sábado, 30 de agosto de 2014

Recordações de um "derby" Benfica-Sporting com 36 anos (época 1978/79).


Realiza-se neste domingo, dia 31 de Agosto, no Estádio da Luz, o 1º "derby" da época, o Benfica-Sporting, a contar para a 3ª jornada do Campeonato Nacional. O confronto entre os velhos e eternos rivais lisboetas tem sido, ao longo da história dos campeonatos, um dos jogos mais ansiosamente aguardados pelos adeptos dos dois clubes de Lisboa, dada a rivalidade histórica que já vem de longa data, desde a primeira década do século XX.


De então para cá, decorridos mais de 100 anos, a paixão e a emoção vividas em torno deste "derby" permanecem intactas, gerando, ano após ano, um ambiente único e especial em seu redor. Criam-se enormes expectativas, renovam-se esperanças e ambições e traçam-se os mais variados prognósticos à volta deste eterno clássico do futebol português, de resultado sempre imprevisível, mesmo que, em determinado momento da época, uma equipa possa teoricamente estar mais forte do que a outra, o que não parece ser o caso presente.

Fantástica caricatura da autoria do "Mestre" Francisco Zambujal alusiva ao
"Benfica-Sporting", publicada na edição de sábado (18 de Novembro de 1978) do jornal A Bola.
John Mortimore (técnico inglês do Benfica), Milorad Pavic
(técnico jugoslavo do Sporting) e José Maria Pedroto (treinador do F.C. Porto).

O Armazém Leonino recorda hoje um "derby" realizado há 36 anos atrás, que se disputou a 19 de Novembro de 1978, no antigo Estádio da Luz. Na altura, esse Benfica-Sporting contava para a 10ª jornada do Campeonato Nacional da época de 1978/79 e, tal como agora, o Benfica apresentava-se como favorito à vitória, que mais não fosse pelo simples facto de jogar em casa perante o seu público.
Infelizmente, para o Sporting, este jogo acabou por se tornar num autêntico "pesadelo", ficando tristemente célebre na memória e história dos "derbies" devido à goleada sofrida pela equipa leonina diante do seu rival por 5-0, resultado este construído ainda durante a 1ª parte da partida.
Com efeito, à meia hora de jogo já o Benfica vencia por 4-0 e a 5 minutos do final da 1ª parte, Alves fixaria o resultado final através da marcação de uma grande penalidade. Foram na verdade 45 minutos de "pesadelo", diria mesmo de "terror", para o Sporting, cuja equipa entrou muito mal no jogo, demasiado ansiosa e nervosa, com a defesa mal posicionada, os médios à deriva e sem sentido de entreajuda e um ataque praticamente inexistente. Nessa 1ª metade do encontro, o Sporting apresentou um futebol atabalhoado e aos repelões, sem entrosamento ou ligação entre os setores, com estes muito distanciados, descurando perigosamente a sua retaguarda.
Com o avolumar do marcador, a equipa leonina ia ficando cada vez mais fragilizada do ponto de vista anímico e com menor capacidade de reação, completamente atordoada e desorientada face às contrariedades que ia sofrendo.

Lance do 2º golo do Benfica apontado de cabeça por Néné.

Face ao resultado dilatado registado no final da 1ª parte, pode-se dizer que a 2ª parte acabou por não ter grande história, pois, por um lado, o Benfica consciente que a vitória estava mais que assegurada, abrandou o ritmo de jogo, limitando-se a gerir o resultado a seu bel prazer, por outro lado, o Sporting não querendo deixar avolumar o resultado para números ainda mais escandalosos, retificou algumas posições em campo e acautelou mais o seu setor defensivo, conseguindo, pelo menos, atenuar e limpar um pouco a péssima imagem deixada nos primeiros 45 minutos.
Resumindo e concluindo, pode-se dizer que o Benfica teve uma tarde tranquila, muito mais do que aquilo que poderia imaginar, tendo dominado por completo a partida, criando as melhores oportunidades de golo, 5 delas concretizadas e outras tantas desperdiçadas. O Sporting teve uma "tarde negra", uma tarde para esquecer, em que tudo lhe saiu mal, fruto de um total desacerto coletivo e de uma completa desinspiração das suas individualidades.


Grande penalidade convertida por Alves que fixava o resultado em 5-0.

Para a história deste "derby", recordamos a equipa leonina que, sob o comando do técnico jugoslavo Milorad Pavic, alinhou diante do Benfica num sistema tático, aparentemente ofensivo, em 4X3X3: Botelho; Artur, Bastos, Zezinho e Inácio; Cerdeira, Marinho e Aílton; Manuel Fernandes, Manoel e Keita. Aos 23 minutos, Meneses rendeu o lesionado Zezinho e aos 45 minutos foi a vez de Zandonaide substituir Aílton.
Os golos do Benfica foram apontados por Reinaldo que bisou (aos 15 e 28 minutos), Alves que também bisou (aos 30 e 40 minutos) e Néné (aos 18 minutos).

 
Uma das equipas-tipo leonina da época de 1978/79.
Em cima (da esquerda para a direita): Keita, Freire,
Laranjeira, Meneses, Barão e Botelho.
Em baixo (mesma ordem): Manoel, Inácio, Ademar, Aílton e Artur.

No que diz respeito a goleadas verificadas desde esta temporada de 1978/79 até hoje, há apenas a registar mais duas, uma a favor do Benfica (novamente 5-0, embora a contar para a Taça de Portugal, na época de 1985/86) e a outra a favor do Sporting (7-1, a contar para o Campeonato Nacional da época de 1986/87).
Dado o facto de ainda estarmos no início do campeonato, o "derby" deste fim de semana não é decisivo para nenhuma das equipas, apesar do Benfica ter 2 pontos de vantagem sobre o Sporting. Mesmo em caso de vitória dos "encarnados", e ficando o Sporting a 5 pontos de distância do seu rival, tal diferença ainda pode ser perfeitamente recuperável, com 31 jornadas por disputar. Contudo, o Sporting tem de lutar pela conquista de pontos no Estádio da Luz, sendo o empate um resultado bastante positivo, sabendo-se as dificuldades que o Sporting sempre sente quando joga no terreno do Benfica, onde já não ganha há 6 anos (desde a época de 2008/09, inclusivé) e onde só venceu em 14 ocasiões.
Para este "derby", o Sporting apresenta-se na máxima força e com todo o plantel à disposição de Marco Silva, sem jogadores lesionados ou castigados, dispondo de jogadores em qualidade e quantidade suficientes para se bater de igual para igual com o Benfica. O Sporting não deve mostrar receio de jogar para ganhar no terreno do seu adversário, pois a vitória, para além de significar a ultrapassagem ao seu rival, constituiria um excelente tónico e um fator extra de motivação para encarar o resto da temporada com otimismo e confiança.
Esperamos e desejamos que o "derby" de amanhã seja um grande espetáculo de futebol, de promoção da modalidade, que haja "fair-play" e desportivismo dentro e fora das quatro linhas e que a equipa de arbitragem esteja à altura deste grande "clássico" do futebol português, sem casos de jogo.
Pela nossa parte, estamos confiantes e otimistas! Acreditamos que o Sporting poderá vencer ou, pelo menos, conquistar um empate no Estádio da Luz. Boa sorte "leões"! Força Sporting!

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Sporting na 69ª edição do Torneio Teresa Herrera 2014

O belo e imponente troféu Teresa Herrera.

Precisamente 10 anos depois da sua terceira participação, em 2004, o Sporting volta a merecer a honra de ser uma das equipas convidadas a participar na 69ª edição do Torneio Teresa Herrera, famoso torneio espanhol de pré-época que se realiza todos os anos na Corunha, uma bonita cidade costeira do norte de Espanha (província da Galiza). A primeira edição deste emblemático e prestigiado torneio quadrangular de verão realizou-se em 1946, tendo tido como vencedor o Sevilla FC.


Este torneio juntamente com o Ramón Carranza (em Cádiz) são considerados os mais importantes torneios espanhóis de pré-temporada e, inclusivamente, são considerados dos mais famosos da Europa. Há precisamente 53 anos atrás, em 1961, o Sporting, na sua primeira participação, venceu este prestigiado torneio (ler aqui).
Na edição deste ano, o Torneio Teresa Herrera será, uma vez mais, disputado por 4 equipas, o habitual anfitrião Deportivo La Coruña e 3 equipas convidadas, o Sporting, o Gijón (Espanha) e o Nacional de Montevideu (Uruguai). O torneio vai ter lugar no próximo fim de semana (dias 9 e 10 de Agosto), tendo o sorteio ditado os seguintes jogos das meias-finais: Sporting / Gijón e Deportivo La Coruña / Nacional de Montevideu, no dia 9 de Agosto. Os jogos de atribuição dos 3º e 4º lugares e a final realizar-se-ão no dia seguinte (10 de Agosto).
Até hoje participaram neste torneio 5 equipas portuguesas, num total de 16 presenças, havendo a registar 4 vitórias, 6 segundos lugares, 4 terceiros lugares e 2 quartos lugares: o Sporting - esteve presente em 3 edições (1961, 1964 e 2004) - venceu o troféu em 1961; o Benfica - esteve presente em 4 edições (1962, 1987, 1990 e 1995) - venceu o troféu em 1987; o F.C. Porto - esteve presente em 6 edições (1948, 1964, 1980, 1985, 1991 e 1994) - venceu o troféu em 1991; o Vitória Futebol Clube - esteve presente em duas edições (1965 e 1968) - venceu o troféu em 1968; o Belenenses esteve presente numa única ocasião (2007).
O Deportivo La Coruña é o clube com mais vitórias neste torneio, com 17 troféus, seguido do Real Madrid, com 8 troféus conquistados.
O Sporting repete assim este ano a presença de 2004, ano em que teve uma participação infeliz, tendo ficado classificado no 4º e último lugar, atrás do Deportivo La Coruña (vencedor), Atlético Madrid e Zaragoza. Espera-se e deseja-se que na sua quarta presença neste prestigiado torneio espanhol, o Sporting consiga realizar boas exibições e deixar uma boa imagem do seu valor e potencial futebolístico. Jogadores de qualidade não faltam no atual plantel leonino, o qual foi reforçado, em relação à época anterior, tendo em vista lutar pela conquista de todas as competições em que vai estar envolvido. Boa sorte para o Torneio Teresa Herrera!

domingo, 13 de julho de 2014

Futebolistas leoninos estrangeiros que estiveram presentes no Campeonato do Mundo.



Chega hoje, dia 13 de Julho, ao fim a 20ªedição do Campeonato do Mundo de Futebol realizado no Brasil. O jogo decisivo tem lugar no mítico, imponente e remodelado Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, e vai opor duas das seleções com melhor historial em Campeonatos do Mundo, a Alemanha e a Argentina. Esta final trata-se já de um clássico do Campeonato do Mundo de Futebol e será, igualmente, uma espécie de "tira-teimas" entre estas duas históricas seleções, uma vez que ambas já se encontraram anteriormente em duas ocasiões na final de um "Mundial", mais concretamente, em 1986, no México, com vitória da Argentina por 3-2 e em 1990, em Itália, com vitória da Alemanha por 1-0. Hoje haverá o tão ansiado e emocionante desempate entre estas duas grandes seleções, sendo que, à partida, tendo em conta a qualidade e a eficácia do futebol exibido por cada uma das equipas até agora, a Alemanha parece reunir maior dose de favoritismo.
No entanto, a história dos "Mundiais" já mostrou por diversas vezes que nem sempre o favorito acaba por ser o vencedor, pois uma final é um jogo especial em que existem vários fatores imprevisíveis que acabam por ter uma enorme influência no desenrolar e desfecho da partida. Caso a Argentina vença a Alemanha, a seleção sul-americana igualará esta no número de títulos de campeã do mundo, mais concretamente 3. Caso seja a Alemanha a derrotar a Argentina, aquela passará a ostentar no seu currículo 4 títulos de campeã do mundo, tantos quantos a Itália e menos um que o "penta" Brasil.
A propósito do encerramento de mais uma edição do "Mundial" de futebol, lembramo-nos hoje de recordar quem e quantos foram os futebolistas estrangeiros do Sporting que estiveram presentes em Campeonatos do Mundo. Após termos efetuado essa pesquisa, chegamos à conclusão que, em 7 edições do "Mundial", marcaram presença 14 jogadores (um deles, Iordanov, repetente em duas edições) de 11 nacionalidades diferentes. Outra curiosidade tem a ver com o facto de ter sido um jogador do Sporting, o primeiro estrangeiro a jogar em Portugal e a estar presente num "Mundial" (em 1974, na Alemanha), o famoso e inesquecível goleador argentino, Hector Yazalde, um dos maiores avançados da história do Sporting.
Vejamos então a respetiva lista ordenada cronologicamente:
  • 1974 (Alemanha): Yazalde (Argentina). 
  • 1982 (Espanha): Meszaros (Hungria).
  • 1990 (Itália): Silas (Brasil) e Ivkovic (Jugoslávia).
  • 1994 (Estados Unidos): Valckx (Holanda), Balakov (Bulgária) e Iordanov (Bulgária).
  • 1998 (França): De Wilde (Bélgica), Saber (Marrocos), Ramirez (Paraguai) e Iordanov (Bulgária).
  •  2010 (África do Sul): Matias Fernandez Chile).
  • 2014 (Brasil): Rojo (Argentina) e Slimani (Argélia).


Deste lote de 13 jogadores, apenas um, Rojo, poderá, caso logo à noite a Argentina se sagre campeã do mundo, gabar-se de ter sido campeão do mundo estando ao serviço do Sporting. Dos restantes jogadores, o mais longe que alguns deles chegaram na competição foram os búlgaros Balakov e Iordanov que, em 1994, estiveram presentes nas meias finais, tendo a Bulgária sido então derrotada pela Suécia por 4-0.
A terminar este rol de curiosidades, resta acrescentar que houve um jogador campeão do mundo pelo Brasil, Anderson Polga, que viria a jogar no Sporting precisamente após essa conquista, em 2002, no "Mundial" realizado no Japão e Coreia do Sul. Caso a Argentina vença a Alemanha na final de logo à noite, o Sporting poderá orgulhar-se de ter no seu plantel atual um campeão do mundo, Marcos Rojo!



sábado, 15 de março de 2014

Recordações de um clássico Sporting - F.C. Porto (época 1979/80).



Realiza-se amanhã, dia 16 de Março (Domingo), o penúltimo jogo desta época envolvendo dois dos "três grandes" do futebol português, mais concretamente, o clássico Sporting - F.C. Porto, no Estádio José Alvalade (Alvalade XXI). A oito jornadas do final do Campeonato Nacional, Sporting e F.C. Porto lutam "taco a taco" pelo 2º lugar, o qual dá entrada direta na fase de grupos da milionária Liga dos Campeões.
Atualmente, o Sporting dispõe de mais dois pontos que o F.C. Porto e em caso de vitória leonina, como desejamos e esperamos que venha a acontecer, aumentará a vantagem para cinco pontos, que já é uma diferença pontual razoável que permitirá encarar o resto da temporada com alguma tranquilidade, segurança e otimismo. Em caso de empate, ficará tudo como está, com vantagem para o Sporting. Mesmo em caso de derrota, o F.C. Porto passaria para a frente com mais um ponto que o Sporting, desvantagem esta que poderia ser perfeitamente anulada ainda com 7 jornadas para disputar. Assim, resumindo e concluindo, este Sporting-F.C. Porto não é um jogo decisivo na luta pelo 2º lugar, pois ainda há 21 pontos em disputa, mas é inegável que uma vitória do Sporting irá moralizar e motivar esta jovem equipa para realizar um bom final de campeonato.
Relativamente ao 1º lugar, temos de ser realistas e, como tal, pensamos que a diferença pontual de sete pontos que o Sporting tem em relação ao Benfica é já demasiada para se pensar que ainda é possível recuperar de tamanho atraso. Só mesmo uma quebra inesperada e fora do normal por parte do Benfica (por exemplo, com duas derrotas seguidas) é que poderia, eventualmente, fazer renascer a esperança leonina. No entanto, todos sabemos como o futebol é fértil em surpresas e, portanto, enquanto for matematicamente possível, temos de acreditar até ao fim, pois a esperança é a última a morrer!
Até hoje, Sporting e F.C. Porto defrontaram-se por 79 vezes em jogos a contar para o Campeonato Nacional, com o Sporting na condição de clube visitado. Desses 79 confrontos realizados em casa dos "leões", há a registar uma clara supremacia leonina de 42 vitórias (mais de 50 por cento), 18 empates e 19 derrotas. A título de curiosidade, registe-se que a última vitória leonina caseira aconteceu há já 4 anos, mais concretamente, na época de 2009/10, tendo então o Sporting derrotado o F.C. Porto por um concludente 3-0. Por outro lado, a última vitória portista no terreno dos "leões" havia acontecido na temporada anterior (2008/09), por 2-1, sendo que nas últimas 3 épocas se registaram 3 empates.
Na véspera de mais um grande clássico do futebol português e dando sequência a artigos anteriores, por mim publicados, de antevisão destes jogos entre os históricos "três grandes" do futebol português, uma vez mais, o Armazém Leonino recorda hoje um Sporting - F.C. Porto referente há já longínqua temporada de 1979/80, o qual deixou gratas e saudosas recordações não apenas em mim, mas entre todos os sócios e adeptos leoninos, pois o Sporting viria a sagrar-se campeão nacional no final dessa época.


Este Sporting - F.C. Porto de que vamos falar hoje tratou-se, aliás, do primeiro jogo entre estes dois clubes a que tive o prazer e o privilégio de assistir ao vivo, no velhinho peão do antigo e saudoso Estádio José Alvalade. O jogo, a contar para a 12ª jornada do Campeonato Nacional, disputou-se no dia 9 de Dezembro de 1979, precisamente no dia seguinte ao do meu aniversário em que completei 12 anos. E posso dizer que foi a melhor prenda que poderia ter recebido, pois para além de poder assistir ao vivo a um jogo desta importância e dimensão, no final fiquei ainda mais feliz com o resultado da partida: vitória do Sporting, por 1-0, com o golo solitário a ser apontado por Jordão, um dos meus maiores ídolos da infância e juventude.
Perante uma enorme moldura humana que quase esgotou o Estádio José Alvalade e sob alguma chuva que caiu durante parte do encontro (mas que não prejudicou o estado do relvado por aí além), assistiu-se a um excelente espetáculo de futebol, com muita emoção e luta, do primeiro ao último minuto, e sempre com incerteza no resultado até final da partida. O golo do Sporting foi marcado já perto do intervalo, aos 42 minutos, através de um remate de cabeça de Jordão que acorreu na grande área, rápido, oportuno e decidido, a um cruzamento do lado direito, muito bem medido, por parte do defesa Artur.

Jordão, o melhor marcador do campeonato
nacional 1979-80 e o melhor avançado da prova.

Ao longo do encontro, houve um domínio repartido entre as duas equipas no comando do jogo, tendo o Sporting se superiorizado ao F.C. Porto, sobretudo, durante a 1ª parte, assistindo-se após o intervalo a uma reação esperada e natural do F.C. Porto, que arriscou mais no ataque em busca, pelo menos, do golo da igualdade. As jogadas de perigo e as oportunidades de golo sucederam-se em ambas as balizas, mas os avançados foram perdulários, tendo mostrado uma pontaria desafinada e revelado uma grande ineficácia e desinspiração na hora do remate.
O F.C. Porto partia para a temporada de 1979/80 como um dos principais candidatos ao título, senão mesmo o mais forte candidato, pois era o campeão nacional das duas épocas anteriores e possuía, na verdade, uma equipa muito forte e bem entrosada, com jogadores de enorme qualidade técnica, muito bem orientados pelo Mestre José Maria Pedroto que foi, de facto, o grande obreiro do renascimento do F.C. Porto após 19 anos de "travessia no deserto". Portanto, apesar de jogar em casa, o Sporting rodeou-se de algumas cautelas, entrando em campo com uma equipa lutadora e determinada, disposta a correr e a lutar muito do primeiro ao último minuto, jogando de forma realista e pragmática, preferindo um futebol mais prático e objetivo, em detrimento de um futebol bonito e de grande qualidade técnica.
Durante a 1ª parte, o Sporting foi a equipa que teve o maior domínio e iniciativa do jogo, tendo sido também a equipa que mais procurou o golo, pois uma vez conseguindo adiantar-se no marcador, seria depois mais fácil, através de uma defesa compacta e de um meio campo lutador, controlar melhor o adversário, esperando pela sua reação e atacando apenas pela certa e em rápidos contra-ataques. Felizmente, o golo leonino apareceu na melhor altura, muito perto do intervalo, permitindo ao Sporting abordar a 2ª parte de outra forma, não arriscando tanto, preferindo adotar uma atitude mais expectante e de maior contenção, jogando com muita concentração, espírito de entreajuda e de sacrifício, privilegiando sobretudo o contra-ataque.
Apesar do maior domínio e ascendente portista durante a 2ª parte, este acabou por se revelar infrutífero e inócuo, pois os jogadores do F.C. Porto foram pouco objetivos e decididos na hora do remate, insistindo num futebol de grandes adornos técnicos e de muitos passes, mas sem a profundidade desejada e revelando pouca eficácia e inspiração na zona de finalização. Ao invés, os jogadores do Sporting bateram-se como autênticos "leões", com uma defesa intransponível ajudada por um meio campo muito batalhador e dispondo igualmente de avançados com um grande espírito de entreajuda.

Uma das equipas-tipo do Sporting da época de 1979-80.
Em cima (da esquerda para a direita): Eurico, Bastos, Jordão, Meneses, Fraguito e Fidalgo.
Em baixo (mesma ordem): Inácio, Ademar, Manoel, Manuel Fernandes (cap.) e Artur.

Para a história deste jogo, aqui fica a constituição da equipa leonina que, com esta vitória sobre o campeão nacional em título, mostrou que era também uma forte candidata ao título, como felizmente se veio a comprovar mais tarde. O treinador Fernando Mendes dispôs a equipa num sistema tático em 4x3x3, aparentemente ofensivo, mas na verdade, como Manuel Fernandes recuava muitas vezes para ajudar na luta do meio-campo, aquele sistema acabou por se transformar frequentemente num 4x4x2.
A equipa leonina alinhou da seguinte forma: Fidalgo; Artur, Bastos, Eurico e Barão; Fraguito, Meneses e Ademar; Manuel Fernandes (cap.), Manoel e Jordão. Ao intervalo, Barão cedeu o seu lugar a Inácio e aos 66 minutos foi a vez de Marinho entrar para o lugar de Fraguito, com o intuito de refrescar o meio campo leonino.


O duelo Jordão (melhor marcador) - Fonseca (guarda-redes menos batido).

A terminar, só para acrescentar que um dos aliciantes deste jogo era também o tão aguardado confronto entre o avançado do Sporting, Jordão, o melhor marcador do campeonato (que viria, aliás, a conquistar a "Bola de Prata", com 31 golos) e o guarda-redes do F.C. Porto, Fonseca, o guardião menos batido do campeonato. No final, pode-se dizer que Jordão levou a melhor sobre Fonseca, pois conseguiu, por uma vez, desfeitear o excelente guarda-redes portista, o qual foi um dos grandes responsáveis pelo facto da defesa portista ter sido a menos batida do campeonato. O Mestre Francisco Zambujal, o maior caricaturista desportivo de sempre, fez a habitual antevisão deste clássico para o jornal A Bola, retratando precisamente este duelo Jordão-Fonseca numa belíssima caricatura, as quais fazem também parte da história do futebol português e, em particular, do campeonato nacional.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Recordações de um "derby" Benfica - Sporting com 36 anos! (época 1977/78)

 
Realiza-se neste domingo, dia 9 de Fevereiro, no Estádio da Luz, mais um "derby" do futebol português, o Benfica-Sporting, a contar para a 18ª jornada do Campeonato Nacional. O confronto entre os velhos e eternos rivais lisboetas tem sido, ao longo da história dos campeonatos, um dos jogos mais ansiosamente aguardados pelos adeptos dos dois clubes de Lisboa, dada a rivalidade histórica que já vem de longa data, mais concretamente, desde 1907, ano em que, pela primeira vez, Sporting e Benfica se defrontaram, com vantagem leonina (vitória por 2-1).
De então para cá, mais de 100 anos passados, a paixão e a emoção vividas em torno deste "derby" permanecem intocáveis, gerando, ano após ano, um ambiente único e especial em seu redor. Criam-se enormes expectativas, renovam-se esperanças e ambições e traçam-se os mais variados prognósticos à volta deste eterno clássico do futebol português, de resultado sempre imprevisível, mesmo que, em determinado momento da época, uma equipa possa teoricamente estar mais forte do que a outra.
 
 
O Armazém Leonino recorda hoje um outro "derby", já com 36 anos de idade (como o tempo passa!), que se disputou também em Fevereiro, mais concretamente, a 12 de Fevereiro de 1978, no Estádio da Luz. Na altura, esse Benfica-Sporting contava para a 16ª jornada (1ª jornada da 2ª volta) do Campeonato Nacional da época de 1977/78 e, tal como agora, o Benfica apresentava-se como o grande favorito à vitória.
Para o Sporting, este jogo não deixou nenhumas saudades, acabando por ficar tristemente célebre na memória dos "derbies" devido a dois acontecimentos que marcaram negativamente este encontro para as cores leoninas. O primeiro foi a lesão grave sofrida por Jordão que, ainda na 1ª parte, sofreu uma fratura da tíbia motivada por uma entrada dura do defesa benfiquista Alberto. O segundo foi o golo solitário da partida marcado, aos 54 minutos, pelo avançado benfiquista Vítor Baptista que ditou a derrota leonina por 1-0.
Diga-se, em abono da verdade, que se tratou de um golo monumental, daqueles de fazer "levantar o estádio". Num lance de pura inspiração do "Maior", este amorteceu a bola no peito e sem deixar batê-la no chão desferiu um fantástico pontapé com o pé direito, ainda de fora da grande área, deixando o guarda-redes leonino Botelho "pregado ao chão" sem qualquer capacidade de reação.
Lance disputado entre Vítor Baptista e Inácio, sob os olhares
atentos de Shéu e Fraguito.
 
A cena que se seguiu ao golo faz também parte da história deste "derby", dada a situação insólita e até caricata que se viveu após a marcação deste estupendo golo. De imediato, Vítor Baptista apercebe-se que perdeu o seu precioso brinco-talismã e nem sequer festeja o golo que marcou junto dos colegas de equipa. Põe-se logo à procura do brinco juntamente com alguns colegas seus. O árbitro Rosa Santos vê-se obrigado a adiar, por breves minutos, o reatar da partida, pois Vítor Baptista encontra-se completamente absorvido e desesperado na tentativa de encontrar o seu brinco. Contudo, apesar dos seus esforços, o brinco nunca chegou a aparecer e o jogo foi reatado, para grande tristeza e desconsolo de Vítor Baptista que até parece que já não se lembrava do golo marcado, o qual viria a ser decisivo para a vitória tangencial do Benfica.

Vítor Baptista procura em vão o seu brinco
sob o olhar divertido de Toni.
 
À parte este episódio algo caricato e "sui-generis", o jogo acabou por não ter grande história, tendo o Benfica dominado a partida e criado as melhores oportunidades de golo, no entanto desperdiçadas, o que lhe podia ter causado dissabores, não fosse o Sporting ter desperdiçado, já perto do fim do encontro, uma clara oportunidade de golo. Contudo, a vitória do Benfica não sofre discussão, pois atendendo àquilo que se passou dentro das quatro linhas e ao futebol praticado pelas duas equipas, a equipa benfiquista mostrou ser superior ao seu adversário, tendo alcançado uma vitória justa embora escassa.
O Sporting pode também queixar-se da falta de sorte, ao ver-se privado desde cedo do concurso de um dos seus melhores jogadores, o excelente ponta de lança Jordão, que se encontrava num bom momento de forma. Do ponto de vista anímico, a equipa leonina sentiu profundamente esse infortúnio e nunca se chegou a recompor de tal infelicidade.
 
Equipa leonina que alinhou diante do Benfica.
Em cima (da esquerda para a direita): Laranjeira, Inácio,
Vítor Gomes, Manaca, Keita e Botelho.
Em baixo (mesma ordem): Manuel Fernandes, Jordão, Barão,
Artur e Fraguito.
 
Para a história deste "derby", recordamos a equipa leonina que, sob o comando de Rodrigues Dias, alinhou diante do Benfica num sistema tático, aparentemente ofensivo, de 4X3X3: Botelho; Artur, Manaca, Laranjeira e Inácio; Vítor Gomes, Fraguito e Barão; Manuel Fernandes, Jordão e Keita. Aos 26 minutos, Manoel rendeu o lesionado Jordão e aos 63 minutos é a vez de Cerdeira substituir Barão.
O "derby" deste fim de semana não é decisivo, pois ainda ficarão a faltar 12 jornadas para o final do campeonato. O Benfica tem 2 pontos de vantagem sobre o Sporting e mesmo em casa de vitória dos "encarnados", e ficando o Sporting a 5 pontos de distância do seu rival, tal diferença ainda pode ser recuperável. Contudo, o Sporting tem de lutar pela conquista de pontos no Estádio da Luz, sendo o empate um resultado bastante positivo, sabendo nós as dificuldades que o Sporting sempre sente quando joga no terreno do Benfica, onde já não ganha há 8 anos e onde só venceu em 14 ocasiões.
Pese embora as ausências de William Carvalho (castigado) e Jefferson (lesionado), dois jogadores bastante influentes e que atravessam um excelente momento de forma, o Sporting tem jogadores em qualidade e quantidade suficientes para se bater de igual para igual com o Benfica. O Sporting não deve mostrar receio de jogar para ganhar no terreno do seu adversário, pois a vitória, para além de significar a liderança no campeonato, constituiria um excelente tónico e um fator extra de motivação para encarar o resto da temporada com otimismo e confiança.
Esperamos e desejamos que o "derby" de amanhã seja um grande espetáculo de futebol, de promoção da modalidade, que haja fair-play" e desportivismo dentro e fora das quatro linhas e que a equipa de arbitragem esteja à altura deste jogo grande do futebol português, e, sobretudo, não volte a prejudicar o Sporting como tem acontecido nas últimas épocas.
Acreditamos que o Sporting poderá conquistar, pelo menos, um empate, o que já não será um mau resultado, continuando, assim, a equipa leonina a lutar pelo título. Boa sorte "leões"!
 

sábado, 14 de dezembro de 2013

Recordações de um "clássico/derby" Sporting - Belenenses (época 1954/55).


 
Realiza-se esta noite (20h30m), dia 14 de Dezembro de 2013, no Estádio José Alvalade, mais um grande "clássico/derby" do futebol português, Sporting-Belenenses, a contar para a 13ª jornada do Campeonato Nacional, cujo confronto lisboeta encerra já uma longa e rica história com muitos episódios e peripécias para contar.
Com efeito, os "derbies" entre o Sporting e o Belenenses são dos jogos mais antigos, populares e carismáticos da cidade de Lisboa, ou não se tratassem de dois dos maiores clubes do futebol português que já se defrontaram por 72 vezes em jogos a contar para o campeonato, tendo o Sporting como clube visitado, seja nos antigos recintos do Campo Grande e do Lumiar, seja no Estádio Nacional ou, a partir de 1956, no antigo e saudoso Estádio José Alvalade, ou ainda no atual estádio, desde 2003.
Desses 72 confrontos a contar para o "Nacional" da 1ª Divisão, tendo o clube de Alvalade como anfitrião, há a registar 56 vitórias para o Sporting, 11 empates e apenas 5 vitórias para o Belenenses. Esta estatística mostra, desde logo, uma clara superioridade caseira do Sporting diante do Belenenses e, consequentemente, uma longa tradição de grandes dificuldades sentidas pelo clube do Restelo sempre que teve de se deslocar ao terreno dos "leões". Curiosamente, as 5 vitórias alcançadas pelo emblema da "Cruz de Cristo" diante do Sporting nunca foram obtidas no Estádio José Alvalade, quer no antigo, quer no atual.
Na verdade, aqueles 5 triunfos foram todos obtidos antes de 1956, mais concretamente em 3 estádios diferentes: no Campo Grande (época 1934/35, vitória por 3-1; época 1936/37, vitória por 3-2); no Campo do Lumiar (época de 1941/42, vitória por 4-1; época de 1949/50, vitória por 1-0); no Estádio Nacional (época de 1954/55, vitória por 2-1).
 
Bonito palco do Jamor onde teve lugar o Sporting-Belenenses
da época de 1954/55.

 
É precisamente esta última vitória alcançada pelo Belenenses, no Estádio Nacional (terreno "emprestado" ao Sporting), há já quase 6 décadas, que o Armazém Leonino recorda hoje, sendo que, desde então, nunca mais os "azuis" do Restelo lograram vencer no reduto leonino. Curiosamente, e tal como hoje, também aquele jogo da época de 1954/55 se realizou à 13ª jornada do campeonato nacional e em plena época natalícia, mais concretamente, a 26 de Dezembro.
 
Bonita e espetacular imagem onde se observa um lance disputado entre
dois dos protagonistas do "clássico" do Jamor de 1954: Matateu e Juca,
os marcadores dos golos da partida (Sporting - 1 / Belenenses - 2).
 
O "herói" deste jogo foi o grande jogador belenense de seu nome completo, Sebastião Lucas da Fonseca, que ficou popularmente conhecido, na História do futebol português, por Matateu, o extraordinário avançado moçambicano, um dos melhores de sempre do futebol português e um dos maiores símbolos do Belenenses. Naquela tarde fria de Dezembro, Matateu foi o autor dos 2 golos com que o Belenenses derrotou o então tetracampeão nacional Sporting, que já só contava no seu plantel com 3 dos famosos e inesquecíveis "cinco violinos": Vasques, Travassos e Albano, se bem que neste jogo só tenham jogado 2 deles (Vasques e Travassos).
O também excelente médio leonino Juca foi o autor do golo solitário dos "leões". Todos os golos da partida foram marcados na 2ª parte, tendo o Belenenses se adiantado no marcador por intermédio de Matateu ,aos 54 minutos. Pouco tempo depois, Juca ainda restabeleceu a igualdade, mas aos 82 minutos, o avançado moçambicano voltou a marcar, fixando o resultado final em 2-1 a favor do emblema da "Cruz de Cristo". No final dessa época, culminando uma excelente temporada ao serviço do Belenenses, Matateu sagrou-se o melhor marcador do campeonato, com 32 golos apontados, conquistando a sua segunda "Bola de Prata".
A título de curiosidade, refira-se ainda que este "clássico" foi arbitrado pelo tristemente famoso árbitro de Évora, Inocêncio Calabote, que viria a estar ligado a um caso de corrupção envolvendo o Benfica, vindo, pouco tempo depois, a ser irradiado da arbitragem. No entanto, neste "derby" Sporting-Belenenses de 1954 não consta que tenham havido quaisquer "casos" ligados à arbitragem de Inocêncio Calabote, à parte a expulsão do extremo esquerdo leonino Mendonça!
 
Uma das equipas-tipo do Sporting da época de 1954/55.
Em cima: Janos Hrotko, Rita, Carlos Gomes, Passos, Galaz, Caldeira e Juca.
Em baixo: Hugo, Vasques, João Martins, Travassos e Mendonça.
 
Para a história deste "clássico" Sporting-Belenenses de Dezembro de 1954, recordamos a equipa leonina que alinhou no Estádio Nacional, há quase 60 anos: Carlos Gomes; Caldeira, Passos e Pacheco; Janos Hrotko e Juca; Hugo, Vasques, João Martins, Travassos e Mendonça.
Regressando a 2013, e concretamente ao "derby" desta noite, esperamos e desejamos que a tradição se mantenha e que ainda não seja desta vez que o Belenenses quebra o enguiço de quase 6 décadas sem vencer no terreno do Sporting.
Em meados da década de 50, existia um grande "equilíbrio de forças" entre Sporting e Belenenses, com jogos muito disputados e de resultado imprevisível, dada a qualidade dos jogadores que integravam as duas equipas lisboetas. Nos últimos anos e, em particular, hoje em dia, existe uma grande diferença em termos da qualidade e poderio dos respetivos plantéis, com clara vantagem para o Sporting. Mas tal superioridade tem de ser demonstrada na prática, dentro das quatro linhas e ao longo dos 90 minutos que dura a partida. Sabemos que já não há jogos fáceis e quando menos se espera as equipas teoricamente mais fracas podem "bater o pé" aos chamados "grandes", tal como, aliás, já aconteceu neste campeonato e tem acontecido sempre ao longo dos anos.
Portanto, todo o cuidado é pouco para prevenir quaisquer surpresas desagradáveis e eventuais dissabores. É como diz o ditado popular: "Cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém"! O Sporting está avisado para as dificuldades que poderá encontrar por parte do seu opositor e está preparado, quer do ponto de vista físico e mental, quer do ponto de vista técnico e tático, para levar de vencida o seu adversário. A equipa leonina é superior à equipa belenense, mas tem de o provar em campo, para poder alcançar a tão desejada vitória e conquistar mais 3 pontos, tendo em vista continuar na frente do campeonato e até aumentar a vantagem para os seus mais diretos perseguidores, espreitando uma eventual escorregadela de F.C. Porto e Benfica.
 
 

sábado, 9 de novembro de 2013

Recordações da última vitória (3-1) do Sporting em casa do Benfica para a Taça de Portugal (época 1999/2000).

 


Esta noite, pelas 19 horas e 45 minutos, no Estádio da Luz, realiza-se  mais um "derby" Benfica-Sporting, desta vez a contar para a 4ª eliminatória da Taça de Portugal da temporada de 2013/14. Quis o sorteio que os dois eternos rivais lisboetas se encontrassem numa fase ainda precoce da prova, sendo certo que um dos principais candidatos à vitória nesta competição ficará já de fora, o que constitui uma perda para a própria competição que se vê assim privada de uma das suas equipas mais fortes.
A propósito de mais um confronto entre "águias" e "leões", o Armazém Leonino recorda hoje uma partida ocorrida na temporada de 1999/2000, entre os dois velhos rivais, a contar igualmente para a Taça de Portugal, cujo encontro terminou com a vitória do Sporting por 3-1, a qual fica a assinalar a última vitória leonina no terreno do Benfica a contar para esta competição. Desde então, Benfica e Sporting só voltaram a encontrar-se mais uma vez, tendo o Benfica como clube visitado, mais concretamente, na época de 2004/05, tendo a equipa benfiquista eliminado a equipa leonina, na sequência do desempate por pontapés da marca de grande penalidade, após empate (3-3) no final do prolongamento.
 
 
Mas hoje queremos recordar o jogo da época de 1999/2000, temporada essa que assinalou igualmente a reconquista do Campeonato Nacional por parte do Sporting, após 18 longos e dolorosos anos de jejum. Relativamente a este jogo a contar para os oitavos de final da Taça de Portugal, realizado a 26 de Janeiro de 2000, no antigo Estádio da Luz, sob a arbitragem de Vítor Pereira, pode-se e deve-se dizer que o Sporting foi um justo vencedor. Curiosamente, cerca de duas semanas antes, a 9 de Janeiro, as duas equipas haviam-se defrontado igualmente no Estádio da Luz, mas a contar para a 16ª jornada do campeonato, tendo-se então verificado um empate (0-0).
Desta vez, o Sporting logrou superiorizar-se ao seu rival, acabando por vencer, até naturalmente, a partida por 3-1, com 2-1 ao intervalo. O Sporting adiantou-se no marcador, logo aos 11 minutos, por intermédio do ponta de lança argentino Acosta. O Benfica ainda empataria através de um golo de Uribe, aos 33 minutos, mas passados apenas 3 minutos o Sporting voltaria a passar para a frente do marcador, com um golo do defesa central brasileiro André Cruz, aos 36 minutos.
 
                  Acosta                                                   André Cruz
 
Na 2ª parte, o Sporting continuou a exercer a sua superioridade perante o seu opositor, ampliando a vantagem aos 74 minutos, novamente por intermédio de Acosta na marcação de uma grande penalidade. Com cerca de um quarto de hora para jogar, e com o Benfica já reduzido a 10 unidades, por expulsão de Machairidis na sequência do "penalty" cometido sobre Acosta, o Sporting consolidou o seu domínio na partida, podendo até ter dilatado o marcador, não fosse o desperdício de algumas boas oportunidades de golo, numa altura em que o Benfica mostrava já grande desorientação, evidenciando quebra física e anímica acentuadas.
 
Equipa-tipo leonina da época de 1999/2000.
Em cima: Schmeichel, André Cruz, Beto, Vidigal e Pedro Barbosa.
Em baixo: De Franceschi, Mpenza, Acosta, Rui Jorge, César Prates e Delfim.
 
Recordemos a equipa leonina que alinhou (num sistema tático em 4x2x3x1) nessa última vitória em casa do Benfica, a contar para a Taça de Portugal: Schmeichel; César Prates, André Cruz, Beto e Rui Jorge; Vidigal e Delfim; Mpenza, Pedro Barbosa (cap.) e De Franceschi; Acosta. Ao intervalo, André Cruz, lesionado, foi substituído por Quiroga. Aos 55 minutos, Pedro Barbosa cedeu o seu lugar a Tonito. Finalmente, aos 79 minutos, foi a vez de Fumo render De Franceschi.
Uma vez mais, o Sporting volta a deslocar-se ao Estádio da Luz para tentar seguir em frente na prova. O sorteio da Taça de Portugal voltou a não ser favorável ao Sporting, pois trata-se de um jogo com um elevado grau de dificuldade, opondo duas das mais fortes candidatas à vitória na competição, sendo que o fator casa tem muitas vezes um peso determinante no desfecho destas eliminatórias.
Embora saibamos que nestes derbies os jogos são extremamente equilibrados e o resultado é sempre imprevisível, nem sempre ganhando a equipa que joga em casa ou que se encontra em melhor momento de forma, ainda assim, achamos que o Benfica parte em ligeira vantagem na percentagem de probabilidades de vencer, não só porque atua no seu ambiente, com a grande maioria do público a apoiá-lo, mas também porque quererá demonstrar que a equipa tem valor para fazer muito melhor que até aqui, nomeadamente, dar continuidade à última boa exibição praticada diante do Olympiakos e iniciar um novo ciclo de vitórias.
Contudo, atendendo ao momento de forma que o Sporting atravessa, mostrando ser uma equipa alegre, motivada, com um entrosamento já bastante apreciável entre os jogadores e confiante nas suas capacidades, pensamos que esta jovem equipa leonina poderá oferecer grande resistência ao seu adversário, vendendo muito cara a derrota ou podendo, inclusivamente, surpreender, levando de vencida o seu rival. Tal desfecho poderá depender muito da concentração e personalidade que a equipa revelar em campo, evitando cometer algumas das falhas defensivas que tem cometido em alguns jogos. Sabemos que em jogos deste nível e equilíbrio, tudo se pode decidir num detalhe ou pormenor, numa falha ou na inspiração de um jogador.
Acima de tudo, esperamos e desejamos que se trate de um excelente jogo de futebol e de um grande espetáculo de promoção da modalidade, dentro e fora das quatro linhas, com correção e fairplay desportivo da parte de todos os intervenientes, jogadores, técnicos e adeptos. O futebol agradece! E já agora, que ganhe o Sporting!
 
 
 

sábado, 26 de outubro de 2013

Recordações de um clássico F.C. Porto - Sporting (época 1978/79).


Realiza-se, amanhã à noite, no Estádio do Dragão, mais um grande clássico do futebol português, o F.C. Porto - Sporting, a contar para a 8ª jornada do campeonato nacional. Trata-se do 80º jogo entre estes dois grandes rivais, tendo o F.C. Porto na condição de equipa visitada. Nos anteriores 79 confrontos disputados no reduto portista, a contar para o campeonato nacional, há a registar 42 vitórias do F.C. Porto, 24 empates e apenas 13 vitórias do Sporting. 
Esta estatística mostra bem as enormes dificuldades que o Sporting sempre tem sentido, ao longo dos anos, quando tem de se deslocar ao terreno do F.C. Porto. A última vitória do Sporting em casa dos portistas ocorreu já há 7 anos, tendo sido alcançada na época de 2006/07, fruto de um golo solitário apontado pelo defesa chileno Rodrigo Tello. Aliás, a última vez que o Sporting logrou pontuar no Estádio do Dragão foi na época de 2008/09, tendo-se registado um empate (0-0). De então para cá, não mais a equipa leonina conseguiu evitar a derrota.

O antigo e saudoso Estádio das Antas, palco magnífico de inúmeros e
inesquecíveis clássicos F.C. Porto - Sporting.

A propósito do 80º confronto que amanhã vai opor "dragões" a "leões", o Armazém Leonino recorda hoje um outro clássico disputado na já longínqua temporada de 1978/79, o qual terminou empatado a zero. Este jogo, a contar para a 24ª jornada do campeonato nacional, realizou-se no Estádio das Antas, numa tarde de domingo, mais concretamente, a 1 de Abril de 1979, "dia das mentiras"! 
Na véspera, na sua edição de sábado (31 de Março), o jornal "A Bola" publicava a habitual e indispensável caricatura da autoria do mestre Francisco Zambujal, alusiva ao clássico do dia seguinte que iria opor estes dois eternos rivais. Trata-se, na verdade, de uma belíssima caricatura!

O treinador do F.C. Porto, José Maria Pedroto, defende o seu reduto
da ameaça do "leão", personificado pelo técnico leonino Pavic.

O Sporting, então treinado pelo técnico jugoslavo Milorad Pavic, alinhou num sistema tático de 4x3x3, da seguinte forma: Botelho; Artur, Laranjeira, Bastos e Inácio; Ademar, Marinho e Zandonaide; Keita, Manuel Fernandes e Jordão. Aos 79 minutos de jogo, Zandonaide foi substituído por Manoel.

Uma das equipas leoninas da época de 1978-79.
Em cima (da esquerda para a direita): Bastos, Meneses, Laranjeira, Zezinho, Jordão e Botelho.
Em baixo (mesma ordem): Inácio, Vítor Manuel, Manuel Fernandes, Mota e Zandonaide.

Aparentemente, aquele sistema tático com 3 avançados poderia parecer algo arriscado e demasiado ofensivo, uma vez que o Sporting jogava em casa do F.C. Porto, que lutava lado a lado com o Benfica pelo 1º lugar da classificação. Mas, na verdade, ao longo da partida, a equipa leonina não assumiu grandes riscos e acabou por adotar uma postura de contenção e uma atitude expectante face ao esperado e compreensível maior pendor atacante da equipa portista. Assim, foi o F.C. Porto a assumir as despesas do jogo no que toca ao desenvolvimento de ações ofensivas, assumindo um maior domínio territorial face ao adversário.
Contudo, o Sporting foi sempre uma equipa bem organizada e disciplinada taticamente, extremamamente rigorosa e realista quanto aos seus objetivos, os quais passavam pela conquista de, pelo menos, um ponto, que já seria um bom resultado em casa de um dos seus adversários diretos na luta pelo título. Ao longo dos 90 minutos, a equipa leonina soube posicionar-se muito bem em campo, defendendo sempre com grande acerto, com particular destaque para o seu setor mais recuado, incluindo o guarda-redes Botelho, que não teve uma única falha em toda a partida. O Sporting atuou, sobretudo, em contra-ataque, mantendo sempre o F.C. Porto em constante alerta. Apesar de não ter criado grandes oportunidades de golo, acabou por pertencer ao Sporting a ocasião mais flagrante do encontro, por intermédio de Keita, que permitiu uma excelente defesa ao guarda-redes portista Fonseca.
O empate (0-0) acabou por ser o resultado mais justo face ao que se passou dentro do campo, tendo a equipa portista perdido um ponto face ao Benfica, que no final dessa jornada, e a 6 do final da prova, passava a ter mais 2 pontos que o F.C. Porto e mais 3 que o Sporting. No entanto, na reta final de um dos campeonatos mais emotivos e disputados de sempre, o F.C. Porto acabaria por ultrapassar o Benfica, conquistando o campeonato com apenas 1 ponto de vantagem sobre o seu rival lisboeta, ficando o Sporting na 3ª posição, a 8 pontos do campeão nacional.
Tal como se verificou há mais de 35 anos no antigo e saudoso Estádio das Antas, amanhã à noite, no Estádio do Dragão, esperamos e desejamos que o Sporting consiga pontuar. Se não for possível alcançar a vitória, pelo menos o empate já será um bom resultado. Acima de tudo, fazemos votos para que seja um excelente espetáculo de propaganda da modalidade, com futebol bem jogado por parte das duas equipas e com "fairplay" entre os jogadores dentro das quatro linhas e, igualmente, com civismo e espírito desportivo, entre os adeptos, fora delas.
Pensamos que esta é uma boa altura para o Sporting se deslocar ao terreno do F.C. Porto, uma vez que a equipa leonina atravessa, de facto, um bom momento de forma, estando a praticar um futebol bastante atrativo e até entusiasmante, oferecendo, à sua vasta e fiel massa adepta, espetáculos agradáveis e com muitos golos, como há muito tempo não se via.
Trata-se de um jogo com elevado grau de dificuldade diante do campeão nacional e líder do campeonato. Contudo, esta época, parece-nos que o F.C. Porto não está tão forte e confiante como em anos anteriores, apresentando algumas debilidades defensivas e uma menor capacidade ofensiva, comparativamente, por exemplo, com a temporada passada. Ao contrário da equipa portista, a equipa leonina apresenta-se bastante confiante, motivada e até menos desgastada fisicamente. Caso o Sporting consiga, por um lado, pôr em prática o futebol praticado nos últimos jogos, e, por outro lado, anular os jogadores mais perigosos do F.C. Porto (Fernando, Lucho Gonzalez e Jackson Martinez), pensamos que poderá alcançar um resultado positivo no Estádio do Dragão.