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sexta-feira, 5 de março de 2010

Belenenses - 2 / Sporting - 2 (1954/55): O "derby" mais triste da história do clube da "Cruz de Cristo" e de João Martins

Os jogos "Belenenses-Sporting" ou "Sporting-Belenenses" constituem, pela sua grandeza, importância e antiguidade históricas, um dos maiores "derbies" do futebol português e, em particular, da cidade de Lisboa, tendo muitos dos confrontos, entre o clube do Restelo e o clube de Alvalade, ficado na História do Campeonato Nacional da 1ª Divisão.
A propósito da partida "Belenenses-Sporting" do próximo domingo (7 de Março), o Armazém Leonino recorda hoje, precisamente, um desses "derbies" históricos e memoráveis, que entrou para a História do futebol português, por diversas razões, as quais passamos a descrever.

Vista panorâmica do bonito Estádio do Restelo (inaugurado em Setembro de 1956)
com a bela paisagem de fundo (Rio Tejo) a enquadrar o magnífico recinto belenense.

A 24 de Abril de 1955, no antigo Campo das Salésias (recinto do Belenenses que antecedeu o Estádio do Restelo, inaugurado em Setembro de 1956), o Belenenses recebia o Sporting em jogo a contar para a última jornada (26ª) do Campeonato Nacional da época de 1954/55. Quis o destino que ficasse reservada para essa última jornada do campeonato a decisão relativa ao campeão nacional dessa época. O Belenenses e o Benfica lutavam, "palmo a palmo", pelo título nacional, e à entrada para a última jornada, o Belenenses tinha 1 ponto de vantagem sobre o Benfica.
A cerca de 5 minutos do final do encontro, o Belenenses vencia o Sporting por 2-1 e, como tal, estava prestes a sagrar-se campeão nacional. Quando os milhares de adeptos do clube da "Cruz de Cristo" já festejavam nas bancadas a conquista do título, o avançado leonino João Martins marca o golo do empate, aos 86 minutos de jogo, destruindo o sonho do título das gentes de Belém que não queriam acreditar no que estava a acontecer. A alegria dava lugar ao desespero! O sonho transformava-se em pesadelo!
Com efeito, com a vitória do Benfica sobre o Atlético por 3-0, no Estádio da Luz e com o empate (2-2) verificado nas Salésias, Benfica e Belenenses chegavam ao final do campeonato com os mesmos pontos (39), mas como o Benfica possuía vantagem no confronto directo com o clube do Restelo, o clube das "águias" sagrava-se campeão nacional.
Rezam as crónicas da época, que João Martins, logo a seguir a ter apontado o golo do empate, abeirou-se do guarda-redes belenense, José Pereira, e pediu-lhe desculpa emocionado, começando a chorar e não conseguindo conter a emoção e a tristeza que lhe ia na alma por ter causado tamanha infelicidade e tão grande desgosto na família belenense que via, de forma inglória e dolorosa, fugir-lhe o título a 4 minutos do final da partida.
No final do dramático encontro para os jogadores do clube do Restelo, João Martins, inconsolável, associava-se à dor e à infelicidade vivida pelos jogadores do belenenses. Com esta atitude, João Martins mostrava, por um lado, a lealdade e sentido de profissionalismo relativamente ao emblema que envergava e, por outro lado, o seu elevado espírito desportivo verdadeiramente invulgar e digno dos maiores elogios e louvores.

João Martins, o "6º violino" e uma das lendas do futebol leonino.

O gesto e a atitude nobres reveladas por João Martins neste episódio, demonstram bem as suas qualidades humanas fora do comum e simbolizam o comportamento exemplar de que sempre deu mostras, dentro e fora do campo, ao longo da sua carreira. Para premiar o seu exemplar "fair-play" desportivo e pelo facto de, ao longo da sua carreira, nunca ter sofrido um único castigo, João Martins viria a ser agraciado com a medalha de exemplar comportamento pela Federação Portuguesa de Futebol.
Este é o 4º artigo (depois dos anteriores de 22/1/2009, 10/8/2009 e 19/1/2010) em que o Armazém Leonino faz referência a João Martins, na verdade, um dos futebolistas e atletas da História do Sporting, por quem temos maior admiração, estima, respeito e carinho.
Para a história, aqui deixamos a constituição da equipa leonina que alinhou neste célebre jogo das Salésias: Carlos Gomes; Caldeira e Galaz; Barros, Passos e Juca; Hugo, Travaços, Mokuna, João Martins e Albano.
Albano e João Martins foram os autores dos golos do Sporting. Com o empate (2-2), o Sporting terminava o campeonato no 3º lugar, com 37 pontos, menos 2 que os seus rivais lisboetas.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

João Martins - Um "leão" de uma categoria e correcção exemplares!


A respeito do grande avançado leonino das décadas de 40 e 50, João Martins (1927-1993), considerado, muito justamente, o "6º violino", o Armazém Leonino dedicou-lhe, há alguns meses atrás, duas postagens. A este propósito, aproveitamos para convidar os nossos visitantes sportinguistas a (re)lerem essas postagens de 22 de Janeiro e 10 de Agosto de 2009, nas quais se pode ficar a conhecer os principais acontecimentos que marcaram a vida e a carreira desportiva (12 épocas de "leão ao peito": 1947/48 a 1958/59) deste jogador exemplar, quer em termos de qualidade futebolística, quer em termos de comportamento, dentro e fora do campo.
O Armazém Leonino dedica hoje a João Martins, não um artigo, mas a capa de uma revista desportiva famosa da década de 50, a "Crónica Desportiva" (exemplar nº31, de 10 de Novembro de 1957), a qual, entre outras notícias, incluía uma longa entrevista com este magnífico jogador que entrou na galeria das lendas imortais do Sporting.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

João Martins e o 1º golo na Taça dos Campeões Europeus (1955-56)

O Sporting teve o privilégio de ser a 1ª equipa portuguesa a participar nas competições europeias de clubes, na época de 1955/56, estreando-se na recém-criada Taça dos Campeões Europeus, isto apesar de não ter vencido o campeonato nacional na temporada anterior.
Com efeito, na época anterior (1954/55), não obstante o Benfica se ter sagrado campeão nacional, foi o Sporting a equipa portuguesa participante na 1ª edição da Taça dos Campeões Europeus. Tal facto ficou a dever-se ao convite endereçado pela UEFA ao clube de Alvalade, o qual, em meados da década de 50, gozava, além fronteiras, de grande prestígio internacional.
Foi assim que, a 4 de Setembro de 1955, o Sporting fez a estreia naquela competição, defrontando o Partizan de Belgrado (ex-Jugoslávia), no Estádio Nacional, no Jamor (recorde-se que o Estádio José Alvalade só seria inaugurado a 10 de Junho de 1956). O jogo viria a terminar empatado (3-3) e o inesquecível avançado leonino, João Martins, teve a honra de ser o marcador do 1º golo dos "leões" e, igualmente, de uma equipa portuguesa, nas competições europeias de clubes.
A título de curiosidade, refira-se que, no jogo da 2ª mão, realizado em Belgrado, o Sporting seria derrotado, pelo Partizan, por 5-2, sendo assim eliminado da prova. Acrescente-se ainda que nesta equipa leonina já só figuravam dois "violinos", José Travassos e Vasques. Imagine-se a carreira que o Sporting poderia ter feito na Taça dos Campeões Europeus se esta competição tivesse sido criada, por exemplo, 10 anos antes, tendo a equipa leonina os "cinco violinos" em acção!
Na foto apresentada em cima, podemos observar a entrega, por parte do jornalista (e um dos fundadores) do jornal A Bola, Ribeiro dos Reis, do troféu "A Bola de Prata" a João Martins, o qual, na época de 1953/54, se tinha sagrado o melhor marcador do campeonato nacional, com 31 golos marcados.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

JOÃO MARTINS - o sexto Violino



Estrela do Sporting Clube Portugal e da selecção nacional de futebol nos anos 50, foi considerado o "sexto violino". É o mais destacado atleta nascido em Sines.
Da cortiça ao futebol João Baptista Martins nasce em Sines no dia 3 de Setembro de 1927. O seu primeiro emprego é na indústria da cortiça, como entalhador de rolhas.

Começa a jogar futebol no Sport Lisboa e Sines (também conhecido por "Nacional"), aos 16 anos. O seu primeiro jogo realiza-se em Alcácer do Sal, contra o Barrosinha.

Ainda júnior, aos 17 anos, o chefe de um fábrica de conservas faz-lhe um convite para jogar no Olhanense, então na I Divisão Nacional. Foi sozinho no comboio e esteve no Algarve um mês. As saudades fizeram-no regressar a casa.

Entrada no Sporting
Mas o seu destino era sair de Sines e cumprir a vocação num clube grande.

Um dia, um misto do Barreiro vem jogar ao Alentejo. Com Martins ao centro, o Sport Lisboa e Sines vence por 6-1. Três golos do jovem avançado-centro e uma exibição portentosa fazem a CUF interessar-se por ele. Prometem-lhe emprego e Martins assina.

Mas o emprego não vem e meia hora antes do primeiro jogo oficial no novo clube, já na cabine, Martins recusa-se a alinhar (tem esse direito, de acordo com a legislação da altura).

Levado por um massagista da CUF, o sineense apresenta-se em Alvalade em 1946. Abrantes Mendes e Buchelli, então técnicos do clube leonino, experimentam-no juntamente com Vasques e Travassos. Martins, ainda que sem o fulgor dos dois companheiros do exame, agrada e fica. O seu ordenado mensal, de 400$00, é uma fortuna para o novato que saíra de Sines à aventura. Ao clube, o negócio fica muito barato: paga por ele apenas 100$00.
Martins, o versátil

Ao chegar ao Sporting (clube do seu coração desde que o ciclista ferreirense Alfredo Trindade empolgava o país na sua rivalidade com o benfiquista Nicolau) João Martins era um magrizela. Aos dezasseis anos, já com um 1,74m de altura, pesava apenas 48 quilos. Bastaram-lhe uns meses de Sporting e refeições reforçadas para aumentar 13 quilos.


Quando entra no clube de Alvalade, que então iniciava a sua década ouro (1950s), a concorrência é forte: nada mais nada menos que a linha avançada que ficou conhecida pelos "Cinco Violinos".

Joga pela primeira vez como sénior contra o Vitória de Setúbal, no lugar de Jesus Correia. A estreia é boa. O Sporting faz nove golos e um deles é do caloiro alentejano.

A oportunidade para segurar um lugar na equipa surge na época de 1949/50, com o abandono de Peyroteo.

Martins destaca-se pela versatilidade. É o operário da equipa, joga em todas as posições. Do número 7 ao número 11, o homem de Sines percorre toda a escala. Num jogo com o Oriental, chega a ocupar a posição de guarda-redes.
"O melhor avançado-centro português"

Mas a posição em que mais se destaca é a de avançado-centro. O "violino" Travassos, companheiro e amigo, diz na ocasião da sua morte (1993), ao jornal "Sporting": "Foi o melhor avançado-centro que já existiu no futebol português. Desmarcava-se muito bem, isolava-se com facilidade, fugindo à marcação dos adversários, e tinha excelente aptidão para o jogo de cabeça, o que causava o pânico entre as equipas que defrontávamos"

Na época de 1953/54, à frente de nomes como Matateu e José Águas, João Martins recebe a "Bota de Prata" como melhor marcador do campeonato nacional (31 golos).

Ainda no Sporting, ganha os célebres quatro campeonatos seguidos (1950-51, 1951-52, 1952-53 e 1953-54), o campeonato de e 1957-58 e a Taça de Portugal (1953-54).

Faz história ao disputar o jogo que inaugura a Taça dos Campeões em Alvalade (Sporting-Partizan: 3-3) em Setembro de 1955, marcando dois golos. Na Taça Latina, em 1952, no Juventus-Sporting (3-2), em Paris, volta a marcar dois golos. Repete a proeza em mais dois jogos desta Taça: Milan-Sporting (4-3) e Sporting-Valência (4-1).
Martins na selecção

É convocado pela primeira vez para a selecção nacional a 23 de Novembro de 1952, com 24 anos. É internacional em três lugares (avançado-centro, extremo-direito e extremo-esquerdo), vestindo 12 vezes a camisola da equipa portuguesa.

Depois de representar o Sporting durante 13 temporadas, retira-se em 1959. O seu último jogo oficial é diante do Caldas (0-0), em 22 de Fevereiro. E o último golo é marcado ao Torreense (2-0), em 10 de Fevereiro. Em Novembro desse ano, Alvalade despede-se dele com uma justa homenagem.
Fair-play

Ao longo da carreira João Martins marca 258 golos pelo Sporting e revela um "fair play" perfeitamente incomum. A Federação Portuguesa de Futebol agracia-o com a "Medalha de Exemplar Comportamento" por ter efectuado mais de 400 jogos sem um único castigo.

Depois de deixar o futebol, como os salários da altura não permitiam uma reforma ouro aos 32 anos, João Martins volta ao trabalho. Durante mais de duas décadas vive emigrado em França, onde se emprega como operário fabril.

No dia 16 de Novembro de 1993, com 66 anos, morre, por insuficiência cardíaca. O seu corpo vem de França e é sepultado em Sines.
Nesse mesmo ano, a Câmara Municipal de Sines agracia-o, a título póstumo, com a Medalha Ouro de Mérito Desportivo Municipal.Em 25 de Abril de 2008, passa a dar nome ao Parque Desportivo Municipal João Martins.
FONTES DE INFORMAÇÃO
Caderno "Martins - O jogador que custou cem escudos ao Sporting", n.º 47 da Colecção "Ídolos do Desporto", Lisboa, 1956 (TEXTO E FOTOS). Notícia "João Martins - O «sexto violino»", do jornalista Aurélio Márcio, publicada n’A BOLA de 18 de Novembro de 1993. Notícia "Martins - Um alentejano que brilhou no Sporting", publicada no jornal O ÁS de 29 de Dezembro de 1993. Notícia "João Martins (o "sexto violino") foi a enterrar em Sines", publicada no jornal SPORTING de 23 de Novembro de 1993.