sábado, 16 de março de 2013

João Rocha (1930 - 2013): Um presidente para a eternidade!

Festejos em família (João Rocha com os seus 3 filhos) pela conquista
da Taça dos Campeões Europeus de Hóquei em Patins (1977).

O Armazém Leonino curva-se respeitosa e saudosamente perante a memória de João Rocha, histórico presidente do Sporting durante 13 anos (1973 - 1986), recentemente falecido aos 82 anos, vítima de doença prolongada. Muito se escreveu e falou nestes últimos dias sobre João Rocha, a propósito do seu desaparecimento do "mundo dos vivos", tendo este sido, muito justamente, alvo de homenagens póstumas, recordações, análises, comentários e opiniões da vasta família sportinguista, mas igualmente de muita gente ligada ao desporto e, em particular ao futebol, mas não só, relativamente à sua vida e obra e ao legado que deixa para a posteridade.
Com efeito, a passagem de João Rocha pela presidência leonina deixou fortes marcas no clube, marcas estas que o tempo jamais apagará da memória de todos quantos viveram aqueles anos inesquecíveis, e a sua obra ficará eternamente perpetuada na história do Sporting, cujo clube serviu com inexcedível esforço, dedicação, devoção e glória durante 13 anos.
Troca de galhardetes entre João Rocha e o
presidente do Benfica, Borges Coutinho.
(caricatura da autoria de Francisco Zambujal, in jornal "A Bola")
 
Como adepto desde sempre do Sporting e sócio há já 25 anos, só lamento que João Rocha, por motivos de saúde, não tivesse podido em 1986 continuar por muitos mais anos à frente dos destinos do Sporting, pois foi durante a sua presidência (a de mais longa duração da história leonina) que o Sporting se afirmou definitivamente como a maior potência desportiva nacional e o clube mais eclético de Portugal. Foi, de facto, uma grande perda para o clube e para toda a família leonina o abandono de João Rocha, pois o Sporting não mais voltaria a ser como dantes, sobretudo, no que diz respeito à quantidade de títulos conquistados daí em diante comparativamente aos alcançados nos seus 13 anos de presidência.
João Rocha foi um presidente visionário, sempre à frente do seu tempo, com ideias avançadas relativamente à gestão profissional e moderna de um clube de futebol. Simultaneamente, tinha consciência que a grandeza do Sporting seria tanto maior, quanto mais apoiantes, sócios e adeptos tivesse e mais atletas houvesse a praticar o maior número de modalidades desportivas. Com efeito, na sua opinião, a força do Sporting e aquilo que o poderia distinguir e fazer distanciar-se dos seus rivais (Benfica e F.C. Porto), estava na aposta que deveria ser feita nas diversas modalidades e não apenas no futebol, onde apesar de tudo haveria de conquistar 3 Campeonatos Nacionais (1973/74, 1979/80 e 1981/82), 3 Taças de Portugal (1973/74, 1977/78 e 1981/82), finalista vencido em 1978/79, e uma Supertaça (1982/83).
Passagem de testemunho entre João Rocha e Amado de Freitas:
chegavam ao fim os 13 anos de João Rocha na presidência leonina.
(Caricatura da autoria de Francisco Zambujal, in jornal "A Bola")

Este seu sonho e ideal viria a concretizar-se plenamente durante os seus 13 anos de vigência presidencial do Sporting, traduzindo-se em números impressionantes: mais de 1200 troféus (1210 títulos nacionais e 52 Taças de Portugal) conquistados em diversas modalidades, mais de 15 000 atletas praticantes de 22 modalidades, com destaque para o futebol, atletismo, andebol, hóquei em patins, basquetebol e ciclismo; entre 1973 e 1986 o número de sócios ultrapassou a barreira dos 100 000, chegando aos 105 000 sócios.
Foi durante o seu consulado que se procedeu a uma série de melhorias no Estádio José Alvalade, nomeadamente, com a construção, em 1984, da Bancada Nova em substituição do velhinho peão, a construção de uma pista de tartan, dois campos de treino relvados, ginásios e pavilhões polivalentes de apoio à prática das modalidades ditas amadoras, com destaque para a Nave de Alvalade.
Troca de presentes entre João Rocha e o presidente do
 Benfica, Fernando Martins.
(caricatura da autoria de Francisco Zambujal, in jornal "A Bola")
 
Foi também durante a sua presidência que se construiu, em 1976, o célebre Pavilhão de Alvalade onde o Sporting viveria, ao longo de uma década, grandes momentos de euforia e exaltação clubísticas, conquistando vitórias e títulos no andebol, basquetebol e hóquei em patins, com destaque, nesta última modalidade, para as 4 conquistas europeias (Taça dos Campeões Europeus em 1977, Taça CERS em 1984 e duas Taças das Taças em 1981 e 1985).  Foi já no final do seu último mandato à frente do Sporting que se assistiu, em 1986, à demolição deste histórico pavilhão, devido às obras do Metro do Campo Grande.
Como presidente do Sporting, João Rocha viria a chefiar várias comitivas a diversos países de 4 continentes, à África Lusófona (Angola e Moçambique), à Europa, aos Estados Unidos da América (promovendo o contacto com a comunidade emigrante portuguesa aí radicada) e à Ásia, destacando-se de entre todas elas, a visita à China, em 1978, naquela que foi a primeira comitiva de um clube português àquele país, inaugurando com essa visita uma nova era de relações entre os dois povos.
Capa do livro "João Rocha - Uma vida".
(Biografia da autoria de Alfredo Farinha)

João Rocha foi, de facto, o "presidente dos presidentes" e, para mim, o maior da História do Sporting e do dirigismo desportivo em Portugal. Muito mais haveria para escrever e dizer sobre João Rocha. Penso, no entanto, que o essencial ficou dito, pelo menos para a geração mais nova de sportinguistas que desconhece ou conhece pouco a respeito de João Rocha.
Para todos os sportinguistas e amantes do desporto em geral, e mesmo para aqueles que não são do Sporting, aconselho a leitura de um livro ("João Rocha - Uma vida") de 1996, que retrata e descreve na perfeição a vida e a obra de João Rocha. O autor desta biografia é o saudoso Alfredo Farinha, histórico jornalista do jornal "A Bola", fantástico escritor e cronista, que deixou nas páginas daquele jornal as mais belas crónicas e prosas que alguma vez li sobre futebol.
Para mim, Alfredo Farinha foi uma das mais brilhantes "penas" do jornalismo desportivo português, sendo amplamente reconhecidos o seu talento narrativo e literário, traduzidos numa escrita "límpida, suave e fresca", com um grande rigor e clareza gramatical e linguística, digna dos maiores elogios e admiração. Confesso que o meu gosto pela leitura e pela escrita foi influenciado, estimulado e desenvolvido pela leitura das centenas de crónicas e comentários deste "monstro" do jornalismo português que tive o prazer de ler naquelas páginas em formato grande do jornal "A Bola", nas décadas de 70 e de 80. Leiam o livro que vale a pena e tenho a certeza que darão por muito bem empregue esse tempo.
Aqui ficou o tributo e homenagem póstuma do Armazém Leonino ao presidente de todos os sportinguistas, João Rocha. Paz à sua alma e que descanse em paz.
 

1 comentário:

Bruno Gomes disse...

Este era o presinente que o scp merecia e devia ter. Que descanse em paz e sirva de inspiração aos candidatos.
Leiam os me argumentos e digam quem é o vosso eleito.

http://palavrasaoposte.wordpress.com/2013/03/18/esmiucar-o-sufragio-leonino/