sábado, 8 de fevereiro de 2014

Recordações de um "derby" Benfica - Sporting com 36 anos! (época 1977/78)

 
Realiza-se neste domingo, dia 9 de Fevereiro, no Estádio da Luz, mais um "derby" do futebol português, o Benfica-Sporting, a contar para a 18ª jornada do Campeonato Nacional. O confronto entre os velhos e eternos rivais lisboetas tem sido, ao longo da história dos campeonatos, um dos jogos mais ansiosamente aguardados pelos adeptos dos dois clubes de Lisboa, dada a rivalidade histórica que já vem de longa data, mais concretamente, desde 1907, ano em que, pela primeira vez, Sporting e Benfica se defrontaram, com vantagem leonina (vitória por 2-1).
De então para cá, mais de 100 anos passados, a paixão e a emoção vividas em torno deste "derby" permanecem intocáveis, gerando, ano após ano, um ambiente único e especial em seu redor. Criam-se enormes expectativas, renovam-se esperanças e ambições e traçam-se os mais variados prognósticos à volta deste eterno clássico do futebol português, de resultado sempre imprevisível, mesmo que, em determinado momento da época, uma equipa possa teoricamente estar mais forte do que a outra.
 
 
O Armazém Leonino recorda hoje um outro "derby", já com 36 anos de idade (como o tempo passa!), que se disputou também em Fevereiro, mais concretamente, a 12 de Fevereiro de 1978, no Estádio da Luz. Na altura, esse Benfica-Sporting contava para a 16ª jornada (1ª jornada da 2ª volta) do Campeonato Nacional da época de 1977/78 e, tal como agora, o Benfica apresentava-se como o grande favorito à vitória.
Para o Sporting, este jogo não deixou nenhumas saudades, acabando por ficar tristemente célebre na memória dos "derbies" devido a dois acontecimentos que marcaram negativamente este encontro para as cores leoninas. O primeiro foi a lesão grave sofrida por Jordão que, ainda na 1ª parte, sofreu uma fratura da tíbia motivada por uma entrada dura do defesa benfiquista Alberto. O segundo foi o golo solitário da partida marcado, aos 54 minutos, pelo avançado benfiquista Vítor Baptista que ditou a derrota leonina por 1-0.
Diga-se, em abono da verdade, que se tratou de um golo monumental, daqueles de fazer "levantar o estádio". Num lance de pura inspiração do "Maior", este amorteceu a bola no peito e sem deixar batê-la no chão desferiu um fantástico pontapé com o pé direito, ainda de fora da grande área, deixando o guarda-redes leonino Botelho "pregado ao chão" sem qualquer capacidade de reação.
Lance disputado entre Vítor Baptista e Inácio, sob os olhares
atentos de Shéu e Fraguito.
 
A cena que se seguiu ao golo faz também parte da história deste "derby", dada a situação insólita e até caricata que se viveu após a marcação deste estupendo golo. De imediato, Vítor Baptista apercebe-se que perdeu o seu precioso brinco-talismã e nem sequer festeja o golo que marcou junto dos colegas de equipa. Põe-se logo à procura do brinco juntamente com alguns colegas seus. O árbitro Rosa Santos vê-se obrigado a adiar, por breves minutos, o reatar da partida, pois Vítor Baptista encontra-se completamente absorvido e desesperado na tentativa de encontrar o seu brinco. Contudo, apesar dos seus esforços, o brinco nunca chegou a aparecer e o jogo foi reatado, para grande tristeza e desconsolo de Vítor Baptista que até parece que já não se lembrava do golo marcado, o qual viria a ser decisivo para a vitória tangencial do Benfica.

Vítor Baptista procura em vão o seu brinco
sob o olhar divertido de Toni.
 
À parte este episódio algo caricato e "sui-generis", o jogo acabou por não ter grande história, tendo o Benfica dominado a partida e criado as melhores oportunidades de golo, no entanto desperdiçadas, o que lhe podia ter causado dissabores, não fosse o Sporting ter desperdiçado, já perto do fim do encontro, uma clara oportunidade de golo. Contudo, a vitória do Benfica não sofre discussão, pois atendendo àquilo que se passou dentro das quatro linhas e ao futebol praticado pelas duas equipas, a equipa benfiquista mostrou ser superior ao seu adversário, tendo alcançado uma vitória justa embora escassa.
O Sporting pode também queixar-se da falta de sorte, ao ver-se privado desde cedo do concurso de um dos seus melhores jogadores, o excelente ponta de lança Jordão, que se encontrava num bom momento de forma. Do ponto de vista anímico, a equipa leonina sentiu profundamente esse infortúnio e nunca se chegou a recompor de tal infelicidade.
 
Equipa leonina que alinhou diante do Benfica.
Em cima (da esquerda para a direita): Laranjeira, Inácio,
Vítor Gomes, Manaca, Keita e Botelho.
Em baixo (mesma ordem): Manuel Fernandes, Jordão, Barão,
Artur e Fraguito.
 
Para a história deste "derby", recordamos a equipa leonina que, sob o comando de Rodrigues Dias, alinhou diante do Benfica num sistema tático, aparentemente ofensivo, de 4X3X3: Botelho; Artur, Manaca, Laranjeira e Inácio; Vítor Gomes, Fraguito e Barão; Manuel Fernandes, Jordão e Keita. Aos 26 minutos, Manoel rendeu o lesionado Jordão e aos 63 minutos é a vez de Cerdeira substituir Barão.
O "derby" deste fim de semana não é decisivo, pois ainda ficarão a faltar 12 jornadas para o final do campeonato. O Benfica tem 2 pontos de vantagem sobre o Sporting e mesmo em casa de vitória dos "encarnados", e ficando o Sporting a 5 pontos de distância do seu rival, tal diferença ainda pode ser recuperável. Contudo, o Sporting tem de lutar pela conquista de pontos no Estádio da Luz, sendo o empate um resultado bastante positivo, sabendo nós as dificuldades que o Sporting sempre sente quando joga no terreno do Benfica, onde já não ganha há 8 anos e onde só venceu em 14 ocasiões.
Pese embora as ausências de William Carvalho (castigado) e Jefferson (lesionado), dois jogadores bastante influentes e que atravessam um excelente momento de forma, o Sporting tem jogadores em qualidade e quantidade suficientes para se bater de igual para igual com o Benfica. O Sporting não deve mostrar receio de jogar para ganhar no terreno do seu adversário, pois a vitória, para além de significar a liderança no campeonato, constituiria um excelente tónico e um fator extra de motivação para encarar o resto da temporada com otimismo e confiança.
Esperamos e desejamos que o "derby" de amanhã seja um grande espetáculo de futebol, de promoção da modalidade, que haja fair-play" e desportivismo dentro e fora das quatro linhas e que a equipa de arbitragem esteja à altura deste jogo grande do futebol português, e, sobretudo, não volte a prejudicar o Sporting como tem acontecido nas últimas épocas.
Acreditamos que o Sporting poderá conquistar, pelo menos, um empate, o que já não será um mau resultado, continuando, assim, a equipa leonina a lutar pelo título. Boa sorte "leões"!
 

sábado, 14 de dezembro de 2013

Recordações de um "clássico/derby" Sporting - Belenenses (época 1954/55).


 
Realiza-se esta noite (20h30m), dia 14 de Dezembro de 2013, no Estádio José Alvalade, mais um grande "clássico/derby" do futebol português, Sporting-Belenenses, a contar para a 13ª jornada do Campeonato Nacional, cujo confronto lisboeta encerra já uma longa e rica história com muitos episódios e peripécias para contar.
Com efeito, os "derbies" entre o Sporting e o Belenenses são dos jogos mais antigos, populares e carismáticos da cidade de Lisboa, ou não se tratassem de dois dos maiores clubes do futebol português que já se defrontaram por 72 vezes em jogos a contar para o campeonato, tendo o Sporting como clube visitado, seja nos antigos recintos do Campo Grande e do Lumiar, seja no Estádio Nacional ou, a partir de 1956, no antigo e saudoso Estádio José Alvalade, ou ainda no atual estádio, desde 2003.
Desses 72 confrontos a contar para o "Nacional" da 1ª Divisão, tendo o clube de Alvalade como anfitrião, há a registar 56 vitórias para o Sporting, 11 empates e apenas 5 vitórias para o Belenenses. Esta estatística mostra, desde logo, uma clara superioridade caseira do Sporting diante do Belenenses e, consequentemente, uma longa tradição de grandes dificuldades sentidas pelo clube do Restelo sempre que teve de se deslocar ao terreno dos "leões". Curiosamente, as 5 vitórias alcançadas pelo emblema da "Cruz de Cristo" diante do Sporting nunca foram obtidas no Estádio José Alvalade, quer no antigo, quer no atual.
Na verdade, aqueles 5 triunfos foram todos obtidos antes de 1956, mais concretamente em 3 estádios diferentes: no Campo Grande (época 1934/35, vitória por 3-1; época 1936/37, vitória por 3-2); no Campo do Lumiar (época de 1941/42, vitória por 4-1; época de 1949/50, vitória por 1-0); no Estádio Nacional (época de 1954/55, vitória por 2-1).
 
Bonito palco do Jamor onde teve lugar o Sporting-Belenenses
da época de 1954/55.

 
É precisamente esta última vitória alcançada pelo Belenenses, no Estádio Nacional (terreno "emprestado" ao Sporting), há já quase 6 décadas, que o Armazém Leonino recorda hoje, sendo que, desde então, nunca mais os "azuis" do Restelo lograram vencer no reduto leonino. Curiosamente, e tal como hoje, também aquele jogo da época de 1954/55 se realizou à 13ª jornada do campeonato nacional e em plena época natalícia, mais concretamente, a 26 de Dezembro.
 
Bonita e espetacular imagem onde se observa um lance disputado entre
dois dos protagonistas do "clássico" do Jamor de 1954: Matateu e Juca,
os marcadores dos golos da partida (Sporting - 1 / Belenenses - 2).
 
O "herói" deste jogo foi o grande jogador belenense de seu nome completo, Sebastião Lucas da Fonseca, que ficou popularmente conhecido, na História do futebol português, por Matateu, o extraordinário avançado moçambicano, um dos melhores de sempre do futebol português e um dos maiores símbolos do Belenenses. Naquela tarde fria de Dezembro, Matateu foi o autor dos 2 golos com que o Belenenses derrotou o então tetracampeão nacional Sporting, que já só contava no seu plantel com 3 dos famosos e inesquecíveis "cinco violinos": Vasques, Travassos e Albano, se bem que neste jogo só tenham jogado 2 deles (Vasques e Travassos).
O também excelente médio leonino Juca foi o autor do golo solitário dos "leões". Todos os golos da partida foram marcados na 2ª parte, tendo o Belenenses se adiantado no marcador por intermédio de Matateu ,aos 54 minutos. Pouco tempo depois, Juca ainda restabeleceu a igualdade, mas aos 82 minutos, o avançado moçambicano voltou a marcar, fixando o resultado final em 2-1 a favor do emblema da "Cruz de Cristo". No final dessa época, culminando uma excelente temporada ao serviço do Belenenses, Matateu sagrou-se o melhor marcador do campeonato, com 32 golos apontados, conquistando a sua segunda "Bola de Prata".
A título de curiosidade, refira-se ainda que este "clássico" foi arbitrado pelo tristemente famoso árbitro de Évora, Inocêncio Calabote, que viria a estar ligado a um caso de corrupção envolvendo o Benfica, vindo, pouco tempo depois, a ser irradiado da arbitragem. No entanto, neste "derby" Sporting-Belenenses de 1954 não consta que tenham havido quaisquer "casos" ligados à arbitragem de Inocêncio Calabote, à parte a expulsão do extremo esquerdo leonino Mendonça!
 
Uma das equipas-tipo do Sporting da época de 1954/55.
Em cima: Janos Hrotko, Rita, Carlos Gomes, Passos, Galaz, Caldeira e Juca.
Em baixo: Hugo, Vasques, João Martins, Travassos e Mendonça.
 
Para a história deste "clássico" Sporting-Belenenses de Dezembro de 1954, recordamos a equipa leonina que alinhou no Estádio Nacional, há quase 60 anos: Carlos Gomes; Caldeira, Passos e Pacheco; Janos Hrotko e Juca; Hugo, Vasques, João Martins, Travassos e Mendonça.
Regressando a 2013, e concretamente ao "derby" desta noite, esperamos e desejamos que a tradição se mantenha e que ainda não seja desta vez que o Belenenses quebra o enguiço de quase 6 décadas sem vencer no terreno do Sporting.
Em meados da década de 50, existia um grande "equilíbrio de forças" entre Sporting e Belenenses, com jogos muito disputados e de resultado imprevisível, dada a qualidade dos jogadores que integravam as duas equipas lisboetas. Nos últimos anos e, em particular, hoje em dia, existe uma grande diferença em termos da qualidade e poderio dos respetivos plantéis, com clara vantagem para o Sporting. Mas tal superioridade tem de ser demonstrada na prática, dentro das quatro linhas e ao longo dos 90 minutos que dura a partida. Sabemos que já não há jogos fáceis e quando menos se espera as equipas teoricamente mais fracas podem "bater o pé" aos chamados "grandes", tal como, aliás, já aconteceu neste campeonato e tem acontecido sempre ao longo dos anos.
Portanto, todo o cuidado é pouco para prevenir quaisquer surpresas desagradáveis e eventuais dissabores. É como diz o ditado popular: "Cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém"! O Sporting está avisado para as dificuldades que poderá encontrar por parte do seu opositor e está preparado, quer do ponto de vista físico e mental, quer do ponto de vista técnico e tático, para levar de vencida o seu adversário. A equipa leonina é superior à equipa belenense, mas tem de o provar em campo, para poder alcançar a tão desejada vitória e conquistar mais 3 pontos, tendo em vista continuar na frente do campeonato e até aumentar a vantagem para os seus mais diretos perseguidores, espreitando uma eventual escorregadela de F.C. Porto e Benfica.
 
 

sábado, 9 de novembro de 2013

Recordações da última vitória (3-1) do Sporting em casa do Benfica para a Taça de Portugal (época 1999/2000).

 


Esta noite, pelas 19 horas e 45 minutos, no Estádio da Luz, realiza-se  mais um "derby" Benfica-Sporting, desta vez a contar para a 4ª eliminatória da Taça de Portugal da temporada de 2013/14. Quis o sorteio que os dois eternos rivais lisboetas se encontrassem numa fase ainda precoce da prova, sendo certo que um dos principais candidatos à vitória nesta competição ficará já de fora, o que constitui uma perda para a própria competição que se vê assim privada de uma das suas equipas mais fortes.
A propósito de mais um confronto entre "águias" e "leões", o Armazém Leonino recorda hoje uma partida ocorrida na temporada de 1999/2000, entre os dois velhos rivais, a contar igualmente para a Taça de Portugal, cujo encontro terminou com a vitória do Sporting por 3-1, a qual fica a assinalar a última vitória leonina no terreno do Benfica a contar para esta competição. Desde então, Benfica e Sporting só voltaram a encontrar-se mais uma vez, tendo o Benfica como clube visitado, mais concretamente, na época de 2004/05, tendo a equipa benfiquista eliminado a equipa leonina, na sequência do desempate por pontapés da marca de grande penalidade, após empate (3-3) no final do prolongamento.
 
 
Mas hoje queremos recordar o jogo da época de 1999/2000, temporada essa que assinalou igualmente a reconquista do Campeonato Nacional por parte do Sporting, após 18 longos e dolorosos anos de jejum. Relativamente a este jogo a contar para os oitavos de final da Taça de Portugal, realizado a 26 de Janeiro de 2000, no antigo Estádio da Luz, sob a arbitragem de Vítor Pereira, pode-se e deve-se dizer que o Sporting foi um justo vencedor. Curiosamente, cerca de duas semanas antes, a 9 de Janeiro, as duas equipas haviam-se defrontado igualmente no Estádio da Luz, mas a contar para a 16ª jornada do campeonato, tendo-se então verificado um empate (0-0).
Desta vez, o Sporting logrou superiorizar-se ao seu rival, acabando por vencer, até naturalmente, a partida por 3-1, com 2-1 ao intervalo. O Sporting adiantou-se no marcador, logo aos 11 minutos, por intermédio do ponta de lança argentino Acosta. O Benfica ainda empataria através de um golo de Uribe, aos 33 minutos, mas passados apenas 3 minutos o Sporting voltaria a passar para a frente do marcador, com um golo do defesa central brasileiro André Cruz, aos 36 minutos.
 
                  Acosta                                                   André Cruz
 
Na 2ª parte, o Sporting continuou a exercer a sua superioridade perante o seu opositor, ampliando a vantagem aos 74 minutos, novamente por intermédio de Acosta na marcação de uma grande penalidade. Com cerca de um quarto de hora para jogar, e com o Benfica já reduzido a 10 unidades, por expulsão de Machairidis na sequência do "penalty" cometido sobre Acosta, o Sporting consolidou o seu domínio na partida, podendo até ter dilatado o marcador, não fosse o desperdício de algumas boas oportunidades de golo, numa altura em que o Benfica mostrava já grande desorientação, evidenciando quebra física e anímica acentuadas.
 
Equipa-tipo leonina da época de 1999/2000.
Em cima: Schmeichel, André Cruz, Beto, Vidigal e Pedro Barbosa.
Em baixo: De Franceschi, Mpenza, Acosta, Rui Jorge, César Prates e Delfim.
 
Recordemos a equipa leonina que alinhou (num sistema tático em 4x2x3x1) nessa última vitória em casa do Benfica, a contar para a Taça de Portugal: Schmeichel; César Prates, André Cruz, Beto e Rui Jorge; Vidigal e Delfim; Mpenza, Pedro Barbosa (cap.) e De Franceschi; Acosta. Ao intervalo, André Cruz, lesionado, foi substituído por Quiroga. Aos 55 minutos, Pedro Barbosa cedeu o seu lugar a Tonito. Finalmente, aos 79 minutos, foi a vez de Fumo render De Franceschi.
Uma vez mais, o Sporting volta a deslocar-se ao Estádio da Luz para tentar seguir em frente na prova. O sorteio da Taça de Portugal voltou a não ser favorável ao Sporting, pois trata-se de um jogo com um elevado grau de dificuldade, opondo duas das mais fortes candidatas à vitória na competição, sendo que o fator casa tem muitas vezes um peso determinante no desfecho destas eliminatórias.
Embora saibamos que nestes derbies os jogos são extremamente equilibrados e o resultado é sempre imprevisível, nem sempre ganhando a equipa que joga em casa ou que se encontra em melhor momento de forma, ainda assim, achamos que o Benfica parte em ligeira vantagem na percentagem de probabilidades de vencer, não só porque atua no seu ambiente, com a grande maioria do público a apoiá-lo, mas também porque quererá demonstrar que a equipa tem valor para fazer muito melhor que até aqui, nomeadamente, dar continuidade à última boa exibição praticada diante do Olympiakos e iniciar um novo ciclo de vitórias.
Contudo, atendendo ao momento de forma que o Sporting atravessa, mostrando ser uma equipa alegre, motivada, com um entrosamento já bastante apreciável entre os jogadores e confiante nas suas capacidades, pensamos que esta jovem equipa leonina poderá oferecer grande resistência ao seu adversário, vendendo muito cara a derrota ou podendo, inclusivamente, surpreender, levando de vencida o seu rival. Tal desfecho poderá depender muito da concentração e personalidade que a equipa revelar em campo, evitando cometer algumas das falhas defensivas que tem cometido em alguns jogos. Sabemos que em jogos deste nível e equilíbrio, tudo se pode decidir num detalhe ou pormenor, numa falha ou na inspiração de um jogador.
Acima de tudo, esperamos e desejamos que se trate de um excelente jogo de futebol e de um grande espetáculo de promoção da modalidade, dentro e fora das quatro linhas, com correção e fairplay desportivo da parte de todos os intervenientes, jogadores, técnicos e adeptos. O futebol agradece! E já agora, que ganhe o Sporting!
 
 
 

sábado, 26 de outubro de 2013

Recordações de um clássico F.C. Porto - Sporting (época 1978/79).


Realiza-se, amanhã à noite, no Estádio do Dragão, mais um grande clássico do futebol português, o F.C. Porto - Sporting, a contar para a 8ª jornada do campeonato nacional. Trata-se do 80º jogo entre estes dois grandes rivais, tendo o F.C. Porto na condição de equipa visitada. Nos anteriores 79 confrontos disputados no reduto portista, a contar para o campeonato nacional, há a registar 42 vitórias do F.C. Porto, 24 empates e apenas 13 vitórias do Sporting. 
Esta estatística mostra bem as enormes dificuldades que o Sporting sempre tem sentido, ao longo dos anos, quando tem de se deslocar ao terreno do F.C. Porto. A última vitória do Sporting em casa dos portistas ocorreu já há 7 anos, tendo sido alcançada na época de 2006/07, fruto de um golo solitário apontado pelo defesa chileno Rodrigo Tello. Aliás, a última vez que o Sporting logrou pontuar no Estádio do Dragão foi na época de 2008/09, tendo-se registado um empate (0-0). De então para cá, não mais a equipa leonina conseguiu evitar a derrota.

O antigo e saudoso Estádio das Antas, palco magnífico de inúmeros e
inesquecíveis clássicos F.C. Porto - Sporting.

A propósito do 80º confronto que amanhã vai opor "dragões" a "leões", o Armazém Leonino recorda hoje um outro clássico disputado na já longínqua temporada de 1978/79, o qual terminou empatado a zero. Este jogo, a contar para a 24ª jornada do campeonato nacional, realizou-se no Estádio das Antas, numa tarde de domingo, mais concretamente, a 1 de Abril de 1979, "dia das mentiras"! 
Na véspera, na sua edição de sábado (31 de Março), o jornal "A Bola" publicava a habitual e indispensável caricatura da autoria do mestre Francisco Zambujal, alusiva ao clássico do dia seguinte que iria opor estes dois eternos rivais. Trata-se, na verdade, de uma belíssima caricatura!

O treinador do F.C. Porto, José Maria Pedroto, defende o seu reduto
da ameaça do "leão", personificado pelo técnico leonino Pavic.

O Sporting, então treinado pelo técnico jugoslavo Milorad Pavic, alinhou num sistema tático de 4x3x3, da seguinte forma: Botelho; Artur, Laranjeira, Bastos e Inácio; Ademar, Marinho e Zandonaide; Keita, Manuel Fernandes e Jordão. Aos 79 minutos de jogo, Zandonaide foi substituído por Manoel.

Uma das equipas leoninas da época de 1978-79.
Em cima (da esquerda para a direita): Bastos, Meneses, Laranjeira, Zezinho, Jordão e Botelho.
Em baixo (mesma ordem): Inácio, Vítor Manuel, Manuel Fernandes, Mota e Zandonaide.

Aparentemente, aquele sistema tático com 3 avançados poderia parecer algo arriscado e demasiado ofensivo, uma vez que o Sporting jogava em casa do F.C. Porto, que lutava lado a lado com o Benfica pelo 1º lugar da classificação. Mas, na verdade, ao longo da partida, a equipa leonina não assumiu grandes riscos e acabou por adotar uma postura de contenção e uma atitude expectante face ao esperado e compreensível maior pendor atacante da equipa portista. Assim, foi o F.C. Porto a assumir as despesas do jogo no que toca ao desenvolvimento de ações ofensivas, assumindo um maior domínio territorial face ao adversário.
Contudo, o Sporting foi sempre uma equipa bem organizada e disciplinada taticamente, extremamamente rigorosa e realista quanto aos seus objetivos, os quais passavam pela conquista de, pelo menos, um ponto, que já seria um bom resultado em casa de um dos seus adversários diretos na luta pelo título. Ao longo dos 90 minutos, a equipa leonina soube posicionar-se muito bem em campo, defendendo sempre com grande acerto, com particular destaque para o seu setor mais recuado, incluindo o guarda-redes Botelho, que não teve uma única falha em toda a partida. O Sporting atuou, sobretudo, em contra-ataque, mantendo sempre o F.C. Porto em constante alerta. Apesar de não ter criado grandes oportunidades de golo, acabou por pertencer ao Sporting a ocasião mais flagrante do encontro, por intermédio de Keita, que permitiu uma excelente defesa ao guarda-redes portista Fonseca.
O empate (0-0) acabou por ser o resultado mais justo face ao que se passou dentro do campo, tendo a equipa portista perdido um ponto face ao Benfica, que no final dessa jornada, e a 6 do final da prova, passava a ter mais 2 pontos que o F.C. Porto e mais 3 que o Sporting. No entanto, na reta final de um dos campeonatos mais emotivos e disputados de sempre, o F.C. Porto acabaria por ultrapassar o Benfica, conquistando o campeonato com apenas 1 ponto de vantagem sobre o seu rival lisboeta, ficando o Sporting na 3ª posição, a 8 pontos do campeão nacional.
Tal como se verificou há mais de 35 anos no antigo e saudoso Estádio das Antas, amanhã à noite, no Estádio do Dragão, esperamos e desejamos que o Sporting consiga pontuar. Se não for possível alcançar a vitória, pelo menos o empate já será um bom resultado. Acima de tudo, fazemos votos para que seja um excelente espetáculo de propaganda da modalidade, com futebol bem jogado por parte das duas equipas e com "fairplay" entre os jogadores dentro das quatro linhas e, igualmente, com civismo e espírito desportivo, entre os adeptos, fora delas.
Pensamos que esta é uma boa altura para o Sporting se deslocar ao terreno do F.C. Porto, uma vez que a equipa leonina atravessa, de facto, um bom momento de forma, estando a praticar um futebol bastante atrativo e até entusiasmante, oferecendo, à sua vasta e fiel massa adepta, espetáculos agradáveis e com muitos golos, como há muito tempo não se via.
Trata-se de um jogo com elevado grau de dificuldade diante do campeão nacional e líder do campeonato. Contudo, esta época, parece-nos que o F.C. Porto não está tão forte e confiante como em anos anteriores, apresentando algumas debilidades defensivas e uma menor capacidade ofensiva, comparativamente, por exemplo, com a temporada passada. Ao contrário da equipa portista, a equipa leonina apresenta-se bastante confiante, motivada e até menos desgastada fisicamente. Caso o Sporting consiga, por um lado, pôr em prática o futebol praticado nos últimos jogos, e, por outro lado, anular os jogadores mais perigosos do F.C. Porto (Fernando, Lucho Gonzalez e Jackson Martinez), pensamos que poderá alcançar um resultado positivo no Estádio do Dragão.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Recordações de um inesquecível e saudoso "derby" Sporting - Benfica (época 1976/77).


Realiza-se este fim de semana (sábado, 31 de Agosto, pelas 20 horas), no Estádio José Alvalade, o primeiro grande "derby" da época de 2013/14, opondo, uma vez mais, os dois históricos e eternos rivais lisboetas. A propósito deste Sporting - Benfica a contar para a 3ª jornada do Campeonato Nacional, o Armazém Leonino recorda hoje um "derby" referente à já longínqua temporada de 1976/77, curiosamente realizado logo na 1ª jornada do campeonato daquela época, situação quase rara na História dos campeonatos nacionais, pois tal só voltaria a acontecer, curiosamente, na temporada seguinte (1977/78), com resultados, porém, bastante diferentes nesses dois jogos.
O jogo de que vamos falar hoje realizou-se a 4 de Setembro de 1976, também num sábado à noite, num Estádio José Alvalade completamente cheio, diria mesmo mais, a "rebentar pelas costuras" (com adeptos colocados mesmo junto às linhas de delimitação do terreno de jogo), e cuja partida constituiu precisamente o pontapé de saída da época de 1976/77. Para a história do jogo ficou um resultado extremamente positivo para a equipa leonina, a qual venceu categoricamente o Benfica por 3-0. Melhor estreia no campeonato e logo frente ao seu grande rival e campeão nacional em título seria difícil de imaginar!

Antigo, inesquecível e saudoso Estádio José Alvalade (1956 - 2003).

À semelhança do que vai acontecer na presente época, a temporada de 1976/77 assinalou também a ausência do Sporting das competições europeias, em virtude do modesto 5º lugar alcançado na época anterior (1975/76). Outras duas grandes novidades em relação ao plantel leonino daquela época foram as contratações, por um lado, do treinador inglês, Jimmy Hagan, que havia sido tricampeão nacional pelo Benfica (1970/71, 1971/72 e 1972/73) e, por outro lado, a contratação do excelente avançado maliano, Salif Keita, que tão boas exibições rubricou nas 3 temporadas em que jogou de "leão ao peito", deixando gratas recordações e enorme saudade entre os adeptos e sócios leoninos.
Como atrás referimos, o início de campeonato não poderia ter sido melhor e, de facto, durante a 1ª volta do campeonato o Sporting confirmou esse arranque tão prometedor. Com efeito, durante as primeiras 12 jornadas, a equipa leonina teve um desempenho quase fulgurante, obtendo 11 vitórias e 1 empate. O primeiro desaire viria a acontecer precisamente à 13ª jornada, diante do Vitória Futebol Clube, numa partida em que os "leões" foram bastante infelizes, sendo derrotados por 1-0, através de um golo marcado na própria baliza por Valter, a dois minutos do fim do encontro.
Mesmo assim, o Sporting logrou manter-se na frente do campeonato durante mais 6 jornadas. Até que a 26 de Fevereiro de 1977, à 19ª jornada (4ª jornada da 2ª volta), fruto de um empate caseiro (0-0) diante do Leixões, o Sporting cede o 1º lugar em favor do Benfica, que não mais largará a liderança até final do campeonato, vindo a vencê-lo com 9 pontos de vantagem relativamente ao Sporting, cujo desempenho foi decrescendo definitivamente à entrada do último terço da prova.
Sobre a prestação da equipa leonina neste campeonato, e, em particular, sobre o seu arranque fulgurante e final penoso, pode-se utilizar uma metáfora dizendo que foi um "balão" que encheu muito depressa, mas que não se aguentou cheio o tempo suficiente, vindo a perder ar à medida que ia caminhando, acabando por se esvaziar, quase por completo, quando estava próximo do seu destino.

Uma das equipas-tipo leonina referente à época de 1976/77.
Em cima (da esquerda para a direita): Conhé, Fraguito, Inácio, Laranjeira (cap.), Keita e José Mendes.
Em baixo (mesma ordem): Marinho, Valter, Manuel Fernandes, Da Costa e Baltasar.

Voltemos, então, ao jogo de abertura do campeonato nacional da época de 1976/77 e recordemos a concludente vitória leonina por 3-0 diante do seu rival encarnado. Foi aquilo a que se pode chamar uma "entrada de leão" na nova temporada. Após um empate (0-0) registado ao intervalo, o Sporting adiantou-se no marcador à passagem do quarto de hora da 2ª parte, por intermédio de Manuel Fernandes. Um quarto de hora depois, seria a vez de Camilo dilatar a vantagem para 2 golos. Finalmente, a cinco minutos do final, Baltazar fechou a contagem, apontando o 3º e último do golo da partida. Era o culminar de uma excelente exibição da equipa leonina que surpreendeu com um futebol audaz e destemido, não apenas a equipa encarnada e o seu novo técnico, também inglês, John Mortimore, mas igualmente a sua massa associativa que não esperava um começo tão forte e convincente da sua equipa.
A equipa leonina alinhou num sistema tático em 4x3x3, tendo o seu técnico Jimmy Hagan apostado num futebol de cariz ofensivo, com uma frente atacante de 3 jogadores. Vejamos a constituição da equipa: Conhé; Inácio, Laranjeira (cap.), José Mendes e Da Costa; Vítor Gomes, Fraguito e Baltasar; Manoel, Manuel Fernandes e Keita. A única substituição ocorrida foi a saída de Vítor Gomes para dar entrada a Camilo, aos 55 minutos de jogo.
Na edição de 5ª feira (9 de Setembro) do jornal "A Bola", aparecia publicada a já habitual e indispensável caricatura de Francisco Zambujal, aludindo precisamente ao resultado do "derby" do fim de semana anterior. Para tal, o talentoso e genial artista recorreu aos dois treinadores ingleses dos 2 clubes rivais para retratar a vitória do Sporting sobre o Benfica.
Jimmy Hagan prega uma partida a John Mortimore, rasteirando o seu compatriota.

À semelhança do ocorrido há 37 anos, também esta época o Sporting entrou muito forte no campeonato, liderando a prova decorridas que estão duas jornadas. O tão ansiado e emocionante "derby" chega, desta vez, à 3ª jornada e todos os adeptos e sócios leoninos esperam e desejam que o Sporting confirme neste jogo tudo aquilo que de bom fez até agora, continuando na senda das boas exibições, mas que, sobretudo, vença a partida, pois tal significaria um avanço de 6 pontos sobre o seu rival da 2ª circular.
Para além desse avanço já significativo que se estabeleceria entre os dois clubes, essa vitória daria ainda mais motivação à jovem equipa leonina, permitindo-lhe igualmente continuar na liderança do campeonato. 
À partida, não se espera que, desta vez, o Sporting vença por 3-0 como há 37 anos, mas todos nós sabemos como os resultados dos "derbies" são imprevisíveis, não havendo, muitas vezes, qualquer lógica em termos daquilo que seria de esperar, tendo em conta a prestação recente das duas equipas. É, pois, sempre difícil prever aquilo que vai acontecer em termos do resultado final de uma partida deste género, embora se possa especular acerca do momento de forma atual das duas equipas e, nesse aspeto particular, pensamos que o Sporting está mais forte e que tem maior probabilidade de vencer o jogo. Se fosse por 3-0, seria "ouro sobre azul", mas basta uma vitória mesmo por um golo de diferença, se possível aliada a um grande espetáculo de futebol, com correção e "fair play" dentro e fora das quatro linhas e, claro, com uma boa exibição do Sporting.

domingo, 25 de agosto de 2013

Sporting conquista pela terceira vez a Supertaça de Andebol (SCP - 33 / F.C. Porto - 32).


Ontem, dia 24 de Agosto de 2013, o Sporting conquistou a Supertaça de Andebol vencendo, na final realizada em Viseu, o F.C. Porto, por 33-32, após prolongamento (28-28 no final do tempo regulamentar). Trata-se da terceira Supertaça conquistada pelo andebol leonino, após as vitórias referentes às épocas de 1997/98 e 2001/02, curiosamente também alcançadas diante do F.C. Porto.

Supertaça (época 1997/98).  

Supertaça (época 2001/02).

Supertaça (época 2013/14).

A conquista da Supertaça dá assim sequência à anterior conquista da Taça de Portugal, obtida no final da época anterior, igualmente, diante dos pentacampeões nacionais, por 30-28, e, igualmente, após prolongamento (25-25, no final do tempo regulamentar).
Aliás, começam a ser uma constante, nos últimos anos, as vitórias suadas e sofridas do Sporting diante do F.C. Porto, em finais bastante renhidas e disputadas até ao último segundo, quer a contar para a Taça de Portugal, quer a contar para a Supertaça, tendo de recorrer-se frequentemente a um prolongamento para encontrar o vencedor.
Com a conquista do troféu de ontem, o Sporting consolidou a sua liderança como o clube com o mais rico palmarés do andebol nacional, elevando para 37 o número de competições/títulos conquistados até hoje, distribuídos da seguinte forma: 19 Campeonatos Nacionais, 14 Taças de Portugal, 3 Supertaças e uma Taça Challenge (único clube português detentor de um troféu europeu). Atrás do Sporting, vem o F.C. Porto, com menos 4 troféus, isto é, com 33 troféus (18 Campeonatos Nacionais, 7 Taças de Portugal, 5 Supertaças e 3 Taças da Liga).
A equipa de andebol leonina inicia, assim, da melhor forma a nova temporada, para a qual parte com ambições e expectativas redobradas no que diz respeito à luta pelo título de campeão nacional, o seu principal objetivo para a presente época, o qual lhe escapa desde a época de 2005/06.
Para tal, o andebol leonino vai continuar a contar com a excelente dupla constituída por Frederico Santos (treinador) e Fernando Nunes (diretor desportivo), que tão boas provas têm dado até agora, dispondo, igualmente, de um plantel de grande qualidade que vai tentar quebrar a hegemonia portista dos últimos 5 anos na principal competição do andebol nacional.
Taça Challenge (2010).

Taça de Portugal (2012).

Taça de Portugal (2013).

Os triunfos alcançados pelo andebol leonino nas últimas épocas (Taça Challenge, em 2010, Taça de Portugal, em 2012 e 2013, Supertaça, em 2013) mostram que, apesar dos constrangimentos financeiros e consequentes reduções orçamentais verificadas em diversas modalidades, constata-se que, no que diz respeito ao andebol, o clube tem vindo a fazer um esforço considerável no sentido de continuar a apostar, época após época, num projeto de progressiva consolidação e reforço das sua equipas seniores, tendo em vista atacar, no mais curto período de tempo possível, o título nacional e, quem sabe, voltar a conquistar uma competição europeia (competindo, este ano, na Taça EHF).

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Há 30 anos atrás, vitória leonina também por 5-1 na jornada inaugural do Campeonato Nacional (época 1983/84).

A propósito da vitória do Sporting por 5-1, diante do Arouca, ocorrida no passado fim de semana, em jogo a contar para a primeira jornada do Campeonato Nacional da nova época futebolística 2013/14, o Armazém Leonino recorda hoje uma outra vitória leonina, também por 5-1 e, igualmente, verificada na jornada inaugural, mas do Campeonato Nacional da temporada de 1983/84.
Com efeito, vai agora fazer 30 anos que o Sporting arrancou uma goleada por 5-1 diante do Penafiel, a 27 de Agosto de 1983, no Estádio José Alvalade, em jogo a contar para a primeira jornada do campeonato, o qual assinalou, igualmente, a estreia de Paulo Futre na equipa sénior leonina. E que estreia, meus senhores!


Paulo Futre: Uma época de "leão ao peito"
de uma jovem "estrela" de 17 anos.

Ao intervalo verificava-se um empate 0-0. Após uma primeira parte dececionante, em que o ataque se havia revelado inoperante e as oportunidades de golo infrutíferas, o então treinador checoslovaco, Jozef Venglos, decidiu arriscar mais no ataque, apostando numa jovem promessa de 17 anos. O Sporting precisava de marcar golos e de reforçar e alargar a linha avançada. Assim, no recomeço da partida, Futre rende Festas e em apenas 45 minutos o génio e o talento do jovem esquerdino do Montijo soltam-se pelo campo, mudando por completo o cariz do jogo. Jogando bem aberto sobre o flanco esquerdo, as suas arrancadas demolidoras e dribles desconcertantes desbaratam por completo a defesa penafidelense, contribuindo, e de que maneira, para a goleada leonina. Com apenas 17 anos, Futre assinava uma fantástica exibição e uma estreia auspiciosa, confirmando plenamente o seu enorme talento, augurando-se-lhe um futuro promissor pela frente. Nessa época, a única que realizou, como sénior, com a camisola leonina, o genial esquerdino efetuou 28 jogos tendo marcado 3 golos. Infelizmente para o Sporting, na época seguinte Futre ingressaria no F.C. Porto, para nunca mais voltar ao clube que o formou e projetou para o estrelato.


Equipa leonina que iniciou a partida com o Penafiel.
Em cima (da esquerda para a direita): Zezinho, Jordão, Festas, Virgílio, Gabriel e Oliveira.
Em baixo (mesma ordem): Lito, Carlos Xavier, Manuel Fernandes (cap.), Katzirz e Romeu.

Recordemos a equipa leonina que alinhou no jogo de estreia do campeonato da época de 1983/84, diante do Penafiel: Katzirz; Gabriel, Zezinho, Virgílio e Carlos Xavier; Lito, Festas e Romeu; Manuel Fernandes (cap.), Oliveira e Jordão. Ao intervalo, Futre rendeu Festas e aos 77 minutos, o avançado brasileiro Jason rendeu Carlos Xavier. Manuel Fernandes (55 e 86 minutos) e Jordão (74 e 90 minutos) marcaram, cada qual, por duas vezes, tendo Virgílio (72 minutos) apontado o outro golo. Que saudades desta equipa leonina quase 100 por cento portuguesa, sendo a exceção o guarda redes húngaro Katzirz!
Recuando aos jogos de estreia do Sporting no Campeonato Nacional dos últimos 50 anos, atuando na condição de visitado, verificamos que não houve muitas vitórias por 4 ou mais golos de diferença como a registada diante do Arouca (5-1) no passado fim de semana. A título de curiosidade, registámos as goleadas obtidas em casa pelo Sporting, na jornada inaugural, entre as épocas de 1963/64 e 2013/14 e constatámos que ocorreram apenas em 5 ocasiões. Vejamos as respetivas temporadas:

- 1968/69: Sporting - 5 / Varzim - 0; (5º classificado)
- 1969/70: Sporting - 4 / Braga - 0; (campeão nacional)
- 1983/84: Sporting - 5 / Penafiel - 1; (3º classificado)
- 1985/86: Sporting - 6 / Penafiel - 0; (3º classificado)
- 2013/14: Sporting - 5 / Arouca - 1.

Destas 5 "entradas de leão", uma conduziu o Sporting ao título de campeão nacional, na época de 1969/70. Após uma temporada para esquecer, na qual obteve a pior classificação de sempre do seu historial de presenças no Campeonato Nacional (7º lugar), para a presente época espera-se e deseja-se que o Sporting tenha um melhor desempenho e obtenha uma classificação mais consentânea com os pergaminhos, historial e grandeza do clube.
A avaliar pelas primeiras impressões e exibições deixadas pela equipa leonina nos jogos particulares de pré-época, na Taça de Honra, no troféu "Cinco Violinos" e na primeira jornada do Nacional, as perspetivas são deveras animadoras e as expectativas elevadas quanto à realização de uma boa temporada. Quando falamos numa boa época, estamos a referir-nos à conquista de, pelo menos, uma das competições em que o Sporting vai estar envolvido: Campeonato Nacional, Taça de Portugal e Taça da Liga.
Com efeito, a qualidade da "matéria prima" posta à disposição do técnico Leonardo Jardim leva-nos a acreditar que é possível lutar por todos os troféus em disputa, quase no mesmo pé de igualdade, com o F.C. Porto, Benfica e Braga. Para a presente temporada, o Sporting dispõe, de facto, de um plantel de grande qualidade, com diversas opções válidas, as quais são garante de polivalência, versatilidade, equilíbrio e consistência para as várias posições dentro do campo e entre os diversos setores da equipa.
Na verdade, o Sporting dispõe de um conjunto bastante apreciável de jovens jogadores de enorme capacidade e potencial futebolísticos, aliados a uma grande margem de progressão, como são os casos de Cedric, Eric Dier, Nuno Reis, Tiago Ilori (?), Fokobo, Ruben Semedo, Ricardo Esgaio, Welder, João Mário, Iuri Medeiros, Chaby, Betinho, Zezinho, Bruma (?), William Carvalho, Wilson Eduardo, Adrien, André Martins, Cissé e Carrillo. Alguns destes jovens não são apenas promessas, já são uma certeza. Aliados a esta juventude, o plantel leonino conta ainda com jogadores mais velhos e experientes que conferem maturidade, estabilidade e equilíbrio à equipa, como Rui Patrício, Maurício, Rojo, Jefferson, Rinaudo, Diego Capel, André Santos, Gerson Magrão, Fredy Montero e Slimani.
Leonardo Jardim e a sua equipa não podem nem devem prometer o título, mas podem e devem prometer lutar, até à exaustão e até à última gota de suor, pela vitória em todas as jornadas, qualquer que seja o campo ou o adversário. O que todos os sportinguistas esperam e exigem é que os jogadores leoninos dignifiquem a camisola que envergam e respeitem o emblema que representam, dando tudo de si em campo, "deixando a pele em campo" ou "comendo a relva" como se costuma dizer. No fundo, que façam jus ao lema do clube: Esforço, dedicação, devoção e glória. O Sporting pode contar com o seu 12º jogador: os seus fiéis e dedicados adeptos, os melhores do Mundo!

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Sporting conquista o 1º troféu da época (2013/14): a 30ª Taça de Honra (AFL) da sua História.

 
O Sporting conquistou ontem, dia 21 de Julho, diga-se de forma justa e brilhante, o 1º troféu da época 2013/14, mais concretamente, a 65ª edição da Taça de Honra da AFL, competição quase centenária, cuja 1ª edição se realizou em 1914, tendo tido também o Sporting como vencedor.
Ao longo dos anos a prova foi sofrendo várias interrupções, a última das quais em 1993, ano em que teve o Belenenses como clube vencedor. Após um longo interregno de 20 anos, eis que esta época a Taça de Honra regressa ao panorama futebolístico nacional, por iniciativa do seu organizador, a Associação de Futebol de Lisboa.
O Sporting é o clube com mais vitórias nesta competição, tendo conquistado ontem a 30ª Taça de Honra da sua História, encontrando-se a uma grande distância dos restantes clubes que também já venceram a prova: Benfica (19 vitórias), Belenenses (12 vitórias), Vitória Futebol Clube (duas vitórias), Casa Pia (uma vitória) e Império (clube já extinto; uma vitória). A última conquista deste troféu pelo Sporting remontava à já longínqua época de 1991/92.
 
Os jovens e bravos "leões" erguem o tão ambicionado troféu.
 
Tradicionalmente, a Taça de Honra reúne os 4 clubes de Lisboa melhor classificados no Campeonato Nacional da época anterior, tendo este ano a competição sido disputada entre o Benfica (2º classificado), o Estoril (5º classificado), o Sporting (7º classificado) e o Belenenses recém-regressado ao escalão maior do futebol português. O local escolhido pela organização para a realização da competição foi o Estádio António Coimbra da Mota, campo de jogos do Estoril. Os dois primeiros jogos apuraram os finalistas da prova. Coube em sorte ao Sporting defrontar o Benfica e ao Estoril defrontar o Belenenses. O Sporting e o Estoril garantiram o acesso à final, a disputar no dia seguinte, ao derrotarem os seus adversários, respetivamente, por 2-1 e 3-0.
Na final realizada ontem à noite, o Sporting acabou por ser mais feliz, derrotando o Estoril na marcação de grandes penalidades (7-6), após se ter registado um empate (3-3) no final do tempo regulamentar. Diga-se em abono da verdade que se assistiu a um grande jogo de futebol e a um belo espetáculo de propaganda da modalidade. Só a assistência é que ficou aquém do esperado, pois o jogo da final merecia ter sido presenciado por uma moldura humana condizente com o excelente futebol praticado pelas duas equipas.
Aliás, quem não teve oportunidade ou não quis ver este jogo, ao vivo ou pela televisão, não sabe o que perdeu, pois assistiu-se, de facto, a um grande espetáculo de futebol, bem jogado, com ritmo, intensidade, emoção e incerteza no resultado, do primeiro ao último minuto da partida. O Sporting adiantou-se cedo no marcador, mas o Estoril reagiu bem, marcando 2 golos quase de seguida, perto da meia hora de jogo. No início da 2ª parte, o Estoril dilatou a vantagem para 3-1 e pensava-se que o Sporting já não conseguiria recuperar desta desvantagem de 2 golos. Mas, à entrada do último quarto de hora, assistiu-se a uma surpreendente e notável reação da jovem equipa leonina, que ainda teve forças, arte e engenho para marcar 2 golos, empatando a partida e levando a decisão da final para os pontapés da marca de grande penalidade. Aí o Sporting foi mais eficaz e mais feliz. Mas a sorte também se procura e os jovens jogadores leoninos fizeram tudo para merecê-la, deixando uma marca de muita qualidade e talento ao longo da competição.
 
Os festejos efusivos e a consagração justa de uma jovem e brilhante equipa.
 
Apesar do Sporting se ter feito representar pela sua equipa B, esta esteve perfeitamente à altura das responsabilidades e exigências, tendo até superado as melhores expectativas.
Com efeito, esta jovem equipa mostrou um grande entrosamento entre os vários setores, um modelo de jogo bem assimilado, adulto e competitivo, uma grande atitude em campo, feita de raça, querer e união entre todos os jogadores, para além de ter revelado um conjunto de jovens jogadores de enorme potencial técnico, tático, físico, com forte mentalidade e estofo competitivos e, consequentemente, com elevada margem de progressão no futuro.
A escola de formação do Sporting está, pois, de parabéns, pois continua a formar jogadores de grande categoria, os quais, a curto prazo, poderão ingressar no plantel principal do Sporting, acrescentando a este muita qualidade e juventude e, sobretudo, um leque alargado de opções válidas para várias posições dentro do campo. Na verdade, há jogadores que estão na forja para poderem entrar já nesta época no plantel principal leonino: Nuno Reis, Fokobo, Ricardo Esgaio, João Mário, Betinho e Iuri Medeiros (a grande revelação da prova).
Esperamos e desejamos que este troféu tão brilhantemente conquistado pela equipa B leonina sirva de inspiração e de motivação para vitórias e conquistas futuras por parte da equipa principal, nomeadamente, nas restantes competições da temporada: Campeonato Nacional, Taça de Portugal e Taça da Liga.
Existem razões para acreditar que com o atual plantel, rico em quantidade e qualidade, quer de jogadores jovens, quer de jogadores mais experientes, e sob a orientação técnica do ambicioso treinador Leonardo Jardim, já com provas dadas do seu valor, o Sporting pode lutar por todas as provas em que vai estar envolvido durante a temporada que se avizinha.
 
 
 

domingo, 23 de junho de 2013

Época memorável para o futsal leonino: Dobradinha (Campeonato Nacional e Taça de Portugal) com recorde de pontos!

 
Com a vitória, por 3-1, diante do Benfica, no 4º jogo do play-off (à melhor de cinco), o Sporting conquistou hoje o seu 11º título de campeão nacional de futsal, culminando uma época a todos os títulos memorável para a equipa leonina.
O caminho percorrido por esta equipa até chegar ao play-off foi, de facto, fantástico e digno dos maiores elogios e admiração. Ainda na fase regular o Sporting bateu o recorde de pontos conquistados por uma equipa, mais concretamente, 75 pontos. Com efeito, nunca uma equipa tinha alcançado tantos pontos na fase regular da prova, tendo o Sporting ultrapassado a marca alcançada pelo Benfica na época passada que era de 72 pontos.
 
 
Este recorde de 75 pontos foi resultante de uma caminhada irresistível e imparável de uma equipa extraordinária que, para além da excelência das suas exibições e de se ter revelado numa autêntica máquina de fazer golos, praticou um futsal espetacular e eficaz, arrasando qualquer adversário que lhe apareceu pela frente, com uma única exceção. Na verdade, dos 26 jogos realizados na fase regular, o Sporting venceu 25, sendo apenas derrotado uma vez, diante do Rio Ave.
 
 
Esta equipa leonina que já é considerada justamente a melhor equipa da história do futsal português terminou ainda a fase regular com mais 16 pontos que o 2º classificado, o Benfica, cujo adversário venceu nas duas vezes que se defrontaram, quer no pavilhão de Odivelas, quer no pavilhão da Luz.
O Sporting voltou agora a encontrar o Benfica no play-off, tendo ao cabo de 4 jogos assegurado a conquista do título, com 3 vitórias alcançadas (5-1, 4-2 e 3-1) e uma derrota (no desempate por grandes penalidades), após empate (3-3) no prolongamento.
Já antes, o Sporting havia conquistado a Taça de Portugal, vencendo na final o Sporting de Braga pelo concludente resultado de 7-1.
 
 
O balanço final em números desta época fantástica é então o seguinte: 39 jogos efetuados que se saldaram em 37 vitórias, uma derrota (1-3, em casa, diante do Rio Ave) e um empate (3-3, em casa, no 2ºjogo do play-off, diante do Benfica). São de factos números que impressionam e que demonstram o elevado nível e a enorme qualidade atingidas por esta equipa durante a época que agora termina, a qual é já a melhor de sempre da história do futsal leonino e inclusivamente do futsal português!
 
E que dizer ainda do feito histórico e inigualável até hoje alcançado pelo Sporting ao sagrar-se campeão de futsal em todos os escalões: seniores, juniores, juvenis, iniciados, infantis e benjamins. Que proeza extraordinária e inesquecível!
 
 
O Armazém Leonino felicita efusivamente todos os elementos integrantes da secção de futsal leonino pela extraordinária temporada realizada e, em particular, saúda o jovem e talentoso treinador Nuno Dias e o fantástico plantel leonino (Cristiano, Paulinho, Deo, João Matos, Caio Japa, Divanei, Alex, Leitão, Djo, Marcelinho, Pedro Cary,...) liderado pelo grande e eterno capitão João Benedito (coração de "leão"!), o melhor guarda-redes português de futsal de sempre, estatuto esse, uma vez mais, amplamente demonstrado nos 4 jogos do play-off, nos quais com excelentes defesas e corajosas intervenções foi decisivo para as 3 vitórias e consequente conquista do seu 7º título pessoal de um total de 11 conquistados pelo Sporting.
O Armazém Leonino faz igualmente votos para que esta direção leonina e, em particular, o seu presidente, Bruno de Carvalho, continue a acarinhar e a apoiar esta modalidade, mantendo este fantástico grupo de trabalho e reforçando ainda mais, se possível, a aposta neste lindo projeto, tendo em vista o próximo grande objetivo que será a conquista da Liga dos Campeões de futsal, o único troféu que falta conquistar por esta equipa e que seria a "cereja no topo do bolo" e o culminar brilhante da carreira de alguns destes jogadores.

domingo, 21 de abril de 2013

Recordações de um Benfica - Sporting (época 1986/87) com mais de 25 anos!




Realiza-se esta noite, no Estádio da Luz, mais um Benfica - Sporting a contar para a 26ª jornada do campeonato nacional, considerado, muito justamente, o "derby dos derbies" do futebol português, precisamente o 79º da história destes emocionantes e inesquecíveis confrontos, tendo o Benfica como clube visitado. Nas anteriores 78 partidas disputadas entre os eternos rivais lisboetas, há a registar 43 vitórias do Benfica, 21 empates e 14 vitórias do Sporting, com 159 golos marcados pelas "águias" e 100 golos marcados pelos "leões". A título de curiosidade, refira-se ainda que a distância pontual que separa atualmente Benfica (1º classificado) e Sporting (7º classificado) é a maior de sempre em toda a história do campeonato nacional, mais concretamente, 34 pontos!
No entanto, todos sabemos que nestes derbies Benfica - Sporting ou Sporting - Benfica o resultado é sempre imprevisível, tendo as estatísticas um peso muito relativo, quase simbólico, não passando, muitas vezes, de meras curiosidades. Quantas vezes a equipa que se encontra em pior momento de forma não se transcende e surpreende o adversário teoricamente mais forte e favorito, fazendo com que as previsões saiam completamente furadas? O ambiente que rodeia estes jogos é único e especial, os jogadores sabem a importância que estes jogos têm, quer para o clube que defendem, quer para os adeptos, quer para eles próprios, pois estes derbies fazem "parar o país", movimentam milhões de espetadores (ao vivo ou pela televisão), constituindo uma autêntica montra para os próprios futebolistas poderem mostrar o seu real valor.
A propósito deste 79º derby Benfica - Sporting a contar para o campeonato nacional, recordo hoje um dos treze "Benfica - Sporting" a que assisti consecutivamente ao vivo (entre 1979/80 e 1991/92) no antigo Estádio da Luz, mais concretamente, o derby da época de 1986/87, no qual o Benfica, ao derrotar o Sporting por 2-1, se sagrou, a uma jornada do fim, campeão nacional.
Enchente no Estádio da Luz para mais um "derby"
entre os eternos rivais.
Com efeito, passaram já 25 anos (é incrível como o tempo voa, parece que foi ontem!) daquele jogo, realizado a 24 de Maio a contar para a 29ª e penúltima jornada do campeonato nacional. Que saudades eu tenho dos derbies disputados aos domingos à tarde, com o estádio completamente cheio, como foi o caso deste Benfica-Sporting que hoje recordo aqui!
O Benfica entrou muito forte no jogo, disposto a marcar cedo, pois sabia que se o fizesse ganharia motivação extra para o resto da partida, uma vez que a vitória lhe daria o título nacional. E de facto, o jogo não poderia ter começado melhor para a equipa benfiquista, pois com 25 minutos decorridos já vencia por 2-0, com os golos a serem apontados pelo brasileiro Chiquinho Carlos (17 minutos) e Nunes (25 minutos). A partir daí, o Benfica abrandou o ritmo e passou a controlar o jogo de forma mais pausada e serena, não permitindo, por outro lado, que o Sporting reagisse de forma a causar perigo para a sua baliza.
Uma das equipas-tipo do Sporting (época 1986/87).
Em cima (da esquerda para a direita): Venâncio, Oceano, Duílio,
Gabriel, Meade e Damas.
Em baixo (mesma ordem): Fernando Mendes, Zinho, Manuel Fernandes (cap.),
Negrete e Mário.
Na 2ª parte, não tendo nada a perder, o Sporting arriscou mais, procurando reduzir a desvantagem, mas só aos 70 minutos conseguiu marcar por intermédio de Mário Jorge que entrara precisamente, no decorrer da 2ª parte (58 minutos), rendendo Morato. No final da 1ª parte (43 minutos) também Litos havia entrado para o lugar de Marlon. Até final do encontro, o Sporting continuou a pressionar, colocando mais jogadores na frente de ataque, procurando chegar assim à igualdade, mas o Benfica defendia-se bem e contra-atacava sempre com perigo, colocando a defensiva leonina em constante sobressalto. Chegou-se ao final da partida com o resultado em 2-1 favorável ao Benfica que conquistava assim mais um título de campeão nacional, quando ainda havia uma jornada para disputar. O Sporting acabaria por terminar o campeonato num modesto 4º lugar, a 11 pontos do campeão nacional.

Mário Jorge, marcador do golo leonino.
Recordemos a equipa leonina que, sob a orientação do técnico inglês Keith Burkinshaw, alinhou há quase 26 anos neste derby de 1987: Damas; João Luís, Duílio, Venâncio e Virgílio; Morato; Marlon, Mário e Silvinho; Manuel Fernandes (cap.) e Houtman. Oceano e Meade, que se encontravam lesionados, foram as grandes baixas na equipa leonina para este derby, sendo rendidos nas suas posições, respetivamente, por Morato e Marlon, que, no entanto, tiveram um rendimento aquém das expectativas, não conseguindo fazer esquecer os seus companheiros.
Caricatura alusiva ao derby Benfica - Sporting da época de 1987.

Na capa da edição de sábado do jornal "A Bola", de 23 de Maio de 1987, aparecia publicada a já imprescindível e insubstituível caricatura da autoria de Francisco Zambujal, em jeito de antevisão do derby. Nela podemos ver os dois treinadores ingleses dos rivais lisboetas em diferentes situações perante o confronto que se avizinha. Mortimore a nadar vigorosamente para chegar à praia onde o aguarda o tão ambicionado troféu e Burkinshaw de guarda ao mesmo, tentando impedir os intentos do seu compatriota. Que saudades também destas caricaturas que foram durante muitos anos uma imagem de marca quer do jornal, quer destes derbies e clássicos do futebol português!

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Recordações de um Sp. Braga - Sporting (época 2004/05).

Realiza-se esta noite mais um Sporting de Braga - Sporting, jogo que encerra a 24ª jornada da Liga, e a propósito deste encontro o Armazém Leonino recorda hoje uma outra partida disputada por estas duas equipas, vai fazer, exatamente daqui a um mês, 8 anos.
Com efeito, na época de 2004/05, a 1 de Maio de 2005, em jogo a contar para a 31ª jornada do Campeonato Nacional, o Sporting deslocou-se a Braga, vencendo categoricamente a equipa bracarense por um concludente 3-0.
Como curiosidade, refira-se que os atuais técnicos do Sporting de Braga e do Sporting, respetivamente, José Peseiro e Jesualdo Ferreira, foram os mesmos que se defrontaram há 8 anos atrás, mas na altura encontravam-se em campos opostos, isto é, José Peseiro era o treinador dos "leões", enquanto Jesualdo Ferreira era o treinador dos "arsenalistas"!
Outra curiosidade diz respeito a dois jogadores atualmente titulares indiscutíveis do Sporting de Braga, mais concretamente, os médios Custódio e Hugo Viana, os quais nesse jogo de 1 de Maio de 2005 defendiam a camisola leonina, tendo também alinhado de início.
"Tripinilla", o "herói" chileno do
Sp. Braga - 0/ Sporting - 3.

Para além destas duas curiosidades que acabamos de destacar, o jogo de há 8 anos atrás teve a assinalá-lo um outro facto especial e digno de registo que foi a vitória do Sporting por 3-0, com um "hat-trick" da autoria de um "herói" improvável, o ponta de lança chileno Pinilla, que até então tinha passado pouco menos do que despercebido pela equipa leonina. Na verdade, este jogo acabou por se tornar na tarde de glória de Pinilla com a camisola leonina e, consequentemente, o momento mais marcante da sua passagem fugaz e discreta pelo Sporting. Os 3 golos da autoria do avançado chileno foram todos marcados na 2ª parte da partida, no curto espaço de 21 minutos, mais especificamente, aos 57, 63 e 78 minutos.
Registe-se a título de curiosidade a equipa que o Sporting fez alinhar neste encontro: Ricardo; Miguel Garcia, Enakarhire, Beto (cap.) e Paíto; Custódio, João Moutinho, Hugo Viana e Tello; Pinilla e Niculae. Já no decorrer da 2ª parte, José Peseiro efetuou 3 substituições: Hugo para o lugar de Enakarhire, Rochemback para o lugar de Hugo Viana e Pedro Barbosa para o lugar de João Moutinho. Destes 14 jogadores que disputaram este jogo, não resta nenhum no atual plantel leonino, mas ainda jogam atualmente no campeonato português o defesa Hugo (Beira Mar), João Moutinho (F.C. Porto) e os já mencionados Custódio e Hugo Viana que hoje vão defrontar a sua ex-equipa com a camisola "arsenalista".
Equipa-tipo leonina (época 2004/05).
Em cima (da esquerda para a direita): Polga, Custódio, Enakarhire,
Pedro Barbosa, Hugo Viana e Tiago.
Em baixo (mesma ordem): Rochemback, Rogério, Paíto, Sá Pinto e Liedson.
 
Há 8 anos, foi José Peseiro que festejou e o Sporting foi feliz. Hoje desejamos naturalmente que o Sporting volte a ser feliz e que, desta vez, seja Jesualdo Ferreira a festejar a vitória, pois tal seria sinal de que o Sporting teria dado mais um passo importante rumo ao objetivo europeu, ficando somente a 3 pontos de distância do 5ºclassificado (Marítimo). Não pedimos à equipa leonina que vença novamente por 3-0, só pedimos que vença, mesmo que pela diferença mínima, e se à vitória puder acrescentar uma boa exibição tanto melhor!