (em mau estado) com mais de 50 anos, alusiva a uma equipa júnior do Sporting de meados da década de 50, publicada, como separata, na revista de banda desenhada "Mundo de Aventuras".

Infelizmente, não conseguimos identificar nenhum dos jogadores presentes na foto, mas possivelmente alguns deles até chegaram a jogar na equipa sénior leonina no final da década de 50 e início da década de 60. Será que alguém consegue reconhecer alguns destes jogadores. Trata-se, sem dúvida, de um desafio deveras difícil, mas talvez alguns dos nossos amigos sportinguistas mais velhos e profundos conhecedores da história do futebol leonino nos consigam ajudar. Desde já, os nossos agradecimentos. Saudações leoninas!

sábado, 21 de abril de 2012

Sete vitórias do Sporting nas Competições Europeias por 2-1 no jogo da 1ª mão em Alvalade.


Na passada 5ª feira, dia 19 de Abril, ao vencer, em Alvalade, o Atlético de Bilbao, por 2-1, em jogo a contar para as meias finais da Liga Europa, o Sporting obteve a sua 7ª vitória por 2-1, na 1ª mão em casa, a contar para as competições europeias de clubes.
Esta vitória alcançada diante da difícil equipa basca, apesar de tangencial, foi inteiramente merecida, tendo o resultado final pecado por escasso, não traduzindo a superioridade demonstrada pela equipa leonina ao longo da partida, a qual criou oportunidades mais do que suficientes para construir uma vitória mais dilatada.
Para a história do jogo, para além do resultado final, fica mais uma grande exibição da equipa leonina, em mais uma grande noite europeia em Alvalade, com um público fiel e incansável no apoio à equipa, do primeiro ao último minuto da partida.
A propósito desta vitória, o Armazém Leonino recorda hoje os anteriores 6 jogos que terminaram com a vitória leonina por 2-1, no jogo da 1ª mão em Alvalade:

- Época 1965/66 (2ª eliminatória da Taça das Cidades com Feira): Sporting - 2 / Espanhol  (Espanha) - 1; o Sporting viria a ser derrotado no jogo da 2ª mão, em Barcelona, por 4-3, havendo necessidade de desempatar a eliminatória através de um 3º jogo, no qual o Espanhol acabaria por vencer, por 2-1.
Equipa-tipo (época 1965/66)
Em cima (da esquerda para a direita): Morais, Alexandre Baptista,
Pedro Gomes, Hilário, José Carlos e Carvalho.
Em baixo (mesma ordem): Carlitos, Lourenço, Figueiredo, Gonçalves e Peres.


- Época 1967/68 (2ª eliminatória da Taça das Cidades com Feira): Sporting - 2 / Fiorentina (Itália) - 1; o Sporting passaria a eliminatória, ao empatar (1-1) no jogo da 2ª mão, em Florença.
Equipa-tipo (época 1967/68)
Em cima (da esquerda para a direita): Pedro Gomes, Gonçalves,
José Carlos, Alexandre Baptista, Hilário e Carvalho.
Em baixo (mesma ordem): José Morais, Dani, Lourenço, Marinho e Peres.

- Época 1972/73 (1ª eliminatória da Taça das Taças): Sporting - 2 / Hibernian (Escócia) - 1; o Sporting viria a ser eliminado da competição, ao sofrer uma pesada derrota, por 6-1, no jogo da 2ª mão, em Edimburgo.
Equipa-tipo (época 1972/73)
Em cima (da esquerda para a direita): Laranjeira, Carlos Pereira,
José Carlos, Fraguito, Manaca e Damas.
Em baixo (mesma ordem): Nélson, Yazalde, Chico Faria, Tomé e Dinis.

- Época 2004/05 (dezasseis avos de final da Taça UEFA): Sporting - 2 / Feyenoord (Holanda) - 1; o Sporting passaria a eliminatória, ao derrotar novamente a equipa holandesa pelo mesmo resultado, no jogo da 2ª mão, em Roterdão.
- Época 2004/05 (meias finais da Taça UEFA): Sporting - 2 / AZ Alkmaar (Holanda) - 1; apesar de derrotado no jogo da 2ª mão, em Alkmaar, por 3-2 (após prolongamento), o Sporting viria a qualificar-se para a final da competição, num jogo épico e impróprio para cardíacos, no qual a equipa leonina marcaria o golo decisivo mesmo no último lance da partida, na sequência de um canto.
Equipa leonina (época 2004/05)
Em cima (da esquerda para a direita): Pedro Barbosa, Ricardo,
Custódio, Hugo, Polga e Miguel Garcia.
Em baixo (mesma ordem): Hugo Viana, Paíto, Douala, Liedson e Tinga.

- Época 2011/12 (quartos de final da Liga Europa): Sporting - 2 / Metalist (Ucrânia) - 1; o Sporting passaria a eliminatória, ao empatar (1-1) no jogo da 2ª mão, na Ucrânia.
Equipa-tipo (época 2011/12)
Em cima (da esquerda para a direita): Polga, Carriço, Insua,
Xandão e Rui Patrício.
Em baixo (mesma ordem): João Pereira, Izmailov, Van Wolfswinkel,
Diego Capel, Schaars e André Pereira.

Portanto, nas 6 ocasiões em que o Sporting venceu o jogo da 1ª mão, em Alvalade, por 2-1, somente em duas delas a equipa leonina foi eliminada da respectiva competição. Agora, resta-nos aguardar, com ansiedade mas com confiança, pelo jogo da 2ª mão, na próxima 5ª feira, dia 26 de Abril, em Bilbao, desejando que, pela 5ª vez, após uma vitória por 2-1, o Sporting siga em frente na prova, sendo que, desta vez, e à semelhança do ocorrido na época de 2004/05, isso quererá dizer que a equipa leonina atinge a tão ambicionada final da Liga Europa, por sinal, a sua 3ª final de uma competição europeia. O Sporting está perto de voltar a fazer história e de cometer mais um feito enorme na sua já longa e bonita história na Europa do futebol.

sábado, 7 de abril de 2012

Recordações de um "derby" com duas décadas: Sporting - 2 / Benfica - 0 (1992/93).


A propósito do "derby" da próxima 2ª feira, em Alvalade, entre os dois velhos e eternos rivais lisboetas, o Armazém Leonino recorda hoje um Sporting-Benfica realizado há quase 20 anos, mais concretamente, a 17 de Outubro de 1992, a contar para a 8ª jornada do Campeonato Nacional da época de 1992/93.
O jogo, arbitrado pelo internacional Carlos Valente (Setúbal), ficaria marcado, pela negativa, em termos disciplinares, devido a 3 expulsões ocorridas no decorrer da 2ª parte da partida, duas para os jogadores leoninos Filipe (aos 54 minutos) e Iordanov (aos 77 minutos), ambas por duplo amarelo, e uma para Vítor Paneira (aos 54 minutos), por vermelho directo.
Outro facto relevante e até curioso registado neste encontro, devido à sua originalidade, foi o golo leonino marcado logo aos 20 segundos de jogo, da autoria do saudoso e inesquecível médio/avançado búlgaro Balakov. Ainda os jogadores do Benfica não tinham tocado na bola, e já Balakov, com um remate indefensável de fora da área, forte e colocado, colocava o Sporting em vantagem, num golo que ainda hoje constitui o recorde do golo mais rápido em derbies Sporting-Benfica ou Benfica-Sporting.
Na 2ª parte, aos 52 minutos, Iordanov dilatava a vantagem para a equipa leonina, fixando o resultado em 2-0, o qual se iria manter até final da partida. Na sequência deste golo, e como atrás referimos, os médios Filipe e Vítor Paneira desentenderam-se, chegando mesmo a pegarem-se, sendo ambos expulsos pelo árbitro sertubalense.
A edição de 5ª feira do jornal A Bola publicou então uma caricatura, da autoria de Ricardo Galvão, alusiva ao "derby" do fim de semana anterior - a qual apresentamos a seguir - em que podemos ver o treinador inglês leonino, Bobby Robson a derrotar, num combate de boxe, o treinador croata do Benfica, Tomislav Ivic.
Recordamos, a seguir, a constituição da equipa leonina (alinhando num sistema táctico em 4x4x2) que derrotou, há quase duas décadas, o seu rival encarnado, com dois golos sem resposta da inesquecível dupla búlgara ("Bala-Iorda") que tantas saudades deixou entre a família sportinguista:
Ivkovic; Marinho, Valckx, Barny e Leal; Figo, Peixe, Filipe e Balakov; Cadete (cap.) e Iordanov. Na 2ª parte, aos 68 e 79 minutos, Amaral e Capucho renderiam, respectivamente, Cadete e Figo.
Equipa-tipo leonina (época de 1992/93) que ficou classificada
em 3º lugar no campeonato.
Em cima (da esquerda para a direita): Leal, Barny, Valckx,
Peixe, Iordanov e Ivkovic.
Em baixo (mesma ordem): Marinho, Cadete, Balakov, Figo e Filipe.

Que bom seria que o Sporting repetisse este resultado na próxima 2ª feira! Seria, de facto, um excelente sinal de vitalidade para o que resta de uma temporada que todos os sportinguistas ainda esperam que seja de sucesso, com a conquista da Taça de Portugal e, quem sabe, da Liga Europa! Apesar do cansaço  natural que os jogadores leoninos apresentam nesta fase desgastante e decisiva da época, a motivação para este derby deve estar suficientemente elevada para que os nossos atletas superem a fadiga física e demonstrem, uma vez mais, a sua garra, o seu espírito de sacrifício e a ambição de alcançar mais uma vitória da "Era Sá Pinto" diante do Benfica. Tudo é possível! Somos o Sporting!

sexta-feira, 6 de abril de 2012

5ª presença leonina numa meia final de uma Competição Europeia!

Ontem, na Ucrânia, ao empatar a um golo com o Metalist, o Sporting voltou a fazer história, qualificando-se para as meias finais da Liga Europa. É a 5ª presença leonina nesta fase da prova, 7 anos depois da sua última presença, na época de 2004/05, em que chegaria à final da Taça UEFA.
A propósito de mais este grande feito leonino na Europa do futebol, o Armazém Leonino recorda hoje as anteriores 4 presenças do Sporting numa meia final europeia:

- Época de 1963/64 (Taça das Taças): 1ª mão - Olympique Lyon - 0 / Sporting - 0; 2ª mão - Sporting - 1 / Olympique Lyon - 1; desempate - Sporting - 1 / Olympique Lyon - 0. O Sporting viria a conquistar a Taça das Taças, vencendo, na finalíssima, o MTK Budapeste por 1 - 0, com o golo da vitória a ser apontado por Morais, aos 19 minutos, de canto directo.

Equipa-tipo da época de 1963/64.

- Época de 1973/74 (Taça das Taças): 1ª mão - Sporting - 1 / Magdeburgo - 1; 2ª mão - Magdeburgo - 2 / Sporting - 1. O Magdeburgo apurou-se para a final, vindo a conquistar a Taça das Taças ao vencer o Milan.

Equipa-tipo da época de 1973/74.

- Época de 1990/91 (Taça UEFA): 1ª mão - Sporting - 0 / Inter - 0; 2ª mão - Inter - 2 / Sporting - 0. O Inter apurou-se para a final, vindo a conquistar a Taça UEFA ao vencer a Roma.

Equipa-tipo da época de 1990/91.

- Época de 2004/05 (Taça UEFA): 1ª mão - Sporting - 2 / AZ 67 Alkmaar - 1; 2ª mão - AZ 67 Alkmaar - 3 / Sporting - 2 (após prolongamento, com 2-1 no final dos 90 minutos). O Sporting perdeu a final frente ao CSKA Moscovo, por 3-1.

Uma equipa leonina menos utilizada da época de 2004/05.
Em cima (da esquerda para a direita): Pedro Barbosa (cap.), Ricardo, Custódio,
Hugo, Anderson Polga (único jogador do plantel actual) e Miguel Garcia.
Em baixo (mesma ordem): Hugo Viana, Paíto, Douala, Liedson e Tinga.

O Sporting vai agora defrontar, nas meias finais da Liga Europa, a equipa espanhola do Atlético de Bilbao, cujos jogos estão marcados para 19 de Abril (1ª mão, em Alvalade) e 26 de Abril (2ª mão, em Bilbao). Vai ser uma eliminatória extremamente difícil, pois a equipa basca está a fazer uma campanha extraordinária na Liga Europa, tendo eliminado duas equipas fortíssimas, o Manchester United e o Schalke 04. Contudo, quem, como o Sporting, chegou a esta fase da competição, tendo eliminado, entre outras equipas, o poderoso Manchester City, só pode estar confiante e esperançado em chegar à final.

Vai ser certamente uma eliminatória muito equilibrada e disputada até ao último minuto, com um grau de dificuldade bastante elevado e com uma exigência competitiva enorme, mas o Sporting já deu mostras de ser uma equipa que sabe sofrer. A equipa leonina vai dar tudo o que tem dentro do campo, encarnando o espírito de luta e a garra que o técnico leonino Sá Pinto tão bem consegue transmitir aos seus jogadores. A ambição e o sonho de chegar à final vão fazer esquecer o cansaço e a fadiga!

Se não houver lesões e todos os jogadores estiverem fisicamente aptos e mentalmente disponíveis para a luta, com níveis elevados de concentração e de ambição, com o estádio completamente cheio e o apoio constante do seu público, acredito que o Sporting pode voltar, uma vez mais, a fazer história e a qualificar-se para a sua 3ª final europeia. Tudo é possível! Somos o Sporting!
A terminar, e em jeito de motivação e aperitivo para o grande embate do dia 19 de Abril, recordamos aqui o anterior confronto, de tão boa memória para os "leões", ocorrido entre o Sporting e o Atlético de Bilbao, na já longínqua temporada de 1985/86. Jogavam-se então os oitavos de final da Taça UEFA. Na 1ª mão disputada em Bilbao, o Atlético havia vencido o Sporting por 2-1. Na 2ª mão, em Alvalade, o Sporting efectuou uma estupenda exibição, vencendo a equipa basca por 3-0, com os golos a serem apontados por Manuel Fernandes (19 minutos), Meade (55 minutos) e Sousa (74 minutos), este último, um autêntico golão de fora da área que fez levantar o estádio!
Aqui fica o "onze" inicial formado pelos bravos "leões" que, nessa noite fria e chuvosa de 11 de Dezembro de 1985, alinharam no jogo da 2ª mão, em Alvalade:
Damas; Gabriel; Venâncio, Morato e Fernando Mendes; Carlos Xavier, Jaime Pacheco, Sousa e Mário Jorge; Manuel Fernandes (cap.) e Meade. Na 2ª parte, entraram Oceano (aos 66 minutos) e Saucedo (aos 76 minutos), respectivamente, para os lugares de Carlos Xavier e Manuel Fernandes.

Uma das equipas-tipo do Sporting da época de 1985/86.
Em cima (da esquerda para a direita): Venâncio, Jordão, Gabriel, Morato,
Mário Jorge, Meade e Damas.
Em baixo (mesma ordem): Oceano, Fernando Mendes, Jaime Pacheco e Sousa.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Carlos Gomes nasceu há 80 anos!

Passam hoje exactamente 80 anos do nascimento de Carlos Gomes, um dos melhores guarda-redes de sempre da História do Sporting e do futebol português, o qual , no início da década de 50, sucedeu na baliza leonina a outro grande guarda-redes, João Azevedo.
Carlos António do Carmo Costa Gomes nasceu a 18 de Janeiro de 1932, no Barreiro (curiosamente a mesma cidade onde nasceu Azevedo), tendo falecido a 17 de Outubro de 2005, com 73 anos.
Carlos Gomes estreou-se com a camisola leonina a 8 de Outubro de 1950, com apenas 18 anos, sendo ainda hoje o mais jovem guarda-redes de sempre a estrear-se na baliza dos "leões". A estreia de Carlos Gomes ocorreu diante do Sporting de Braga, em jogo disputado no Estádio Municipal de Braga, a contar para a 4ª jornada do Campeonato Nacional, tendo a equipa leonina vencido a equipa bracarense por 3-2.
Carlos Gomes representou o Sporting ao longo de 8 épocas, mais concretamente, entre as temporadas de 1950/51 e 1957/58. Durante essas 8 épocas, Carlos Gomes realizou um total de 221 jogos, tendo conquistado, de "leão ao peito", 5 Campeonatos Nacionais, alcançando o tetra, com 4 campeonatos consecutivos, entre 1950/51 e 1953/54.

Carlos Gomes venceu também uma Taça de Portugal, na época de 1953/54, alcançando a "dobradinha" nessa época. Foi ainda finalista vencido desta competição em mais duas ocasiões, ambas diante do Benfica, com derrotas por 5-4 (1951/52) e 2-1 (1954/55).
Tendo sido o maior guarda-redes português da década de 50, Carlos Gomes foi naturalmente chamado a representar a Selecção Nacional por diversas vezes, tendo durante o tempo que jogou no Sporting sido 18 vezes internacional A por Portugal.

No final da época de 1957/58, ano em que conquistou o seu 5º campeonato, e numa altura em que se encontrava na plenitude da forma e no auge de todas as suas capacidades, inesperadamente, Carlos Gomes abandona o Sporting aos 26 anos, deixando um enorme vazio na baliza leonina. Inicia, então, uma curta experiência futebolística fora de Portugal, mais concretamente, em Espanha, transferindo-se para o Granada.
Pode ler mais sobre Carlos Gomes aqui.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Há 100 anos nasceu Artur Dyson!

Passam hoje exactamente 100 anos do nascimento de Artur Dyson, o segundo grande guarda-redes da História do futebol leonino que sucedeu na baliza, em termos cronológicos, a Cipriano dos Santos.
Artur Dyson dos Santos nasceu a 9 de Janeiro de 1912, em Lisboa, tendo-se estreado na baliza leonina a 10 de Janeiro de 1932, precisamente um dia depois de completar 20 anos. A estreia de Dyson foi diante do Luso, em jogo disputado no Campo Grande, a contar para o Campeonato de Lisboa, tendo a equipa leonina vencido por 10-2.
Equipa leonina da época de 1932/33.
Em cima (da esquerda para a direita): Faustino, Rui de Araújo, Varela, Serrano,
Jurado e Dyson.
Em baixo (mesma ordem): Mourão, Mendes, Gralho, Correia Abelhinha e Valadas.

Artur Dyson representou o Sporting ao longo de 5 épocas, mais concretamente, entre as temporadas de 1931/32 e 1935/36. Durante essas 5 épocas, Dyson realizou um total de 61 jogos, tendo conquistado, de "leão ao peito", 3 Campeonatos de Lisboa consecutivos (1933/34, 1934/35 e 1935/36) e 2 Campeonatos de Portugal (1933/34 e 1935/36).
Artur Dyson teve ainda a honra e o privilégio de ser chamado a representar a Selecção Nacional em 4 ocasiões.
No final da época de 1935/36, Dyson abandonou o Sporting, sucedendo-lhe na baliza leonina João Azevedo, um dos maiores guarda-redes portugueses de todos os tempos e um dos melhores de sempre da História do Sporting.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Recordações da maior goleada leonina (dos últimos 50 anos) diante dos portistas: Sporting - 5 / F.C. Porto - 1 (1975/76).


A propósito de mais um grande clássico do futebol português, Sporting - F.C. Porto, que se realiza amanhã, dia 7 de Janeiro de 2012, o Armazém Leonino foi ao baú das memórias dos duelos entre "leões" e "dragões" desenterrar, da poeira do tempo, um jogo que ficou célebre pela goleada alcançada pela equipa leonina, na condição de visitada, diante da equipa portista, por 5-1, na já longínqua época de 1975/76.
No entanto, do ponto de vista desportivo, esta foi, para o Sporting, uma época para esquecer, uma vez que o clube de Alvalade não foi além da 5ª posição no Campeonato Nacional, ficando fora das competições europeias na época seguinte. Com efeito, o Sporting, na altura treinado por Juca, ficou a um ponto do 4º classificado, precisamente o F.C. Porto, e a 12 pontos do campeão nacional, o Benfica. Na Taça de Portugal, os "leões" ainda chegaram às meias finais da prova, sendo, contudo, eliminados pelo Vitória Sport Clube, com uma derrota em Guimarães, por 2-1 (após prolongamento).
De facto, dessa temporada fracassada de 1975/76, destacam-se apenas, como factos dignos de registo, essa vitória robusta da equipa leonina, em Alvalade, diante do F.C. Porto, por 5-1, a vitória (3-2) sobre o F.C. Porto, no Estádio das Antas, e o empate (0-0) diante do Benfica, no Estádio da Luz.
A 22 de Fevereiro de 1976, o Sporting recebia então o F.C. Porto, no Estádio José Alvalade, em jogo a contar para a 22ª jornada do Campeonato Nacional.
O Sporting alinhou, num sistema táctico em 4x3x3, da seguinte forma: Matos; Tomé, Laranjeira, José Mendes e Inácio; Nélson, Fraguito e Baltasar; Marinho (cap.), Manuel Fernandes e Chico.
Curiosamente, foi o F.C. Porto a adiantar-se no marcador, logo aos 5 minutos, através do famoso avançado peruano Cubillas. Contudo, decorrido apenas um minuto do golo portista, o Sporting restabeleceu a igualdade, através de Chico. O mesmo avançado bisou aos 28 minutos, chegando-se ao intervalo com o resultado de 2-1 favorável aos "leões".

Ficava assim tudo em aberto para a 2ª parte, na qual se esperaria uma reacção portista que, no entanto, não viria a concretizar-se, pois logo aos 4 minutos do 2º tempo, Fraguito coloca o marcador em 3-1.

Até ao final da partida, o Sporting voltaria a marcar por mais duas vezes, através de Manuel Fernandes, aos 61 minutos, e Baltasar aos 83 minutos.

Os 16 "leões" convocados por Juca para o clássico diante do F.C. Porto.
Em cima (da esquerda para a direita): Matos (g.r.), Amândio, Da Costa,
Vítor Gomes, Tomé, Laranjeira, Fraguito, Barão, José Mendes e Pinhal (g.r.).
Em baixo (mesma ordem): Libânio, Baltasar, Marinho (cap.), Chico,
Manuel Fernandes e Nélson.

Esta goleada é, ainda hoje, a maior alcançada pelo Sporting diante do F.C. Porto, nos últimos 50 anos (entre 1961/62 e 2010/11). De 1975/76 até hoje, a contar para o Campeonato Nacional, o resultado mais dilatado que o Sporting obteve frente aos portistas foi 3-0.
Para amanhã, não se espera que a equipa leonina alcance um resultado tão desnivelado como aquele de há 35 anos atrás, mas espera-se e deseja-se que vença o jogo, se possível com uma boa exibição, pois tal significaria que o Sporting continuaria na luta pelo título, reduzindo a desvantagem pontual em relação ao F.C. Porto para apenas 3 pontos.
A foto digitalizada apresentada acima (proveniente do arquivo privado de Tomé) foi uma amável oferta do nosso amigo Fernando Tomé, precisamente o filho do antigo jogador leonino, que representou o Sporting ao longo de 6 temporadas (entre 1970/71 e 1975/76), e cuja biografia, aliás, foi já publicada pelo Armazém Leonino aqui.
Um especial agradecimento e um grande abraço nosso para o filho e pai Tomé, que curiosamente, neste jogo diante do F.C. Porto, jogou a defesa direito, embora jogasse habitualmente como médio, posição onde mais se destacou, quer ao serviço do Sporting, quer anteriormente, ao serviço do Vitória Futebol Clube (Setúbal), clube onde começou a dar nas vistas.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Manaca

Carlos Alberto Manaca Dias, conhecido no meio futebolístico por Manaca, nasceu a 22 de Setembro de 1946, na cidade da Beira, em Moçambique. Manaca foi um dos melhores defesas que passou pelo Sporting nos anos 70, tendo feito parte de inesquecíveis e saudosas equipas leoninas daquela década, integrando grandes jogadores como Damas, Bastos, Alhinho, José Carlos, Carlos Pereira, Laranjeira, Fraguito, Vagner, Nélson, Marinho, Yazalde, Dinis, Chico, Tomé, Baltasar, Dé, etc.

Curiosamente, foi na posição de avançado que Manaca começou por se destacar, ao serviço do clube da sua terra, o Sporting da Beira (Moçambique). O Sporting acabaria por contratar Manaca, então com 19 anos, no início de Janeiro de 1966, mas este só faria a sua estreia oficial com a camisola leonina no fim desse ano, mais concretamente, a 18 de Dezembro, em jogo realizado no Barreiro, a contar para a 11ª jornada do Campeonato Nacional da época de 1966/67, diante da CUF (vitória leonina por 3-1). Nesta temporada, Manaca seria utilizado apenas em 4 jogos.


Nas duas temporadas seguintes (1967/68 e 1968/69), Manaca é emprestado à Sanjoanense, então a militar no principal escalão do futebol português. Com a descida de divisão do clube de São João da Madeira no final da época de 1968/69, Manaca regressa ao Sporting na temporada seguinte, onde tem oportunidade de realizar 12 partidas, sagrando-se inclusivamente campeão nacional nessa época.

Equipa leonina (época 1972/73)
Manaca é o 2º jogador (em cima) a contar da direita (entre Fraguito e Damas)

Manaca era aquilo a que se pode chamar um verdadeiro jogador de equipa, polivalente e versátil, podendo actuar, com igual eficácia, em qualquer posição da defesa, como lateral (direito ou esquerdo) ou central e, ainda, no meio campo. Manaca possuia também uma boa compleição físico-atlética, uma técnica individual bastante apreciável e, sobretudo, uma excelente cultura táctica e espírito de luta que lhe permitia adaptar-se a várias posições dentro do campo, sendo, por isso, um jogador de extrema utilidade para a equipa, para além de ser igualmente bastante correcto e disciplinado.

 Equipa leonina (época 1972/73)
Manaca é o 1º jogador (em baixo) a contar da esquerda (ao lado de Chico)

Nas primeiras três épocas consecutivas de "leão ao peito", mais especificamente, entre 1969/70 e 1971/72, Manaca actuou preferencialmente no meio campo, na posição de médio mais defensivo, tendo, por vezes, alternado essa posição com a de defesa esquerdo. Nas três temporadas seguintes (1972/73, 1973/74 e 1974/75), Manaca assume-se definitivamente como titular indiscutível da equipa leonina, passando nessas épocas a jogar maioritariamente como defesa direito. Essas três temporadas são, aliás, as melhores de Manaca com a camisola leonina, sendo então dos jogadores mais utilizados do plantel leonino. Em particular, a época de 1973/74 é memorável não apenas para Manaca, que efectua um total de 38 jogos, mas para toda a equipa, pois conquistou a "dobradinha" e falhou por um triz a presença na final da Taça das Taças.

Equipa leonina (época 1973/74)
Manaca é o 2º jogador (em cima) a contar da esquerda (entre Laranjeira e Alhinho)

No final da temporada de 1974/75, após seis épocas consecutivas em Alvalade, Manaca abandona o Sporting, ingressando no Vitória Futebol Clube (Setúbal) onde joga durante uma época. Na época seguinte (1976/77), Manaca volta a "mudar de ares" indo desta vez jogar no Sporting de Braga onde permanece também uma temporada.

Equipa leonina (época 1973/74)
Manaca é o 1º jogador (em cima) a contar da esquerda (ao lado de Carlos Pereira)

No início da época de 1977/78, prestes a completar 32 anos, Manaca regressa uma vez mais ao Sporting, onde se fixa novamente como titular, desta vez, porém, como defesa central. Conquista a Taça de Portugal no final da época, despedindo-se então definitivamente do Sporting, ao serviço do qual jogou durante 8 épocas (1966/67; entre 1969/70 e 1974/75; 1977/78), tendo realizado um total de 200 jogos e marcado 6 golos. Em representação dos "leões", Manaca conquistou 6 troféus: foi duas vezes campeão nacional (1969/70 e 1973/74) e venceu por 4 vezes a Taça de Portugal (1970/71, 1972/73, 1973/74 e 1977/78), tendo ainda sido finalista vencido desta competição em mais duas ocasiões (1969/70 e 1971/72).

Equipa leonina (época 1973/74)
Manaca é o 1º jogador (em cima) a contar da esquerda (ao lado de Alhinho)
De Manaca pode, pois, afirmar-se com toda a justiça que foi um grande defesa que deixou uma marca de qualidade no Sporting, tendo deixado saudades na família sportinguista, quer pelo seu valor futebolístico, quer pelas qualidades humanas reveladas.

Equipa leonina (época 1977/78)
Manaca é o 3º jogador (em cima) a contar da direita (entre Vítor Gomes e Keita)

Após abandonar Alvalade, Manaca ainda jogou duas temporadas (1978/79 e 1979/80) no Vitória Sport Clube (Guimarães), três épocas (entre 1980/81 e 1982/83) no Estoril Praia e ainda uma temporada (1983/84) no Peniche (2ª divisão - zona centro), na condição de jogador-treinador. No final dessa temporada,  já prestes a completar 38 anos, Manaca despede-se do futebol português, após uma longa e bonita carreira de quase 18 anos, durante os quais representou 7 clubes, tendo granjeado simpatia e admiração na sua passagem por todos eles, pois foi sempre um profissional exemplar que honrou e suou os emblemas que representou.