quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Há 30 anos atrás, vitória leonina também por 5-1 na jornada inaugural do Campeonato Nacional (época 1983/84).

A propósito da vitória do Sporting por 5-1, diante do Arouca, ocorrida no passado fim de semana, em jogo a contar para a primeira jornada do Campeonato Nacional da nova época futebolística 2013/14, o Armazém Leonino recorda hoje uma outra vitória leonina, também por 5-1 e, igualmente, verificada na jornada inaugural, mas do Campeonato Nacional da temporada de 1983/84.
Com efeito, vai agora fazer 30 anos que o Sporting arrancou uma goleada por 5-1 diante do Penafiel, a 27 de Agosto de 1983, no Estádio José Alvalade, em jogo a contar para a primeira jornada do campeonato, o qual assinalou, igualmente, a estreia de Paulo Futre na equipa sénior leonina. E que estreia, meus senhores!


Paulo Futre: Uma época de "leão ao peito"
de uma jovem "estrela" de 17 anos.

Ao intervalo verificava-se um empate 0-0. Após uma primeira parte dececionante, em que o ataque se havia revelado inoperante e as oportunidades de golo infrutíferas, o então treinador checoslovaco, Jozef Venglos, decidiu arriscar mais no ataque, apostando numa jovem promessa de 17 anos. O Sporting precisava de marcar golos e de reforçar e alargar a linha avançada. Assim, no recomeço da partida, Futre rende Festas e em apenas 45 minutos o génio e o talento do jovem esquerdino do Montijo soltam-se pelo campo, mudando por completo o cariz do jogo. Jogando bem aberto sobre o flanco esquerdo, as suas arrancadas demolidoras e dribles desconcertantes desbaratam por completo a defesa penafidelense, contribuindo, e de que maneira, para a goleada leonina. Com apenas 17 anos, Futre assinava uma fantástica exibição e uma estreia auspiciosa, confirmando plenamente o seu enorme talento, augurando-se-lhe um futuro promissor pela frente. Nessa época, a única que realizou, como sénior, com a camisola leonina, o genial esquerdino efetuou 28 jogos tendo marcado 3 golos. Infelizmente para o Sporting, na época seguinte Futre ingressaria no F.C. Porto, para nunca mais voltar ao clube que o formou e projetou para o estrelato.


Equipa leonina que iniciou a partida com o Penafiel.
Em cima (da esquerda para a direita): Zezinho, Jordão, Festas, Virgílio, Gabriel e Oliveira.
Em baixo (mesma ordem): Lito, Carlos Xavier, Manuel Fernandes (cap.), Katzirz e Romeu.

Recordemos a equipa leonina que alinhou no jogo de estreia do campeonato da época de 1983/84, diante do Penafiel: Katzirz; Gabriel, Zezinho, Virgílio e Carlos Xavier; Lito, Festas e Romeu; Manuel Fernandes (cap.), Oliveira e Jordão. Ao intervalo, Futre rendeu Festas e aos 77 minutos, o avançado brasileiro Jason rendeu Carlos Xavier. Manuel Fernandes (55 e 86 minutos) e Jordão (74 e 90 minutos) marcaram, cada qual, por duas vezes, tendo Virgílio (72 minutos) apontado o outro golo. Que saudades desta equipa leonina quase 100 por cento portuguesa, sendo a exceção o guarda redes húngaro Katzirz!
Recuando aos jogos de estreia do Sporting no Campeonato Nacional dos últimos 50 anos, atuando na condição de visitado, verificamos que não houve muitas vitórias por 4 ou mais golos de diferença como a registada diante do Arouca (5-1) no passado fim de semana. A título de curiosidade, registámos as goleadas obtidas em casa pelo Sporting, na jornada inaugural, entre as épocas de 1963/64 e 2013/14 e constatámos que ocorreram apenas em 5 ocasiões. Vejamos as respetivas temporadas:

- 1968/69: Sporting - 5 / Varzim - 0; (5º classificado)
- 1969/70: Sporting - 4 / Braga - 0; (campeão nacional)
- 1983/84: Sporting - 5 / Penafiel - 1; (3º classificado)
- 1985/86: Sporting - 6 / Penafiel - 0; (3º classificado)
- 2013/14: Sporting - 5 / Arouca - 1.

Destas 5 "entradas de leão", uma conduziu o Sporting ao título de campeão nacional, na época de 1969/70. Após uma temporada para esquecer, na qual obteve a pior classificação de sempre do seu historial de presenças no Campeonato Nacional (7º lugar), para a presente época espera-se e deseja-se que o Sporting tenha um melhor desempenho e obtenha uma classificação mais consentânea com os pergaminhos, historial e grandeza do clube.
A avaliar pelas primeiras impressões e exibições deixadas pela equipa leonina nos jogos particulares de pré-época, na Taça de Honra, no troféu "Cinco Violinos" e na primeira jornada do Nacional, as perspetivas são deveras animadoras e as expectativas elevadas quanto à realização de uma boa temporada. Quando falamos numa boa época, estamos a referir-nos à conquista de, pelo menos, uma das competições em que o Sporting vai estar envolvido: Campeonato Nacional, Taça de Portugal e Taça da Liga.
Com efeito, a qualidade da "matéria prima" posta à disposição do técnico Leonardo Jardim leva-nos a acreditar que é possível lutar por todos os troféus em disputa, quase no mesmo pé de igualdade, com o F.C. Porto, Benfica e Braga. Para a presente temporada, o Sporting dispõe, de facto, de um plantel de grande qualidade, com diversas opções válidas, as quais são garante de polivalência, versatilidade, equilíbrio e consistência para as várias posições dentro do campo e entre os diversos setores da equipa.
Na verdade, o Sporting dispõe de um conjunto bastante apreciável de jovens jogadores de enorme capacidade e potencial futebolísticos, aliados a uma grande margem de progressão, como são os casos de Cedric, Eric Dier, Nuno Reis, Tiago Ilori (?), Fokobo, Ruben Semedo, Ricardo Esgaio, Welder, João Mário, Iuri Medeiros, Chaby, Betinho, Zezinho, Bruma (?), William Carvalho, Wilson Eduardo, Adrien, André Martins, Cissé e Carrillo. Alguns destes jovens não são apenas promessas, já são uma certeza. Aliados a esta juventude, o plantel leonino conta ainda com jogadores mais velhos e experientes que conferem maturidade, estabilidade e equilíbrio à equipa, como Rui Patrício, Maurício, Rojo, Jefferson, Rinaudo, Diego Capel, André Santos, Gerson Magrão, Fredy Montero e Slimani.
Leonardo Jardim e a sua equipa não podem nem devem prometer o título, mas podem e devem prometer lutar, até à exaustão e até à última gota de suor, pela vitória em todas as jornadas, qualquer que seja o campo ou o adversário. O que todos os sportinguistas esperam e exigem é que os jogadores leoninos dignifiquem a camisola que envergam e respeitem o emblema que representam, dando tudo de si em campo, "deixando a pele em campo" ou "comendo a relva" como se costuma dizer. No fundo, que façam jus ao lema do clube: Esforço, dedicação, devoção e glória. O Sporting pode contar com o seu 12º jogador: os seus fiéis e dedicados adeptos, os melhores do Mundo!

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Sporting conquista o 1º troféu da época (2013/14): a 30ª Taça de Honra (AFL) da sua História.

 
O Sporting conquistou ontem, dia 21 de Julho, diga-se de forma justa e brilhante, o 1º troféu da época 2013/14, mais concretamente, a 65ª edição da Taça de Honra da AFL, competição quase centenária, cuja 1ª edição se realizou em 1914, tendo tido também o Sporting como vencedor.
Ao longo dos anos a prova foi sofrendo várias interrupções, a última das quais em 1993, ano em que teve o Belenenses como clube vencedor. Após um longo interregno de 20 anos, eis que esta época a Taça de Honra regressa ao panorama futebolístico nacional, por iniciativa do seu organizador, a Associação de Futebol de Lisboa.
O Sporting é o clube com mais vitórias nesta competição, tendo conquistado ontem a 30ª Taça de Honra da sua História, encontrando-se a uma grande distância dos restantes clubes que também já venceram a prova: Benfica (19 vitórias), Belenenses (12 vitórias), Vitória Futebol Clube (duas vitórias), Casa Pia (uma vitória) e Império (clube já extinto; uma vitória). A última conquista deste troféu pelo Sporting remontava à já longínqua época de 1991/92.
 
Os jovens e bravos "leões" erguem o tão ambicionado troféu.
 
Tradicionalmente, a Taça de Honra reúne os 4 clubes de Lisboa melhor classificados no Campeonato Nacional da época anterior, tendo este ano a competição sido disputada entre o Benfica (2º classificado), o Estoril (5º classificado), o Sporting (7º classificado) e o Belenenses recém-regressado ao escalão maior do futebol português. O local escolhido pela organização para a realização da competição foi o Estádio António Coimbra da Mota, campo de jogos do Estoril. Os dois primeiros jogos apuraram os finalistas da prova. Coube em sorte ao Sporting defrontar o Benfica e ao Estoril defrontar o Belenenses. O Sporting e o Estoril garantiram o acesso à final, a disputar no dia seguinte, ao derrotarem os seus adversários, respetivamente, por 2-1 e 3-0.
Na final realizada ontem à noite, o Sporting acabou por ser mais feliz, derrotando o Estoril na marcação de grandes penalidades (7-6), após se ter registado um empate (3-3) no final do tempo regulamentar. Diga-se em abono da verdade que se assistiu a um grande jogo de futebol e a um belo espetáculo de propaganda da modalidade. Só a assistência é que ficou aquém do esperado, pois o jogo da final merecia ter sido presenciado por uma moldura humana condizente com o excelente futebol praticado pelas duas equipas.
Aliás, quem não teve oportunidade ou não quis ver este jogo, ao vivo ou pela televisão, não sabe o que perdeu, pois assistiu-se, de facto, a um grande espetáculo de futebol, bem jogado, com ritmo, intensidade, emoção e incerteza no resultado, do primeiro ao último minuto da partida. O Sporting adiantou-se cedo no marcador, mas o Estoril reagiu bem, marcando 2 golos quase de seguida, perto da meia hora de jogo. No início da 2ª parte, o Estoril dilatou a vantagem para 3-1 e pensava-se que o Sporting já não conseguiria recuperar desta desvantagem de 2 golos. Mas, à entrada do último quarto de hora, assistiu-se a uma surpreendente e notável reação da jovem equipa leonina, que ainda teve forças, arte e engenho para marcar 2 golos, empatando a partida e levando a decisão da final para os pontapés da marca de grande penalidade. Aí o Sporting foi mais eficaz e mais feliz. Mas a sorte também se procura e os jovens jogadores leoninos fizeram tudo para merecê-la, deixando uma marca de muita qualidade e talento ao longo da competição.
 
Os festejos efusivos e a consagração justa de uma jovem e brilhante equipa.
 
Apesar do Sporting se ter feito representar pela sua equipa B, esta esteve perfeitamente à altura das responsabilidades e exigências, tendo até superado as melhores expectativas.
Com efeito, esta jovem equipa mostrou um grande entrosamento entre os vários setores, um modelo de jogo bem assimilado, adulto e competitivo, uma grande atitude em campo, feita de raça, querer e união entre todos os jogadores, para além de ter revelado um conjunto de jovens jogadores de enorme potencial técnico, tático, físico, com forte mentalidade e estofo competitivos e, consequentemente, com elevada margem de progressão no futuro.
A escola de formação do Sporting está, pois, de parabéns, pois continua a formar jogadores de grande categoria, os quais, a curto prazo, poderão ingressar no plantel principal do Sporting, acrescentando a este muita qualidade e juventude e, sobretudo, um leque alargado de opções válidas para várias posições dentro do campo. Na verdade, há jogadores que estão na forja para poderem entrar já nesta época no plantel principal leonino: Nuno Reis, Fokobo, Ricardo Esgaio, João Mário, Betinho e Iuri Medeiros (a grande revelação da prova).
Esperamos e desejamos que este troféu tão brilhantemente conquistado pela equipa B leonina sirva de inspiração e de motivação para vitórias e conquistas futuras por parte da equipa principal, nomeadamente, nas restantes competições da temporada: Campeonato Nacional, Taça de Portugal e Taça da Liga.
Existem razões para acreditar que com o atual plantel, rico em quantidade e qualidade, quer de jogadores jovens, quer de jogadores mais experientes, e sob a orientação técnica do ambicioso treinador Leonardo Jardim, já com provas dadas do seu valor, o Sporting pode lutar por todas as provas em que vai estar envolvido durante a temporada que se avizinha.
 
 
 

domingo, 23 de junho de 2013

Época memorável para o futsal leonino: Dobradinha (Campeonato Nacional e Taça de Portugal) com recorde de pontos!

 
Com a vitória, por 3-1, diante do Benfica, no 4º jogo do play-off (à melhor de cinco), o Sporting conquistou hoje o seu 11º título de campeão nacional de futsal, culminando uma época a todos os títulos memorável para a equipa leonina.
O caminho percorrido por esta equipa até chegar ao play-off foi, de facto, fantástico e digno dos maiores elogios e admiração. Ainda na fase regular o Sporting bateu o recorde de pontos conquistados por uma equipa, mais concretamente, 75 pontos. Com efeito, nunca uma equipa tinha alcançado tantos pontos na fase regular da prova, tendo o Sporting ultrapassado a marca alcançada pelo Benfica na época passada que era de 72 pontos.
 
 
Este recorde de 75 pontos foi resultante de uma caminhada irresistível e imparável de uma equipa extraordinária que, para além da excelência das suas exibições e de se ter revelado numa autêntica máquina de fazer golos, praticou um futsal espetacular e eficaz, arrasando qualquer adversário que lhe apareceu pela frente, com uma única exceção. Na verdade, dos 26 jogos realizados na fase regular, o Sporting venceu 25, sendo apenas derrotado uma vez, diante do Rio Ave.
 
 
Esta equipa leonina que já é considerada justamente a melhor equipa da história do futsal português terminou ainda a fase regular com mais 16 pontos que o 2º classificado, o Benfica, cujo adversário venceu nas duas vezes que se defrontaram, quer no pavilhão de Odivelas, quer no pavilhão da Luz.
O Sporting voltou agora a encontrar o Benfica no play-off, tendo ao cabo de 4 jogos assegurado a conquista do título, com 3 vitórias alcançadas (5-1, 4-2 e 3-1) e uma derrota (no desempate por grandes penalidades), após empate (3-3) no prolongamento.
Já antes, o Sporting havia conquistado a Taça de Portugal, vencendo na final o Sporting de Braga pelo concludente resultado de 7-1.
 
 
O balanço final em números desta época fantástica é então o seguinte: 39 jogos efetuados que se saldaram em 37 vitórias, uma derrota (1-3, em casa, diante do Rio Ave) e um empate (3-3, em casa, no 2ºjogo do play-off, diante do Benfica). São de factos números que impressionam e que demonstram o elevado nível e a enorme qualidade atingidas por esta equipa durante a época que agora termina, a qual é já a melhor de sempre da história do futsal leonino e inclusivamente do futsal português!
 
E que dizer ainda do feito histórico e inigualável até hoje alcançado pelo Sporting ao sagrar-se campeão de futsal em todos os escalões: seniores, juniores, juvenis, iniciados, infantis e benjamins. Que proeza extraordinária e inesquecível!
 
 
O Armazém Leonino felicita efusivamente todos os elementos integrantes da secção de futsal leonino pela extraordinária temporada realizada e, em particular, saúda o jovem e talentoso treinador Nuno Dias e o fantástico plantel leonino (Cristiano, Paulinho, Deo, João Matos, Caio Japa, Divanei, Alex, Leitão, Djo, Marcelinho, Pedro Cary,...) liderado pelo grande e eterno capitão João Benedito (coração de "leão"!), o melhor guarda-redes português de futsal de sempre, estatuto esse, uma vez mais, amplamente demonstrado nos 4 jogos do play-off, nos quais com excelentes defesas e corajosas intervenções foi decisivo para as 3 vitórias e consequente conquista do seu 7º título pessoal de um total de 11 conquistados pelo Sporting.
O Armazém Leonino faz igualmente votos para que esta direção leonina e, em particular, o seu presidente, Bruno de Carvalho, continue a acarinhar e a apoiar esta modalidade, mantendo este fantástico grupo de trabalho e reforçando ainda mais, se possível, a aposta neste lindo projeto, tendo em vista o próximo grande objetivo que será a conquista da Liga dos Campeões de futsal, o único troféu que falta conquistar por esta equipa e que seria a "cereja no topo do bolo" e o culminar brilhante da carreira de alguns destes jogadores.

domingo, 21 de abril de 2013

Recordações de um Benfica - Sporting (época 1986/87) com mais de 25 anos!




Realiza-se esta noite, no Estádio da Luz, mais um Benfica - Sporting a contar para a 26ª jornada do campeonato nacional, considerado, muito justamente, o "derby dos derbies" do futebol português, precisamente o 79º da história destes emocionantes e inesquecíveis confrontos, tendo o Benfica como clube visitado. Nas anteriores 78 partidas disputadas entre os eternos rivais lisboetas, há a registar 43 vitórias do Benfica, 21 empates e 14 vitórias do Sporting, com 159 golos marcados pelas "águias" e 100 golos marcados pelos "leões". A título de curiosidade, refira-se ainda que a distância pontual que separa atualmente Benfica (1º classificado) e Sporting (7º classificado) é a maior de sempre em toda a história do campeonato nacional, mais concretamente, 34 pontos!
No entanto, todos sabemos que nestes derbies Benfica - Sporting ou Sporting - Benfica o resultado é sempre imprevisível, tendo as estatísticas um peso muito relativo, quase simbólico, não passando, muitas vezes, de meras curiosidades. Quantas vezes a equipa que se encontra em pior momento de forma não se transcende e surpreende o adversário teoricamente mais forte e favorito, fazendo com que as previsões saiam completamente furadas? O ambiente que rodeia estes jogos é único e especial, os jogadores sabem a importância que estes jogos têm, quer para o clube que defendem, quer para os adeptos, quer para eles próprios, pois estes derbies fazem "parar o país", movimentam milhões de espetadores (ao vivo ou pela televisão), constituindo uma autêntica montra para os próprios futebolistas poderem mostrar o seu real valor.
A propósito deste 79º derby Benfica - Sporting a contar para o campeonato nacional, recordo hoje um dos treze "Benfica - Sporting" a que assisti consecutivamente ao vivo (entre 1979/80 e 1991/92) no antigo Estádio da Luz, mais concretamente, o derby da época de 1986/87, no qual o Benfica, ao derrotar o Sporting por 2-1, se sagrou, a uma jornada do fim, campeão nacional.
Enchente no Estádio da Luz para mais um "derby"
entre os eternos rivais.
Com efeito, passaram já 25 anos (é incrível como o tempo voa, parece que foi ontem!) daquele jogo, realizado a 24 de Maio a contar para a 29ª e penúltima jornada do campeonato nacional. Que saudades eu tenho dos derbies disputados aos domingos à tarde, com o estádio completamente cheio, como foi o caso deste Benfica-Sporting que hoje recordo aqui!
O Benfica entrou muito forte no jogo, disposto a marcar cedo, pois sabia que se o fizesse ganharia motivação extra para o resto da partida, uma vez que a vitória lhe daria o título nacional. E de facto, o jogo não poderia ter começado melhor para a equipa benfiquista, pois com 25 minutos decorridos já vencia por 2-0, com os golos a serem apontados pelo brasileiro Chiquinho Carlos (17 minutos) e Nunes (25 minutos). A partir daí, o Benfica abrandou o ritmo e passou a controlar o jogo de forma mais pausada e serena, não permitindo, por outro lado, que o Sporting reagisse de forma a causar perigo para a sua baliza.
Uma das equipas-tipo do Sporting (época 1986/87).
Em cima (da esquerda para a direita): Venâncio, Oceano, Duílio,
Gabriel, Meade e Damas.
Em baixo (mesma ordem): Fernando Mendes, Zinho, Manuel Fernandes (cap.),
Negrete e Mário.
Na 2ª parte, não tendo nada a perder, o Sporting arriscou mais, procurando reduzir a desvantagem, mas só aos 70 minutos conseguiu marcar por intermédio de Mário Jorge que entrara precisamente, no decorrer da 2ª parte (58 minutos), rendendo Morato. No final da 1ª parte (43 minutos) também Litos havia entrado para o lugar de Marlon. Até final do encontro, o Sporting continuou a pressionar, colocando mais jogadores na frente de ataque, procurando chegar assim à igualdade, mas o Benfica defendia-se bem e contra-atacava sempre com perigo, colocando a defensiva leonina em constante sobressalto. Chegou-se ao final da partida com o resultado em 2-1 favorável ao Benfica que conquistava assim mais um título de campeão nacional, quando ainda havia uma jornada para disputar. O Sporting acabaria por terminar o campeonato num modesto 4º lugar, a 11 pontos do campeão nacional.

Mário Jorge, marcador do golo leonino.
Recordemos a equipa leonina que, sob a orientação do técnico inglês Keith Burkinshaw, alinhou há quase 26 anos neste derby de 1987: Damas; João Luís, Duílio, Venâncio e Virgílio; Morato; Marlon, Mário e Silvinho; Manuel Fernandes (cap.) e Houtman. Oceano e Meade, que se encontravam lesionados, foram as grandes baixas na equipa leonina para este derby, sendo rendidos nas suas posições, respetivamente, por Morato e Marlon, que, no entanto, tiveram um rendimento aquém das expectativas, não conseguindo fazer esquecer os seus companheiros.
Caricatura alusiva ao derby Benfica - Sporting da época de 1987.

Na capa da edição de sábado do jornal "A Bola", de 23 de Maio de 1987, aparecia publicada a já imprescindível e insubstituível caricatura da autoria de Francisco Zambujal, em jeito de antevisão do derby. Nela podemos ver os dois treinadores ingleses dos rivais lisboetas em diferentes situações perante o confronto que se avizinha. Mortimore a nadar vigorosamente para chegar à praia onde o aguarda o tão ambicionado troféu e Burkinshaw de guarda ao mesmo, tentando impedir os intentos do seu compatriota. Que saudades também destas caricaturas que foram durante muitos anos uma imagem de marca quer do jornal, quer destes derbies e clássicos do futebol português!

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Recordações de um Sp. Braga - Sporting (época 2004/05).

Realiza-se esta noite mais um Sporting de Braga - Sporting, jogo que encerra a 24ª jornada da Liga, e a propósito deste encontro o Armazém Leonino recorda hoje uma outra partida disputada por estas duas equipas, vai fazer, exatamente daqui a um mês, 8 anos.
Com efeito, na época de 2004/05, a 1 de Maio de 2005, em jogo a contar para a 31ª jornada do Campeonato Nacional, o Sporting deslocou-se a Braga, vencendo categoricamente a equipa bracarense por um concludente 3-0.
Como curiosidade, refira-se que os atuais técnicos do Sporting de Braga e do Sporting, respetivamente, José Peseiro e Jesualdo Ferreira, foram os mesmos que se defrontaram há 8 anos atrás, mas na altura encontravam-se em campos opostos, isto é, José Peseiro era o treinador dos "leões", enquanto Jesualdo Ferreira era o treinador dos "arsenalistas"!
Outra curiosidade diz respeito a dois jogadores atualmente titulares indiscutíveis do Sporting de Braga, mais concretamente, os médios Custódio e Hugo Viana, os quais nesse jogo de 1 de Maio de 2005 defendiam a camisola leonina, tendo também alinhado de início.
"Tripinilla", o "herói" chileno do
Sp. Braga - 0/ Sporting - 3.

Para além destas duas curiosidades que acabamos de destacar, o jogo de há 8 anos atrás teve a assinalá-lo um outro facto especial e digno de registo que foi a vitória do Sporting por 3-0, com um "hat-trick" da autoria de um "herói" improvável, o ponta de lança chileno Pinilla, que até então tinha passado pouco menos do que despercebido pela equipa leonina. Na verdade, este jogo acabou por se tornar na tarde de glória de Pinilla com a camisola leonina e, consequentemente, o momento mais marcante da sua passagem fugaz e discreta pelo Sporting. Os 3 golos da autoria do avançado chileno foram todos marcados na 2ª parte da partida, no curto espaço de 21 minutos, mais especificamente, aos 57, 63 e 78 minutos.
Registe-se a título de curiosidade a equipa que o Sporting fez alinhar neste encontro: Ricardo; Miguel Garcia, Enakarhire, Beto (cap.) e Paíto; Custódio, João Moutinho, Hugo Viana e Tello; Pinilla e Niculae. Já no decorrer da 2ª parte, José Peseiro efetuou 3 substituições: Hugo para o lugar de Enakarhire, Rochemback para o lugar de Hugo Viana e Pedro Barbosa para o lugar de João Moutinho. Destes 14 jogadores que disputaram este jogo, não resta nenhum no atual plantel leonino, mas ainda jogam atualmente no campeonato português o defesa Hugo (Beira Mar), João Moutinho (F.C. Porto) e os já mencionados Custódio e Hugo Viana que hoje vão defrontar a sua ex-equipa com a camisola "arsenalista".
Equipa-tipo leonina (época 2004/05).
Em cima (da esquerda para a direita): Polga, Custódio, Enakarhire,
Pedro Barbosa, Hugo Viana e Tiago.
Em baixo (mesma ordem): Rochemback, Rogério, Paíto, Sá Pinto e Liedson.
 
Há 8 anos, foi José Peseiro que festejou e o Sporting foi feliz. Hoje desejamos naturalmente que o Sporting volte a ser feliz e que, desta vez, seja Jesualdo Ferreira a festejar a vitória, pois tal seria sinal de que o Sporting teria dado mais um passo importante rumo ao objetivo europeu, ficando somente a 3 pontos de distância do 5ºclassificado (Marítimo). Não pedimos à equipa leonina que vença novamente por 3-0, só pedimos que vença, mesmo que pela diferença mínima, e se à vitória puder acrescentar uma boa exibição tanto melhor!
 

sexta-feira, 22 de março de 2013

Carlos Xavier - Um futebolista polivalente de grande qualidade técnica e elegância!

 
Carlos Jorge Marques Caldas Xavier, nascido a 26 de Janeiro de 1962, em Lourenço Marques (atual Maputo), Moçambique, foi um dos mais notáveis e versáteis jogadores que passaram pelo Sporting e, indiscutivelmente, um dos melhores de sempre, quer como defesa, quer como médio, aliando a essa polivalência, uma excelente qualidade técnica  e capacidade de liderança em campo.
Carlos Xavier formou-se nas escolas do Sporting, tendo passado por todos os escalões de formação do clube de Alvalade, até chegar à equipa sénior, na época de 1980/81, com apenas 18 anos de idade. Desde cedo se evidenciou pela qualidade técnica individual e elegância com que tratava e conduzia a bola, juntando a tudo isso, uma notável visão de jogo, qualidade de passe e forte remate de meia distância.
À semelhança de outros companheiros seus do Sporting que cedo revelaram o seu enorme talento e rapidamente iriam ascender à equipa principal dos "leões", casos de Futre (apenas por uma época - 1983/84), Morato, Venâncio, Fernando Mendes, Litos, Mário Jorge e Lima, também Carlos Xavier teve uma afirmação rápida, atingindo a titularidade indiscutível logo na sua 2ª época como sénior, em 1981/82, na qual se sagrou campeão nacional e conquistou a Taça de Portugal, jogando na posição de defesa central ao lado do excelente e experiente Eurico, o "patrão" da defesa leonina.
Equipa leonina que conquistou a "dobradinha" (época 1981/82).
Em cima (da esquerda para a direita): Eurico, Jordão, Lito,
Meszaros, Carlos Xavier e Virgílio.
Em baixo (mesma ordem): Ademar, Marinho, Barão,
Manuel Fernandes (cap.) e Nogueira.
 
Contudo, e igualmente à semelhança do ocorrido com a carreira dos jovens jogadores atrás referidos (à exceção de Futre), de Carlos Xavier ficou sempre a ideia de que poderia ter ido mais além e a sua carreira poderia ter atingido ainda maior notoriedade, tendo esta acabado por ficar, de certa forma, aquém das expectativas iniciais, augurando-se-lhe um futuro promissor que, no entanto, não se veio a confirmar na dimensão que a sua categoria fazia prever.
Não obstante isso, Carlos Xavier acabou, ainda assim, por construir uma bonita carreira, tendo, nomeadamente, sido o 3º futebolista que mais vezes envergou a camisola leonina em competições oficiais nos diferentes escalões do clube, atingindo um total de 620 jogos em representação do Sporting, ficando, neste particular, apenas atrás de Vítor Damas e de Hilário. É igualmente um dos futebolistas leoninos com mais presenças no Campeonato Nacional da 1ª Divisão, tendo efetuado um total de 248 jogos, em 12 épocas de "leão ao peito". Se contabilizarmos também os jogos a contar para as competições europeias (44 presenças), Taça de Portugal e Supertaça, aquele número ascende aos 333 jogos, tendo marcado 22 golos.
Carlos Xavier estreou-se na equipa sénior do Sporting a 21 de Dezembro de 1980, no Estádio José Alvalade, em jogo a contar para a 14ª jornada do Campeonato Nacional, diante do Amora, tendo o Sporting vencido por 5-0, com um dos golos leoninos a ser apontado precisamente pelo então jovem central de 18 anos. Que melhor estreia se poderia desejar?
A época de 1981/82 foi a da sua afirmação plena, fazendo dupla com Eurico no centro da defesa leonina, conquistando a "dobradinha", à qual se seguiu a conquista da Supertaça na temporada seguinte. No entanto, como atrás referimos, nas épocas seguintes a carreira de Carlos Xavier passou por altos e baixos, evidenciando uma certa irregularidade exibicional fruto, quer da instabilidade vivida no clube, com frequentes mexidas no plantel e a consequente entrada e saída de jogadores e treinadores, quer da própria juventude e imaturidade reveladas pelo atleta, algo deslumbrado pelo seu fulgurante início de carreira, quer ainda, pela própria indefinição posicional que viveu dentro do campo, não se fixando numa única posição, facto este que acabou por afetar o seu rendimento e qualidade exibicional.
Equipa leonina que conquistou a Supertaça (época 1987/88).
Em cima (da esquerda para a direita): João Luís, Oceano, Duílio,
Carlos Xavier, Morato, Silvinho, ?, Mário Jorge e Peter Houtman.
Em baixo (mesma ordem): Marlon, Paulinho Cascavel, Virgílio,
Tony Sealy, Vital, Rui Correia e Mário.
 
Na temporada de 1986/87, Carlos Xavier é emprestado à Académica de Coimbra, realizando aí uma excelente temporada que motivou o seu regressou a Alvalade na época seguinte, conquistando então a sua 2ª Supertaça. Após se ter revelado como promissor defesa central nas duas primeiras épocas, nas seguintes Carlos Xavier passou a jogar, sobretudo, no meio campo, alternando os flancos com o centro do terreno.
Até que na época de 1990/91, sob o comendo técnico do brasileiro Marinho Peres, Carlos Xavier se fixou no lado direito da defesa, realizando nesse ano uma das suas melhores temporadas de sempre, rubricando belas exibições naquela posição. Nessa época, o Sporting atingiria as meias finais da Taça UEFA, após uma bonita campanha europeia, sendo afastado da final pela poderosa equipa italiana do Inter de Milão, recheada de grandes "estrelas" mundiais, como, por exemplo, o trio alemão constituído por Brehme, Matthaus e Klinsmann, recém-campeões do mundo pela Alemanha.
Equipa leonina que chegou às meias finais da Taça UEFA (época 1990/91).
Em cima (da esquerda para a direita): Venâncio (cap.), Leal, Douglas,
Carlos Xavier, Luisinho e Ivkovic.
Em baixo (mesma ordem): Oceano, Filipe, Careca, Gomes e Litos.
 
Fruto dessa excelente época e respetiva campanha europeia, Carlos Xavier começa a ser cobiçado por vários clubes europeus, acabando por se decidir pelo futebol espanhol, sendo contratado pela Real Sociedad, então treinada pelo galês e antigo treinador do Sporting, John Toshack. Juntamente com o seu companheiro Oceano, Carlos Xavier permaneceu durante 3 temporadas no clube basco, continuando a exibir-se a bom nível.
Na época de 1994/95, então já com 32 anos, Carlos Xavier decide regressar a Portugal e ao clube do seu coração, o Sporting, conquistando nesse ano a sua 2ª Taça de Portugal. A temporada seguinte marca a sua despedida do Sporting como jogador, não sem antes conquistar a sua 3ª Supertaça. Foi igualmente finalista vencido da Taça de Portugal nessa época, numa final que ficou tristemente assinalada pela morte de um adepto do Sporting, devido a um verylight lançado pela claque do Benfica.
Equipa leonina que conquistou a Taça de Portugal" (época 1994/95).
Em cima (da esquerda para a direita): Marco Aurélio, Costinha,
Vujacic, Naybet, Balakov e Yordanov.
Em baixo (mesma ordem): Carlos Xavier, Figo, Amunike, Nélson e Oceano (cap.).
 
Chegava assim ao fim uma bonita e longa carreira de 16 anos no futebol profissional, 12 dos quais passados em Alvalade, onde viria a conquistar um título de campeão nacional, duas Taças de Portugal e três Supertaças. Carlos Xavier foi também chamado a representar a Seleção Nacional, tendo totalizado 10 internacionalizações pela Seleção A, 16 pela Seleção de Esperanças e ainda 6 pela Seleção Júnior.
Ainda hoje Carlos Xavier é recordado com saudade e admiração pelos adeptos e sócios leoninos, constituindo uma das grandes referências da história do futebol do Sporting, como jogador de elevada craveira técnica e um dos que mais vezes envergou a camisola leonina.
 

terça-feira, 19 de março de 2013

Jesualdo Ferreira - 4º técnico a treinar os "3 Grandes" e o mais velho de sempre a treinar o Sporting.

Ao assumir o comando técnico do Sporting em Janeiro passado, em substituição do belga Vercauteren, despedido, ao fim de 2 meses, pelo presidente leonino Godinho Lopes, Jesualdo Ferreira tornou-se no 4º técnico da história do futebol português a treinar os chamados "3 Grandes". Antes de Jesualdo Ferreira, já haviam passado pelo Sporting, F.C. Porto e Benfica, o brasileiro Otto Glória, o chileno Fernando Riera e o português Fernando Santos.

 
Este trio de treinadores acabou por se sagrar campeão nacional por, pelo menos, um dos "3 Grandes", a saber: Otto Glória, campeão ao serviço do Benfica e do Sporting (em 1965/66), Fernando Riera, campeão ao serviço do Benfica e Fernando Santos, campeão ao serviço do F.C. Porto. Também Jesualdo Ferreira se sagrou campeão nacional ao serviço do F.C. Porto e, como treinador-adjunto de Toni, também ao serviço do Benfica.
Com o ingresso de Jesualdo Ferreira no Sporting, o clube de Alvalade contabiliza, numa só temporada, 4 treinadores, depois de Sá Pinto, que transitou da época passada, Oceano e Vercauteren. Remonta à época de 1997/98, a última vez que o Sporting havia tido 4 treinadores na mesma temporada. Com efeito, nessa época em que o Sporting não foi além do 4º lugar (a 21 (!) pontos do campeão nacional, o F.C. Porto), passaram pelo seu comando técnico Octávio Machado, Francisco Vital, o chileno Vicente Cantatore e Carlos Manuel.
Na presente temporada, infelizmente o Sporting já só luta pelo 5º lugar que dá ainda acesso a uma vaga na Liga Europa. Caso consiga alcançar esta posição, o clube leonino iguala a sua pior classificação de sempre no Campeonato Nacional, ocorrida na já distante época de 1975/76, sob o comando técnico de Juca.
Registe-se outra curiosidade a respeito de Jesualdo Ferreira; aos 66 anos, tornou-se o técnico mais velho de sempre a treinar o Sporting, ultrapassando, neste particular, o anterior recorde de 12 anos que estava na posse de Fernando Mendes, quando este antigo jogador e treinador, então com 63 anos, passou pela última vez pelo Sporting, em Janeiro de 2001.
Vejamos, a título de curiosidade, o "ranking" dos 12 treinadores mais velhos da História do Sporting, liderado por 2 treinadores portugueses:
 
 
1º) Jesualdo Ferreira - 66 anos; 2º) Fernando Mendes - 63 anos (campeão nacional em 1979/80); 3º) Vicente Cantatore (Chile) - 62 anos; 4º) Bobby Robson (Inglaterra) - 59 anos; 5º) Jimmy Hagan (Inglaterra) - 58 anos; 6º) Mirko Jozic (Croácia) - 58 anos; 7º) Joseph Szabo (Hungria) - 58 anos (campeão nacional em 1940/41, 1943/44 e 1953/54); 8º) Gentil Cardoso (Brasil) - 57 anos; 9º) Robert Waseige (Bélgica) - 57 anos; 10º) Franky Vercauteren (Bélgica) - 56 anos; 11º) Malcolm Allison (Inglaterra) - 54 anos (campeão nacional em 1981/82); 12º) Fernando Riera (Chile) - 54 anos.
Este "ranking" é constituído maioritariamente por treinadores estrangeiros (3 ingleses, 2 belgas, 2 chilenos, 1 brasileiro, 1 húngaro e 1 croata), incluindo apenas os 2 treinadores portugueses mais velhos. Destes 12 treinadores, apenas 3 se podem orgulhar de se terem sagrado campeões nacionais de "leão ao peito".
 

sábado, 16 de março de 2013

João Rocha (1930 - 2013): Um presidente para a eternidade!

Festejos em família (João Rocha com os seus 3 filhos) pela conquista
da Taça dos Campeões Europeus de Hóquei em Patins (1977).

O Armazém Leonino curva-se respeitosa e saudosamente perante a memória de João Rocha, histórico presidente do Sporting durante 13 anos (1973 - 1986), recentemente falecido aos 82 anos, vítima de doença prolongada. Muito se escreveu e falou nestes últimos dias sobre João Rocha, a propósito do seu desaparecimento do "mundo dos vivos", tendo este sido, muito justamente, alvo de homenagens póstumas, recordações, análises, comentários e opiniões da vasta família sportinguista, mas igualmente de muita gente ligada ao desporto e, em particular ao futebol, mas não só, relativamente à sua vida e obra e ao legado que deixa para a posteridade.
Com efeito, a passagem de João Rocha pela presidência leonina deixou fortes marcas no clube, marcas estas que o tempo jamais apagará da memória de todos quantos viveram aqueles anos inesquecíveis, e a sua obra ficará eternamente perpetuada na história do Sporting, cujo clube serviu com inexcedível esforço, dedicação, devoção e glória durante 13 anos.
Troca de galhardetes entre João Rocha e o
presidente do Benfica, Borges Coutinho.
(caricatura da autoria de Francisco Zambujal, in jornal "A Bola")
 
Como adepto desde sempre do Sporting e sócio há já 25 anos, só lamento que João Rocha, por motivos de saúde, não tivesse podido em 1986 continuar por muitos mais anos à frente dos destinos do Sporting, pois foi durante a sua presidência (a de mais longa duração da história leonina) que o Sporting se afirmou definitivamente como a maior potência desportiva nacional e o clube mais eclético de Portugal. Foi, de facto, uma grande perda para o clube e para toda a família leonina o abandono de João Rocha, pois o Sporting não mais voltaria a ser como dantes, sobretudo, no que diz respeito à quantidade de títulos conquistados daí em diante comparativamente aos alcançados nos seus 13 anos de presidência.
João Rocha foi um presidente visionário, sempre à frente do seu tempo, com ideias avançadas relativamente à gestão profissional e moderna de um clube de futebol. Simultaneamente, tinha consciência que a grandeza do Sporting seria tanto maior, quanto mais apoiantes, sócios e adeptos tivesse e mais atletas houvesse a praticar o maior número de modalidades desportivas. Com efeito, na sua opinião, a força do Sporting e aquilo que o poderia distinguir e fazer distanciar-se dos seus rivais (Benfica e F.C. Porto), estava na aposta que deveria ser feita nas diversas modalidades e não apenas no futebol, onde apesar de tudo haveria de conquistar 3 Campeonatos Nacionais (1973/74, 1979/80 e 1981/82), 3 Taças de Portugal (1973/74, 1977/78 e 1981/82), finalista vencido em 1978/79, e uma Supertaça (1982/83).
Passagem de testemunho entre João Rocha e Amado de Freitas:
chegavam ao fim os 13 anos de João Rocha na presidência leonina.
(Caricatura da autoria de Francisco Zambujal, in jornal "A Bola")

Este seu sonho e ideal viria a concretizar-se plenamente durante os seus 13 anos de vigência presidencial do Sporting, traduzindo-se em números impressionantes: mais de 1200 troféus (1210 títulos nacionais e 52 Taças de Portugal) conquistados em diversas modalidades, mais de 15 000 atletas praticantes de 22 modalidades, com destaque para o futebol, atletismo, andebol, hóquei em patins, basquetebol e ciclismo; entre 1973 e 1986 o número de sócios ultrapassou a barreira dos 100 000, chegando aos 105 000 sócios.
Foi durante o seu consulado que se procedeu a uma série de melhorias no Estádio José Alvalade, nomeadamente, com a construção, em 1984, da Bancada Nova em substituição do velhinho peão, a construção de uma pista de tartan, dois campos de treino relvados, ginásios e pavilhões polivalentes de apoio à prática das modalidades ditas amadoras, com destaque para a Nave de Alvalade.
Troca de presentes entre João Rocha e o presidente do
 Benfica, Fernando Martins.
(caricatura da autoria de Francisco Zambujal, in jornal "A Bola")
 
Foi também durante a sua presidência que se construiu, em 1976, o célebre Pavilhão de Alvalade onde o Sporting viveria, ao longo de uma década, grandes momentos de euforia e exaltação clubísticas, conquistando vitórias e títulos no andebol, basquetebol e hóquei em patins, com destaque, nesta última modalidade, para as 4 conquistas europeias (Taça dos Campeões Europeus em 1977, Taça CERS em 1984 e duas Taças das Taças em 1981 e 1985).  Foi já no final do seu último mandato à frente do Sporting que se assistiu, em 1986, à demolição deste histórico pavilhão, devido às obras do Metro do Campo Grande.
Como presidente do Sporting, João Rocha viria a chefiar várias comitivas a diversos países de 4 continentes, à África Lusófona (Angola e Moçambique), à Europa, aos Estados Unidos da América (promovendo o contacto com a comunidade emigrante portuguesa aí radicada) e à Ásia, destacando-se de entre todas elas, a visita à China, em 1978, naquela que foi a primeira comitiva de um clube português àquele país, inaugurando com essa visita uma nova era de relações entre os dois povos.
Capa do livro "João Rocha - Uma vida".
(Biografia da autoria de Alfredo Farinha)

João Rocha foi, de facto, o "presidente dos presidentes" e, para mim, o maior da História do Sporting e do dirigismo desportivo em Portugal. Muito mais haveria para escrever e dizer sobre João Rocha. Penso, no entanto, que o essencial ficou dito, pelo menos para a geração mais nova de sportinguistas que desconhece ou conhece pouco a respeito de João Rocha.
Para todos os sportinguistas e amantes do desporto em geral, e mesmo para aqueles que não são do Sporting, aconselho a leitura de um livro ("João Rocha - Uma vida") de 1996, que retrata e descreve na perfeição a vida e a obra de João Rocha. O autor desta biografia é o saudoso Alfredo Farinha, histórico jornalista do jornal "A Bola", fantástico escritor e cronista, que deixou nas páginas daquele jornal as mais belas crónicas e prosas que alguma vez li sobre futebol.
Para mim, Alfredo Farinha foi uma das mais brilhantes "penas" do jornalismo desportivo português, sendo amplamente reconhecidos o seu talento narrativo e literário, traduzidos numa escrita "límpida, suave e fresca", com um grande rigor e clareza gramatical e linguística, digna dos maiores elogios e admiração. Confesso que o meu gosto pela leitura e pela escrita foi influenciado, estimulado e desenvolvido pela leitura das centenas de crónicas e comentários deste "monstro" do jornalismo português que tive o prazer de ler naquelas páginas em formato grande do jornal "A Bola", nas décadas de 70 e de 80. Leiam o livro que vale a pena e tenho a certeza que darão por muito bem empregue esse tempo.
Aqui ficou o tributo e homenagem póstuma do Armazém Leonino ao presidente de todos os sportinguistas, João Rocha. Paz à sua alma e que descanse em paz.
 

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Carlos Silva - Um "gigante" do andebol leonino!

Carlos Manuel Duarte da Silva, nascido a 15 de Maio de 1951, em Lisboa, foi um dos melhores guarda-redes portugueses de andebol de sempre e um dos maiores atletas da História do Sporting. A sua longevidade é impressionante e o seu palmarés desportivo é brilhante, sendo, muito justamente, considerado uma das maiores figuras do andebol português de todos os tempos, detentor de um invejável currículo construído ao longo de uma carreira de um quarto de século!
Carlos Silva possuía uma envergadura física notável que impunha respeito a qualquer adversário, a qual, aliada a uma técnica e elasticidade fantásticas, faziam dele um obstáculo dificílimo de ultrapassar, uma barreira quase intransponível, capaz de efetuar defesas "impossíveis", verdadeiramente fabulosas.
Caricatura da autoria do "Mestre" Francisco Zambujal, retratando na perfeição
 a barreira intransponível simbolizada pelo guardião leonino Carlos Silva.

 
Carlos Silva iniciou a sua carreira de andebolista no Encarnação, ainda com idade de juvenil, tendo aí permanecido durante 3 temporadas. Na época de 1969/70, então com 18 anos, ingressa no seu "clube do coração", o Sporting, jogando nessa época no escalão júnior do clube de Alvalade. Na temporada seguinte, sobe ao escalão sénior, iniciando então uma carreira sempre em ascensão, até se tornar num dos grandes guarda-redes da História do andebol português e, em particular, do Sporting, vindo a suceder na baliza leonina a outro grande guarda-redes, Bessone Basto (7 vezes campeão nacional), que juntamente com este viria a participar na conquista de 3 campeonatos, culminando no pentacampeonato, em 1972/73.
 
Equipa leonina que conquistou o pentacampeonato em 1972/73.
Em cima (da esquerda para a direita): Bessone Basto (g.r.), Adriano Mesquita,
José Luís Ferreira, Manuel Marques, Carlos Castanheira e Carlos Silva.
Em baixo (mesma ordem): Alfredo Pinheiro, Ramiro Pinheiro,
Luis Sacadura, Carlos Correia, Manuel Brito e Frederico Adão.
 
Carlos Silva representou a equipa sénior leonina ao longo de 19 (!) temporadas, com um interregno de 2 anos, em que envergou a camisola dos 2 rivais lisboetas (Benfica e Belenenses, respetivamente, em 1975/76 e 1976/77). Assim, entre as épocas de 1970/71 e 1990/91 (com a referida interrupção de 2 anos), Carlos Silva conquistou ao serviço dos "leões", nada mais nada menos que 16 troféus: 9 campeonatos nacionais (1970/71, 1971/72, 1972/73, 1977/78, 1978/79, 1979/80, 1980/81, 1983/84 e 1985/86) e 7 Taças de Portugal (1971/72, 1972/73, 1974/75, 1980/81, 1982/83, 1987/88 e 1988/89).
Equipa leonina que conquistou o campeonato nacional em 1985/86
(época do último título de Carlos Silva como campeão nacional).
Em cima (da esquerda para a direita): Carlos Silva (cap.), João Xavier, Mário Santos,
Eduardo Sérgio, Carlos Franco, Manuel Silva Marques e Luis Hernâni.
Em baixo (mesma ordem): José Pires, Clemente Fróis, Carlos José,
Pedro Miguel e Afonso Cabo.
 
A última temporada de Carlos Silva de "leão ao peito" foi em 1990/91, tendo então o guardião leonino já 40 anos e quase 25 anos de praticante da modalidade! Ainda viria a efetuar mais uma época como atleta ao serviço do Grupo Desportivo TAP, em 1991/92, finda a qual se despediria definitivamente da modalidade que o consagrou como excecional praticante.
Também ao serviço da Seleção Nacional, Carlos Silva se destacaria, totalizando 96 internacionalizações A, atingindo o momento mais alto com a conquista do Campeonato do Mundo de Andebol (grupo C), em 1976, em Lisboa.
 

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

As piores classificações do Sporting no Campeonato Nacional de futebol.

Presentemente, o Sporting atravessa uma das piores crises desportivas e financeiras da sua longa e rica história de 106 anos. Em particular, o futebol do Sporting vive o pior início de época da sua história, estando atualmente classificado, ao fim de 12 jornadas, num modestíssimo 10º lugar, com apenas 12 pontos (2 vitórias, 6 empates e 4 derrotas) e já a 20 pontos do 1º classificado e a 7 pontos do 4ºlugar que dá acesso às provas da UEFA (Liga Europa).
Até hoje, na História dos Campeonatos Nacionais, nunca o Sporting ficou abaixo do 5º lugar, facto de que nem Benfica nem F.C. Porto se podem gabar, uma vez que ambos já ficaram classificados abaixo daquela posição: o Benfica em 6º lugar na época de 2000/01 e o F.C. Porto em 9º lugar na época de 1969/70, tendo ainda ficado 3 vezes em 5º, uma vez em 6º e uma vez em 7º.
Apesar da crise de resultados e, sobretudo, de exibições que a equipa leonina está a viver presentemente, acreditamos que a recuperação é perfeitamente possível e que a equipa ainda conseguirá, pelo menos, chegar ao 4º lugar, evitando assim a 5ª posição, a sua pior classificação de sempre, que já aconteceu por 4 vezes, num total de 78 presenças na "prova rainha" do futebol português: nas épocas de 1964/65, 1968/69, 1972/73 e 1975/76. Curiosamente, na época seguinte a 3 destas temporadas, o Sporting sagrou-se campeão nacional, mais concretamente em 1965/66, 1969/70 e 1973/74.
Apesar do começo desastroso da época, o Sporting ainda está a tempo de evitar ficar fora das competições europeias da próxima temporada, mas para isso terá de, rapidamente e urgentemente, começar a ganhar jogos e, sobretudo, os jogadores começarem a ganhar confiança nas suas capacidades, pois, apesar das fortes críticas que tem sofrido, esta equipa tem qualidade para fazer melhor do que tem feito até aqui. Nem todos são maus jogadores como muitos querem fazer crer. Apesar de tudo, a maior parte destes jogadores chegaram na época passada às meias finais da Liga Europa, e portanto não podem ter desaprendido de jogar futebol de uma época para a outra. No entanto, reconhecemos o falhanço de algumas das contratações para a presente época, as más opções tomadas relativamente aos empréstimos/dispensas de outros jogadores e ainda a falta de oportunidades dadas a jovens jogadores provenientes do escalão júnior e que jogam atualmente na equipa B, disputando com sucesso o campeonato da 2ª Liga.
Com efeito, pensamos que a pré-época não foi bem planeada, quer em termos de dispensas, quer em termos de contratações, já para não falar da deficiente preparação física que a equipa revela atualmente cuja causa poderá ter a ver precisamente com uma má preparação verificada na pré-temporada. Nesta altura da época não se admitem as constantes quebras físicas reveladas pela equipa leonina, para além do facto de não ter um fio de jogo definido, nem um esquema tático consolidado. As constantes lesões verificadas em jogadores importantes também têm atrapalhado o entrosamento dos jogadores, mas tal por si só não serve de desculpa para um tão mau desempenho revelado pela equipa até ao momento. Enfim, os problemas e as possíveis causas dos mesmos estão diagnosticados, faltam é as soluções e "o (s) remédio (s) para a cura da doença".
Recordemos, então, aquelas 4 épocas em que o Sporting ficou classificado abaixo do 4º lugar, embora só por uma vez não tenha conseguido qualificar-se para as competições europeias, o que aconteceu na última das temporadas em que ficou em 5º lugar, em 1975/76.
 
- Época de 1964/65 (14 equipas): 5º lugar, com 32 pontos, atrás de Benfica (campeão nacional), com 43 pontos, F.C. Porto (37 pontos), CUF (35 pontos) e Académica (34 pontos).
 
- Época de 1968/69 (14 equipas): 5º lugar, com 30 pontos, atrás de Benfica (campeão nacional), com 39 pontos, F.C. Porto (37 pontos), Vitória Sport Clube (Guimarães), com 36 pontos e Vitória futebol Clube (Setúbal), com 35 pontos.
 Em cima (da esquerda para a direita): Celestino, Pedro Gomes, José Carlos (cap.),
Alexandre Baptista, Armando Manhiça e Vítor Damas.
Em baixo (mesma ordem): Chico Faria, Lourenço, Marinho, José Morais e Pedras.
 
- Época de 1972/73 (16 equipas): 5º lugar, com 37 pontos, atrás de Benfica (campeão nacional), com 58 pontos, Belenenses (40 pontos), Vitória Futebol Clube (Setúbal), com 38 pontos e F.C. Porto (37 pontos).
Em cima (da esquerda para a direita): Laranjeira, Carlos Pereira,
José Carlos (cap.), Fraguito, Manaca e Vítor Damas.
Em baixo (mesma ordem): Nélson, Yazalde, Chico Faria, Tomé e Dinis.
 
- Época de 1975/76 (16 equipas): 5º lugar, com 38 pontos, atrás de Benfica (campeão nacional), com 50 pontos, Boavista (48 pontos), Belenenses (40 pontos) e F.C. Porto (39 pontos).
Em cima (da esquerda para a direita): Matos, Amândio, Da Costa, Vítor Gomes,
Tomé, Laranjeira, Fraguito, Barão, José Mendes e Pinhal.
Em baixo (mesma ordem): Libânio, Baltasar, Marinho, Chico Faria, Manuel Fernandes e Nélson.
 

domingo, 7 de outubro de 2012

Recordações de um clássico F.C. Porto - Sporting com um quarto de século (época 1987/88).

Em dia de mais um clássico do futebol português, o primeiro da presente época (à 6ª jornada), a disputar-se logo à noite (20h45m), recordamos hoje um outro confronto F.C. Porto - Sporting realizado há quase 25 (!) anos, no Estádio das Antas, no dia 31 de Outubro de 1987, encontro este a contar para a 10ª jornada do Campeonato Nacional da já longínqua temporada de 1987/88.
Curiosamente e à semelhança da presente temporada, também há 25 anos o Sporting teve um início de campeonato irregular e instável, chegando à 10ª jornada, com apenas 3 vitórias, 5 empates e uma derrota em casa (1-2), diante do Varzim, precisamente ocorrida na jornada anterior à deslocação ao Estádio das Antas para defrontar o campeão europeu, F.C. Porto, então já líder do campeonato à 9ª jornada.
O Sporting, então treinado pelo inglês Keith Burkinshaw, tinha uma tarefa bastante difícil pela frente, uma vez que a equipa leonina atravessava de facto um mau momento, alternando alguns jogos razoáveis com outros medíocres. Apesar de se tratar de um clássico de resultado sempre imprevisível, em que a lógica muitas vezes não conta e em que, por vezes, a equipa que se encontra em pior momento de forma é aquela que acaba por surpreender e vencer a partida, a maioria das previsões apontavam para a vitória do F.C. Porto, prognóstico este que se veio, na verdade, a confirmar.
Com efeito, o Sporting viria a ser derrotado, por 2-0, com os golos do F.C. Porto a serem apontados em cada uma das partes do encontro. O primeiro golo seria marcado aos 13 minutos, por Madjer, de cabeça, acorrendo a um cruzamento da direita para a área leonina, antecipando-se ao seu marcador direto. O segundo golo seria marcado aos 57 minutos, por Sousa, na marcação de uma grande penalidade. Ao longo de toda a partida, a equipa leonina nunca mostrou capacidade para poder discutir o jogo com o F.C. Porto, mostrando sempre receio da equipa portista e não arriscando o suficiente para tentar chegar ao golo. Apesar de se ter batido com empenho, dignidade e profissionalismo, o Sporting raramente conseguiu criar perigo para a baliza portista, continuando a revelar as limitações atacantes já detetadas em jogos anteriores, para além de uma defesa a revelar intranquilidade e insegurança e um meio campo com grandes dificuldades em fazer circular a bola, errando muitos passes e pressionando pouco o adversário.
 
Em cima (da esquerda para a direita): Carlos Xavier, Duílio, João Luís,
Morato, Oceano (cap.) e Rui Correia.
Em baixo (mesma ordem): Paulinho Cascavel, Fernando Mendes,
Marlon, Mário Jorge e Silvinho.
 
Recordamos a equipa leonina que alinhou, há quase um quarto de século (como o tempo passa, parece que foi ontem!) diante do F.C. Porto, no Estádio das Antas, num sistema tático em 4x5x1, com um trinco e dois alas bem abertos nas faixas: Rui Correia; João Luís, Duílio, Morato e Fernando Mendes; Oceano (cap.); Marlon, Carlos Xavier, Mário Jorge e Silvinho; Paulinho Cascavel. O treinador leonino fez duas substituições, uma quase a finalizar a 1ª parte, aos 44 minutos, fazendo entrar Cadete para o lugar de Marlon, e a outra na 2ª parte, aos 59 minutos, fazendo sair Fernando Mendes e entrando Peter Houtman, avançado holandês, para reforçar o ataque, recuando Mário Jorge para defesa esquerdo e passando os "leões" a jogar com dois pontas de lança.
Na véspera deste clássico, o jornal "A Bola", na sua edição de sábado, fazia a habitual previsão à jornada e, em particular, à partida que iria opor "dragões" a "leões". Na 1ª página do jornal aparecia a habitual e indispensável caricatura da autoria do mestre Francisco Zambujal, alusiva ao clássico, a qual vale por "mil palavras"! É, de facto, uma belíssima caricatura que retrata na perfeição aquilo que se poderia esperar do confronto entre o treinador jugoslavo do F.C. Porto, Tomislav Ivic e o treinador inglês do Sporting, Keith Burkinshaw. Infelizmente, para o Sporting e para o seu treinador, esta previsão viria a confirmar-se totalmente. Resta acresentar que a partir deste jogo, o futuro próximo de Burkinshaw não se avizinhava nada fácil, aumentando a contestação de dia para dia por parte dos sócios e adeptos leoninos que nunca perdoaram ao técnico inglês a saída do grande capitão Manuel Fernandes do Sporting.
Após ter "apanhado uma sova" do treinador varzinista, Henrique Calisto
(derrota do Sporting, em casa, frente ao Varzim), o infeliz treinador leonino
prepara-se para "levar mais pancada", agora de Tomislav Ivic! Prognóstico confirmado!
 
Na verdade, após a derrota diante do F.C. Porto e de nova derrota (2-1), um mês depois, diante do Vitória Futebol Clube (Setúbal), no Estádio do Bonfim, Burkinshaw apenas se manteria como treinador do Sporting até à 13ª jornada (13 de Dezembro), já que viria a ser rendido na jornada seguinte (23 de Dezembro), por António Morais, em cuja partida o saudoso técnico português já liderou a equipa leonina, diante do Marítimo, no Estádio dos Barreiros (Funchal), com uma bela estreia (vitória por 3-2).
Como adepto e sócio do Sporting, escusado será dizer que espero e desejo que a história e o resultado do jogo de hoje seja diferente do de há 25 anos. Todos os sportinguistas desejam "toda a sorte do mundo" e uma boa estreia de Oceano no comando técnico leonino. Que falta está a fazer para o Sporting um resultado positivo, logo à noite, frente ao F.C. Porto! Um empate já não seria um mau resultado, mas que bom seria se o Sporting conseguisse a vitória! Tal poderia ser o tónico que está a faltar à equipa leonina para a tão desejada recuperação e para um bom desempenho futuro no resto da época. Eu acredito no Sporting e, em particular, no plantel leonino, que possui jogadores em quantidade e qualidade suficientes para lutar, não apenas pelo título, mas igualmente pelas restantes competições da temporada. Bons jogadores não faltam, o que tem faltado até agora é quem consiga tirar o maior proveito deles e os ponha a jogar nos lugares devidos, isto é, onde possam render mais. Na minha opinião, o(s) sistema(s) tático(s) a adotar é que depende(m) dos jogadores que se tem à disposição e, consequentemente, deve(m) adaptar-se aos jogadores, e não o contrário!